Aquele último ano
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Tive alguns singelos avisos de que o dia de hoje não seria fácil, o primeiro: me atrasei, acordei tarde e tive que correr para a escola. O segundo: havia esquecido meu caderno em casa. Terceiro: uma dor de cabeça insuportável. Pequenas coisas que me indicavam que eu deveria ter ficado em casa, mas não fiquei.
O dia amanheceu lindo, era cedo mas o sol já brilhava com força, refletindo o azul do mar na cidade, não estava quente, estava fresco. Apesar disso, acordei com uma dor de cabeça miserável, alguns calafrios e a garganta me incomodando consideravelmente. "Vai melhorar" pensei.
Como havia acordado atrasada me arrumei o mais rápido que conseguia, peguei minha mochila do jeito que estava e saí, sem tempo de admirar o dia lindo que fazia. Não corri mas andei o mais rápido que minha cabeça permitia, cada passo chacoalhava tudo dentro dela de tanto de latejava de dor. Devia ao menos ter tomado um remédio antes de sair.
Cheguei na escola no limite do tempo, corri para a sala e sentei em meu lugar antes do professor chegar. Ethan e Marie conversavam tranquilamente, admirei aquilo por alguns segundos antes de me sentar. Professor de Matemática entrou na sala e começou a passar na lousa alguns tópicos importantes que cairiam na prova, como já havia falhado miseravelmente nas provas anteriores decidi me comprometer um pouquinho mais agora. Abri minha mochila só para ter a decepção de descobrir que havia esquecido meu caderno.
— Inferno! — Falei baixo, mas Marie ouviu e virou para trás.
— O que foi? — Perguntou.
— Pode me emprestar uma folha? Esqueci o caderno em casa. — Ela assentiu com a cabeça e me entregou uma folha arrancada.
— Você está bem? — Ela perguntou cochichando olhando bem pro meu rosto, imaginei então que não deveria estar com a melhor das aparências.
— Estou, só com um pouco de dor de cabeça. — Marie me olhou desconfiada mas depois concordou e virou para frente.
A aula de matemática seguiu bem tanto quanto uma aula de matemática pode seguir, anotei tudo e daria uma olhada em casa depois. O sinal bateu indicando a troca de aula, os alunos aproveitaram para conversar e fazer coisas que alunos fazem, isso é, barulheira.
— Ethan e eu tivemos uma ideia brilhante! — Disse Marie virando para conversar comigo, Ethan apareceu ao meu lado com o mesmo sorriso de Marie.
— E que ideia é essa? — Perguntei.
— Vamos nos vingar de Amy e Charlie! — Disse ela animada.
— Como? — Perguntei rindo.
— Ainda estamos planejando isso. — Disse Ethan.
— Uau, e eu estava esperando saber a grande ideia brilhante!
— Será uma ideia brilhante, por isso já adiantei esse lado. — Disse Marie, eu ri.
— Pelo visto estão se dando muito bem. — Respondi, eles olharam um para o outro e riram. — Então contou a ela Ethan que você est... — Ethan tampou minha boca com a mão desesperado.
— O que foi? — Marie perguntou.
— Nada! — Disse Ethan o mais calmo que conseguia. O professor entrou na sala e o assunto morreu por hora, mas Ethan cochichou atrás de mim:
— Idiota! Quase acaba de estragar tudo. — Ele disse.
— Pensei que já havia contado para ela o que sentia.
— Claro que não! Deixa as coisas como estão por enquanto. — Ele disse.
— Tudo bem, desculpa. — Eu disse e começamos a prestar atenção na aula.
Biologia nunca foi meu forte também, mas conseguia me virar decorando as coisas mais importantes, então não me preocupava muito.
O sinal do intervalo bateu e eu agradeci muito, não estava disposta para prestar atenção em nada hoje, já havia me conformado que estava doente e a dor de cabeça não iria passar, e estava desconfiando que estava com febre, ou que iria ficar a qualquer momento.
