Aquele último ano
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Marco e Sasha estavam mais calmos, assim como Marie e Ethan que nem ao menos sabiam o que havia acontecido, apenas me seguiram o caminho inteiro preocupados.
Eu não estava mais calma, nem um pouco. A médica havia dito que ele ficaria bem, mas ele ainda não havia acordado desde que fora levado ao hospital. Pelo que me contaram, assim que Renan sofreu o acidente chamaram uma ambulância, então os médicos começaram a revirar a bolsa dele atrás de algum documento para contato, família, amigos, namorada, qualquer coisa. Viram seu registro de chamada e o último numero que ele havia conversado, a apenas algumas horas atrás era o de Sasha. Ela ligou desesperada para Marco que a levou até lá de carro, depois me avisou.
Sentei em uma cadeira ao lado da cama de Renan, apenas o observei, as lágrimas ainda desciam pelo meu rosto, e eu tinha quase certeza de que só iriam parar quando ele acordasse. Senti os pequenos braços de Marie me envolvendo, ainda estávamos molhadas mas seu abraço era reconfortante.
— Obrigada. — Só fui capaz de dizer isso para Marie, mas ela entendeu e afagou a minha cabeça. — Vocês dois. — Continuei olhando para Ethan que estava um pouco distante, ele sorrriu pra mim e andou na minha direção e segurou a minha mão.
É uma sensação estranha, não sei dizer exatamente o que pensei quando Sasha me ligou, foi como se minha mente se tornasse um branco, depois disso eu só tinha um objetivo que era chegar ao hospital, até lá, tudo ao redor não passava de um monte de borrão.
O rosto dele era tão sereno enquanto ainda estava incosciente, parecia antigamente, quando ele ia lá em casa fazer alguma coisa com Marco e adormecia no sofá, e eu ficava lá, observando ele, como uma tonta.
Marco levantou e disse que iria conversar com a médica. Eu disse a Marie e Ethan que podiam ir embora, Marco estava lá comigo e Sasha também, estavam tão molhados que iriam ficar doentes. Eles discutiram um pouco comigo dizendo que estavam bem e iriam ficar, mas lembrei Ethan de que o campeonato de futebol iria começar no dia seguinte, ele não podia ficar doente. E Marie não tinha porque ficar ali, ela sempre ficou doente muito fácil, pedi que Ethan a acompanhasse, ele concordou e Marie pareceu não ligar, mas só porque eu estava ali, logo que saissem do meu campo de visão certamente ela iria se afastar dele, talvez até discutissem de novo, mas era melhor assim, que dissessem um pro outro o que realmente queriam.
Levantei por um instante e fui até a recepção comprar alguma coisa para beber. Sasha estava sentada em um banco mexendo no celular. Pensei por alguns segundos antes de ir falar com ela.
— Por que me avisou? — Perguntei atrás dela, ela pareceu se surpreender comigo mas logo virou para me encarar. Ela sorriu um pouco tímida e meio atrapalhada.
— Porque eu falhei com você nesses últimos dias. Na verdade desde que nos encontramos no restaurante aquela vez eu falhei com você. — Ela disse.
— Não estou entendendo. — Respondi tentando me aquecer na jaqueta de Marco. Sasha respirou fundo antes de continuar.
— Agi de forma infantil com você muitas vezes, Eloisa. Eu percebi, rapidinho, que você sentia algo pelo Renan, sempre soube, mas acabei tomando decisões erradas muitas vezes, te constrangendo. Não por querer, nunca por querer. Mas esses ultimos dias foram um caos pra mim e fazia as coisas sem medir as consequências. — Ela disse e seu rosto transmitia tudo o que ela dizia, não estava mentindo.
— Se tinha alguém que deveria estar aqui ao lado dele agora é você, entendi que você não é mais uma criança, mas talvez tenha feito isso apenas pra não me sentir tão mal comigo mesma. — Continuou ela.
— Por que o beijou naquela noite? — Perguntei com um pouco de medo da resposta.
