Aquele último ano
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Cheguei em casa fervendo, sentia meu corpo insuportavelmente quente, apesar de sentir um frio desgraçado. Marco iria ficar furioso. Renan chegou em minha casa e me ajudou a entrar, eu disse que podia ir sozinha, mas ele estava incrivelmente super protetor, segurou em meu braço e me levou com calma até a entrada.
Minha mãe teve um troço quando me viu semiconsciente, ela era muito desesperada, era como se visse o pior em tudo.
— Minha filha! O que houve com você? – Disse ela apalpando meu rosto e correndo até a cozinha procurando por um remédio.
— Estou um pouco gripada, relaxa. – Eu disse, mas não consegui convencer nem a mim mesma.
— Renan, leve-a até o quarto dela, por favor. – Disse minha mãe. Gelei. Meu quarto estava revirado, eu não era das pessoas mais organizadas.
— Não precisa, posso fazer as coisas sozinha. – Mas foi como se minha opinião não importasse nem um pouco, Renan não ouviu uma palavra do que eu disse, apenas seguiu até o corredor que levava ao meu quarto. Paramos em frente a porta e me soltei dele.
— Tudo bem, pode ir para a casa agora, obrigada por me trazer até aqui. – Eu disse, tentaria de tudo para ele não ter que entrar no meu quarto.
— Eu voltarei mais tarde para ver como você está, se cuide até lá. – Ele disse.
— Tudo bem, não precisa se incomodar, além do mais não pode ficar indo para lá e para cá de moto ainda. – Eu disse advertindo ele. Renan apenas riu e apertou meu nariz carinhosamente.
— Apenas se cuide até eu voltar. – Ele disse e saiu. Fiquei aliviada por ele ter ido embora por enquanto, mas uma parte de mim quis que o tempo passasse logo para ele voltar novamente. Uma parte boba de mim.
Renan foi embora e deitei em minha cama, foi como se ela me abraçasse. Minha mãe me levou um remédio para baixar a febre e a dor de cabeça. Depois levou algo para eu comer, afinal não podia ficar tomando remédio de estomago vazio.
— Mãe? – Chamei ela.
— Sim? – Ela respondeu recolhendo algumas roupas minhas jogadas pelo quarto, se eu não estivesse doente ela certamente estaria gritando comigo para ser mais organizada, nesse momento agradeci por estar doente.
— Eu estou suspensa da escola por um dia. – Disse diretamente, ela parou o que estava fazendo por alguns segundos e depois voltou a se mover calmamente.
— Você não anda me contando muitas coisas ultimamente, não é? – Ela disse e senti a mágoa na voz dela. Era incrível como ela sabia que havia coisas acontecendo na minha vida, e estava simplesmente esperando que eu conversasse e contasse para ela, como sempre fiz, mas não dessa vez. Me senti muito mal, talvez fosse por isso que as coisas não estivessem correndo bem algumas vezes, minha mãe sempre sabia o que eu tinha que fazer e compartilhar os problemas da minha vida com ela me confortava.
— Desculpa. – Eu disse. Ela dobrou calmamente as minhas roupas e colocou dentro do guarda roupa. Depois disso ela se virou para mim e deitou na minha cama ao meu lado, fazendo carinho no meu cabelo. Senti vontade de chorar, havia esquecido como me fazia bem estar próxima da minha mãe.
— Você pode me contar agora, se quiser. – Ela disse, e eu contei. Contei absolutamente tudo, minha mãe riu uma vez ou outra mas não liguei porque ri junto com ela, eu era uma bagunça só e ela sabia disso, gostava desse lado da filha dela, apesar de isso fazer com que ela se preocupasse demais as vezes. Contei basicamente sobre mim e Alissa, também falei dos problemas que tive para ajudar Marie e Ethan e tomei coragem para falar sobre Davi também; mas ainda tinha medo de falar sobre Renan.
— Você não está me contando tudo, está? – Ela perguntou e eu mordi a boca, com medo de comentar sobre Renan. – Você me contou muitas coisas, mas não o motivo de tudo isso. Há algo ou alguém que fez com que tudo isso ocorresse, não é? – Ela perguntou e eu ri.