Ethan, Marie e eu seguimos para o lado de fora, precisava tomar um pouco de ar fresco e eles concordaram. Algumas pessoas ainda olhavam curiosas para Ethan e Marie, obviamente querendo saber o que houve no dia da briga e julgando mentalmente Ethan por ter batido em Charlie, ou não, afinal pelo que eu soube ninguém correu para separar eles, provavelmente não queriam se envolver por causa de Marie, desconfiaram que fosse alguma briga interna. Mas agora não importava mais.
Comprei um hotdog na cantina e me sentei em um banco do lado de fora para comer.
— Então, em que consiste a vingança de vocês? — Perguntei.
— Não sei, mas queríamos fazer eles sentirem o mesmo que sentimos. — Disse Ethan.
— Sim, ou faze-los passar vergonha pelo que fizeram. — Disse Marie, eu ri, eles estavam mais do que dispostos a dar o troco, eu apoiava de certa forma.
— Acho justo. — Comecei a falar. — É algo muito sem caráter despertar o afeto de alguém e depois descarta-la.
— Sim, e Charlie se fez muito de bonzinho, meio inacreditável pensar que ele é tão podre. — Disse Marie e ouvimos uma risada zombeteira atrás de nós, alta.
— O sujo falando do mal lavado, não é? Elozinha. — Viramos e vimos, Alissa. Revirei o olho.
— Deixa para depois Alissa, não estou afim de lidar com você agora. — Respondi.
— Não tem nada para fazer aqui, vai encher o saco dos seus amigos. — Disse Marie, Alissa riu.
— Como se eu fosse deixar escapar essa oportunidade! — Respondeu Alissa e todos que estavam ao redor notaram que o clima ali não estava bom. — Não acho que você possa falar muito de caráter não é? — Disse Alissa olhando para mim.
— Você não tem nada a dizer sobre mim, então vai cuidar da sua vida vai. — Respondi.
— Você é bem diferente do que aparenta ser, não é? Um lobo em pele de cordeiro. Você estava com Davi, não é? Mas olha só, estava iludindo ele, com um professor!!! — Ela disse e minha cabeça girou, todos agora ao redor observavam a conversa. Alissa mostrou para mim a foto que tinha no celular, do dia em que eu estava indo ver o treino de Davi e Renan me parou no corredor. A foto estava bem comprometedora, Renan segurando minha mão bem próximo a mim e eu olhando para ele. Eu podia ser punida facilmente por isso.
— Alissa, apaga isso! — Respondi tão deseperada quanto me sentia. Já Alissa riu se divertindo.
— Não mesmo! Você magoou Davi, usou ele por causa de um professor, isso é imperdoável. — Ouvia os cochichos ao meu redor, as pessoas comentavam sem dó. O relacionamento que tive com Davi não era segredo para ninguém, todos sabiam que estávamos bem próximos, mas meu relacionamento com Renan era segredo, só Ethan, Marie e Davi sabiam. E agora esse segredo poderia comprometer muito a nós dois.
— Isso não é o que parece Alissa. Se você mesma tirou essa foto sabe muito bem o que estava acontecendo, pare de espalhar mentiras! — Respondi.
— Para mim o que acontecia é exatamente o que mostra essa foto. — Disse ela fingindo olhar de inocente.
— Apaga essa droga. — Disse Ethan levantando e segurando o celular na mão de Alissa, ela segurava com força ainda também.
— Não vou apagar nada! — Respondeu ela.
— Ah vai sim! — Ethan puxou com mais força o celular e tirou dela. Alissa tentou pegar de volta o celular mas foi parada, Davi a parou.
— O que está fazendo, Alissa? — Perguntou Davi.
— Estou fazendo o que essa porca merece. — Respondeu ela.
— O que aconteceu entre mim e ela diz respeito somente a mim e ela. — Disse Davi, estava sério como nunca vi antes.