— É meio vergonhoso dizer isso. — Começou ela sorrindo timidamente. — Mas só que lhe assegurar que não sinto mais nada pelo Renan, apenas amizade, e só. Eu... estou interessada em outra pessoa, mas nosso relacionamento não está sendo fácil. — Ela disse. — Seu irmão é uma pessoa um pouco difícil de entender. — Senti meus olhos se arregalarem. Sasha e Marco? Isso nunca havia passado pela minha cabeça.
— Você... está enrolada com meu irmão? — Perguntei surpresa e ela riu.
— Sim, estou. Na verdade é um sentimento mais além, que desconfio que sempre esteve dentro de mim.
— Mas então, porque...
— Beijei Renan aquele dia porque simplesmente estava magoada, fui egoísta. Eu tinha tido uma discussão com Marco e estava louca de raiva. Renan já sabia por isso foi tentar conversar comigo. Todas as últimas vezes que me encontrei com Renan foi pra conversar sobre o Marco. — Ela disse e lembrei de quando a vi na lanchonete junto com Renan. — E bem, naquele dia quando briguei com Marco e vi Renan na minha frente senti saudades por um momento de quando namorei com ele. Não, não foi isso, queria apenas que as coisas com Marco fossem fáceis como haviam sido com Renan, então na hora da raiva confundi e misturei tudo na minha cabeça, mas me arrependi na hora quando te vi do outro lado da rua. Senti puro ódio de mim que queria me jogar de cima daquela avenida e cair direto no mar.
— Porque não me disse isso antes? — Perguntei finalmente.
— Porque tenho 21 anos nas costas mas me comporto como uma criança. Fiquei com medo de falar com você, ainda mais depois que vi como ficou chateada com Renan. Me desculpe Elô, mas minha intenção nunca foi te ferir, nunca. Apenas sou desajeitada com a minha vida ainda. — Parei pra processar tudo o que ela dizia, vi como Sasha havia sido infantil mas vi como eu havido sido infantil também. Percebi que ela e eu estávamos praticamente no mesmo barco. Deixei escapar um pequeno sorriso.
— Marco não é tão difícil de entender quanto parece, só é infantil. — Eu disse rindo, Sasha olhou pra mim surpresa e riu em seguida. Aquele ar pesado ao nosso redor se dissipou rapidamente.
— Tenho algumas dicas que podem te ajudar a entender o Renan também. — Ela disse um pouco acuada ainda.
— Eu adoraria saber. — Respondi sorrindo de volta.
Descobri muitas coisas sobre Sasha nesse momento, conversamos um pouco só nós duas. Ela era incrível, mas eu sempre soube disso, mas também parecia uma criança as vezes, não era como se tivéssemos 4 anos de diferença. Ri de fazer minha barriga doer das histórias que ela contava quando passava raiva com Marco, era cara dele ser tão perdido pra tentar se aproximar de Sasha.
Esse momento aliviou um pouco a tensão que eu sentia. Mas meu coração apertou novamente quando entrei na sala em que Renan estava e ele ainda não havia acordado. Desci minha mão até a mão dele que pousava ao lado do corpo, como já era de se esperar a mão dele estava quente, como sempre foi, segurei-a por uns bons minutos na esperança dele acordar, mas não aconteceu. Acabei adormecendo ali mesmo sem perceber, ainda segurando a mão dele.
Não sei quanto tempo dormi, provavelmente não muito, fiquei meio desnorteada e sem saber aonde estava por uns bons segundos.
— Acordou? — Ouvi uma voz dizer, ainda sonolenta olhei para o lado e lá estava ele, Renan acordado olhando para mim. Tomei um susto e levantei por impulso. Percebi que segurava a mão dele ainda e soltei.
— Você... está bem? Como está se sentindo? Dói em algum lugar? — Perguntei atropelando uma pergunta na outra.
— Desculpa mas... quem é você? — Ele perguntou me olhando confuso. Meu corpo gelou na hora.
