Aqui Comigo (Here With Me)
10 Nine
Chase esperou ali no corredor, até os médicos saírem do quarto e o deixarem entrar. Evan continuava deitado e com uma expressão de dor, mas seu rosto suavizou um pouco ao ver o amigo, bem pouco pois se lembrava do que viu quando acordou.
— E aí, cara? Sentindo muita dor ainda?
— Menos do que parece. Kate foi pra casa? – Sua voz estava rouca e baixa, sentia que se falasse mais alto a dor nas costelas iria aumentar.
— Uhum, parecia bem feliz. – Chase arrastou uma cadeira para perto da cama. – O que os médicos falaram?
— Nada de mais, apenas que vou melhorar logo se ficar de repouso, vou ter que continuar aqui por uns dias em observação e depois posso terminar de me recuperar em casa, parece que não foi tão sério quanto eu estou sentindo.
— Isso é ótimo! Kate vai adorar saber, e com certeza vai pegar muito no seu pé durante essa recuperação. – Ele ri ao imaginar a garota incorporando a mãezona.
— Argh! É verdade! – Evan acompanha o amigo, mas logo cessa o riso. – Falando nela... eu vi aquela estranha proximidade entre vocês. Espero que tenha sido apenas um momento de consolo, sei como ela é bastante sentimental por trás daquela muralha.
Chase coçou a cabeça. Precisava achar um jeito de explicar como e porquê ignorou completamente o que o amigo havia dito a respeito de Kate, e esperava que ele entendesse.
— Evan... não é bem isso. Olha, não deu pra evitar, eu...
— Porra, Chase! Já falei que ela não curte esse nosso "estilo de vida", desiste, tá bem? Com tanta garota por aí, cara.
— Evan...
— Sei que a Kate dá a impressão de ter um coração de gelo, mas essa menina coloca sentimento em tudo, qualquer coisinha deixa ela arrasada e ela já se apaixonou tantas vezes que perdi a conta!
— Eu sei disso, mas...
— Você é louco se acha que vai conseguir algo sem que ela desenvolva sentimentos, isso se conseguir algo, porque você nem faz o tipo dela.
— Cala a boca, Evan! Porra, me deixa falar! Eu quero esses sentimentos, eu não quero só foder ela...
— Por favor, Chase! Tá falando sério? Já parou pra pensar no que acabou de falar?
Evan tinha certeza que o amigo havia enlouquecido. Ele sabia que Chase só estava confuso, agindo por impulso e pensando com a cabeça do pênis.
Nunca que aquele garanhão iria, de uma hora para outra, ficar quietinho num compromisso sério, isso ia terminar mal e, para seu azar, Chase tinha escolhido sua irmã como alvo dessa loucura.
— Claro! Pensei bastante, sei que parece loucura, mas eu estou apaixonado por ela, acho que sempre fui...
— Chase, me escuta, por favor. Acha mesmo que vai dar certo? Que, seja lá o que você está sentindo, vai durar? Você vai acabar magoando ela, sabe disso, eu não quero que isso aconteça, cara... – Chase suspirou, cedendo, e escutanto atentamente as palavras do amigo.
— Aquela garota já passou por umas coisas que você nem imagina, a última coisa que ela precisa é mais mágoa, eu só quero ela feliz e por isso preciso insistir pra você esquecer essa ideia. – Evan estendeu devagar o braço e tocou o ombro de Chase.
— Daqui a pouco você volta a si, ninguém muda da noite pro dia, a gente vai amadurencendo aos poucos e devagar vamos acabar sossegando, mas nesse momento, sabe que estou certo, se vocês ficarem juntos não vai demorar muito até você pisar na bola.
O loiro afunda na cadeira, pensativo, e passa a fitar o chão. Instantes depois, alguém bate na porta e entra em seguida, Evan logo reconhece a loira que estava com ele no carro.
— Violet!
— Oi... pedi pra me avisarem caso você acordasse, por sorte eu ainda estava aqui. – Ela sorri, se aproxima da cama e cumprimenta Chase, que logo percebe estar sobrando e precisando sair dali para pensar.