— Impossível esconder algo de você. – Eu disse.
— Mas é claro, sou sua mãe! – Ela disse orgulhosa, e deveria estar mesmo, era minha mãe e fazia seu papel perfeitamente.
— Mãe, aquela paixãozinha que sentia por Renan quando era mais nova não morreu nos meus 13 anos. – Eu disse e senti ela suspirando. – E está mais complicado hoje em dia, por diversos motivos, mas eu realmente sinto algo por ele, algo forte. – Eu disse sentindo vontade de chorar por alguma razão, mas estava me sentindo mais aliviada.
— Eu sempre soube. – Ela disse e mesmo sem conseguir olhar para o rosto dela sabia que estava sorrindo. – Só estava esperando que me dissesse.
— E o que você acha? – Perguntei, apesar de sentir um certo medo da resposta.
— Acho algo normal. – Ela disse. – É normal sentir essas coisas, especialmente na sua idade. Claro, ele é mais velho que você, mas isso não é o mais importante, e não é como se ele fosse muito mais velho também, são apenas quatro anos. Mas você tem que pensar se está disposta a esperar alguns meses ou ter um relacionamento “escondido” com ele. Afinal não é certo de acordo com as regras da sua escola, ainda mais agora depois da confusão que houve por causa da sua proximidade com ele.
— Não é como se ele gostasse de mim também. – Eu respondi e minha mãe riu, mas não deu muito ouvidos para esse comentário.
— Renan é um garoto muito bom, tem um caráter muito bom, é inteligente, independente e muito bem educado, pelo menos você tem bom gosto. – Ela disse e eu ri.
— Eu sei. — Respondi orgulhosa e ela riu me dando um leve tapa na cabeça, depois voltou a fazer carinho. — Você não acha errado eu gostar do meu professor? – Perguntei e ela riu.
— Estamos falando de Renan, além do mais você termina a escola esse ano! Ora, é melhor que tenha um relacionamento com um garoto bom como ele mesmo que seja seu professor agora do que com qualquer outro da sua idade por aí. – Ela disse e eu ri, porque percebi nesse momento que minha mãe gostava de Renan tanto quanto eu.
— Obrigada, mãe. – Eu disse, ela me deu um beijo e um abraço que só ela sabia dar.
— Descanse um pouco agora. – Ela disse e levantou da minha cama.
Fiquei alguns minutos acordada pensando no que conversei com minha mãe, ela não brigou comigo nenhuma vez e eu sabia que não era por eu estar doente, afinal tudo o que aconteceu não tinha sido culpa minha. Tenho certeza de que se fosse qualquer outro professor da idade do Renan ela seria mais rigorosa, isso me deixava feliz e segura, saber que Renan tinha o carinho da minha família. Mas havia muito a acontecer ainda, eu nem ao menos sabia como ele me via. De que adianta ter o apoio da família e dos amigos se a pessoa não sente nada por você? Na verdade, seria bem vergonhoso.
Dormi pesado, como se meu corpo tivesse chumbo dentro dele, minha cabeça pesava e parecia pesar o corpo inteiro. Acordei já era bem mais tarde, a febre havia baixado então estava toda suada e morrendo de calor. Levantei da cama um pouco zonza por ter acabado de acordar, a cabeça doía ainda mas nada absurdo, estava suportável.
Meu celular piscava e peguei para ver o que era, mensagem de Marco:
“ Estou indo aí em casa daqui a pouco, arruma a bagunça desse seu quarto porque Renan vai junto comigo.” Fiquei com vergonha na hora. O ruim das pessoas saberem do seus sentimentos é que todos querem fazer algo para dar um “empurrãozinho”, mas não julgo porque faço o mesmo, apesar de ser meio incômodo quando é comigo. Apesar disso “arrumei” meu quarto, na verdade só peguei as coisas espalhadas e joguei no guarda roupa e na minha mesinha de estudo, onde houvesse buraco havia espaço para colocar a bagunça.
