Notas iniciais
Sinceramente fiquei meio confusa em como escreveria esse capítulo ahusdh' Mas espero que gostem! Boa Leitura!

Renan tinha me beijado, Renan tinha me beijado, Renan tinha me beijado, Renan tinha me beijado, Renan tinha me beijado, Renan tinha me beijado, Renan tinha me beijado, Renan tinha me beijado.

Minha cabeça circulou por essa frase a noite inteira. E foi a primeira coisa que disse a Ethan e Marie quando entraram pela porta do meu quarto.

— Renan me beijou!! — Disse completamente desnorteada para eles, vi os dois olharem um para a cara do outro e os olhos arregalaram.

— O que? — Disse Marie correndo e sentando nos pés da minha cama, Ethan fechou a porta e se sentou também.

— É isso mesmo! Renan me beijou ontem!

— Como isso aconteceu? — Ethan perguntou. Contei tudo o que havia acontecido desde que tinha saido da escola no dia anterior. Contei tudo o que Renan tinha feito e me falado durante o dia todo.

— Então aconteceu, ontem ele se aproximou e simplesmente... me beijou.

— Você nem gostou né? — Disse Ethan me olhando maliciosamente.

— Claro que gostei, como não gostaria? — Eu disse e eles riram. — Mas a questão é: por que ele fez isso? Ainda por cima logo depois da confusão que deu na escola.

— Porque ele gosta de você, oras. — Disse Ethan simplesmemte como se eu fosse a pessoa mais burra do mundo.

— Não! Impossível, qualquer coisa é mais provável que isso! — Respondi.

— Por que? — Perguntou Marie.

— Por que? Ué, como isso seria possível? Ele sempre me tratou como uma irmã mais nova e... só não faz sentido. — Eu disse e Marie revirou os olhos.

— Como você é tonta. — Disse ela. — Até onde eu saiba, nunca vi dois irmãos se beijarem por puro afeto de irmandade. Mas se está tão confusa assim por que não questiona ele? Ainda mais agora que ele certamente sabe o que você sente.

— Ficou doida? Como eu faria isso? Vou chegar nele e perguntar: "Eai chuchu, por que me beijou ontem?". — Ethan começou a rir.

— Por que você tenta dificultar tudo? Se não quer conversar com ele por que não tenta você beijar ele e ver como ele reage? — Disse ele.

— Vocês tem uma ideia pior que a outra! Olhem para mim! — Eu disse apontando para mim mesma. — Qual a chance de eu conseguir fazer qualquer uma dessas coisas?

— Certo, então fique remoendo isso na sua cabeça para sempre e perca a oportunidade de saber como ele se sente, até chegar o dia em que ele se canse de você ser parada como um tijolo e siga a vida dele. — Disse Marie e por alguma razão isso doeu profundamente.

— Você é cruel.

— Não sou cruel, você quer ficar para sempre com esse jeito "Eloisa" então vai lidar para sempre com as consequências da "Eloisa". — Ela disse, e era pura verdade, eu sabia disso. Eu havia tentado mudar antes e consegui, pouco mas consegui. Agora era a hora de eu realmente fazer o que estivesse ao meu alcance.

— Vou tentar. — Eu disse, e eles pareceram satisfeitos.

— Mudando de assunto, acho que você deveria saber. — Começou Ethan. — O time de vôlei foi eliminado do campeonato hoje, Davi estava bem mal, Alissa foi até ele depois do jogo mas ele a ignorou completamente. Não está falando com ela depois do que aconteceu. — Ele terminou e eu senti um aperto no coração, minha falta de determinação com Renan havia machucado Davi, meus problemas com Alissa haviam envolvido ele. Talvez estivesse apenas querendo levar a culpa por tudo, mas eu realmente sentia que havia feito muito mal para Davi.

— Por que está me dizendo isso? — Perguntei.

— Por nada, apenas achei que deveria saber. — Ele disse.

— Mas! — Disse Marie quebrando o silêncio. — Ethan conseguiu ir para a semifinal do campeonato de futebol! De novo. — Ele disse orgulhosa, havia esquecido que ontem teve outro jogo.

— Isso é bom! O próximo jogo eu vou assistir, sem falta!

Marie e Ethan passaram um pouco a tarde comigo, ficamos na sala assistindo alguns filmes aleatórios e comendo pipoca. Minha febre havia passado, mas minha cabeça ainda pesava um pouco e sentia certa indisposição, mas amanhã provavelmente estaria 90% recuperada.

