Notas iniciais
Cara, perdoem a demora, sério hahaha' Acontece não é? Rsrs' De qualquer forma, espero que gostem. Boa leitura!

Fiquei sentada em silencio, apenas observando os dois. Não fazia a mínima do que faziam e nem como faziam. Mexiam e remexiam no violão, regulando algo, mas eu não via a mínima diferença no som que o instrumento produzia. Me sentia uma completa perdida.

— Então, não foi trabalhar hoje por que? – Me perguntou Renan distraído.

— Ah, a loja vai estar fechada hoje. – Menti pra ele. Seria constrangedor dizer que não fui simplesmente porque estava cansada, soaria absurdamente infantil.

— Sério? Por que passei por lá hoje e ela estava bem aberta. – Disse ele me olhando com um sorriso divertido no rosto. Jogada injusta a dele, comecei a sentir o rosto queimar de vergonha, tanto pelo seu sorriso quanto por ter sido descoberta.

— Estava cansada hoje. – Respondi com o rosto virado. Ouvi ele dar aquela risada dele, tinha um som maravilhoso.

— Eu menti, não passei por lá hoje! – Disse ele, ainda sorrindo. – Sabe, você não mente bem. – Ele continuou se divertindo, só queria sair daquela sala e ir pra casa.

— Enfim! – Interrompeu Davi, por uns minutos havia esquecido que ele estava ali. – Vamos ensaiar o que hoje? – Renan ajeitou o violão no corpo e colocou sua cadeira de forma a formar um círculo entre nós.

— Então, como ainda estamos em tempo, prefiro dar uma ensaiada na voz da Eloisa primeiro. Vamos ver a música I See Fire, do Ed Sheeran, que foi a que ouvi ela cantar. A partir daí podemos quem sabe fazer um arranjo para o festival.

— Você gosta de Ed Sheeran? – Me perguntou Davi.

— Sim! Muito! – Respondi animada. – E você?

— Ah, não digo que sou fã, mas ele tem umas músicas muito boas, gosto de um bom número delas até. – Ele disse. Como era possível? Davi era do time de vôlei da escola, tocava violão e gostava de Ed Sheeran! Sabe, não são qualidades que sempre procurei em alguém, mas convenhamos que é impressionante e chama atenção. Enquanto eu... Sei tocar algum instrumento? Não. Conheço teoria musical? Não. Sei desenhar? Não. Sou boa nos esportes? Não.

— Certo então, pronta? – Renan me perguntou.

— Claro que não. – Disse rindo meio torto.

— Eu vou começar junto com você, pra não se perder, mas depois vai ter que continuar sozinha. – Ele respondeu. – Vamos pular o começo da música e ir direto pra parte que o violão entra, ok?

— Ok. – Respondi com a voz quase muda.

Então, ele começou a tocar a música. Seus dedos eram grandes e ágeis, fazia muitos anos que não o via tocar, tinha esquecido de como era lindo. Ele fazia algumas pequenas caretas na transição de um acorde para outro, era engraçado, mas era lindo também. Fiquei tão distraída que nem prestei atenção quando a parte do violão terminou e ele começou a cantar, levantei a cabeça surpresa e aí, ele já percebeu que eu não havia prestado atenção. Ele parou de tocar e ficou me olhando com uma cara de quem não entendia o que estava acontecendo.

— Então? – Ele perguntou, o rosto estava sério, mas ele em si não estava.

— Ah, desculpa! Eu me distraí. – Respondi voltando a ficar vermelha. Sério, quando digo que ninguém me vence em passar vergonha não é brincadeira! Muito menos exagero, não sei qual o problema comigo.

— Certo, então vamos começar de novo. – Ele disse.

Ele começou a tocar novamente. Dessa vez me segurei pra não admirar demais e me perder novamente. Tentei prestar atenção só na música, era uma das minhas favoritas então conhecia cada nota dela, isso não significa que sabia cantar, apenas que conhecia as notas. Acabou por fim a introdução e Renan começou a cantar, junto com ele também comecei, mas bem baixinho, quase um sussurro. Renan percebeu isso e foi diminuindo o tom da voz dele, pra deixar transparecer mais a minha, Davi estava quase na minha frente e falava, com sinais, pra eu cantar mais alto.

Por fim, pensei “já passei vergonha demais hoje, que diferença faria passar mais uma?”. Então resolvi tentar cantar de verdade, elevei mais a minha voz e fiquei olhando para a parede tentando me desligar dos dois que me assistiam. Pensei em Marie, essa era nossa música favorita, imaginei ela sentada ao meu lado pra me sentir mais confortável. Sinceramente, poderia ter me saído melhor, bem melhor, mas estava satisfeita já.