— Mas Davi... — Alissa ia continuar mas Davi a cortou.
— Apagou a foto, Ethan? — Ele perguntou.
— Sim. — Respondeu Ethan checando para ver se havia mais alguma foto e devolveu o celular quando viu que estava tudo certo.
— Ótimo. — Davi pegou o celular da mão de Ethan.
— Davi... — Eu ia dizer mas ele também me cortou.
— Desculpe pela bagunça. — Disse ele mais para as pessoas ao redor que ouviram tudo do que para mim. Ele pegou Alissa pelo braço e a tirou dali.
— Não me importo. — Disse Alissa. — Já mostrei a foto para quem tinha que ver.
Alissa saiu resmungando sendo arrastada por Davi. As pessoas ao redor continuavam olhando para nós e algumas ainda cochichavam.
— Vamos sair daqui. — Disse Marie pegando meu braço. Nós três saimos dali e fomos para um lugar mais calmo, onde as pessoas não tivessem ouvido o que aconteceu, ainda. Certamente a fofoca iria percorrer a escola em questão de minutos, ainda mais uma notícia "bomba" de uma aluna envolvida com um professor.
Se antes minha cabeça latejava agora havia alguém dando marretadas nela. Eu estava com medo, queria me explicar para todas as pessoas que viram tudo, mais por Renan do que por mim. E para o meu desespero, assim que viramos o corredor lá estava Renan, ainda com o braço enfaixado, ele havia visto tudo o que aconteceu, não só ele como outros professores que o acompanhavam. O que eu podia dizer ali agora? Neste momento cada olhar direcionado a Renan era mais uma prova para sustentar o escândalo de Alissa. Apenas virei e continuei a andar com Marie e Ethan. Não havia nada que um de nós pudesse fazer agora.
Mas a pior parte ainda não foi essa. Antes mesmo do intervalo acabar a coordenadora me chamou, disse para eu ir até a sala do diretor. Eu fui.
Parei em frente aquela bonita porta de madeira do diretor, uma sala que eu nunca pensei que entraria, pelo menos não pelo motivo que fui chamada. Bati timidamente duas vezes.
— Entre. — Ouvi a voz grave do diretor dizer, senti um frio na barriga mas entrei.
Assim que entrei vi que Renan já estava lá também, de costas para mim e de frente para o diretor. Fechei a porta com cuidado e parei ao lado de Renan. O diretor olhou para nós dois, deu um suspiro cansado e pareceu pensar um pouco antes de começar a falar. O diretor era um homem que eu supunha estar na casa dos 50, apesar de parecer mais novo por ter a aparência bem conservada e andar sempre muito bem vestido. Tinha o rosto sério mas na verdade não sabia muito bem como ele era, nunca havia tido muito contato com ele exceto nos primeiros dias de aula, quando juntava todos os alunos para dar algumas instruções.
— Nunca pensei que teria de lidar com uma situação dessas. Mas acho que agora vocês entendem o motivo da regra de proibir relação entre professor (a) e aluna (o). — Disse o diretor, tanto eu quanto Renan não dissemos nada. — Uma aluna veio mostrar a foto do que viu no corredor da escola recentemente. Quero uma explicação. — Disse ele e olhou para mim, minha barriga gelou, mas diria a verdade, ele teria que acreditar.
— Não houve nada, apenas uma foto tirada no momento certo para nos comprometer. — Respondi, o diretor me olhou e soltou outro suspiro, daqueles que diz que não acreditou em uma só palavra do que você disse.
— A foto dizia mais do que isso, já vi que deu muita confusão lá fora por conta disso. Já que está aqui por que não diz a verdade? — Disse ele, estava perturbadoramente calmo.
— Estou dizendo a verdade. Não sei o que quer que eu diga. — Eu disse e ele ignorou, olhou para Renan questionando ele.