O resto do dia não fiz nada produtivo, não quis passar na hospedaria com medo de ver Renan, ele também não havia passado em casa nesse dia e me senti aliviada por isso.

Fiquei em casa mesmo e resolvi arrumar meu cabelo que estava um caos por ter dormido com ele molhado no dia anterior. Estava diante do espelho pronta para alisar o cabelo quando olhei para mim, olhei de verdade depois de muito tempo. Eu estava muito bonita, mesmo com o cabelo desarrumado, estava hidratado e brilhoso, meu rosto estava limpo e os olhos brilhando, estava perfeita sem qualquer maquiagem no rosto. Olhei para a menina em frente ao espelho e percebi que ela podia tomar a frente das situações e não apenas ficar acuada no quarto. E pela primeira vez, vi que realmente havia motivos para Renan sentir por mim o mesmo que eu sentia por ele, eu era linda, atrapalhada e confusa mas eu sabia lidar com isso, e eu também não era apenas isso. Se Renan gostava de mim, ele tinha bom gosto também, e seríamos um casal maravilhoso.

Acordei no dia seguinte bem mais disposta, resolvi que iria ir para a escola. Sem que eu percebesse estávamos no meio do ano, estava acabando meu periodo escolar, e eu não fazia a mínima ideia do que iria fazer depois disso. Não poderia ficar para sempre trabalhando na hospedaria do meu irmão.

Assim que cheguei na escola eu parecia uma celebridade, todos olhavam e cochichavam, eu via eles cochichando então não sei o real motivo de fazerem isso. Mas para a minha surpresa não estava realmente incomodada, aquelas pessoas não tinham nada a ver comigo ou com minha vida, então por que deveria me importar?

Entrei na sala e me sentei, as primeiras aulas eram de Renan, mas não me apavorei, teria mais uns 30 alunos na sala então não teríamos que nos relacionar ali. Ele explicou algumas coisas sobre a Segunda Guerra Mundial e depois passou alguns exercícios, não olhou para mim uma vez sequer, fiquei incomodada mas não liguei, não podíamos praticamente ficar a menos de um metro de distancia mais na escola.

Terminei os exercício e me levantei para levar até ele, junto com os cadernos de Marie e Ethan. Coloquei na mesa dele e ele corrigiu, sem levantar o olhar. Entendia o porquê dele estar agindo assim, mas algo dentro de mim me incomodava, muito. A verdade era que eu não entendia nada.

O intervalo chegou e assim que comecei a guardar meu caderno na mochila vi que havia um bilhete em baixo da minha mesa:

"Eloisa, venha para trás da escola quando o sinal do intervalo bater."

Não fazia a mínima ideia de quem era e também não reconheci a letra. Pensei em ignorar mas o bilhete era claro. Falei para Marie que tinha que resolver algo antes e depois me encontrava com ela.

Andei depressa até os fundos da escola, já tendo em mente que se não houvesse ninguém iria embora, e se tivesse alguém desconhecido também iria embora. Meu nome estava rodando muito a escola ultimamente, vai saber que tipo de pessoa estava me chamando.

Cheguei e olhei com cuidado ao redor, não havia ninguém. Comecei a dar a volta para ir embora quando ouvi passos atrás de mim.

— Você veio! — Gelei quando olhei e vi Alissa parada ali, olhei para ela sem entender nada mas continuei a andar para ir embora. — Espera! — Disse ela correndo até mim e segurando meu braço, soltei rudemente e olhei para ela.

— Foi você que me chamou aqui? — Perguntei

— Foi. — Disse ela se afastando um pouco, parecia inacreditavelmente inofensiva.

— Não tenho tempo, estou indo.

— Espera, por favor! Me ouça por três minutos! Depois faça o que quiser. — Ela disse, parei e fiquei ali esperando que ela falasse.

— Três minutos. — Eu disse.

— Preciso da sua ajuda. Davi está mal e também não fala mais comigo! Preciso que converse com ele, ele vai te ouvir tenho certeza! — Ela disse e fiquei ali tentando me convencer de que era aquilo mesmo que ela estava dizendo. Comecei a rir.

— Está falando sério? — Perguntei, ela era inacreditável.

— Estou. — Disse ela.

— Cadê? Está armando alguma coisa, não é? — Perguntei olhando em volta tentando achar alguma coisa que a denunciasse.