Renan parou de tocar depois do primeiro refrão, consequentemente parei de cantar também e voltei para a vida real, havia conseguido me distrair muito bem. Olhei para Davi e ele me lançou um sorriso motivador, não sou boa avaliadora mas, acho que notei um toque de surpresa em seu rosto, mas apenas ignorei.

— Eu sabia. – Disse Renan sorrindo. – Sabia que não estava enganado! Sua voz é maravilhosa. – Ele disse ainda sorrindo, fiquei absurdamente feliz com o elogio, havia ganhado meu dia já, mas também fiquei com tanta vergonha que não sabia onde enfiar a cara.

— Obrigada. – Respondi com um sorriso que era uma mistura de felicidade, constrangimento e uma vontade de rir também, pensando bem, acho que foi uma cara bem idiota.

— Então, vai participar do festival com a gente? – Perguntou Davi com seu rosto calmo.

— Bom... Não sei se é uma boa ideia, mas posso tentar. – Respondi. Uma resposta simples, mas que pareceu deixar ele muito satisfeito. Davi tinha um sorriso radiante.

Meu pequeno “teste” acabou, porém fiquei lá mais um pouco vendo Renan e Davi testarem e ensaiarem mais algumas coisas. Renan tinha uma voz maravilhosa quando cantava, era grave mas não muito e intensa, parecia que entrava dentro da gente a voz dele; Davi cantou pouco mas sua voz era suave, assim como ele, fazia você se sentir feliz. Pensando bem, acho que estava no meio de duas pessoas incríveis.

O ensaio acabou, mais cedo que o previsto porque aparentemente Renan tinha algum compromisso. Ele saiu da sala e vi pela janela ele pegando sua moto e indo embora. Davi se ofereceu para me acompanhar no caminho de volta até certa parte, aceitei e fomos embora juntos.

Estava um pouco sem graça de ficar a sós com Davi, não sabia como interagir com ele então fiquei apenas quieta observando o caminho. A tarde estava bem fresca, o céu bem azul com uma ou outra nuvem e o horizonte começando a ficar alaranjado.

— Sabe, acho que é natural nos acostumarmos com o lugar onde nascemos, mas sinceramente nunca me canso dessa cidade. – Comentou Davi olhando pro mar, foi como se tivesse lido meus pensamentos. – Não sou muito fã de cidade muito movimentada, gosto assim, de tranquilidade, acho que tenho a alma velha nesse sentido. – Disse olhando pra mim com um sorriso sem graça. Retribui o sorriso pois entendia o que ele queria dizer, e sempre fui “ridicularizada por isso”.

— Acho que entendo o que quer dizer. Sabe, antigamente, quando era mais nova, não gostava muito do sol, detestava. Mas conheci uma pessoa que amava e me fez perceber quão maravilhoso é um dia ensolarado, é aconchegante. Também sempre observo o mar, gosto dessa calmaria. – Davi sorriu.

— Temos até muita coisa em comum. – Ele parecia bem feliz.

— Temos sim. – Respondi. Após isso o silencio voltou e continuamos a caminhar quietos, mas não era um silencio incomodo, pelo menos não no começo. As ruas não estavam cheias então dava a impressão de que estávamos começando a ficar cada vez mais sozinhos, e isso começou a me deixar um pouco desconfortável.

— Bem. – Ele começou a falar quebrando o silencio. – Tenho que seguir por outro caminho agora. – Havia esquecido que iriamos juntos só até certa parte, ia responde-lo mas assim que olhei para trás dele, vi uma cafeteria simples, em uma das mesas perto da janela vi Renan e Sasha, sozinhos conversando, estavam rindo. Aquilo me deixou paralisada por um tempo, tentei ver alguma coisa, qualquer sinal que indicasse que eu os estava confundindo, mas não, era eles e ponto final.

— Está tudo bem? – Davi me perguntou e voltei pra realidade, ele ia começar a se virar pra olhar na direção em que eu estava olhando mas não deixei, se ele visse Renan, já era.

— Sim! Está sim. – Eu disse tentando soar o mais normal possível. – Só achei que tinha visto alguém que conhecia mas me enganei.

— Ah, tudo bem então. – Ele pareceu acreditar, ainda bem. – Então, será que qualquer dia nós poderíamos sair? Assistir um filme ou qualquer coisa assim.

— Claro, sem problemas. – Respondi mais para cortar o assunto logo do que por realmente ter processado sua pergunta.

