Aqui Comigo (Here With Me)
6 Five
Segundos depois de aproximar uma cadeira da cama de Evan, quando começou a pesar tudo que aconteceu nas últimas horas e tudo o que sentia, Kate ouviu alguém entrar no quarto e se levantou.
— Dylan! — Ela exclamou e se aproximou rápido, passando os braços pelo pescoço do enfermeiro, que certamente não esperava que ela estivesse ali. Dylan e ela eram vizinhos, o garoto era conhecido e querido por toda a cidade, era o típico amigo de todos, cheio de empatia, espalhando sorrisos por aí, morava com a mãe desde a morte do pai quando se mudou para o bairro atual e criou uma amizade saudável com Kate e várias pessoas da região, às vezes ele causava um certo incômodo nos garotos, é claro, já que ganhava facilmente a admiração das mulheres.Se formou em Enfermagem à poucos meses e agora estava ali fazendo o que amava, em uma das unidades da grande rede credenciada de hospitais Pemece (Peters Medical Center). — Hey... sinto muito pelo o que houve. – Dylan sussurrou, retribuindo o abraço. – Você não devia estar aqui, sabia? A garota se afastou devagar e voltou a olhar para o irmão, inconformada. — Quero ver quem é que vai me tirar, aposto que você não falaria nada se fosse o Chase aqui... – Ela vira os olhos rindo fraco. — Claro, ninguém vai mexer com o filho do chefe.. mas você não é filha do Peters então os médicos não vão se importar em te enxotar daqui, aliás eu... – O barulho da porta abrindo o interrompe e o médico de antes entra no quarto, franzindo o cenho enquanto alternava o olhar entre Kate e Dylan. — Ainda por aqui mocinha? Sabe que não pode ficar aqui fora do horário de visita né? Vou ter que pedir pra se retirar. Dylan, acompanhe a moça, por favor. – Ele diz abrindo a porta e tudo o que Kate faz é cruzar os braços e erguer as sobrancelhas, trincando os dentes, odiava ser contrariada e estavam tentando tirar ela de perto do irmão, um absurdo! — Pois vou continuar aqui, nem faz sentido ter horário de visita para um cara em coma, não é como se ele tivesse um cronograma de atividades diárias que não podem ser interrompidas. – Ironizou virando os olhos e voltou a se sentar na cadeira ao lado da cama. – Poupe as energias Dr. Simmons. Em horas assim, o sobrenome e o círculo de contatos de sua família era bem útil, claro que ser vista pelos corredores com o Chase foi o que mais ajudou nesse caso, e no fundo Kate adorava isso. — Kate... – Dylan tentou intervir, num tom repreensivo, mas foi interrompido. — Infelizmente você não é a dona mundo, mocinha. – A raiva estava clara nos olhos dele, era obrigado a aturar desaforos de uma garota mimada para não arriscar perder o emprego. — E quem é você pra ter tanta certeza disso? – Insolência é algo que Kate adorava praticar em momentos oportunos. Claro que ela era a dona do mundo, do seu próprio onde só habita quem ela quer. Após um suspiro ela relaxou os ombros e voltou a falar num tom calmo. – Acho que já acabamos com esse assunto, não é? Enfim... tem algo que preciso perguntar e que só me dei conta agora. Por que demoraram tanto pra me ligar? Cheguei aqui e ele já tinha passado pela cirurgia e tudo mais. O doutor Simmons respirou fundo e passou as mãos pelos cabelos antes de responder. Dylan percebeu que ele parecia prestes a explodir e reagiu. — Deixa que eu explico tudo à ela enquanto checo o estado do rapaz, sabe que pode confiar em mim, você ainda tem muito trabalho, vai lá. – Ele sorriu gentilmente e o doutor Simmons saiu após um aceno de cabeça. Dylan lançou um olhar de advertência à Kate enquanto se aproximava da cama de Evan. — Me desculpa Dy, mas é que não podem esperar que eu fique em casa sozinha enquanto a única coisa que o Evan faz aqui é dormir, também sozinho, não posso ficar longe dele nessa situação. Não deviam fazer isso com ninguém. — Tudo bem, mas você conhece as regras e sabe os motivos delas, não vou te explicar porque sei que o Evan já o deve ter feito, então não se atreva a fazer comigo esse teatrinho que presenciei. — Calma garotão, eu te conheço a anos e nunca sou malcriada assim com você. – Ela ri se levantando e indo pra perto do garoto que semicerra os olhos a fitando com um ar de indignação. – Tá bom, só caso você tenha algo que eu precise muito e me force a usar todas as minhas armas, como aconteceu apenas algumas vezes. Sorrindo feito uma criança sapeca, Kate volta a se sentar e encara Dylan, que apenas ri balançando a cabeça em negação. — Certo, vamos ao que importa. Demoraram te avisar porque levaram o Evan para a cirurgia sem saber quem era, ele estava sem documentos e o carro em que estava era da garota que está no quarto ao lado, ela está acordada aliás, eles estavam bêbados como você deve imaginar, as pessoas que o atenderam não o conheciam, só depois da cirurgia que eu o vi e mandei te ligarem e para os seus pais. Dylan trocava os curativos e Kate permaneceu em silêncio por uns segundos antes de responder soltando um suspiro. — Pelo menos agora ele é maior de idade, menos dor de cabeça. Mesmo assim minha mãe deve estar uma pilha de nervos. À quanto tempo ele está assim? – O olhar dela era sereno enquanto segurava a mão do irmão.
— Cerca de duas horas, mas fique tranquila, ele perdeu bastante sangue e teve uma concussão leve, mas pelo estado dele é bem provável que acorde logo, isso é muito comum nesses casos. — Nossa... você me fala pra ficar tranquila e em seguida me dá uns tapas na cara, é assim que você acalma as pessoas? – Mesmo com o tom sério, seu olhar era divertido. — Caramba, você fica tão engraçadinha quando está preocupada, garota. Tirar sarro da cara do Simmons já foi o suficiente, ok? Agora eu preciso encerrar meu turno e voltar para casa. — Certo Sr. Enfermeiro Certinho, dê um abraço na sua mãe por mim. Ah, e depois tenho que te contar umas novidades, mas é melhor esperar tudo se acalmar porque nem eu sei direito o que tá acontecendo. Com tudo terminado, Dylan balançou a cabeça rindo, deu um beijo rápido na bochecha da garota e saiu do quarto.
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