Notas iniciais
ATENÇÃO: não postarei mais essa semana porque estarei numa conferência de intercambistas. Próximo capítulo só terça que vem.

Chegando finalmente em casa, corri para o chuveiro e deixei a água gelada esquentar correndo em minhas costas. O que tinha acontecido? Por que Thomas tinha que ir embora? Por que eu tinha dito que o amava? Por que ele disse isso também..? Comecei a chorar de novo: o aperto em meu coração ainda era enorme.

Após quinze minutos, fui em direção ao meu quarto, bem na hora em que meu celular começou a tocar. Li o numero que estava na tela e não me surpreendi em ver que era Hideki novamente. Atendi com a voz meio rouca.

– Alô?

– Amanda, você está melhor? – ele disse preocupado – desculpa não ter te contado nada, ele disse que era ele quem tinha que te avisar... Sim, eu sabia de tudo, mas ele teve medo de te contar na hora. Eu disse que era a hora de contar para todos...

– Você sabia desde quando? – eu disse quase sem voz.

– Desde quando vocês começaram a conversar. Mas... Bem, mudando um pouquinho de assunto, vamos fazer uma festa de despedida para ele amanhã e queria saber se você pode me ajudar já que é a mais próxima dele.

– Sim, eu posso – me remexi na cama. – que horas e onde?

– Na casa do Pedro, às 21 horas, mas seria bom você chegar de manha caso role algum imprevisto. – bufei ao escutar o nome Pedro. Nada contra ele, mas estava querendo deixar ele de lado por enquanto.

– Hum... A Julia pode ir?

– Leve ela se não se importar!

Após um curto papo sobre músicas e filmes, desliguei o celular e fui me deitar. Quando ia pegar no sono, novamente meu celular tocou. Liguei o visor e vi no nome de Thomas brilhando. Minha barriga gelou, mas não queria deixar de atender. Meu “alô” foi tão fraco que não sei se ele escutou.

– Oi Amanda... Você tá melhor? – ele disse preocupado.

– Eu estou... E você?

– Estou estranho... Mas de algum jeito é um estranho bom. Estranho né? – ele riu, me contagiando. Houve um breve silencio, seguido de um suspiro, e logo continuou – Amanda, você quer tentar sair de novo? Acho que tenho algumas coisas para arrumar ainda. – meu coração apertou novamente.

– Você vai se sentir bem? Digo, você vai embora e parece meio triste...

– Amanda, quero sair com você nem que seja uma última vez. – aquelas palavras me tocaram. Eu amava aquele jeito persistente e compreensivo e ao mesmo tempo levemente persistente dele.

– Vamos ao cinema de novo? Sei que... Fomos agora pouco mas não deu certo e...

– Perfeito! Íamos ver um drama que tá passando de hora em hora e eu gostaria de ver. Tipo, mas só se você quiser ver também! – ele pareceu sem graça.

– Eu quero sim, na verdade eu adoraria! – sorri. Esqueci toda a tristeza que me dominou mais cedo. Não conversamos muito mais, pois a seção começaria em meia hora. Arrumei meu cabelo e coloquei um shorts com uma blusa de manga. Não passei maquiagem por não estar com o mesmo pique de mais cedo, na verdade eu sabia que tudo ia dar certo dessa vez, mas me achava melhor sendo mais “natural” perto de Thomas.

Saí de casa, sem encontrar Julia. Devia estar dormindo, já eram nove e meia e aquela garota dormia realmente cedo. Meus passos eram largos, pois não queria que algo acontecesse na rua. Meu bairro não era perigoso nem nada, mas era bom me prevenir. Mas de repente, senti uma mão encostar em meu ombro o que me fez levar um puta susto, e num reflexo bati na cara de quem estava me tocando.

– Puta que pariu Amanda, desde quando você ficou forte?! – disse um moreno muito alto. Levei mais um susto quando reconheci Balther, o amigo da minha prima.

– Ai, me desculpa... Hum... – merda, eu não lembrava o nome dele!

– É Balther sua esquecida! – ele riu – está indo à algum lugar?

– Ah, sim, eu estou indo ao shopping encontrar um amigo que vai embora e... – senti meu rosto ficar quente de novo. Balther deve ter sentido a minha tristeza, pois se aproximou e me empurrou levemente para frente.

– Então eu vou junto! Minha casa é passando por lá. Tipo, só se você quiser.

– Tudo bem, pode vir junto.