— Ótimo! – Ele disse bem feliz. – Então, nos vemos na escola. – Ele disse e saiu, dei um pequeno aceno para ele.

Davi se foi mas continuei parada alí por alguns segundos. Renan e Sasha pareciam ter uma conversa séria, apesar de estarem vez ou outra sorrindo e brincando. Sabe, sempre soube que gostava do Renan, mas ver aquilo fez algo dentro de mim se desmanchar, minha vontade foi de jogar uma cadeira naquele vidro e sair correndo. Mas a única coisa que fiz foi sair correndo.

Resolvi que passaria na hospedaria para ver Marco e perguntar sobre isso, não conseguiria ficar em paz sem uma resposta. Renan e Sasha voltaram a namorar? Porque infelizmente isso fazia muito sentido! Mas por alguma razão, isso era inaceitável pra mim.

O período em que Renan namorou Sasha, no colegial, foi algo bem chato pra mim. Não conhecia ela direito e Renan começou a ir com menos frequência em casa, Marco sempre dizia que como ele estava namorando era óbvio que dedicaria mais atenção à namorada. Isso me deixava louca! Mas quando conheci Sasha pela primeira vez, me senti absurdamente mal por ter nutrido sentimentos ruins por ela, sempre foi uma menina maravilhosa, inteligente e simpática, chegava a ser injusto. Como eu era pequena e inocente, quando Renan foi em casa depois de algum tempo de namoro reclamei que ele havia nos “trocado”. Lembro perfeitamente dessa cena, ele sorriu pra mim, passou a mão na minha cabeça e disse “nunca substituiria vocês”, depois entrou e ficou o resto do dia com meu irmão. Será que agora, depois dos anos que passaram ele diria o mesmo? Ou apenas disse aquilo na época pra fazer uma criança chata como eu ficar quieta?

Cheguei na hospedaria e entrei, Marco estava sentado no balcão mexendo no celular, nada de importante provavelmente. Fechei a porta e me sentei em uma cadeira qualquer, peguei meu celular e comecei a mexer nele também. E ficamos assim por uns minutos, nada de estranho, fazíamos isso sempre quando Marco ainda morava em casa e queríamos a companhia um do outro, ele entrava no meu quarto ou eu no dele e ficávamos sem fazer nada juntos, era tranquilizador.

— Então...? – Disse Marco depois de já terem se passado uns quarenta minutos.

— O que? – Perguntei.

— Que veio fazer aqui?

— Nada de mais, só não queria ir para casa agora ué. – Respondi mas ele continuou olhando pra mim, por alguma razão isso me irritou. – O que é? Que coisa mais desagradável!

— Vai ficar dando chilique ou vai dizer logo o que aconteceu? – Disse ele calmamente.

— O que te faz pensar que aconteceu algo? Só estou passando o tempo.

— Intuição. Sabe se você esqueceu sou seu irmão mais velho e te conheço como a palma da minha mão.

— Brilhante! – Respondi ironicamente. – Mas realmente não é nada, deve ser TPM, só isso. – Marco soltou um suspiro e foi até a cozinha, voltei a mexer no meu celular, já havia me irritado, uma enorme falha porque isso deixaria qualquer pergunta minha suspeita.

— Toma. – Disse Marco estendendo a mão para mim, olhei e vi uma barrinha de chocolate. – Vê se fica calma agora.

— Obrigada. – Disse emburrada e peguei o chocolate, Marco voltou para o balcão e se sentou.

— Sabe, você não sabe mentir. – Disse ele.

— O que quer dizer? – Perguntei mordendo um pedaço do chocolate. Marco soltou uma risada de deboche.

— Jura que quer mentir para mim? Te conheço bem Elo, não fica estressada quando está de TPM, na verdade poucas coisas te deixam estressada e TPM não é uma delas, você fica chorona, manhosa e bem quieta, mas não estressada.

— Então por que me deu o chocolate? – Perguntei, uma pergunta totalmente sem importância.

— Porque sou um bom irmão. – Disse ele.

— Na verdade você ganhou isso, é chocolate meio amargo, você não gosta, não ia comer e ia dar pra alguém, achou a oportunidade e deu pra mim. – Marco riu.

— Então por que me perguntou?

— Pra te mostrar que não é tão bom irmão assim.

