Kate acordou com o sol batendo em seu rosto, alguém havia aberto as cortinas que ela fez questão de fechar noite passada. Ouviu um ronco fraco ao seu lado e se deparou com Chase, numa posição nada confortável, na cadeira ao seu lado. Havia esperado por ele durante a noite inteira, não por querer ir para casa, apenas pela companhia, porém não se zangou pelo atraso.

Quando finalmente se acostumou com a claridade do sol, levantou e se aproximou da cama de Evan, que continuava desacordado.

— Desculpa por não ter voltado e feito você passar a noite aqui. – A voz rouca de Chase faz Kate virar de súbito em sua direção.

— Tudo bem, me senti melhor ficando aqui mesmo. – Ela sorri fraco e voltou a se sentar.

— Espero que tenha dormido bem, agora pode ir pra casa e descansar melhor. – Chase se ajeita na cadeira e a aproxima mais da poltrona de Kate.

— Ah não, eu estou bem, sério. Você que deve ter mais o que fazer né...

— Ele é quase um irmão pra mim também, Kate, não tem nada mais importante que ficar aqui, sabe quando seus pais vão chegar?

— Minha mãe ligou e avisou que por causa de uma nevasca não sabe quando vão liberar os vôos. Eu também não quero sair daqui, não quero que ele acorde sozinho, eu sei que concordamos em revezar, mas acho que não fico tranquila enquanto ele não acordar.

Ele segura as mãos dela, tentando disfarçar a tensão, e acaricia de leve.

— Mas eu prometo não sair daqui enquanto você estiver fora, ele não vai acordar sozinho. – Engoliu seco ao lembrar que não cumpriu a ultima promessa e o motivo.

— Eu sei, não foi isso o que eu quis dizer, me desculpa. É que se eu não ficar aqui, vou ficar mais preocupada ainda e... – Ela respira fundo e observa suas mãos nas dele. – Enfim, quando você voltou? Aconteceu alguma coisa ou só decidiu descansar?

— Aconteceu. Eu não quis deixar você aqui esperando, eu não faria isso Kate, me desculpa, mas aconteceu uma coisa séria e super inesperada, eu preciso conversar com você sobre isso depois... temos muito o que conversar depois, não é?

Kate percebeu o quanto ele ficava mais tenso a cada palavra e levou as mãos a seus ombros.

— Sim, temos. Mas podemos esperar o Evan melhorar, na verdade, devemos. Não parece certo...

— Eu sei. – Ele interrompeu calmamente. – Eu me sinto assim também, parece errado essa preocupação com nossos sentimento enquanto o Evan está ali. Mas... acho que vai ficar tudo bem, tente ficar mais calma.

A garota sorriu de leve e aproximou o rosto, também inciando uma massagem nos ombros dele.

— Certo... mas você parece bem mais nervoso que eu, vamos os dois manter a calma...

— Olá? – Uma voz baixa e conhecida soa ao fundo da conversa. Evan se acostumava com a claridade e tentava se situar, logo conseguiu identificar as duas pessoas mais próximas que ele tinha na vida, sentadas ali perto e parecendo prestes a se beijar.

— Evan?! – Não demorou muito e Kate saltou da cadeira, se perdeu nas palavras tentando falar algo enquanto parecia saltitar.

Chase riu da agitação da garota, enquanto olhava surpreso para o amigo e feliz de o ver acordado.

— Não sei de onde vem toda essa energia que ela tem. – Disse ao se levantar, logo se aproximando da cama e dando um aperto leve no ombro do amigo. – Que puta susto você nos deu, moleque. Vou ir chamar um médico.

Assim que ele sai, Kate, já mais calma, se aproxima da cama de Evan e agarra sua mão soltando um longe suspiro de alívio.

— Você ficou cerca de 15 horas em coma, um coma intermediário, mas ainda foram 15 horas de puro desespero, mocinho.

— Está me dando bronca? Sério? – Ele fez bico ao que ela virou os olhos.

— Não foi minha intenção, só quis te deixar a par da situação. Como se sente?

— Hum... bem, eu dormi a maior parte do tempo, mas uma vez ou outra eu ouvi algumas coisas, nada que fizesse sentindo. E eu nem preciso perguntar se você ficou aqui por todas essas 15 horas, não é?

— É... não tive a oportunidade de ir em casa. – Evan suspirou.

— Ah, Katie... bom, agora estou acordado e tudo está bem, você vai pra casa e espero que eu também.

— Nada disso, você tá todo quebrado, bastante fodido, pelo o que os médicos falaram você não sai daqui tão cedo.

— Qual é? Não estou tão mal assim... – Ele tenta se mexer e solta um gemido de dor. – Droga. Caramba! E a Violet? A garota que estava comigo, ela está bem?

— Dylan disse que sim, está no quarto ao lado e bem melhor que você, com certeza.

— Menos mal, que merda eu fiz... enfim, o importante é que ela tá bem e você vai pra casa, sem discussão.