Tomei banho e foi um alivio enorme, como se metade da gripe fosse embora, junto com o suor que grudava na minha roupa, lavei meu cabelo que também estava sujo e suado só para ter o desgosto de ver a tinta azul desbotando. Não tinha ânimo mais para ficar retocando sempre.
Assim que saí do banheiro ouvi vozes na sala, a primeira que identifiquei foi a de Sasha, rindo enquanto conversava com minha mãe, depois ouvi Marco e por último Renan. Corri para o quarto e fui me trocar, coloquei qualquer coisa que achei “usável” no guarda roupa e me vesti, tirei a umidade do cabelo e só penteei, estava com preguiça de secar, apesar de ficar com medo do cabelo úmido me deixar pior.
Saí do quarto e fui para a sala, a casa estava incrivelmente barulhenta, não muito, mas bem mais do que o normal. Marco foi o primeiro a me ver, me deu um abraço apertado até demais.
— Eu disse que você ficaria doente. – Ele disse, revirei o olho e ignorei o comentário.
— Tem muita gente aqui, vão fazer alguma coisa aqui hoje? – Perguntei.
— Não ué. – Renan respondeu.
— Marco disse que viria para cá ver como você estava, aproveitamos e viemos junto. – Disse Sasha. – A propósito, Marco disse que você ama coxinha, comprei algumas e trouxe para você. – Disse ela colocando uma caixa cheia de coxinha na mesa, quase deixei escorrer uma lágrima de felicidade.
Minha mãe levantou e foi fazer um suco, sentamos todos na mesa e esperamos. Era reconfortante ver a casa cheia, normalmente era tão quieta e vazia, minha mãe e eu não fazíamos muito barulho, apenas meu pai, mas normalmente estava viajando ou trabalhando até tarde.
— Quer dizer que você é a nova garota que roda nas fofocas da escola? – Perguntou Marco.
— Parece que sim. – Respondi pegando uma coxinha, Marco riu.
— Quem diria.
— Pois é, as pessoas não tem mais o que fazer e preferem ficar fotografando a vida alheia.
— Por que ela não é punida nunca? – Perguntou Sasha, aparentemente minha vida escolar inteira havia chegado aos ouvidos de Sasha também, olhei para Renan com um olhar acusador.
— Que foi? Eles perguntaram e eu contei. – Disse ele.
— É, estou percebendo. Alissa sabe o que faz, por isso é tão irritante, sabe o que fazer e quando fazer. Ela já me provocou diversas vezes na frente dos professores, mas sempre discreta, normalmente eles esperam que a gente saia puxando o cabelo uma da outra. O que é impossível, nem discutir com ela direito eu faço, quanto mais querer sair no tapa. Mas dessa vez, apesar dela ter passado muito dos limites, não julgo ela, não é como se eu não tivesse culpa também.
— E não tem mesmo. – Disse minha mãe colocando o suco na mesa. – Você foi sincera com aquele tal de Davi, é normal que ele fique chateado, ela não tem nada a ver com isso.
— Eu sei mãe, mas é diferente. – Eu disse. – Mas enfim, não importa mais, como foi na hospedaria hoje, Marco? – Perguntei mudando de assunto, não tinha como eu dizer a eles que estava com Davi mesmo estando de olho em Renan, seria como se eu fosse uma pessoa muito infiel, e não era bem assim, as coisas só ficaram um pouco bagunçadas, e fico feliz de ter me resolvido com Davi antes que magoasse ele de forma pior.
— Foi tudo normal por lá. – Disse Marco respondendo a minha pergunta. – Alguns hospedes perguntaram de você e eu disse que não estava se sentindo bem. E por incrível que pareça um casal comentou que achava bonito seu relacionamento comigo, disse que era uma irmã muito apegada.
— E quem não diz isso? – Eu falei revirando o olho.
— Mas é verdade. – Começou Sasha. – Desde sempre você é agarrada ao Marco, estava em todos os tipos de apresentações que ele fez, chorava quando ele perdia um campeonato e conhecia todos os amigos dele. – Disse ela rindo, soltei uma pequena risada, na verdade eu era uma irmã muito chata, se eu fosse Marco já teria me chutado para longe.