— Não estou aprontando nada, não desta vez. — Ela disse e nesse momento começou a chorar, senti meu corpo ferver de raiva. — Sei que sou uma pessoa horrivem, mas eu me importo de verdade com Davi, demais! Não aguento vê-lo do jeito que está, e por mais que eu te odeie sei que pode conversar com ele. Por favor! — Ela disse e senti meu coração amolecendo, mas continuei firme.

— Você mesma fez isso, você deixou ele assim e a culpa é toda sua por ele não querer mais falar com você. Caso não saiba, fui suspensa da escola por um dia por causa do seu escândalo, e isso certamente deve ter afetado Davi no jogo de vôlei que perdeu. Sua irmã e Davi vivem te acobertando, mesmo depois do que revelou para a escola inteira sobre mim e Renan. Agora lide com as porcarias que faz, estou lidando com as minhas e não tenho nenhuma obrigação de lidar com as suas também. Não sou sua irmã e não sou Davi para passar a mão na sua cabeça.

— Mas... — Ela começou a dizer mas cortei.

— E caso não tenha reparado, naquele dia Davi também não quis me dar ouvidos, não estou em uma posição muito melhor que a sua. Se por um acaso eu fosse conversar com ele seria para acertar os meus problemas. — Eu disse e fui embora, ouvindo ela chorar atrás de mim. Me senti mal, mas se tinha um momento em que ela iria sentir toda a verdade era essa. Além do mais, sinto que mais a ajudei do que prejudiquei, afinal se fizesse o que ela me pediu só iria ajudar ela a ficar estagnada onde estava. Estava na hora dela crescer um pouco sozinha, como todos devem em algum momento da vida.

Andei pelo corredor para procurar Marie, como era de se esperar me encontrei com Renan no corredor, entrei em desespero por alguns segundos mas depois recobrei a compostura, sorri para ele mas ele apenas deu um leve aceno com a cabeça e continuou a andar. Fiquei confusa mas fiz o mesmo e fui me encontrar com Marie.

— Você não sabe o que Alissa acabou de fazer. — Falei para Marie e contei a ela o que havia acontecido, ela ficou tão indignda quanto eu.

— Eu queria abrir a cabeça dessa menina e ver como as coisas funcionam lá dentro. — Ela disse. — Mas cara, você foi maldosa.

— Não fui maldosa, eu disse a verdade, ela tem que resolver os problemas dela sozinha.

— Mas sabe, fico mal por ela, não vou negar que fico com vontade de ajudar. — Ela disse.

— Sei como se sente, mas não há nada que podemos fazer, não agora.

As aulas terminaram e segui para a hospedaria, já conseguia trabalhar novamente e precisava compensar pelos dias que não pude ir.

Estava tudo agradavelmente calmo, falei com Marco para avisar que havia chegado e me troquei. Fui atender os pedidos de algumas mesas e receber o pagamento de alguns clientes.

Poucos minutos depois Renan chegou também, poderíamos conversar direito agora. Ele foi até o balcão onde eu estava.

— Onde Marco está? — Perguntou.

— Acho que estava nos fundos. — Respondi e vi que ele havia tirado a faixa do braço, uma cicatriz grande cruzava seu pulso até o cotovelo, ainda não estava totalmente cicatrizado. Peguei levemente o braço dele para olhar. — Tem certeza de que não deveria deixar a faixa um pouco mais?

— Está tudo bem. — Disse ele retirando o braço e saindo.

Começou então a acontecer algumas coisas engraçadas. No dia em que estava doente Renan havia me dado carona de moto, disse que não havia problema já que estávamos mais afastados da escola, e no dia em que havíamos falado com o diretor ele conversou comigo normalmente depois na escola, apesar de não se aproximar muito. Mas hoje na escola fingiu que eu praticamente não existia, e na hospedaria não falou mais do que o necessário comigo, e estávamos bem longe da escola! Eu o chamava e ele atendia respondendo apenas o necessário, ou as vezes fingia que estava ocupado e dizia que depois falava comigo, vez ou outra ele passava por mim na hospedaria e passava direto. Sem duvida alguma ele estava me evitando. Por que?

Depois de perceber isso meu rendimento no trabalho até caiu consideravelmente.