— Vou deixar você achar que manda em mim dessa vez, porque realmente foi cansativo e desconfortável ficar aqui, mas saiba que volto em breve, hein. – Kate fez sua melhor cara de convencida e logo o médico entrou no quarto.

— Ei! Bom te ver acordado Evan. Kate, vou ter que pedir para se retirar, sem exceções dessa vez, por favor. – A garota quase riu com o jeito receoso do médico ao falar com ela, mas apenas deu um sorriso angelical e saiu do quarto, encontrando Chase no corredor. Assim que seus olhos se encontram, ela se joga nos braços do garoto.

— Finalmente! Agora eu consigo respirar e pensar direito – Exclama sorrindo, mais alto do que devia, enquanto Chase aperta os braços a sua volta.

— Eu também. Mas não esquece que estamos em um hospital, Kate. – Ele riu. – E o Evan ainda está muito machucado, vamos esperar o que o médico vai dizer depois de examinar ele.

— Nada de "mas". Ele está bem e vai ficar melhor ainda logo, logo. Ponto. Não me venha com pessimismo, Peters! – Assim, Kate atinge Chase com um tapa no ombro e um beijo estalado no rosto, rindo em seguida.

— Isso que é bipolaridade. – Ele a puxa pra perto, depois de alguns segundos afastada, e ela logo se desvencilha rindo. – Ah finalmente essa risada! 15 horas e já parecia o fim do mundo sem essa risada travessa e perversa no ar.

— Nossa, que dramático. – Ficam nessa brincadeira onde Chase tenta pegar Kate, até que Dylan parece e ri do casal.

— Huuum que bonitos, de agarramento pelos meus corredores. Não se esqueçam que isso é um hospital. – Chase não gosta nada da intromissão do moreno e das palavras dele, logo sua expressão muda.

— Aaah Dy, desculpinha... – Kate começa, mas é interrompida.

— "Seus corredores". Essa é boa. – Ele resmunga virando os olhos. Logo a garota acerta mais um tapinha nele e se coloca entre os dois.

— Não vai acontecer de novo, eu já estava indo pra casa mesmo...

— Tudo bem, nos vemos depois, Katie. E que namoradinho legal, hein? – Ironiza enquanto passa por eles.

— Ah, não somos namorados. – Ela responde e Dylan vira no final do corredor.

— Não somos? – A atenção de Kate volta ao loiro do seu lado.

— Não... e o que foi aquilo com o Dylan? Querendo ou não, esse hospital é mais dele do que seu, até onde eu sei você nem quer saber disso aqui e ouvi dizer que seu pai adora o Dylan, ofereceu à ele um emprego garantido para a vida toda quando ele terminar a faculdade. – Ela disse da maneira mais gentil possível e com um tom brincalhão, nunca se importou em ofender o garoto, mas as coisas haviam mudado.

Claro que isso não significa que ela devia deixar de ser sincera, e ainda podia contar com seu dom de fugir do assunto mudando para outro mais polêmico, como a relação de Chase com seu pai e a "perfeição" de Dylan que tanto o irritava.

— Sabe que não gosto muito do seu amiguinho e não me importo com nada disso, só quis implicar, não fuja do assunto. Eu disse que sou apaixonado por você, você disse que é apaixonada por mim, como não somos namorados?

É, dessa vez o truque não funcionou, mas Kate adorou a forma como ele ficou incomodado, nunca imaginou que Chase ia querer tanto um rótulo no relacionamento e com tamanha pressa. Claro que ela não ia perder a oportunidade de se divertir com a situação.

— Não, não é assim que funciona, mas eu entendo que você seja novo nisso. – Kate balançava o corpo e tinha um olhar divertido, obviamente adorando, enquanto Chase se contorcia.

— Qual é... somos, pelo menos, quase namorados, não é?

— Sim, mas "quase" não é o suficiente.

— Você tinha que complicar as coisas...

— Não compliquei nada, você mesmo disse que temos que conversar, é assim que as coisas são e agora preciso ir pra casa. Você estava insistindo para que eu fosse, nem tente me manter aqui, tenho coisas para resolver.

— Certo, certo... fico feliz de ouvir isso, e tenha uma boa noite de sono, acho que Evan vai ficar um bom tempo aqui.

— Na verdade, vou voltar no fim do dia. Prefiro passar a noite aqui, não quero ficar sozinha em casa a noite inteira.

— Se quiser, eu fico lá com você. – Ele sorri de lado.

— Seria ótimo, assim também já conversamos sobre o nosso assunto pendente e quem sabe deixamos de ser "quase" namorados. – Kate sorriu de uma maneira que Chase não conseguiu decidir se era angelical ou diabólica.

— Okay, então te vejo à noite.

— Até à noite. E acho bom levar flores, chocolates e fazer o lance de se ajoelhar. – Ela se afasta rindo. – Ah! E vai ter que falar com o meu pai também, pedir permissão e explicar suas intenções. – Um elevador chega no andar e Kate se apressa para dentro dele, piscando para Chase antes das portas se fecharem por completo.

Notas finais
Me digam o que estão achando, please, é importante pra mim e eu adoro conversar. Beijinhos da tia Mandy ♥