Notas iniciais
Realmente desculpem o atraso! Fiquei com um SUPER bloqueio de criatividade, De qualquer forma, espero que gostem. Boa Leitura!

Aparentemente Marie e Ethan tinham ido para Nárnia, não encontrei nenhum dos dois desde que havia voltado com Davi. Estava um pouco sem jeito de ficar a sós com ele e não sabia muito bem o que dizer, na verdade, nem havia muito o que mostrar. Não sei porque ele pediu que eu o acompanhasse.

— Veio muitas pessoas, não é? – Disse Davi desviando de um grupo de pessoas que passavam.

— Também acho, não imaginei que viria tanta gente, mas ainda bem que vieram! Você saiu mais cedo do treino?

— Mais ou menos, na verdade o treinador encurtou o tempo de treino hoje já que o jogo é logo amanhã. Ele disse que seria bom descansarmos um pouco, mas amanhã o treino de manhã vai ser bem puxado.

— Entendo. Acho que não fui feita para os esportes, fico com preguiça só de ouvir... – Davi soltou uma pequena risada.

— Mas ainda te espero para o jogo de amanhã. – Disse ele me olhando desconfiado.

— Relaxa, eu vou sim, vou estar lá.

Todo o “evento” não durou muito, apenas o bastante para as pessoas se distraírem e se divertirem. Davi foi embora uns trinta minutos depois que chegou, tinha que se preparar apropriadamente para o jogo do dia seguinte. Quando começou a anoitecer a hospedaria já estava praticamente vazia, Marie e Ethan apareceram depois de Davi ir embora apenas para se despedirem, dei uma pequena bronca neles, depois foram embora juntos, sobrou no final na hospedaria apenas Marco, Renan, Sasha, minha mãe, meu pai e eu, precisávamos limpar e organizar a bagunça.

Tiramos as mesas do lado de fora e colocamos para dentro, e pela primeira vez colocamos do lado de fora a plaquinha escrito “closed”.

Todos varriam e limpavam as coisas, aparentemente todos sentiam a mesma alegria que nem sentiam o cansaço. Fui para trás do balcão limpar ele, juntamente com as garrafas de bebidas que ficavam nas prateleiras atrás, comecei então a cantarolar uma das minhas músicas favoritas, “Perfect” do Ed Sheeran, eu amava essa música, mas evitava cantar perto de Marie porque ela odiava do fundo da alma. Então sem perceber comecei a cantar, baixo, apenas para mim mesma. Sem notar e na mesma suavidade com que comecei a cantar ouvi um acompanhamento de violão ao fundo, demorei para notar mas assim que parei e notei que alguém me acompanhava me assustei, olhei para perto da lareira e lá estava Renan, sentado em um banquinho de madeira, apoiando o violão em um dos joelhos. Senti meu rosto queimar de vergonha.

— Desculpa, te atrapalhei? – Disse ele sorrindo mas meio receoso. – Aprendi a tocar essa música recentemente e fiquei surpreso quando te ouvi cantar, não consegui me segurar. – Continuou ele com o rosto sereno.

— Não, relaxa, só me surpreendi, não achei que alguém estivesse me ouvindo.

— Não sei porque evita cantar, só voz é muito boa, tem uma suavidade incrível e é muito afinada. – Ele disse seriamente, apenas dei de ombros. Assim que Renan ia recomeçar a tocar ouvi passos fortes vindo da cozinha lá atrás, Sasha saiu e apareceu, olhou para mim depois passou os olhos por Renan, tinha um olhar bravo e os olhos começando a ficar vermelhos, como se fosse chorar a qualquer momento, antes que eu pudesse processar suas expressões ela virou o rosto e continuou andando até sair de dentro da hospedaria. No mesmo instante, antes que eu pudesse respirar uma vez ouvi o barulho do violão de Renan sendo deixado em cima do banquinho em que ele sentava e saiu apressadamente atrás de Sasha, sem olhar para trás, não entendi absolutamente nada, mas ainda assim senti um peso horrível no peito. Meu pai apareceu no topo da escada que dava para o andar de cima olhando tudo.

— Aconteceu algo? – Perguntou ele. Antes que eu pudesse responder Marco apareceu.