Já havia terminado de comer, então levantei e fui colocar a louça na pia.
— Sempre foi assim. – Disse minha mãe. – Ela fazia questão de conhecer cada amigo dele, não é a toa que era apaixonada pelo Renan quando era menor. – Engasguei na hora com o resto de suco que tomava, quase cuspo ele na pia. Minha mãe era louca? Ouvi Marco e Sasha rirem muito atrás de mim e senti mais ainda meu rosto queimando de vergonha.
— Mãe. – Eu disse me virando para ela, não ouvi Renan rindo e nem tive coragem de olhar para ele e ver que tipo de expressão fazia. – Vamos brincar de uma coisa? Se chama não contar para os outros os segredos que sua filha te conta! Você já começou perdendo. – Marco e Sasha ainda riam, e muito, e eu imaginava porquê, senti agora que Renan também ria.
— Ah vamos, qual o problema? Você era pequena. Não é como se eu contasse seus segredos atuais. – Disse ela me olhando sugestivamente. Minha mãe era louca. Olhei para ela com um olhar reprovador, daqueles que ela mesma costumava me dar quando eu aprontava. Ela riu e disse que iria tomar banho. Me virei e fui lavar a louça, não estava nenhum pouco afim de lavar, mas faria qualquer coisa para não ter que ficar de frente para Renan.
— Pode deixar que eu lavo. – Disse Sasha aparecendo do meu lado.
— Não se preocupe, eu lavo, pode deixar. – Respondi, Sasha se posicionou mais ao meu lado e começou a tomar meu lugar e me disse baixinho:
— Você não viu porque estava muito envergonhada, mas ele te olhou surpreso como nunca vi antes. – Disse ela e depois me afastou dando um leve empurrão com seu quadril, sequei minha mão e fui para o meu quarto, com a desculpa de que tinha que arrumar algumas coisas.
Sasha disse que ele me olhou surpreso, claro que olharia! Descobrir que a irmã quatro anos mais nova do seu melhor amigo gostava de você é meio surpreendente mesmo, o que eu não queria mesmo era saber o que ele havia pensado. Sentei na minha cama e fui mexer no celular, por causa da gripe havia me cansado mais rápido do que o normal.
— Incrível como essa casa mudou muito e nada ao mesmo tempo. – Meu corpo gelou, o que ele estava fazendo ali na minha porta?
— Faz tempo que não vem aqui, não é? – Eu disse. – Mas não é como se tivesse mudado muita coisa.
— Está se sentindo melhor? – Ele perguntou, estava parado na porta.
— Estou sim. Pode sentar em qualquer lugar aí, está meio bagunçado mas está tudo limpo. – Eu disse rindo, falei mais por educação, mas me surpreendi quando ele realmente entrou e sentou em um puff que tinha perto da minha cama.
— Se isso é uma bagunça torço para você nunca ver o meu quarto. – Ele disse. “Isso porque já guardei a maior parte de tudo o que estava jogado”, pensei mas não disse nada.
— Onde está Sasha? – Perguntei mais por querer saber o que ele estava fazendo ali.
— Está lá na cozinha, com Marco, pensei em deixar os dois sozinhos por um tempo. – Ele disse com um dar de ombros.
— Entendi. – Respondi e o assunto morreu, ficamos alguns minutos calados, um silêncio constrangedor, tudo por causa do que minha mãe havia dito. Não havia nada de interessante para eu ver no celular mas ainda assim fingi que estava entretida.
— Ei. – Disse ele.
— Hum?
— É verdade? O que sua mãe disse? – Ele perguntou, olhei para ele surpresa mas ele não olhava para mim, abaixei a cabeça novamente, ele não poderia simplesmente esquecer aquilo? Claro que não, afinal minha vida se resume a passar vergonha e me sentir constrangida. Mas ficou a dúvida, falo a verdade ou a mentira? Ou os dois. Pensei bem e já havia mentido demais nos últimos dias. A verdade.
— É verdade sim. – Respondi e aí sim senti que ele olhou para mim. – Mas não se preocupe, faz tempo isso. – Respondi, meu coração batendo bem mais rápido de vergonha e bem... por Renan estar ali também. Ele levantou do puff e sentou no chão de frente para mim.