— Ela está dizendo a verdade. Não posso me dar ao luxo de comprometer meu emprego então não há razão para eu mentir. — Disse Renan.
— O relacionamento de vocês parece ir além do que dizem. Preciso de mais informações. — Suspirei e pensei em dizer meia verdade e meia mentira, diante dessa situação poderia ajudar.
— Professor Renan e eu nos conhecemos há muitos anos. Ele estudou com meu irmão Marco durante todo o período escolar deles, cresci junto com ele tanto quanto meu irmão. Renan é como um irmão mais velho para mim, escondemos isso até agora justamente porque sabíamos que as pessoas poderiam entender errado. Na foto mostrada estávamos brincando, ou pelo menos eu estava, como já havia acabado as aulas e o corredor estava vazio achei que não teria problema, mas Renan me parou, por isso segurava meu braço, ele sabia que na escola nós não deveríamos mostrar proximidade. Então como eu disse, foi uma foto tirada no momento certo para nos comprometer. — O diretor me olhou, podia ver a dúvida nos seus olhos, quantos alunos haviam tentado enganar ele? Mas ao mesmo tempo quantas vezes eu havia dado problema para ele? Podia ver ele pesando as duas coisas na sua cabeça.
— E por que algum aluno iria querer te comprometer dessa forma? — Perguntou o diretor, uma pergunta fácil que poderia me ajudar a sustentar a mentira, por mais que me sentisse um pouco mal por dentro.
— Alissa, foi ela que tirou a foto. Há uns dias atrás eu estava... tendo um certo relacionamento com Davi. — Eu disse um pouco envergonhada. — Mas terminamos nosso relacionamete ontem, Alissa nunca gostou muito de mim por problemas anteriores, ela é amiga de Davi há muito anos por isso nutre um carinho especial por ele. Bem, ela descobriu que Davi e eu não tínhamos mais nada e ficou ressentida por Davi ter ficado chateado e usou essa foto contra mim. Ficaria surpreso, diretor, se soubesse o que alguns alunos são capazes de fazer. — Vi claramente que ele não sabia até onde acreditar do que eu contava.
— Muitos sabem do relacionamento complicado de Eloisa e Alissa. — Disse Renan. — Qualquer aluno e até alguns professores podem confirmar isso para o senhor. — O diretor pareceu pensar um pouco, olhava para nós dois e voltava a pensar.
— Muito bem. — Disse ele por fim. — Eloisa, você ultrapassou os limites de seu relacionamento com o professor Renan, ele sendo um conhecido seu há anos, como diz, ou não. A foto certamente já passou pelos olhos de muitos alunos e mesmo que eu diga a eles o que me disse não adiantaria muita coisa. Então você será suspensa da escola por um dia, como eu disse, você ultrapassou um limite. — Gelei por um segundo mas depois me tranquilizei, um dia, não era nada, era apenas para o diretor dizer que havia tomado alguma providência, de qualquer forma ele sabia que eu não iria querer aparecer na escola amanhã para não chamar atenção. Uma punição justa, convenhamos.
— Quanto a você. — Disse ele apontando para Renan. — Ficará só no aviso, como é novo na escola não serei tão rigoroso, além de você parece ter muito juízo. — Renan apenas concordou com a cabeça. — Então, é só, vão. — Disse ele nos dispensando. — Ah, e certifiquem-se de deixarem sua proximidade para quando estiverem fora da escola.
Saimos da sala e fechamos a porta, apesar de tudo o clima não estava pesado entre nós. Andamos o suficiente para nos afastarmos da sala do diretor.
— Com quem aprendeu a mentir? Se Marco soubesse sustentar uma mentira assim quando estávamos na escola teríamos nos livrado de vários problemas. — Renan disse rindo.
— Uma habilidade que adquiri, só uso quando realmente necessário. — Respondi orgulhosa. — Mas não gosto de mentir, estou me sentindo mal agora. — Renan riu.
