Notas iniciais
Dessa vez foi rápido, mais um aqui pra vocês! Boa Leitura!

Estava completamente arrependida do que disse para Renan, além de estar me sentindo uma completa idiota! Apesar de tentar fortemente não consigo não agir como criança nessas horas. Foi só um beijo! Fiquei completamente doida por causa de um beijo! Tudo bem, não é algo que eu deveria esperar daqueles dois, mas ainda assim não é como se eles tivessem voltado a namorar, né?

Voltei para a sala tentando me convencer de que estava certa, mas sem dar o braço a torcer.

— O que? Você disse isso para ele? — Disse Marie cochichando para mim, estávamos no meio da aula.

— Disse, estava nervosa, Marie.

— Mas ele estava tentando se explicar, não poderia ter deixado ele continuar? — Continuou ela.

— Poderia, mas não deixei. Fiquei com medo do que ele poderia dizer...

— Medo? Encare de frente isso! Não adianta ficar fugindo e se distanciando. Dependendo do que aconteceu você pode estar fazendo mais mal ainda para ele. — Essa última frase de Marie me pegou ddesprevenida, não tinha pensado por esse lado, logicamente pensei apenas em mim.

— Estou preocupada com Marco, vou falar com ele depois.

Marie estava certa, eu estava agindo como idiota, me achando vitima da situação sem saber o que havia acontecido. Renan realmente parecia querer esclarecer o que aconteceu e não deixei. Talvez devesse dar uma chance. Mas não o fiz, e mais tarde me arrependeria disso.

As aulas terminaram e todos foram embora, todos com exceção daqueles que iriam assistir ao jogo amistoso de vôlei. Pedi a Marie e Ethan que ficassem comigo, não queria ficar sozinha, Marie chamou Charlie também, ele iria ficar com a gente, quando soube disso Ethan se calou, ficou em completo silêncio.

Fomos para a arquibancada da quadra esperar o jogo começar, o time adversário já havia chegado e estavam todos em aquecimento. Davi me viu da quadra e acenou pra mim sorrindo, acenei de volta, mas meu sorriso se foi quando olhei para o outro lado da quadra, Alissa estava lá, e me olhava nada gentil.

Os capitães de cada time deram um passo a frente antes do jogo começar para explicar o motivo daquele jogo e etc. Apenas um jogo treino antes do campeonato que viria.

Davi era alto, mas vendo-o perto dos outros jogadores era um dos menores, era fofo de ver. Ele estava sério e concentrado, um dos poucos momentos em que não estava sorrindo.

O jogo começou e nosso time começou sacando. Pensei que por ser um jogo treino seria algo mais "leve", estava muito enganada e nesse momento percebi como não sabia nada de esportes. Eles estavam sérios e jogando sério, pancadas fortíssimas na bola, como se o campeonato tivesse começado ali mesmo. Estava empolgante.

Davi jogava bem, muito bem. Não perdia uma bola e dava cada pancada nela que eu chegava a olhar minha própria mão pra ver se estava vermelha. Primeiro set acabou, o time adversário ganhou, por pouco, no limite de dois pontos a frente. No pequeno intervalo até o próximo set os times foram conversar entre si, foi nesse momento que as coisas esquentaram na arquibancada também, Charlie chegou nessa hora e sentou com a gente, entre Marie e Ethan.

Era um garoto simpático, nada de muito especial, mas conversava bem, não era tímido. Aparentemente a relação deles já estava bem adiantada pois ele cumprimentou Marie com um beijo, Ethan se remexeu quando isso aconteceu, achei a reação engraçada, ele era tão transparente.

Bem, o segundo set começou, apertado como o set anterior, era ponto a ponto, de um lado e de outro, os jogadores começavam a ficar impacientes. Até um lance, que levantou toda a torcida inclusive eu, nosso time salvou uma bola que estava praticamente perdida no fundo de quadra, quando caiu na mão do levantador Davi gritou pedindo a bola e o levantador atendeu, jogo a bola nas mãos de Davi que estava atrás da linha dos três, ele saltou e deu uma pancada na bola, que caiu no chão da quadra adversária. Sinceramente não havia entendido bem o que aconteceu, mas o lance foi bonito e levantei para comemorar assim como todos os outros, até Ethan do meu lado comemorou e depois gritou algo completamente desnecessário:

— Tinha que ser o namorado da minha amiga! — Muitos olharam na nossa direção, inclusive Davi, tapei a boca de Ethan completamente envergonhada, algumas pessoas riram e outras nem ligaram, Davi ficou de costas por isso não consegui ver sua expressão.