Balther não me conhecia muito, mas sabia fazer o clima ficar bom. Andamos até o shopping conversando. Mas senti algo diferente: sua voz estava melosa e carinhosa demais, seus braços roçavam nos meus sempre que possível. Tá, eu não era idiota nem nada, mas aquele garoto estava dando em cima de mim, e como sempre, eu não saberia dar um fora sem magoá-lo.

Deixei aquela merda toda acontecendo até nos aproximarmos do portão principal do shopping. Encontrei Thomas encostando em um dos pilares decorativos, e quando o mesmo me encarou, Balther me deu um abraço de surpresa, tão meloso que Thomas abaixou a cabeça. Gelei. Quando ele me soltou, saí sem mesmo dar tchau para o menino e me aproximei de Thomas. Ele limpou a garganta antes de falar.

– Seu novo namorado? – aquilo soou frio demais, até assustei.

– Não! É um amigo da Yasmin... – bati no seu ombro na esperança de melhorar algo, o que pareceu funcionar.

– Enfim, vamos ver o filme? – fiz que sim com a cabeça, ele estendeu a mão num gesto que eu correspondesse, mas na verdade acabei corando. Nunca andamos de mãos dadas antes! Aquilo era um sinal de que... Estávamos de rolo?! Meus pensamentos me prenderam e me deixaram sem ação. Thomas ficou sem graça e disfarçou colocando a mão no bolso da calça, e andou até a bilheteria. Segui seus passos até ele quebrar o silencio novamente.

– Eu estava pensando... E se você fosse comigo na época da mudança? Tipo... minha cidade é grande, e pelo menos a fila do cinema não é tão grande... – ele disse bufando. Sério, uma sala de cinema, para 500 pessoas, sendo que umas 700 querem ver o filme. Aqui em Fall tudo é uma bosta, inclusive o cinema. Lembrei que tinha que responder Thomas.

– Hum... Eu não tenho dinheiro pra isso. Eu adoraria mas eu também tenho provas e... – Thomas não me esperou finalizar. Me deu um abraço apertado, que correspondi depois de um tempo. Seus braços eram quentes e comecei a ficar nervosa, mas ao mesmo tempo em que queria soltá-lo, não queria fazê-lo.

– Não quero me mudar... Eu tenho tantas coisas aqui, eu tenho vo... Eu posso te ver... – Thomas disse, folgando o abraço. Levantei meu rosto até encontrar os seus olhos castanhos. Suas mãos se acomodaram na minha cintura e seu rosto se aproximava do meu. Fechei meus olhos e aguardei o que eu sabia que viria a seguir...

– Vocês estão na fila? – cutucou uma senhora seguida pelo seu suposto neto. Thomas parou o que estava fazendo e sorriu para ela.

– Estamos sim, me desculpe por não ter visto a fila andar. – a senhorinha apenas sorriu enquanto dávamos mais passos para frente e finalmente entrando na sala. Era incrível como Thomas conseguia ser gentil com a pessoas quando queria, era uma das coisas que eu admirava.

Eu estava com algo preso na garganta. O filme se desenrolava e de tempos em tempos encarava Thomas que estava totalmente ligado em cada cena. De repente, como em um belo filme clichê, o suposto protetor e amor da protagonista morre em seus braços. Virei para encará-lo mais uma vez, mas dessa vez, Thomas retribuiu. As falas da personagem saíram exatamente como minha mente estava no momento.

“O que eu vou fazer agora? Se eu te perder... Se eu ficar só... Ter que cuidar de toda a maldade do mundo e sozinha me fará enlouquecer! Fique comigo, por favor...”

Senti os lábios de Thomas tremer, como se quisesse dizer algo que estava preso em sua garganta sem querer sair. Tocou de leve a minha mão que estava encostada no apoio da poltrona e se aproximou do meu rosto novamente. Teria continuado, se a fala do garoto não tivesse sido essa:

“Eu tenho medo de te deixar. Eu sempre quis um lugar para ficar em paz e o encontrei em você. Me desculpe se tenho que ir... Eu te amo”

Meus olhos começaram a lacrimejar e não me segurei. Me joguei no ombro de Thomas e comecei a chorar. As pessoas a nossa volta assustaram de leve, mas devem ter achado que eu era apenas mais uma daquelas super sentimentais que não podem ver filmes dramáticos. Thomas parecia calmo, mas pude sentiu o medo e a tristeza em seu toque. Não liguei se a cena já tivesse passado e eu continuava chorando, ou até mesmo chorando após o fim do filme. Eu só queria Thomas, e o queria para sempre ao meu lado.

Notas finais
Gostou? Comente! Não vou hackear seu computador, eu prometo.