— Bom, já que você tem companhia eu vou indo. Até mais, vocês dois.
Saindo do Hospital com os pensamentos a mil, Chase se lembrou de Ísis. Por pouco se esqueceu dela, não conseguiu falar sobre isso com Evan e agora tinha que lidar com a sua dor de cabeça sozinho.
Além de Ísis, tudo que o Evan falou o atingiu em cheio e ele sentiu que o amigo estava certo, iria terminar as coisas com Kate antes que tudo ficasse intenso de mais e ela saísse magoada.
Quando o sol se pôs, Kate estava no sofá comendo um pedaço do bolo que havia feito só para se distrair, depois de ter resolvido umas coisas em Standford.
Assistia um desenho animado, tendo em mente que Evan estava bem e que talvez seus pais estariam em casa em poucos dias, depois de meses viajando. Quando começou a ficar realmente escuro lá fora, Kate já se preparou para ir acender todas as luzes da casa, mas então a campainha tocou, Chase havia feito como o combinado.
— Hey! – Exclamou assim que abriu a porta. – Olha só quem não me deixou plantada esperando dessa vez.
— Não vai me perdoar nunca? – Chase riu ao entrar, sabendo que ela estava brincando. – Na verdade, eu vim até mais cedo do que esperava porque acho que precisamos esclarecer umas coisas.
— Sim, claro. – Ela voltou a se jogar no sofá e ele sentou numa ponta. – Fique à vontade.
— Am... okay. É só que... aquele lance de estar apaixonado por você, bem, era brincadeira. – Ele coçou a nuca e forçou um sorriso de lado.
— O quê? – Kate voltou a se sentar, o encarando confusa.
— Era brincadeira sabe, nós ficamos próximos e foi tão legal, eu queria me divertir um pouco e testar uns limites, ver se você cairia. – Deu de ombros. Kate se levantou calada, pensando, e soltou uma leve risada.
Claro que ele não estava apaixonado por ela, era só mais um joguinho, só queria ver ela chorando por ele para alimentar seu ego e ter com o que a perturbar pelo resto da vida. Mas, Kate engoliu as lágrimas, ignorou tudo o que estava sentindo, não daria esse gostinho a ele.
— É, eu sabia. Idiota. Só queria ver até onde você ia levar isso. Até parece que eu ia me apaixonar por você, não é? – Cuspiu as palavras com desdém. Chase se surpreendeu com a frieza da garota e realmente se sentiu um idiota, ela realmente só estava fingindo? Ele levantou rápido e se aproximou dela.
— Como é? Qual é, Kate, sei que não está falando sério... – Ele conseguira ignorar a dor de ter que terminar tudo com ela antes mesmo de começarem, se convenceu de que iria superar. Mas a dor de saber que ela não sentia nada, essa ele nem sequer esperava. Esperava uma conversa em que iria convencer Kate de que, o que sentiram durante a tarde anterior não era algo duradouro, mas descobrir que ela não sentira nada foi uma surpresa dolorosa, a própria dor foi uma surpresa.
— Estou sim, e só aceitei você vir aqui para saber até onde você levaria isso, agora que acabou, você já pode ir embora.
— Mas... não precisa de companhia?
— Não da sua.
— Kate...
— Anda logo, Chase, vai embora! – Bravejou apontando a porta, estava se segurando o máximo possível, não ia aguentar muito tempo.
Chase bufou e balançou a cabeça frustrado, incrédulo, se arrastou até a porta e para fora da casa se perguntando até onde teriam ido se não fosse a conversa com Evan, e isso o lembrou do que o amigo disse sobre Kate fingir ter um coração de gelo.
Arrependido, porém receoso de mais para voltar atrás, Chase se viu entrando no primeiro bar que veio em mente.
Em casa, assim que fechou a porta, Kate desabou no sofá molhando uma almofada com lágrimas. Se sentia idiota, humilhada, por ter acreditado em Chase e permitido que esses sentimentos viessem a tona. Agora também tinha que lidar com o fato de que estava sozinha em casa e cansada de mais para voltar ao hospital.
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