— Está contente? — Disse a Ethan.

— Sinceramente sim, talvez assim as coisas andem mais rápido entre vocês. — Ele respondeu rindo, inacreditável.

O jogo continuou, dessa vez mais pegado e um pouco mais tenso, mas ganhanos o segundo set, empatando em 1 a 1. No intervalo até o próximo set sai pra comprar algo na cantina, afinal havia perdido meu intervalo na sala dos professores. Comprei um hotdog e um suco e voltei, assim que cheguei na quadra vi que estava um pouco mais cheia, Renan também havia ido para lá, estava do outro lado da quadra, ao lado de Alissa, olhar e ver os dois juntos ali até me deu dor de cabeça, Marie reparou nisso e me lançou um olhar como se perguntasse "tudo bem?", sorri para ela como resposta e me sentei, separando Ethan de Charlie, Ethan pareceu agradecido por isso. Um pouco antes do jogo voltar Davi olhou para mim e disse algo que só pude entender por leitura labial. "Você está bonita". Demorei um pouco para entender e fiquei um pouco sem graça quando entendi, ele sorriu e voltou para a quadra. Peguei um espelho na bolsa para ver como eu estava, completamente normal, com um pouco de olheiras ainda por ter dormido pouco. Onde estava bonita? Devo ter entendido errado.

O jogo recomeçou. O time adversário estava melhor, apesar de não ter muita diferença o jogo continuou assim até o final, acabando em 3 sets a 2 para nós, incrivelmente conseguimos ganhar, mas por pouco. Assim que o jogo acabou os atletas foram se cumprimentar como de costume e depois conversar. Levantei e me espreguicei.

— Isso foi divertido, eu gostei. — Disse Marie. — Me deu até vontade de saber jogar!

— Eu te ensino. — Disse Charlie rindo.

— Ah, verdade, acho que eles não sabem, o Charlie é o capitão de vôlei no colégio dele! — Disse Marie orgulhosa, eu ri, mas Ethan levantou e saiu andando. Ninguém entendeu nada, na verdade eu sim, então fui atrás dele. Ele andava rapidamente pelo corredor.

— Você não pode ser um pouco mais discreto? — Gritei pra Ethan me ouvir no corredor, ele parou e virou para mim.

— Não sei do que está falando. — Ele disse, eu ri.

— Desde quando? — Perguntei para ele, sabia que ele havia entendido a pergunta. Ele me olhou com um olhar desesperado, e isso fez meu coração derreter, nunca havia visto Ethan assim.

— Eu não sei. — Disse ele. — Realmente não sei. Mas piorou muito de uns dias pra cá, não suporto ouvi-la falar do Charlie, não suporto não conseguir me entender, não suporto não conseguir me aproximar mais dela por causa dele. — Isso me surpreendeu, não sabia que o sentimento estava tão intenso assim. Me aproximei dele e coloquei minha mão em seus ombros para tranquilizar ele.

— Sei como se sente. — Eu disse. — Vou te ajudar, ok? Ficarei do seu lado dessa vez. Capitão do time de futebol. — Eu disse a ele focando nessa última parte, pra ele entender que ele pode ser tão bom quanto Charlie, ele sorriu pra mim, esperançoso.

— Quem dera você conseguisse ajudar a si mesma como me ajuda. — Disse ele sorrindo.

— Como assim? — Perguntei confusa.

— Sabe porque gritei aquilo no jogo?

— Porque é um idiota? — Ele riu.

— Bem, também. Você não percebeu mas havia um certo professor na entrada da quadra aquela hora, e ele ouviu claramente o que eu gritei. — Fiquei paralisada, como Ethan sabia?

— Como? — Perguntei a ele, eu não havia dito absolutamente nada para ele.

— Bem, você pode não me contar as coisas mas não sou um idiota completo. Não sei os detalhes, mas sei que há algo entre você e nosso querido professor de história. — Fiquei com a boca aberta, será que estava ficando claro pros outros alunos como estava para Ethan? Porque se sim isso traria muitos problemas.

Ethan pareceu ler o desespero na minha cara e soltou uma risada, mas uma risada gentil.