— Desculpe por você ter tomado toda a culpa. — Renan disse.
— Sem problema, sabia que dizer só a verdade não adiantaria e você como professor só se comprometeria se disse algo, o que quer que fosse. De qualquer forma não pretendia aparecer na escola amanhã mesmo.
— Você arranja umas inimigas bem dedicadas a te ferrar. — Ele disse.
— Deve ser outra habiliade que adquiri e não estou sabendo. — Respondi rindo e ele riu também.
Segui para o banheiro, iria ir para a sala na troca de aula, chamaria menos atenção assim. Olhei no espelho e estava com uma cara lamentável, se Renan havia reparado não comentou nada, estava pálida e com os olhos cansados, com algumas olheiras como cereja do bolo. Estava realmente gripada.
Fui para a sala e não recebi olhares muito julgadores, os alunos da minha sala me conheciam e conheciam Alissa também, apesar de não saberem o que aconteceu tinham uma vaga noção de que eu não estava errada, não totalmente pelo menos, fiquei feliz ao descobrir isso, uma vantagem de estudar na mesma sala por três anos.
Contei por cima no meio da aula o que aconteceu para Marie e Ethan. Eles não se surpreenderam e estavam mais do que dispostos a se vingar lindamente de Alissa. Eu apoiava totalmente.
As aulas terminaram e estávamos indo embora. Já estava acostumada a cochichos enquanto passava por causa de Ethan e Marie, mas não por causa de mim. É incrível como as pessoas sempre tem uma opinião sobre você e sobre o que você fez, são todas incrivelmente perfeitas e sábias! Não liguei muito para os comentários enquanto passava, Davi, Alissa e Renan não estavam ali e isso já me aliviava um pouco. A única coisa que queria era ir logo para casa e dormir, estava totalmente indisposta e com frio, certamente estava com febre.
Me despedi de Marie e Ethan e fui para casa. O caminho parecia mais longo e minhas pernas mais curtas, talvez devesse ligar para Marco e pedir uma carona antes que desmaiasse no meio da rua. Parei na sombra de um estabelecimento para pegar meu celular. Assim que fiz isso uma moto parou na minha frente. Renan desceu da moto ainda de capacete, tirou a luva de couro que usava e colocou a mão na minha testa.
— Sabia, você está queimando de febre. — Ele disse.
— Como sabia? — Perguntei.
— Sua cara estava péssima, mas achei mais seguro não chegar muito perto de você na escola, vai que tinha outro celular para tirar outra foto. — Ele disse e eu ri um pouco.
— Acho que estou gripada.
— Eu tenho certeza que está. — Ele disse, pegou uma blusa de frio sua e colocou em cima de mim, eu estava morrendo de frio por causa da febre.
— Alguém pode estar tirando outra foto agora. — Eu disse brincando mas era verdade.
— Estamos mais afastados da escola. Vem sobe na moto, vou te levar para casa.
— Não deveria estar andando de moto de novo ainda. — Eu disse e reparei que a moto dele estava bem machucada em algumas partes.
— Bem, agradeça por eu estar, se não como cuidaria de você? — Ele disse, soltei uma risada baixa.
— Não sou uma criança. — Respondi.
— Certo, então pare de agir como uma e sobe logo na moto. — Ele disse e eu obedeci.
Sentei atrás dele, ele quis me dar o capacete mas recusei, ele ficou bravo mas eu disse que era ele quem tinha que usar. Por fim, nenhum dos dois usou o capacete. Abracei a cintura dele para me segurar e apoiei minha cabeça em suas costas, por dois motivos, estava incrivelmente cansada e o corpo dele era quente, me aquecia mais do que a blusa de frio. Ele ligou a moto e fomos, em uma velocidade não muito rápida para uma moto. Mas assim era melhor, apesar de há poucos minutos querer chegar logo em casa, agora queria aproveitar um pouquinho esse momento.
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