Estava no balcão quando Renan chegou com o violão e sentou em um banco perto da lareira, começou a tocar e cantar, provavelmente havia feito algum acordo com Marco. Ele tocava bem demais e sua voz era incrivelmente boa e suave. Fiquei ali olhando admirada, sem esconder o quanto gostava de o ouvir tocar.

Fiquei por uns bons minutos pensando no que o havia feito começar a agir diferente comigo, eu não havia feito nada, muito pelo contrário, esse tempo todo era ele quem vinha agindo diferente, estava mais presente e se importava realmente comigo. Pensei então que Ethan realmente estivesse certo, talvez Renan pudesse gostar de mim mesmo. Mas como saber a verdade agora se ele estava se esforçando tanto para não ter que conversar comigo?

— Aconteceu alguma coisa? — Sasha perguntou ao meu lado, percebi então que esse tempo todo estive encarando Renan enquanto pensava.

— Não, só estava pensando em algumas coisas. — Respondi, ela me olhou por alguns segundos e deu de ombros.

— Tenho algo para te mostrar, esteja aqui quando Marco fechar a hospedaria por hoje. — Concordei e ela saiu.

Havia uma mesa com três garotas sentadas, já haviam terminado de comer e apenas admiravam Renan tocando, soltando risinhos e fazendo comentários, fiquei com vontade de socar a boca de cada uma delas, principalmente quando vi que Renan havia notado elas também. Fui até a mesa delas. Parei na frente das três bloqueando a visão delas de Renan, estavam tão vidradas nele que se assustaram comigo, nem haviam me visto chegar.

— Com licença. — Eu disse sorrindo o mais calma que conseguia e comecei a retirar a louça da mesa delas. — Gostariam de pedir mais alguma coisa? — Elas olharam uma para a outra e negaram com a cabeça.

— Queríamos apenas saber qual o nome dele. — Uma delas disse apontando para Renan.

— E quais dias ele toca aqui? — Perguntou outra. Pareciam ser mais novas que eu, por alguma razão senti muita raiva e menti descaradamente para elas.

— Se chama Richard, é apenas um turista, irá embora amanhã já. — Repondi e vi a decepção no rosto delas. Como eu sou ridícula!

— Muito obrigada. — Elas disseram, depois de uns 10 minutos pagaram a conta e foram embora.

O resto do dia foi calmo, não tentei falar com Renan e ele também não falou comigo. Fizemos nosso trabalho até dar o horário e Marco fechar as portas da hospedaria.

Fizemos uma limpeza rápida no local e depois sentamos todos em uma mesa para descansar. Sasha parecia ansiosa, estávamos apenas esperando Marco chegar para saber o que acontecia.

— Desculpem o atraso. — Disse Marco chegando e sentou em uma cadeira. Sasha olhou para ele e vi ele afirmando alguma coisa com a cabeça.

— Então... — Começou Sasha. — Preparados? — Ela olhou para mim e Renan, logo em seguida ela colocou a mão direita em cima da mesa, um lindo anel brilhou em seu dedo com a luz do local. Fiquei de boca aberta, sem acreditar no que via.

— Estamos noivos. — Disse Marco, depois olhou para Sasha e os dois riram. Renan não parecia surpreso.

— Você sabia? — Perguntei para ele.

— Mais ou menos. — Ele disse e olhou para Marco, os dois riram e se cumprimentam com um soquinho na mão.

— Meu Deus!! Finalmente! — Eu disse. — Estou feliz mas com ciúme! — Falei e eles riram.

— Não se preocupe, não vou tirar seu irmão de você. — Disse Sasha.

— Quando aconteceu? — Perguntei.

— Ontem, quando fomos para sua casa, então ele pediu. — Disse Sasha. Então tudo fez sentido na minha cabeça, Renan sabia que Marco ia pedir ela em casamento por isso foi até meu quarto. Então o beijo havia sido somente para me distrair?

— Isso é incrível! — Falei. — Parabéns!!

Eu estava completamente feliz! Apesar de achar que havia sido muito rápido senti firmeza na decisão deles, estava feliz. Marco estava noivo! Ele iria casar! Havia dado tudo certo com ele, apesar de todos os problemas. Já comigo... bem, não sabia o que estava acontecendo.

— Vou buscar algo para mostrar para vocês. — Disse Sasha levantando. — Marco pode me ajudar? — Marco levantou e os dois sairam, ficou apenas Renan e eu, um clima absolutamente desagradável.