— Não se preocupe, não acho que ninguém tenha notado, sei porque sou seu amigo. Tenho que ir agora, tem um casal desagradável vindo para cá. — Ele disse e saiu, olhei para trás e vi Marie com Charlie.

— O que deu nele? — Perguntou Marie.

— Nada, só tinha que resolver algumas coisas no clube de futebol. Afinal ele é o capitão do time. — Eu disse e Charlie pareceu surpreso, e eu sabia exatamente o porquê. Ser capitão do time de vôlei muitos são, e é algo que as vezes não exige muito pulso firme. Já no futebol é diferente, o capitão tem poder emocional no time o tempo inteiro, por ser um esporte mais pegado o suporte do capitão faz toda a diferença. E nossa escola nos últimos cinco anos foi classificada como a melhor equipe de futebol.

— Bem, Charlie e eu já vamos indo, Elô, a gente se vê amanhã.

— Ok, tchau.

— Ah, se divirta com Davi... — Ela disse com um sorriso no rosto, apenas ignorei e voltei para a quadra.

A quadra já estava praticamente vazia, um ou outro jogador ainda andava para arrumar suas coisas. Olhei para frente e vi Alissa andando na minha direção, quase dei meia volta para sair mas continuei meu caminho. Ela passou direto por mim, mas assim que passou disse baixinho:

— Você não vai sair bem dessa. — Ela disse baixo apenas para eu ouvir e depois continuou andando, virei para tentar questionar ela mas não adiantou, ela andou sem olhar para trás. Assim que virei de novo pra seguir meu caminho entendi porque Alissa não havia feito nada, Renan estava vindo na mesma direção que ela, certamente ela não faria nada a vista de um professor. Antes que Renan passasse por mim Davi chegou por trás e chamou minha atenção.

— Desculpa, demorei? — Davi perguntou.

— Não, fiquei conversando com alguns amigos enquanto te esperava. — Ele pareceu aliviado. Depois olhou por cima do meu ombro e acenou para Renan.

— Obrigado por ter vindo, professor. — Ele disse sorrindo. Renan acenou com a mão e sorriu de volta. — Bem, vamos? — Disse Davi, concordei e saimos juntos.

Não sabia ainda para onde iríamos, talvez nem Davi soubesse, mas saimos caminhando juntos. O tempo estava bom e agradável, fresco. Estar com Davi era bom, ele parecia sempre positivo e ter o controle da situação, incoscientemente isso me deixava segura, já que eu era tão atrapalhada.

— Então, o que achou do jogo? — Ele me perguntou.

— Achei incrível, bem emocionante para um jogo amistoso. — Ele sorriu.

— Na verdade, era sim só um jogo amistoso mas há um histórico por trás dos nossos jogos contra aquela escola. — Ele disse.

— Como rivais?

— Mais ou menos isso, nos últimos campeonatos nossos jogos foram bem pegados, alguns até com discussões. Eles nos eliminaram em dois campeonatos, e nós os eliminanos em dois também. Então meio que o clima esquenta entre nós em até jogos simples desses.

— Deve ser bem emocionante. Nunca vi os jogos dos campeonatos de vôlei, mas assistia aos de futebol por causa do Ethan, e era absurdamente emocionante, isso porque nem gosto de acompanhar esportes.

— Apesar de preferir o vôlei tenho que admitir que futebol é muito mais emocionante as vezes. — Ele disse.

— Você joga futebol? — Perguntei.

— Jogo sim, já fiz parte da equipe de futebol mas deixei pra lá, o vôlei combina mais comigo. — Fiquei de boca aberta.

— Tem alguma coisa que você não saiba fazer? — Perguntei rindo, ele riu também.

— Muitas coisas. — Ele respondeu.

— Tipo?

— Conquistar a garota que eu gosto é uma delas. — Ele disse e olhei surpresa para ele, ele pareceu envergonhado mas apenas riu em resposta. — Não faça essa cara para mim, achei que já soubesse. — Ele disse e me olhou, advinha o que eu fiz? Nada, não sabia o que dizer e me odiei por isso.

— Não precisa responder nada agora, vamos apenas dar uma volta juntos, por hora isso basta. — Ele disse. Além de bonito e super talentoso ele era maduro, por que mesmo ele gosta de mim? Provavelmente deve ter aquele lance de equilíbrio, ele é perfeito demais então precisa de alguém errada demais, no caso eu.