— O que está dizendo? — Eu disse abrindo um sorriso meio amarelo, com medo.
— Você estava dormindo então não quis te acordar, mas quem é você? — Ele disse de novo, sério.
Um filme passou pela minha cabeça nesse momento, fiquei em pânico. Sim, ele havia sofrido um choque na cabeça, mas como assim perdeu as memórias? Isso nunca havia passado pela minha cabeça. Todas as minha memórias com ele passaram pela minha cabeça, meu corpo ficou estático e... olhei novamente para ele, estava rindo.
— Você... qual o seu problema?! — Perguntei o mais brava que conseguia. — Idiota! Estúpido! — Ele ainda ria.
— Desculpe, não consegui me segurar. — Ele disse, apesar de rir e falar seu rosto estava meio abatido, cansado. Mas vê-lo brincar desse jeito e rir aqueceu tudo dentro de mim, e as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto novamente, perdi as contas de quantas vezes chorei esses ultimos dias. Sempre por causa dele.
Fui até a cama dele e sem perceber meus braços estavam envolvendo ele em volta do pescoço. Abracei-o o mais forte que pude, ainda chorando. Senti a mão livre dele retribuindo o abraço, passando pelas minhas costas.
— Eu estou bem. — Disse ele em voz baixa. — Não estou sentindo dor. — Após ele dizer isso me afastei um pouco para olhar nos olhos dele.
— Fiquei preocupada, muito! Não seja tão descuidado! — Eu disse tentando parecer brava, obviamente não consegui.
— Não serei, prometo. — Ele disse e sua mão foi para o meu rosto, limpando algumas lágrimas que ainda caíam. — Desculpa, te fiz chorar de novo. — Ele disse, seus olhos eram tão gentis.
— Sim, você fez. — Eu disse e ri. Seus olhos desceram para minha roupa, estava molhada ainda mas começando a secar, meu cabelo estava úmido.
— Não me diga que veio até aqui a pé? naquela chuva. — Ele disse me observando, limpei mais algumas lágrimas, já havia parado de chorar.
— Eu vim, não tive escolha né. — Eu disse sorrindo. Mas ele não sorriu de volta, apenas me olhou preocupado, olhei para ele de volta tentando entender o que estava pensando mas não consegui.
— Desculpa, Elô. — Ele disse com um olhar triste.
Novamente ele voltou a colocar sua mão em meu rosto, pousando-a ali delicadamente. Depois, aos poucos, ele foi me trazendo para mais perto dele. Nossos rostos estavam tão próximos que eu sentia a respiração dele se misturando com a minha, eu podia praticamente sentir seus lábios roçando nos meus de leve. Eu queria, muito, beijar ele. Coloquei a minha por cima da dele para tentar mantê-la ali o máximo que conseguisse. Mas antes que qualquer coisa acontecesse ele parou, afastou seu rosto e foi tirando sua mão do meu rosto aos poucos. Não pude deixar de me sentir decepcionada, muito.
— Temos que chamar o médico. — Ele disse como se nada tivesse acontecido, ou quase acontecido. Concordei com a cabeça e me levantei, assim que saí vi Marco e Sasha do lado de fora, avisei a eles que Renan estava acordado e eles foram avisar a médica.
A médica voltou e começou a examinar ele novamente, fiquei esperando do lado de fora junto com Sasha e Marco. Estava avoada, pensando no que quase havia acontecido. Comecei a achar que era louca, será que ele realmente estava me trazendo para perto dele para me beijar? Ou eu me precipitei? Não, eu não estava louca, algo havia acontecido de diferente ali, algo que Renan começou mas não deixou que continuasse, por que? Talvez não estivesse se sentindo realmente bem.
— Você está bem? — Ouvi Marco me perguntando.
— Estou bem. — Respondi, ele chegou perto de mim e começou a me avaliar.
— Tem certeza de que não está doente? Você tomou muita chuva.