— E agora? O que sente agora? – Ele disse e paralisei. Que droga de conversa era essa? Meu Deus, o que dizer? Com certeza a mentira, mas talvez pudesse contornar a conversa.
— Que tipo de pergunta é essa? – Eu respondi rindo como se não me importasse. – Não importa, não é?
— Claro que importa! – Ele disse e ficou me observando, esperando uma resposta concreta, e algo me disse que ele não sairia dali até eu dar uma, e algo me disse também que isso tudo havia sido planejado. Marco talvez? Não, Sasha é mais provável.
— Não sei, nunca pensei sobre isso. – Falei tentando parecer o mais calma possível.
— O que disse para o diretor é verdade? Sou como um irmão? – Ele disse. Céus, estava insistente demais, qual o problema dele?
— Não sei acho que sim. – Eu disse, mas nem eu mesma acreditei nisso, rezei para que ele acreditasse, mas ele riu.
— Está mentindo. – Ele disse ainda rindo.
— Não estou. – Respondi. – Não sei o que quer ouvir. – Ele chegou mais perto e colocou suas mãos sobre as minhas.
— Quero ouvir a verdade. – Ele disse, me olhava fixamente, como se olhasse dentro de mim, desviei o olhar e olhei para baixo, para as mãos dele que estavam sobre as minhas.
— Não posso dizer. – Respondi, queria esconder tudo, mas essa resposta havia dito tudo, muito mais do que se eu simplesmente tivesse dito a verdade desde o começo. Meu rosto estava quente, mas não de febre, ou talvez não só de febre.
Os momentos seguintes deixaram minha cabeça em branco, não conseguia pensar em nada, completamente inútil de tentar rejeitar qualquer coisa. Apenas senti as mãos dele saindo de cima das minhas e subindo para o meu rosto, ele segurou meu rosto com as duas mãos, em formato de concha, como se eu fosse muito pequena e frágil. Não tive tempo de pensar muito e nem de reagir quando senti levemente seus lábios nos meus, rápido, delicado e gentil, olhei surpresa para ele, Renan se distanciou de mim apenas um pouco, o suficiente para me olhar minimamente nos olhos, olhei nos olhos dele e pude ver suas pupilas dilatadas, nem se eu quisesse muito conseguiria desviar os olhos dele agora. Ele começou a se aproximar com cuidado novamente, mas eu coloquei uma mão em seu peito parando-o.
— Estou gripada. – Eu disse, mas minha voz soou tão fraca...
— Eu não me importo. – Ele disse, a voz baixa como a minha mas bem mais firme. Não me importei mais e apenas esperei até que ele me beijasse novamente, e ele o fez. Tão calmo e delicado, como se estivesse com medo de fazer isso, mas eu aproveitei, cada segundo, o suficiente para sentir minha barriga borbulhar e meu rosto esquentar. Havia sido diferente de qualquer beijo que tive na minha vida. O mais delicado e cuidadoso beijo de todos, mas aquele que me fez sentir como se nunca houvesse beijado antes.
Ele se distanciou de mim depois e se afastou, o bastante para eu sentir que o calor que vinha dele antes desapareceu. Ficamos uns bons segundos nos encarando, aos poucos fui processando tudo o que aconteceu e me senti absurdamente constrangida. Depois de alguns segundos ele levantou.
— Preciso ir agora. – Ele disse e pegou minhas duas mãos e beijou elas, depois saiu, como se estivesse tão perdido quanto eu com o que havia acabado de acontecer.
Céus! O que havia acabado de acontecer? O que ele havia feito e o que eu havia deixado que ele fizesse? Como eu iria encarar ele agora? O que ele pensou disso? Por que ele havia feito isso? Foi algo tão simples! Mas que serviu para me deixar mais confusa do que antes. Não saí do quarto para me despedir de Marco e Sasha, apaguei a luz e fui direto dormir, ou pelo menos tentar.
Mas dessa vez, em algum lugar dentro de mim, agradeci por minha mãe ter revelado um segredo meu.
Fale com o autor