Apesar da conversa um pouco diferente que tivemos Davi conseguiu deixar o clima leve novamente, não fiquei constrangida e num acuada, agi normalmente porque ele permitiu isso, porque se dependesse de mim não saberia o que fazer. Fomos a uma lanchonete e comemos qualquer coisa, depois compramos sorvete e fomos para a praia, o tempo estava bom para isso.

Como de costume a praia estava vazia praticamente, o pessoal da cidade já havia se acostumado com a praia então em dias comuns ela nunca estava cheia, possuía apenas algumas pessoas caminhando, praticando exercícios e alguns surfistas aproveitando as ondas, tudo bem tranquilo.

— Ah estou exausto.- Disse Davi sentando na areia.

— Eu imagino, deve ser dificil na época dos campeonatos.

— É um pouco sim, ainda mais no vôlei que as vezes tem jogos dois dias seguidos. — Ficamos calados um tempo, pelo menos até meu sorvete derreter e cair na areia.

— Ah, que droga. — Eu disse olhando pro palito de sorvete, Davi riu.

— Quer comprar outro? — Perguntou Davi.

— Não precisa, agora já desanimei. — Ele riu de novo e se levantou.

— Vou jogar meu palito fora. — Ele pegou o meu também e saiu, fiquei sozinha olhando o mar, era divertido ver os surfistas pegando as ondas e depois caindo, parecia divertido. Sem querer lembrei de Renan, nos encontramos um dia aqui na praia enquanto ele treinava surfar, ele ficava bem com a roupa de surfista.

Voltei para a realidade quando senti algo absurdamente gelado na minha nuca, me encolhi toda e ouvi a risada de Davi.

— Tome. — Ele disse me estendendo um picolé.

— Ah não, relaxa, não precisa.

— Eu fui até lá comprar outro para você recusar? — Ele disse rindo, aceitei. Ele sentou novamente com um picolé também. O silêncio voltou, mas não um silêncio incômodo, era agradável dessa vez, tranquilizador. Mas não durou muito.

— Ei, posso te perguntar algo? — Davi disse.

— Claro. — Ele abriu a boca pra dizer e depois fechou, desistindo, depois de hesitar um pouco resolveu falar.

— Você... está interessada em alguém? — Olhei surpresa para ele mas ele encarava o céu. Respirei fundo, mas resolvi dizer a verdade.

— Desculpa, estou sim. — Ele sorriu, mas um sorriso desapontado.

— Imaginei, nem vou perguntar quem é porque provavelmente não vai me contar. — Ele disse sorrindo e me olhou, como se me questionasse para saber se estava certo, apenas dei um sorriso de "desculpa".

— Mas é complicado, não estou em um bom relacionamento com ele no momento. — Eu disse a ele.

— Bom, desculpa mas pra mim isso é uma boa notícia. — Ele disse e eu ri.

— Não acho que você deva investir em mim... — Eu disse e ele me olhou, mas não o encarei, fiquei olhando para o mar. — Não sou uma garota que faz jus a você, sabe, não tenho nada para te oferecer, entende? — Eu disse me sentindo horrível, mas era a verdade, pelo menos era o que eu sentia. Ele estava deitado mas se levantou e ficou de frente para mim, estava sério.

No tempo de duas respirações ele ficou me observando, mas eu estava timida demais para encarar ele, apenas fiquei olhando para frente. Resolvi tentar contornar a situação, olhei para ele para continuar a falar, mas não tive tempo. Rápido como um piscar de olhos mas gentil como ele era me beijou, antes que eu pudesse formular qualquer frase. Um beijo rápido, depois tomou distância apenas o suficiente para me olhar nos olhos, ainda conseguia sentir sua respiração.

— Para mim você é mais que o suficiente. — Ele disse abrindo aquele sorriso de sempre, depois me beijou novamente, e dessa vez eu retribui.

Ficamos mais alguns minutos juntos e fomos para casa, precisávamos os dois de um tempo, principalmente eu, afinal tudo ocorreu rápido demais seguindo o clima. Mas não posso dizer que não tenha gostado.

Notas finais
Foi um pouco menor esse porqie retirei algumas coisas a mais desse capítulo. Achei que ficou melhor assim, mais simples. Espero que tenham gostado, até o próximo capítulo!