— Certo, isso não está levando a nada. – Ele disse rindo um pouco. – Mas sei de uma coisa que te deixa brava. Você não consegue lidar com algumas coisas complicadas que acontecem ao seu redor, não sabe conversar e nem dizer as coisas direito, isso te deixa brava. Então quando quiser me contar o que está te incomodando é só dizer. – Marco disse. Depois disso não neguei mais que ele realmente me conhecia, então apenas fiz um aceno afirmativo com a cabeça e voltei a comer o chocolate e mexer no celular.

Depois de passados mais alguns minutos me levantei e comecei a olhar algumas prateleiras da hospedaria, então como quem não quer nada perguntei:

— Renan e Sasha voltaram a namorar? – Olhei para Marco e quando fiz a pergunta vi seu rosto se fechar e ficar sério, foi uma reação tão rápida que eu poderia jurar ter sido coisa da minha cabeça, mas não foi. Ele voltou ao normal e apenas respondeu:

— Não que eu saiba, por que?

— Por nada, apenas vi os dois juntos por acaso hoje e fiquei na dúvida.

— Não me surpreenderia se tivessem voltado, mas não sei de nada. – Disse ele, senti um certo alívio mas não muito, ainda não tinha certeza de nada. Fiquei mais um tempo na hospedaria e depois Marco me levou de volta para casa.

Dormi como uma pedra, estava realmente cansada. Acordei com o rosto todo inchado e olheiras, mas não liguei pra nada disso, não poderia ter acordado mais estressada, não estava ligando para nada, só queria fazer o que tinha de fazer logo para voltar para casa. Tudo isso por que? Exato, por ter visto Renan com a Sasha no dia anterior, na verdade acho que não era apenas isso, mas se tinha mais alguma coisa não havia notado ainda.

Cheguei na escola um pouco atrasada pra não ter que cumprimentar ninguém, sentei na minha mesa e fiquei lá. Como sou perfeitamente azarada, as duas primeiras aulas seriam de história, com Renan. Minha vontade era de andar com os olhos revirados, as pessoas falavam comigo e a única coisa que queria fazer era revirar o olho para elas. Eu estava um saco.

Abaixei minha cabeça em minha mesa e fiquei lá, distraída, apenas pensando e pensando, mas não em coisas produtivas, coisas aleatórias.

— Eloisa!

Levantei a cabeça rapidamente e vi Renan olhando seriamente para mim, não estava entendendo nada, Marie virou para trás e apenas cochichou para mim “ele está fazendo a chamada”.

— Ah! Desculpa, presente! – Respondi um pouco constrangida. Renan baixou a cabeça e continuou a fazer a chamada.

Fiquei o resto da aula olhando para a janela, não queria correr o risco de dormir novamente mas também não conseguia me concentrar em nada. Basicamente não ouvi nada da aula. Renan passou uma simples lição para fazermos, como não tinha prestado atenção não sabia como fazer, esperei Marie terminar e copiei dela.

— Quando terminar entregue meu caderno junto com o seu. – Disse Marie calmamente, ela já havia notado que eu estava péssima, sempre notava. Concordei com a cabeça e comecei a copiar.

Terminei de fazer minha lição e fui levar os cadernos para o professor. Por alguma razão, quanto mais perto chegava de Renan sentia um peso no meu peito, e isso começou a me deixar ainda mais irritada. Apenas coloquei os cadernos na mesa dele e comecei a voltar para meu lugar.

— Eloisa. – Ouvi ele me chamar, revirei os olhos.

— Sim? – Perguntei olhando para a mesa dele.

— Quer conversar depois? – Ele me perguntou falando baixo apenas para nós dois ouvirmos.

— Estou bem, não precisa. – Forcei um sorriso e comecei a sair novamente, apenas o ouvi dizer “eu te conheço”, nem preciso dizer que isso acrescentou um peso a mais no meu peito, não é?

Eu estava um verdadeiro saco, se alguém me perguntasse quem era a pessoa mais chata do mundo eu diria sem pensar “eu mesma!”. As aulas que se seguiram foram um porre, comecei a ficar impaciente e o tempo parecia não passar. Depois do que pareceu 1000 anos, o sinal do intervalo bateu, todos saíram da sala e eu me levantei para sair também. Senti um leve carinho na minha cabeça, me virei e era Ethan, deu um pequeno sorriso para mim, depois um abraço e saiu.

— Vem. – Disse Marie segurando meu braço.

— Aonde?

— Conversar. – Ela disse e continuou me levando, até que paramos no jardim da escola, sentamos em um banco e ficamos lá.

— Então... O que aconteceu? – Ela perguntou.

— Não aconteceu nada. – Disse sorrindo.

— Você não sabe mentir. – Ela disse séria. Era a terceira pessoa que me dizia isso, passei a acreditar.

