"Aquele Inverno".
1 "Pensamentos ao vento".
Hoje é dia 18 de dezembro de 2016, aqui estou eu sentado na cadeira de balanço, no meu escritório vazio e na minha mesa tem minha velha xícara de café e um porta retrato dos meus pais com um garotinho no colo sorrindo. Esse garotinho de cabelos loiros e olhos azuis e bochechas rosadas com um algodão doce na mão era eu quando pequeno, se qualquer pessoa olhasse pra esse porta retrato diria que realmente ali era uma família feliz; só que nem sempre foi assim. A empresa agora está vazia e o carteiro acabou de sair daqui deixando mais cartas de dívidas, logo eu que um dia fui um homem bem conhecido a onde eu ia todos me invejavam que chegavam a tal ponto de querer ser como eu e olha a onde eu fui parar, agora estou aqui sozinho e no fundo do poço no lugar a onde eu nunca imaginei que iria chegar. Se meu velho pai estivesse agora aqui não teria orgulho de mim por eu ter deixado a empresa que ele lutou tanto pra construir e agora falir. Agora estou aqui nesse escritório frio assim como o gelo que se tornou o meu coração perdido em meus pensamentos, abro a janela e lá fora sopra o vento e todos agora devem estar em suas casas se aquecendo do frio com suas famílias, enquanto a minha única companhia é essa salinha e minha velha xícara de café. Lá fora está tão vazio e hoje não escuto mais o barulho de crianças brincando e correndo nas ruas e a única recordação que eu tenho é uma foto velha que achei perdida em uma das minhas gavetas cheias de canetas e anotações, vendo essa foto que já está velha que um dia foi amassada, rasgada e depois colada; sinto o meu coração aos poucos se aquecer e dentro do meu coração só consigo formar uma palavra "Porque"? Um porque vazio e sem respostas. Olhando agora para a rua segurando a velha foto firme em minhas mãos fecho os olhos e sinto o vento vindo em meu rosto, me lembro que depois daquele dia nessa cidade nunca mais nevou.
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