Notas iniciais
Olá! Saindo o penultimo capítulo... Sim, penultimo. As coisas andam complicadas e escrever esse romance me dói um pouco, mas decidi não parar por nenhum motivo. PS: Alguns de vocês vão querer me matar.

– Amanda? Amanda, acorda, temos que ir para a casa do Pedro! – me remexi na cama com a voz fina de Julia. Abri os olhos inchados e meio doloridos, e encarei a parede por um longo tempo.

Meu celular começou a tocar Instant Crush. Droga, eu pensava em Thomas com ela! Habilitei a tela e atendi a chamada de Balther que não esperou o meu “alô” frouxo terminar de sair.

– Eu tenho que falar com você, Amanda. – demorei para raciocinar. Bufei.

– Oi, tô bem, fico feliz que tenha perguntado. Hoje tenho um compromisso, não posso faltar de jeito nenhum.

– Hum... Eu te busco depois disso então, só quero falar com você. – me senti incomodada.

– O que aconteceu, Balther?

– Amanda, você lembra-se daquele dia quando me disse que ia me fazer feliz não importa o momento? – ele disse com uma voz muito triste.

– Sim Balther, eu lembro... por que? – eu disse.

– Eu acho que seria a hora certa pra isso... – e antes que eu pudesse dizer algo, desligou. Idiota, grosso e me preocupando com promessas bobas!

Desci as escadas lentamente e tomei o meu café em silêncio. Julia já estava na sala me esperando e tentou me consolar com um sorriso acolhedor. Deu um tapinha no meu ombro quando entramos no carro e me encarou curiosa a procura de alguma reação positiva. Por fim deu um suspiro com uma risada breve e disse quase sem voz:

– Você realmente ama ele não é? – me surpreendi.

– Hum... Tá tão na cara? – ela riu da minha cara envergonhada.

– Tá tão na cara que só falta uma placa neon apontando para você, escrita “Estou loucamente apaixonada pelo Thomas”!

Não aguentei e ri com ela. Apesar de brigas e desentendimentos, Ju sabia me fazer rir. Aquilo me fez melhor até chegarmos à casa de Pedro. Hideki estava no quintal treinando alguma coreografia complicada, e logo parou ao nos ver saindo do carro.

Seu sorriso era acolhedor; na verdade de todos eram, porem o de Hideki era de algum modo, nostálgico e tranquilizante, o que me deixava bem. Me deu um forte abraço como sempre fazia, depois fez o mesmo com Julia e nos convidou para entrar.

Estava tudo calmo e normal na sala e na cozinha, se não fosse por alguns balões e um cartaz escrito “Já vai tarde” o que me fez rir. Pedro saiu do seu quarto com uma garota baixinha e magra, que estava colada nele de uma maneira nojenta. Eles se aproximaram e depois de um tempo em silencio, Pedro decidiu falar enquanto me sentava no sofá da sala.

– Essa é a Michele, estávamos fazendo um trabalho...

– Só se for um trabalho sobre sexologia! – a voz que veio do fundo do quintal me acalmou completamente. Renan passou pela porta principal do jeito mais hétero possível, até se desmanchar do meu lado no sofá, me abraçando. Pedro não falou nada, e quem respondeu foi a tal garotinha.

– Eu estava animando ele porque algumas pessoas o magoaram muito. – e me fuzilou com um olhar de nojo. – pelo menos sou uma pessoa que não abandona.

– Tem certeza que seu nome é Michele? – disse Renan, colocando as duas mãos como apoio para a sua cabeça – porque você solta um cheirinho de bosta de vaca, que seu nome fica melhor como Vacachele.

Senti o sangue da menina subir para a cabeça e quando Pedro soltou uma risadinha abafada, Michele, ou melhor, Vacachele mostrou o dedo do meio para nós dois e saiu pela porta principal. Mesmo rindo, Renan ainda teve forças para dar uma ultima patada:

– Cuidado para não comer a grama do vizinho, é boa demais para uma vaca sem raça!

Rimos tanto que minha frustração e tristeza foram embora, e pude ajudar na decoração até às sete horas. Eu realmente não gosto de balões e sempre tem um “viado” – com todo respeito, Renan – que decide estourar um no meu ouvido. Hoje era o dia de Hideki tirar com a cara da Amanda, o que eu adorei, com certeza.

Na cozinha, Julia e Pedro faziam um bolo em silencio. Por algum motivo que eu não sabia, os dois odiavam conversar só entre os dois. Renan pendurava os balões azuis e fui para o portão para respirar um pouco. Hideki veio rindo de algo que provavelmente Pedro havia feito e encostou na parede ao meu lado, sorrindo novamente de uma maneira acolhedora.

– Conta pra mim o que rolou. – ele disse, como se eu fosse contar o fim da novela das nove. Ou oito, não sei os horários daquelas... Bostinhas emocionais!