— Não, não houve nada, Sasha apenas saiu por um instante. – Respondeu ele, meu pai olhou para nós dois desconfiados, apenas afirmei com a cabeça o que Marco tinha acabado de dizer, convencido ele subiu e continuou a arrumar as coisas no andar de cima com minha mãe.

Marco voltou para a cozinha e continuei a limpar, um silêncio pesado pousou sobre o local, apesar de eu estar sozinha o silêncio era absolutamente incômodo. Procurei não pensar muito no que aconteceu, afinal absolutamente não era da minha conta.

— Elô? – Ouvi Marco me chamar.

— Hum?

— Pode levar esses sacos de lixo para fora pra mim? Ou prefere que eu leve e você termina de organizar as coisas na cozinha? – Perguntou ele.

— Pode deixar, eu levo o lixo. – Ele veio da cozinha e me entregou três grandes sacos de lixo.

— Está pesado? Quer que eu leve?

— Não, está tudo bem, não pesa muito. – Marco concordou e voltou para os fundos, com dificuldade peguei os sacos de lixo, andei devagar e abri a porta, coloquei um deles em frente a porta enquanto levava os outros. Assim que me virei desejei voltar no tempo e pedir para Marco levar o lixo, desejei que o lixo estivesse mais pesado para que Marco o levasse, desejei ter ficado na cozinha arrumando as coisas. Apenas desejei não estar ali. Lá estava, Renan e Sasha, do outro lado da rua, Renan de costas para mim, mas pude ver claramente o que acontecia. Sasha segurava Renan delicadamente pela nuca, num término de um beijo. Fiquei estática, com as duas mãos segurando um saco de lixo. Mas senti que claramente os papeis estavam invertidos, era o lixo que me segurava e me levava para a grande lixeira logo ao lado. Sasha se assustou quando me viu e deu um passo para trás rapidamente, logo depois Renan se virou, assim que nossos olhos iam se encontrar virei o rosto, andei até a porta e coloquei os sacos de lixo no chão para descansar um pouco a mão. Fiquei mais tempo parada do que gostaria, tempo suficiente para que Renan atravessasse a rua e viesse na minha direção, assim que ouvi seus passos comecei a pegar novamente os lixos apressadamente.

— Ei, está pesado? Quer que eu te ajude? – Renan perguntou.

— Não, estou bem. – Respondi simplesmente. Assim que estiquei a mão para pegar o último saco Renan fez o mesmo, assim que vi sua mão estendida na mesma direção que a minha sem perceber dei um tapa nele afastando-o, ele olhou para mim sem entender.

— É... – Ele ia começar a dizer algo mas não deixei que terminasse.

— Desculpa, foi sem querer. Mas não preciso da sua ajuda, estou bem. – Ele continuou a me olhar, senti meu celular vibrar no bolso, peguei e o que vi escrito na tela pareceu coisa de filme, coisas que não acontecem comigo, mas levei aquilo como um sinal. Davi estava me ligando, Renan também viu o nome escrito, atendi imediatamente.

— Alô? Eloisa? – Ouvi Davi dizer animadamente do outro lado da linha, foi como se nesse momento algo aquecesse todo meu corpo, apenas essas poucas palavras de Davi me acalmaram, deixei escapar um sorriso.

— Boa noite, Davi. – Respondi sorrindo, enquanto encarava Renan, depois me virei para conversar.

— Desculpa ligar tão tarde, mas fiquei com medo de mandar mensagem e você não ver a tempo. – Disse ele.

— Tudo bem, nem estou em casa ainda, só ajudando meu irmão a organizar as coisas.

— Então... – Ele começou meio hesitante. – Amanhã, depois do jogo, você... não quer dar uma volta? Só pra passar o tempo... – Percebi o quão inseguro ele estava, mas não hesitei com a resposta.

— Claro, quero sim! – Consegui ouvir ele sorrindo de alivio do outro lado da linha.

— Bom, não vou te atrapalhar mais por hoje, só queria te perguntar isso. Boa noite, Elô. – Disse ele gentilmente.

— Boa noite, Davi. – E desligou.