— Estou bem, de verdade. — Respondi. Ele pareceu se convencer e se sentou no banco ao lado de Sasha.
Em poucos minutos a médica saiu e foi até onde estávamos sentados.
— Fiz alguns exames nele agora, aparentemente está tudo bem, fora os machucados externos, ele sofreu um corte profundo em um dos braços e levou alguns pontos, fora isso nada tão grave. Mas como ele sofreu uma pancada na cabeça e ficou desacordado não podemos libera-lo para ir para casa ainda, ficará aqui pelo menos até amanhã para ser observado. — Disse a médica para nós. Concordamos com a cabeça e ela nos liberou para vê-lo novamente. Apesar de que eu estava com vergonha de encara-lo.
Entramos na sala e ficamos ali, Marco e Sasha conversando com ele enquanto eu apenas observava, agora era o momento deles. Mas não ficaram por muito tempo.
— Bem, a médica disse que você terá que ficar aqui pelo menos até amanhã. Vou voltar para buscar algumas coisas para você. — Disse Marco.
— Eu agradeço. — Respondeu Renan.
— E você. — Disse Marco para mim. — Vai para casa agora, precisa tomar um banho e se esquentar antes que fique doente.
— Sim senhor. — Respondi.
— Deixo ele com você. — Disse Marco para Sasha, assentiu. Se fosse algumas horas antes eu teria ficado desconfortável com isso, mas agora não mais. Me despedi rapidamente de Renan e de Sasha, agradeci ela por tudo e fui embora com Marco.
Não chovia mais porém o tempo estava cinzento, a chuva havia castigado a cidade, um vento frio batia em mim e tive certeza, ficaria doente a qualquer momento.
Entramos no carro e seguimos para casa.
— Está perdendo a confiança em mim? — Marco perguntou.
— Como assim?
— Por que não me contou o que sentia pelo Renan? — Ele perguntou meio ressentido, fiquei com vergonha mas queria saber como ele descobriu.
— Como soube? — Ele riu alto.
— Não acho que você vá correr no meio de uma tempestade por qualquer um que conhece. — Ele disse e lembrei de como corri desesperada até ali, senti meu rosto queimar de vergonha.
— Você faria o mesmo pela Sasha, não é? — Perguntei e ele engasgou quando falei isso.
— Como soube? — Ele perguntou meio tímido, dessa vez eu ri.
— Parece que meu irmão perdeu a confiança em mim, mas outras pessoas não... — Respondi.
— Sem mais segredos então. — Ele disse.
— Sem segredos. — Respondi.
No meio do caminho sugeri algumas formas dele lidar com a Sasha, ele disse que "não precisava", mas eu sabia que só estava sendo tímido e pensaria naquilo depois.
Cheguei em casa e minha mãe quase teve um infarto ali mesmo quando meu viu. Marco me acobertou e explicou o que aconteceu, mentindo em uma parte ou outra, ele sabia que eu não queria que minha mãe soubesse o que eu sentia pelo Renan, não ainda.
Tomei um banho bem quente, se ontem meu corpo queimava de calor hoje estava frio como gelo, deixei o chuveiro bem quente e aproveitei cada gotinha de água quente que caía em mim.
Só depois parei pra pensar em Davi. O que será que ele pensou quando não me viu ali? Como me explicar para ele sem deixar transparecer tudo o que eu sentia pelo Renan? Percebi que essa seria a tarefa mais difícil. Eu poderia mentir, mas não iria conseguir contar uma mentira muito convincente.
Assim que tomei banho tomei um chocolate quente que minha mãe havia feito para mim. Logo depois ela e meu pai foram ao hospital visitar Renan.
Estava no corredor da escola contando para Marie e Ethan tudo o que aconteceu depois que eles foram embora. Aparentemente nem discutido eles tinha no dia anterior, e isso começou a me preocupar. Depois de ouvir tudo Ethan saiu para resolver algumas coisas do time de futebol, aproveitei a chance para perguntar a Marie sobre Charlie.