Tinha certeza que Sasha sabia que havia algo de errado com nós dois, por isso saiu e nos deu um tempo. O problema é se iríamos resolver tudo. Sinceramente eu estava com medo de perguntar qualquer coisa, mas estava na hora, fui dura com Alissa hoje dizendo que ela tinha que resolver os próprios problemas, então devia no mínimo fazer o mesmo.

— Renan... — Comecei a dizer mas ele me cortou.

— Tenho que ir, diga a Sasha e Marco que já volto. — Ele disse e se levantou, nesse momento não senti mais medo, mas raiva, senti o sangue subir. Segurei ele pelo braço.

— O que está acontecendo? — Perguntei olhando diretamente para ele.

— Não está acontecendo nada, com licença. — Ele disse e soltou os braços facilmente e me contornou.

— Por que está fazendo isso? O que foi aquilo que aconteceu ontem? — Comecei a perguntar. — Agora está me evitando o dia todo? Mereço pelo menos uma explicação, não é?

— Que explicação? Nunca beijou alguém antes? Achou que só por aquilo iríamos começar a namorar e viver felizes para sempre? — Ele disse sério. Meu corpo travou, não foi isso o que pensei, mas pensei que sim, as coisas mudariam entre nós. Tinha certeza de que não havia sido um beijo qualquer, será que havia me enganado tanto assim? Olhei para Renan, não, eu não havia me enganado, havia algo de errado porque ele nunca falava assim. Andei e cheguei mais perto dele.

— O que está acontecendo? Você não é assim. — Eu disse colocando as duas mãos no rosto dele, senti ele hesitar. Quando ele não disse nada e nem se moveu me aproximei mais dele, talvez o conselho de Ethan desse certo. Senti as mãos dele segurando minha cintura, ele não queria sair dali e mesmo assim ainda hesitava. Estávamos quase nos beijando novamente quando ele me afastou.

— Não entenda as coisas errado. — Ele disse sério.

— Então não me faça entender as coisas errado! — Respondi, a voz mais alta do que pretendia. A raiva havia voltado e dessa vez foi eu que contornei ele. — Não precisa se preocupar em falar comigo novamente, já entendi tudo. — Fechei as portas da hospedaria e saí.

Sentia meu corpo quente de raiva, qual era o problema dele? Estava apenas me usando mesmo? Não, Renan não era assim, ou pelo menos eu queria acreditar que não era. Mas por agora não importava mais, não tinha a intenção de me aproximar dele novamente, queria se possível socar ele, muito!

Não queria ir para casa, não ainda. Minha mãe faria perguntas que eu não estava afim de responder. Andei até a praia então, já havia anoitecido e ela estava deserta, um bom lugar para eu colocar a cabeça no lugar. Mas minha paz não durou muito tempo.

— Dá para você esperar? — Ouvia Renan dizendo atrás de mim, havia escutado ele me seguir desde que saí da hospedaria, mas estava tão brava que ignorei cada palavra que ele dizia. — Olhe para mim!

— Me deixa em paz! Vai embora, não temos mais nada para conversar. — Eu disse e agradeci pela praia estar vazia, ambos estávamos gritando um com o outro.

— Para de ser cabeça du... — Cortei o que ele ia dizer.

— Cabeça dura? Eu? — E dessa vez virei e olhei para ele, na mesma hora ele parou de andar também, estávamos em uma distância relativamente grande um do outro. — Percebe o que está fazendo?

— Agora estou tentando conversar! — Disse ele.

— Não precisa, já me disse tudo!

— Não, eu não disse.

— Então responda, por que está me evitando? — Perguntei magoada, pude ver ele suspirando.

— É complicado. — Ele disse, eu ri sarcasticamente.

— Claro que é! Super complicado, apenas diga que aproveitou o momento ontem, se aproveitou do que eu sentia e por isso me beijou. — Eu disse.

— Pare de dizer besteiras! Eu nunca faria uma coisa dessas. — Ele respondeu.

— Eu não te entendo! De uma hora para outra começa a ser tão gentil comigo e depois me ignora! Vê o está fazendo?

— Já disse, é complicado!

— É sim, Renan, claro que é complicado. — Eu disse, soltei uma risada de raiva e me virei para continuar a andar. Ele continuou me chamando mas não dei ouvidos, já estava cansada disso tudo.

— Eloisa! Para de me ignorar!

— Estou te fazendo um favor e fazendo o mesmo que fez comigo o dia todo!

— O que quer que eu diga? — Ele disse, a voz alterada novamente. Nessa hora explodi.