Sabe, muitas vezes vemos as coisas acontecerem em filmes ou até mesmo na vida de pessoas próximas e imaginamos que aquilo nunca acontecerá conosco, seja coisas boas ou ruins. Mas é engraçado como as coisas podem mudar tão rapidamente, como uma simples pessoa pode fazer as coisas desandarem, e você se vê, em uma daquelas cenas complicadas do seu livro, filme, mangá favorito. Não são coisas impossíveis de acontecer, sempre acontecem na verdade, as vezes num ritmo mais lento apenas, e pensamos que poderia ser fácil como nos filmes ou livros, mas tudo é mais fácil quando olhamos por fora não é? As escolhas e decisões parecem muito mais fáceis e lógicas, por isso quando vivemos essas situações não achamos tão divertidas, porque dependem apenas de nós, das nossas decisões e de como encaramos aquilo.

Assim que desliguei o celular Renan e Sasha não estavam mais lá, nem cheguei a ver para onde foram, melhor assim, já estava com a cabeça no lugar. Coloquei o lixo na lixeira e voltei para dentro, estavam todos reunidos trocando uma ou outra palavra, mas o clima estava pesado, Sasha não dizia nada, Renan trocava uma ou outra palavra, meus pais eram os únicos normais, Marco conversava normalmente mas não me enganava, conseguia ver por trás das expressões que fazia, havia algo de muito errado entre os três, mas eu não fazia a mínima ideia do que era. Assim que entrei o sininho da porta fez barulho e todos olharam para mim.

— Que demora pra levar o lixo ein. – Disse Marco sorrindo, um sorriso falso.

— Desculpe. – Respondi forçando uma cara decente. – Talvez estivesse um pouco pesado. – Sorri, neste momento Sasha olhou para baixo e Renan desviou o olhar de mim.

— Bem, cheguei de viagem a poucas horas, então estou um pouco cansado, acho que está na hora de ir embora. – Disse meu pai, ele olhou para mim e afirmei com a cabeça. Meus pais se despediram de todos, fui até Marco e lhe dei um abraço e cochichei em seu ouvido:

— Se quiser conversar me mande mensagem, não sei se serei de grande ajuda mas posso te ouvir, apenas não force para parecer que está bem. – Marco riu e me abraçou de volta, depois fez um pequeno carinho na minha cabeça. Não me dei ao trabalho de me despedir de Sasha e Renan, apenas virei e acompanhei meus pais. Não importa a tristeza que eu esteja sentindo agora, assim que meus pais e eu saímos sobrou apenas os três dentro da hospedaria, e o pior estaria ali, algo que só eles sabiam e teriam de resolver. Podia facilmente sentir a energia pesada que pousava ali.

Cheguei em casa já era tarde, conversei um pouco com meu pai pra saber como havia sido sua viagem pra depois tomar um banho e ir deitar. Precisaria estar pronta para amanhã, afinal as duas primeiras aulas seriam de Renan, mas procurei não pensar nisso, apenas tentei focar no dia que teria com Davi. Resolvi que para conseguir dormir em paz teria que conversar com alguém, mandei mensagem para Marie:

“Está acordada?”

Dois minutos depois ela respondeu:

“Estou sim”

“Preciso te contar algo”

“Pode dizer”

“Vou te ligar, é melhor”

“Ok”

Disquei para Marie e em um segundo ela atendeu

— O que foi? – Perguntou ela ansiosa.

— Vi Renan e Sasha se beijando hoje.

— O QUE? – Disse ela, alto demais. – Como assim? Quando?

— Agora a noite. Estávamos todos limpando a hospedaria, Sasha saiu brava e estranha como se algo tivesse acontecido, Renan viu e foi atrás dela, alguns minutos saí para fazer algo que Marco pediu, e vi eles, do outro lado da rua...

— Entendi... – Respondeu Marie meio sem saber o que responder. – Você não sabe o que houve?

— Não. Mas é algo entre eles e Marco, estavam estranhos depois disso, mas não sei de nada.

— E você está bem? Quer que eu brigue com ele pra você? – Disse Marie, eu ri, porque sabia perfeitamente que ela faria isso se eu quisesse.