— Falou com Charlie? — Perguntei.
— Mandei mensagem, perguntando se poderíamos nos encontrar para conversar, mas ele disse que estava "ocupado". — Disse ela. — Sinceramente não estou tão preoupada com ele mais, estou é ficando com raiva, afinal eu não fiz nada de errado.
— Também acho. — Respondi. Avistei Davi no final do corredor andando na nossa direção, conversava distraidamente com alguns amigos. Assim que me viu me olhou por algum tempo e sua expressão ficou um pouco mais séria.
— Marie... — Comecei a dizer.
— Já entendi, vou indo na frente, me avise se precisar de alguma coisa. — Ela disse e saiu. Senti minha barriga se revirar um pouco, mas eu tinha que esclarecer as com Davi.
Assim que eles chegaram mais perto vi os amigos de Davi fazerem a mesma cara de Marie, depois saíram deixando Davi sozinho. Cheguei mais perto dele.
— Podemos conversar? — Perguntei.
— Podemos. — Ele respondeu mas eu vi que essa era a última coisa que ele queria.
Caminhamos até achar uma sala vazia, para termos privacidade. Por fim a única disponível era a sala de música, justo essa. Entramos e fechamos a porta. Enrolei um pouco para tentar escolher as palavras, mas Davi falou primeiro.
— Ganhos o jogo... 3x0. — Ele disse olhando para a janela.
— Isso é bom! — Eu disse. — Parabéns! — Ele sorriu e voltamos a ficar em silêncio por alguns segundos.
— Pode dizer, o que quer que seja, eu aguento ouvir. — Ele disse sorrindo, mas não era um sorriso muito feliz, me senti muito culpada.
— Davi me desculpa! — Eu disse finalmente. — Me desculpa! Eu fui ver o jogo, fui mesmo, estava lá sentada e vi você fazendo os primeiros pontos. Mas aconteceu algo...
— Professor Renan, não é? — Disse ele, olhei surpresa. — Minhas primeiras aulaz hoje eram dele, avisaram que ele havia sofrido um acidente e estaria afastado por alguns dias.
— Sim, me ligaram no meio do jogo avisando. — Confirmei meio sem jeito, Davi suspirou.
— É ele não é? O cara que você está interessada. — Olhei surpresa para ele. — Não, interessada não, você está realmente apaixonada por ele. — Ele disse me olhando, estava triste. Engoli em seco sem saber muito o que dizer.
— Desculpa, Davi. — Foi só o que consegui dizer, e ao ouvir Davi dizer tive certeza, eu estava realmente apaixonada por Renan. Só não havia caido a ficha completamente até então.
— Não precisa se desculpar. Eu cheguei atrasado, pra variar. — Ele disse sorrindo.
— Eu não usei você esse tempo todo, quero que fique claro. — Eu disse. — Foi incrível cada momento que passei com você, me ajudou de muitas formas. Eu só estava confusa, e com um pouco de medo. — Eu disse e Davi foi até mim e me abraçou, delicadamente como se tivesse medo que eu me quebrasse.
— Eu sei, sei disso e entendo. — Ele disse. — Não vou negar, estou me sentindo derrotado, mas está tudo bem, de alguma forma eu sabia que você estava fora do meu alcance. Mas foi maravilhoso ter um pouco de você para mim nesses últimos dias. — Ele disse e comecei a chorar.
— Desculpa. — Eu disse novamente e o abracei de volta.
— Apesar de tudo, sempre que precisar estarei aqui, ainda quero ser seu amigo. — Ele disse me olhando nos olhos, depois riu e apertou meu nariz. — Chega de chorar! Obrigado por me dizer a verdade, não vou contar para ninguém porque sei que traria problemas, mas vou precisar de um tempo. — Ele disse e concordei.
Depois disso Davi saiu e fiquei sozinha na sala. Estava aliviada por ter dito a verdade, mas ainda me sentia culpada.
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