— A verdade!! Quero a verdade! Como exigiu de mim ontem. Não me importa mais se sente algo por mim ou não, só quero saber a verdade!! — Respondi, a garganta ardendo de tão alto que eu falava.

— Eu já te falei! Tente entender! Não é fácil assim para mim quanto é para você. — Ele respondeu, baixando um pouco o tom de voz.

— É por ser um professor? Muito bem então, seja um professor muito bem sucedido! Mas me trate também como uma aluna qualquer! Sem palavras cheias de significado, sem toques desnecessários, sem carona na moto, sem visitas na minha casa e de preferência, sem beijos!! Pode fazer isso pelo menos? Eu agradeço! — Eu respondi e voltei a andar, ouvi os passos dele acelerarem, tentei andar mais rápido mas ele era mais rápido e me alcançou, me segurou pelos braços e me virou para ele.

— Por favor, vamos conversar direito. — Ele disse, a voz calma e magoada também.

— Não há nada mais para conversar, você está me machucando. — Eu disse com a voz mais baixa, ele tirou a mão dos meus braços, apesar de não ter me referido a isso quando disse que me machucava.

— Tem sim. — Ele respondeu e apoiou sua testa na minha, as mãos segurando delicadamente meus ombros. — Pergunte qualquer coisa e irei responder, a verdade. — Ele disse e inconscimente coloquei meus braços em volta dele em um semiabraço, e ficamos ali. Ele não descolou sua testa da minha nem por um segundo.

— Por que está me evitando? — Perguntei.

— Porque sou um idiota.

— Isso não foi a resposta completa. — Eu disse. — Por que não quer se aproximar de mim?

— Eu quero, muito! — Ele disse.

— Certo, então por que não pode se aproximar?

— Eu tenho um emprego Elô, não posso ter um relacionamento com você agora, poderia comprometer a nós dois. E não posso, de jeito nenhum, perder esse emprego agora. Minha vida está uma bagunça, preciso arrumar logo um lugar para morar e está difícil! — Ele disse e meu coração amoleceu na hora.

— Por que não me disse isso? Poderíamos resolver isso juntos. — Respondi.

— Eu sei, mas estava com medo de colocar um peso desnecessário nas suas costas. — Ele disse.

— Não é um peso para mim.

— Sabia que diria isso. — Ele disse sorrindo. — Mas não significa que não te atrapalharia.

— Renan, o que sente por mim? — A essa altura eu já sabia, mas queria ouvi-lo dizer.

— Eu amo você. — Ele disse simplesmente, fui pega um pouco se surpresa, mas senti um calor me preencher.

— Então vamos resolver tudo isso juntos. — Eu disse olhando para ele, e pela primeira vez ele afastou a testa da minha, só para me olhar bem nos olhos. Minha não subiu para a nuca dele e a mão dele segurou minha cintura, nós dois traziamos o outro para mais perto. Até que finalmente nossos lábios se encontraram de novo, num beijo profundo. Foi diferente da última vez, em que nós dois estávamos um pouco recuados, dessa vez não nos importamos com nada, apenas com os sentimentos um do outro.

Nos separamos e olhamos um para o outro.

— Tem certeza disso? Eu sou muito atrapalhada e desligada, confusa também. E talvez ciumenta um pouco. — Eu disse e ele riu.

— Te conheço muito bem. — Ele disse sorrindo. — A parte ciumenta descobri hoje, talvez algumas pessoas passem a me conhecer como Richard. — Ele disse rindo, fiquei com vergonha mas ri também.

— Elas estavam muito assanhadas. — Respondi, ele riu.

— Sabe que teremos que agir como quase desconhecidos na escola, não é? — Ele disse, senti uma pontada de tristeza mas sabia que era verdade.

— Eu sei, mas está tudo bem, só por mais alguns meses. — Respondi.

— Depois teremos quantos anos precisarmos. — Ele disse.

— Está pensando longe ein. — Eu disse mas estava feliz.

— Pode apostar que estou. — Ele disse e me deu um abraço como nunca havia dado antes, envolvendo cada pedacinho de mim, era extremamente aconchegante. Depois nos beijamos novamente, esquecendo que Sasha tinha algo ainda para nos mostrar. Me desculparia com ela depois, tinha negócios mais importantes para tratar.

Notas finais
Me digam o que acharam, ok? Até o próximo capítulo!