— Vou apenas ignorar isso, Renan e eu não temos absolutamente nada, não tem razão pra eu dar corda pra isso. Além disso, na mesma hora Davi me ligou, me chamando para sair amanhã depois do jogo de vôlei.

— Ah, isso com certeza é um bom sinal. – Disse ela. – Que vida amorosa agitada ein. – Marie disse rindo.

— Eu que o diga, nem parece que sou eu.

— Ah parece sim, na verdade esse tipo de situação é bem a sua cara. – Eu ri, logo depois ouvi Marie rindo também.

— Bom, amanhã a gente conversa mais, vou descansar. Boa noite.

— Boa noite, Elô. – E desligamos.

Fiquei pensando em nada até finalmente conseguir adormecer.

Acordei atrasada na manhã seguinte, de propósito, se possível queria perder pelo menos a primeira aula de Renan. Meus pais brigaram um pouco por causa do meu atraso e fingi estar com pressa, saí rápido de casa mas assim que tomei distancia andei mais devagar, como se estivesse apenas passando o tempo, e era o que eu realmente estava fazendo mesmo.

Cheguei na escola e fiquei no pátio esperando dar o horário da segunda aula, não havia muitas pessoas lá, peguei um livro na bolsa e comecei a ler, Crepúsculo, amo essa saga fortemente. O tempo passou rápido e o sinal bateu, decidi então que mataria aula, definitivamente meu humor estava bom demais para ser estragado ao ver Renan, então fui andando discretamente para o banheiro, consegui ficar lá uns 15 minutos, depois disso uma funcionária apareceu.

— O que faz aqui? – Perguntou ela olhando para minha mochila.

— Eu...

— Está matando aula? – Disse me olhando atentamente, fiquei sem desculpa para dar, ela me pegou pelo braço e saiu me levando pela escola. – Que sala é a sua?

— Terceiro ano, última sala do corredor... – De tudo que podia acontecer isso era o pior, chamaria muita atenção, como sou burra, nem matar aula eu sei! Chegamos no corredor vazio e ela continuou me guiando.

— Pode deixar, eu vou sozinha agora. – Eu disse a ela. Ela me olhou desconfiada. – Se quiser pode observar daqui, não tem muito pra onde eu querer ir agora... – Ela concordou e me soltou, senti um pequeno alivio. Segui para minha sala.

Bati da porta e depois a abri devagar, Renan estava no meio da explicação, ele parou e olhou para ver quem estava entrando, assim como todos os alunos da sala.

— Licença... professor. – Eu disse baixinho.

— Está atrasada, muito. – Ele disse. – Já se passou vinte minutos do sinal da primeira aula eu poderia não te deixar entrar. – Continuou Renan, como sempre digo, eu conseguia ler suas expressões facilmente, mesmo que estivesse sério conseguia ver quando estava brincando, e definitivamente esse momento não era um desses. Ele estava sério, completamente, nada em seu rosto mostrava qualquer sinal de brincadeira, já deveria imaginar.

— Se for o caso é só avisar que eu me retiro da sala. – Respondi, mas logo me arrependi disso, alguns bons alunos olharam para mim surpresos, claro, ninguém espera que eu responda um professor. Marie me olhava preocupada. Renan ficou alguns poucos minutos me observando, por um momento jurei que ele realmente me diria para sair da sala, ele apenas suspirou pesadamente e depois falou:

— Sente-se no seu lugar. – Nunca havia visto Renan tão sério, logicamente não era apenas por minha causa, algo havia acontecido na noite anterior, e aparentemente o afetou. Andei pela sala e me sentei, dei um pequeno sorriso para Marie e ela retribuiu.

Os poucos minutos da aula de história que peguei passaram rápido, apesar de eu não ter prestado muita atenção em nada. As outras aulas passaram normalmente até o sinal do intervalo bater. Estava caminhando para ir pra fora comer quando a coordenadora me chamou.

— Eloisa? Professor Renan está te chamando na sala dos professores.

— Ah, ok estou indo. – Fiquei confusa mas falei para Marie e Ethan irem para o intervalo sem mim, a coordenadora me guiou até a sala dos professores. Assim que chegamos ela abriu a porta, a sala estava vazia, exceto pela presença do Renan.