– Hum, não sei como começar.

Ele riu de novo.

– Pode falar desde o inicio, temos tempo ainda. Como anda o Thomas?

– Eu não sei... Deki eu... – tampei a minha boca com a mão. Sabia que Hideki não gostava daquele apelido mais. Ele abaixou a cabeça.

– Você tá confusa, não é?

– Sim... Sinto que eu vou fazer besteira e eu... Só queria ele por perto... Do que adianta ter um rolo com alguém morando longe? – senti minha voz se perder. Merda, eu sou muito chorona mesmo!

– E o que você quer fazer agora?

– Eu quero... – olhei para ele, que estava me encarando preocupado e com um olhar sério. Lembrei de quando éramos próximos demais, quando passávamos horas juntos. Brigamos quando defendi Pedro quando na verdade deveria ME defender. Na época ele me chamava de Amora. Pisquei varias vezes antes que tivesse forças para falar – eu quero um abraço seu...

Deki não hesitou. Como se já soubesse o que eu queria, em um movimento rápido, me puxou para perto, me dando um abraço extremamente comprido. Me acomodei em seu peito, e pude sentir sua respiração. Deki... Hideki...

“- Algum dia, vamos viajar, Amora. Vamos para praia, passar o ano novo todos juntos, e quando for meia noite, vou te jogar na água gelada só pra te ver brava comigo!

– Não se eu te morder antes! Não ouse jamais me jogar em água fria! – eu disse tentando me livrar de suas cócegas. Senti seus braços me envolvendo, e um beijo suave em minha nuca. Houve um frio na minha barriga instantaneamente.

– Algum dia será apenas eu e você...”

Aquela memoria se apagou conforme meu coração acelerava mais e mais. Ainda nos braços de Hideki que estava com a cabeça apoiada na minha, fiz um movimento que o fez entender que já estava na hora de me soltar.

– Nunca fomos nós dois... – ele segurou a minha mão por um instante.

– Talvez tenha sido melhor se nunca tivéssemos pensado nisso. – sorriu de novo. Decidimos entrar. Thomas ia chegar a qualquer momento. Mas quando já estava quase sentando no sofá, meu celular decide tocar: Balther.

– Você tá na casa do Pedro, não é? – ele disse.

– Balther, não é do seu interesse saber onde eu estou...

– Estou na porta. Por favor Amanda, uma chance... – olhei apara os lados rapidamente. Suspirei.

– Que seja rápido.

Saí até o muro onde Balther estava encostado, e quando me viu, sorriu. Não era o mesmo calor emitido por Hideki, mas era bom de alguma maneira. Se aproximou de mim e deu um abraço apertado.

– Bom... Já estou aqui. Pode falar. – eu disse parecendo com pressa.

– O que você tem com Thomas? – a pergunta me assustou.

– Por que você precisa saber disso? – ele abaixou a cabeça.

– Eu sabia... Vocês estão juntos... – deu uma risada triste.

– Mas o que? Ei! Não estamos juntos! Mesmo que eu quisesse ele...

– Acho que tem algo que você precisa saber sobre o Thomas, Amanda. – ele disse já bem sério.

– Como assim...? – fui me afastando devagar. Meu coração estava acelerando muito. Qualquer coisa errada agora acabaria comigo.

– Bom... O Thomas tá mentindo pra você, Amanda. – minha respiração parou por um instante.

– C-como?! Mentindo no que? – eu disse quase voando no pescoço de Balther para contar tudo.

– Ele disse que gosta da Yasmin, a sua prima. – perdi o chão novamente. Minhas bochechas esquentaram tanto que fiquei com calor. – aquele dia no cinema, quando ele abraçou a Yasmin, depois que você sumiu, ele disse que ia sentir muita falta de todos, mas especialmente dela. Ela não gostou muito, ficou envergonhada, mas deu um beijo na sua bochecha e saiu com um sorriso. Eu sei disso porque eu estava lá. Entrei pelo portão de trás... Porque eu te achei muito bonita naquele momento. – ele parecia sem graça. Eu não conseguia falar mais nada, só me abraçar. – eu sei que parece louco, e foi tudo muito rápido... Você deve estar confusa...

– Balther, me beija. – minha voz saiu por entre as lagrimas que já desciam pelo meu rosto. – que bosta Balther, eu disse pra voc... – ele não hesitou, assim como Hideki. Me deu um beijo caloroso, mas ao mesmo tempo sem vida. Eu não havia pensado na merda que isso daria, mas só queria um beijo. Já estava toda fodida: iludida, triste, arrasada, com raiva e com ciúmes. Eu queria por um fim naquilo tudo com mais merda ainda.

E foi assim que ao fim do nosso beijo, vi a figura de Thomas me encarando com o rosto assustado, largando um pacote pequeno e rosa cair no chão.

Notas finais
E agora? Hehehe... Gostou? Comente!