Saindo do banho, Chase ouviu o celular tocando, encarou a tela por um tempo antes de atender, ainda receoso.

— Ísis?

— Chase, tem como você me encontrar?

— Na verdade não Ísis, aconteceram umas coisas e eu to enrolado. – Ele murmurou tentando ser educado e ao mesmo tempo se livrar dela logo.

— É realmente importante Chase, precisamos conversar e é assunto sério.

Chase franziu o cenho, confuso. O que ela poderia ter importante para tratar com ele? Eles só se viram duas vezes à pouco mais de dois meses atrás, uma quando se conheceram e ele a convidou pra uma de suas festas, e outra três dias depois na festa onde acabaram transando. Ele nem sabia o sobrenome dela!

— Ah caramba, tem certeza que é tão urgente? Eu realmente estou enrolado.

— Sim Chase! Por que diabos eu ia ligar para fazer gracinha com você depois desse tempo?! Quer saber? Chego na sua casa em 20min, não se atreva a sair daí. – E desligou sem esperar resposta.

Chase começou andar de um lado para o outro no quarto coçando a nuca e bagunçando os cabelos, tentando pensar num motivo para a agitação de Ísis e se recusando a acreditar no motivo que mais fazia sentido.

No hospital, agora sozinha com Evan, Kate deixou seus pensamentos viajarem no tempo, passando pelas últimas horas e voltando até onde sua memória alcançava. Momentos com Evan e Chase invadiram sua mente.

Chase... ele sempre esteve por perto, ela até poderia dizer que os dois se conheciam como ninguém, mas as últimas horas mostraram que isso não seria verdade, ela definitivamente não conhecia o Chase apaixonado, até mesmo, várias vezes, cogitou que ele fosse incapaz de se apaixonar.

Afinal, como ele iria se apaixonar por alguém com quem só passou a noite e nem se dá ao trabalho de conhecer? Claro que era algo mútuo, as garotas também não se importavam em procurá-lo no dia seguinte. Algo muito bem calculado, obviamente, se você só quer uma boa noite de sexo, não vai procurar alguém que vá querer algo além disso, não é mesmo?

Chase não era nenhum destruidor de corações, Kate só se convenceu disso como um estímulo para se manter distante. No fim das contas, ela admite que faz sentido ele vir a se apaixonar por ela, claro que isso não a deixa totalmente segura com relação aos sentimentos dele, normal ter dúvidas já que ele nunca esteve num relacionamento e podia, simplesmente, estar confuso.

Kate sentia um pouco de medo, algo em seu interior dizia que aquele garoto teria muita facilidade em magoa-la se quisesse, devido à intensidade do sentimento que permitia florescer em si, mas algo também dizia que valia a pena arriscar e foi essa voz que ela decidiu seguir.


•••


Dirigindo de volta para o hospital, Chase já sentia as pálpebras pesarem. Não fazia ideia de que horas eram, sabia que já era tarde e não pôde cumprir o que prometeu à Kate, mas só então havia conseguido se acalmar e sair de casa. Pensando no amigo em coma e na garota sozinha no hospital, problemas mais urgentes, Chase dirigia focado e ao mesmo tempo viajando em lembranças da Kate, até chegar naquele dia longo e agitado em que tudo mudou.

*Flahsback*
5 horas atrás



— Eu vi como olhou pra ela, cara. – Evan resmungou ao se jogar no sofá. Chase permaneceu parado, ainda só com a toalha envolta do quadril.

— Chega disso, Evan, eu já disse que não vejo a Kate desse jeito, eu conheço ela e sei que ela é o tipo de garota da qual tenho que ficar longe pra não arrumar confusão. Queremos coisas diferentes.

— Exatamente. Eu sei exatamente o que você quer e pode parar de querer. Se chegar nela, vai dar merda e eu não preciso desse drama por aqui. Eu proíbo você, entendeu?

— Tá, tá, já deu, não sou louco a esse ponto... – Após um suspiro, Chase se volta para a escada, de onde Kate vinha contando os degraus como uma criança, depois salta pelo encosto do sofá como uma ninja e olha na direção dos garotos franzindo o cenho.

— Já pararam de jogar? Vocês estão ficando fraquinhos hein, antes passavam horas lá fora quicando aquela bola. – Chase ri do comentário e passa a mão pelo cabelo molhado, os olhos fixos na garota.

— Seu irmãozinho não aguentou, veio com a desculpa de que não dormiu essa noite... você tem secador de cabelo aí né Kate?

— Ah cala a boca, queijinho! – Outro resmungo do Evan enquanto se afundava mais ainda no sofá. – Eu fiquei estudando a noite e a madrugada inteira pra prova que fiz essa manhã.

— Verdade, deixa ele, agora é um menino estudioso... ou quase né, já que só precisou estudar de última hora porque passou o fim de semana enchendo a cara. – Kate virou os olhos e levantou num pulo, agora reparando melhor em Chase: o corpo úmido brilhando, nada além daquela toalha, um sorriso leve de canto e um brilho diferente no olhar que fez Kate sorrir involuntariamente.
— Vou pegar o secador do mocinho.

Em questão de segundos Kate subiu as escadas, sumindo tão de repente quanto apareceu e seguida pelo olhar do loiro de toalha no meio da sala. Quando olhou de volta para o sofá, Chase se deparou com Evan dormindo, já babando em uma almofada. Voltando a olhar para a escada, ele pensou bastante antes de tomar uma decisão, então subiu rumo ao quarto de Kate e encontrou a garota saindo do closet com um secador nas mãos.

— Hey! Pode ir saindo do meu quarto, já peguei o secador, Sr. Apressado, não precisa dessa invasão.

— Nossa, que recepção. – Respondeu com um sorriso, em seguida fechou a porta atrás de si e a trancou. – O problema é que eu não preciso do secador, Kate, preciso de outra coisa.

Estranhando o tom do garoto, Kate virou os olhos e colocou o secador num canto, ele não podia estar sugerindo o que parecia.

— Sem gracinhas Chase, não tenho paciência. – Ela marchou até a porta, com intenção de destrancar, mas Chase logo se pôs na frente dela e, num movimento rápido, agarrou sua cintura e a colocou contra a parede.

Notas finais
Amooores, desculpa a demora! Em compensação, agora será um bombardeio de capítulos hehe Beijinhos da tia Mandy ♥