-Aqui está ela professor. – Disse a coordenadora.

— Muito obrigado. – Respondeu Renan, após isso ela saiu e eu fiquei na porta, sem entender. – Vai ficar aí na porta? – Perguntou ele.

— Bem, tenho o intervalo agora, se não for demorar...

— Bem, basicamente você ficará sem intervalo hoje, vai me ajudar a organizar algumas coisas aqui.

— O que? – Perguntei incrédula.

— Só pra deixar claro, não foi uma decisão minha, aparentemente uma funcionária contou na coordenação que eu não estava “atento” aos meus alunos, a coordenadora me deu uma pequena bronca e tive que tomar alguma “providencia”. – Xinguei mentalmente aquela funcionária umas mil vezes naquele momento. Entrei e fechei a porta.

— O que preciso fazer, professor? – Falei com um leve tom de desprezo, Renan notou, mas não disse nada sobre isso.

— Tem algumas apostilas naquela mesa, separe por classes, e depois coloque em ordem de chamada. – Ele disse.

— Sim, senhor. – Respondi, fui até a mesa e me sentei em frente aquele monte de apostila. Aquele silêncio incômodo voltou a aparecer, mas não me importei, não estava com um pingo de vontade de deixar o ambiente melhor. Me concentrei e comecei a organizar tudo. Sem perceber comecei a cantarolar.

— É uma mania? – Ouvi Renan dizer, parei de cantar rapidamente.

— O que? – Perguntei.

— Cantar quando está concentrada em algo. – Ele disse mais descontraído.

— Não sei, deve ser. – Respondi simplesmente. Ele parou e ficou me olhando por alguns segundos, fingi não perceber, ele respirou fundo novamente.

— Olha, desculpa pelo que aconteceu hoje de manhã, não devia ter falado sério. – Fui pega de surpresa.

— Tudo bem, não me importo. – Respondi, não o convenci, ele continuou me olhando.

— Sobre ontem, eu...

— Não importa. – Cortei o que ele ia dizer, absolutamente não queria saber sobre ontem. – Você não tem que se explicar para mim.

— Então porque não fala direito comigo? Está se contradizendo. – Mordi o lábio inferior brava por não conseguir retrucar. – Não faz o menor sentido agir assim comigo agora.

— Estou agindo normal, só estou cansada. – Ele pareceu ficar bravo de verdade nessa hora, colocou os papeis que segurava na mesa e sentou de frente pra mim.

— Não sei porque está assim e porque me afastou ontem, certamente você viu algo que não deveria ter visto, mas estou tentando esclarecer. – Disse ele, nesse momento senti como se estivesse conversando com alguém da minha sala, não senti como se Renan fosse mais velho e nem me senti mais madura, ali havia apenas duas pessoas discutindo.

— Esclarecer? Por que? – Perguntei em tom de deboche.

— Sinceramente não sei, mas talvez tire essa sua cara de emburrada.

— Você é um bom professor, se preocupando com os alunos. – Respondi ainda em tom de deboche.

— Não estou falando como um professor, estou falando como alguém que te conhece há anos.

— Ora vamos, sabemos que não há necessidade disso. Não muda nada na sua vida o modo como ajo.

— Muda muita coisa. – Ele disse, e isso me balançou um pouco. Mas logo me recompus, ele continuou me observando, mas baixei a cabeça pra continuar o que fazia. – Você é muito cabeça dura, igualzinha o seu irmão. – Ele disse isso, logo em seguida se aproximou um pouco e retirou uma mecha de cabelo que escondia meu rosto, estava perto demais.

— Você está ultrapassando os limites de professor, tome cuidado, você aqui querendo ou não é meu professor, não faça as pessoas entenderem as coisas errado. – Respondi e me levantei para ir embora.

— Hoje... Você irá ao jogo de vôlei não é? Do Davi. – Ele perguntou, mais uma vez fui pega de surpresa, mas não precisei pensar muito na resposta.

— Sim. – Me retirei e segui para a sala de aula, o sinal havia acabado de bater.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Me digam o que acharam, ok? Até o próximo capítulo!!