— Mas não estou mentindo. – Ainda assim insisti no "não houve nada".

— Ok. – Disse Marie, ficamos então sentadas em silêncio. Marie comia um lanche e eu apenas uma maçã que peguei em casa.

— Sabe Elo. – Ela recomeçou. – Você não confia em mim ou algo assim? Eu sei que sou diferente de você em muitas coisas, e as vezes posso ser até dura demais, mas eu me importo sabia? E muito, só quero ajudar. – Senti meus olhos arderem um pouco depois de Marie dizer isso.

— Eu não presto, Marie, pra nada! – Comecei a dizer, então me dei conta de tudo o que carregava, meus olhos começaram a arder mais porém segurei o choro. – Não me sinto segura, não tenho auto confiança, nada, entende? Quando disse pra mim que um tal de Davi estava interessado em mim pensei “impossível, deve estar me confundindo”, depois que o conheci achei mais impossível ainda! Ele é uma pessoa tão incrível e talentosa. E não é só ele, muitos a minha volta parecem estar acima da média, enquanto eu pareço estar empacada no mesmo lugar, sempre! Sou insegura e muitas vezes não sei nem dizer o que está me incomodando. Não sei resolver os meus problemas, não sei conversar sobre algo sério e que me faz mal; sou atrapalhada e demoro para entender muita coisa. Sempre digo para as pessoas “não é nada”, mas as vezes não é nem por mal, é que não sei nem por onde começar a dizer ou o que dizer! Entende? Provavelmente você não entende porque é uma das pessoas “acima da média”, ah! Não sei nem explicar. – Terminei, soltei tudo como se fosse uma bomba, como se algo que a muito tempo pedia pra sair saísse.

— Doeu falar isso tudo? – Disse Marie seriamente. – Você não precisa dizer as coisas “corretamente” como está pensando, basta falar. Você é realmente tudo isso que descreveu, sem tirar nem pôr, se alguém me perguntasse “como a Eloisa é?”, talvez eu diria coisas como essas. Mas sabe, você não é APENAS isso, essas coisas apenas fazem parte de quem você é, entende? Todos tem lados positivos e negativos Elo, todos, não falo isso só por falar não, é porque é a realidade. Claro, existem pessoas que já nascem como uma facilidade maior para desempenhar algumas atividades, outras já tem que se esforçar mais, porém é a mesma coisa que nascer rico ou pobre, não escolhemos isso, mas temos de nos virar da forma que podemos. Entende o que quero dizer?

— Sim. – Respondi olhando para o chão, enquanto mordia meus lábios para segurar o choro.

— Sabe, as coisas realmente não vão andar para nós se não dermos um impulso, não vai! Digo isso porque já tive que fazer várias mudanças em mim mesma. Não é fácil, mas é a única forma de fazer as coisas mudarem, e é muito bom e divertido quando começamos a fazer coisas que tínhamos medo antes, nos sentimos melhores e capazes, aos poucos isso vai fazendo parte de nós mesmos. É tudo uma questão de esforço, abandonar a zona de conforto e dizer “não dá mais, não é isso que eu quero”.

— Eu sei, mas não é fácil. – Respondi.

— Claro que não é fácil! Como poderia ser? Abandonar algo que nasceu conosco é muito difícil, é uma luta constante, mas não impossível. Nosso maior inimigo é nós mesmos, e quando aprendemos a lidar com isso fica muito mais fácil lidar com o resto. Mas vou dizer mais uma vez, se não tomarmos uma atitude, nada muda, nada! As coisas não vão avançar para nós.

— Tem razão, faz sentido. – Eu disse abrindo um pequeno sorriso.

— E sabe de uma coisa? Se alguém me perguntasse “como a Eloisa é?”, eu também responderia que ela é engraçada, simpática, tem um coração enorme, é corajosa, reconhece seus erros, é responsável, de confiança. É bem atrapalhada, mas faz o seu melhor do seu jeito. A Eloisa também é isso, e tem muito mais para acrescentar.

— Está mentindo. – Eu disse brincando, sorri e as lágrimas rolaram, Marie me deu um abraço e ficamos ali juntas por um tempo, até que Ethan chegou e se juntou a nós. Meu humor melhorou e já estava mais disposta.

— Mas então. – Disse Marie. – Quero saber o real motivo que te deixou tão mal assim.

— Podemos tomar um sorvete depois da escola, aí te conto tudo. – Respondi.

— Fechado.

Notas finais
Então, o que acharam? É muito importante pra mim saber a opinião de vocês! Até o próximo capítulo!