Notas iniciais
Desculpem pela sexta passada!! Eu recebi a visita do meu namorado durante o feriado e não tive tempo para postar, afinal, 400 km de distância não são fáceis não!

“De: Bobão (9xxx-xxxx):

Eu adoraria ir ao cinema com você, aproveitando que as provas ainda não começaram.. Haha! Você tem algum gênero preferido de filme? Ah, fico feliz que já esteja melhor, bobona.”

Eu não parava de ler a mensagem, e o como ele poderia rir e zoar a cada mensagem minha dizendo “ela quer ficar comigo”, mesmo que não fosse verdade. Digo, eu não me sentia preparada para um relacionamento agora, depois de tanta agitação, mesmo Thomas sendo um cara tão legal. Estava combinado, iriamos no cinema na sexta feira e já estávamos na quarta. Senti a porta do meu quarto abrir.

– Amanda, tenho que falar com você sobre algo, você pode? – ela disse com um tom meio preocupado que me assustou. Sentei na minha cama, e logo em seguida ela fez o mesmo.

– Sobre o que quer falar, Jú? – eu disse já preocupada.

– É sobre esse seu rolo Thomas versus Pedro. Eu não acho certo você ficar com aquele... – fiz um gesto para que ela parasse.

– Ei! Eu não quero ficar com o Thomas! Ele está me ajudando muito a superar o término com o Pedro... Só isso.

– Você e o Pedro nunca tiveram algo para acabar inicialmente. Tipo, alô?! Ele nunca te pediu em namoro! Só quis ficar com você e poder dizer que uma garota tinha ficado com ele! Olha Amanda, todos acham que o que ele fez foi errado, mas não se rebaixe ficando com o melhor amigo dele. Dá pra ver nos seus olhos que vocês se gostam!

– Julia, eu já disse, ele só está me ajudando! Porra, e se eu quiser ficar com ele, o que eu posso fazer? Eu nem fazia ideia que ele era melhor amigo do Pedro... Eu não tenho culpa...

– O Thomas era meu namorado, Amanda. – eu gelei. Para mundo que eu quero sair daqui agora! Fiquei encarando ela, que estava vermelha como um pimentão, e o silencio dominou novamente.

– Namorado?

– É.

– E... Desde quando..?

– Até quando decidi me mudar pra cá, um ano atrás. Conheci ele pela internet, ele não morava aqui ainda. Sim, namorávamos pela internet, mas a distancia não ajudava muito, quando eu dizia que ia pra lá, ele não gostava da ideia, nem um pouco. Ficava nervoso e não sabia o que fazer. – seu rosto entristeceu. Julia não estava nem um pouco a vontade e qualquer um podia ver isso.

– Mas quando ele se mudou para cá...

– Ele era diferente. Ele tinha mudado, não era quem eu conhecia. Era doce da mesma forma, mas não o que eu gostava... Terminamos no começo desse ano. Nunca te contei por não ser tão necessário... Eu não estou com ciúmes nem nada, mas... Dê um tempo ao seu coração, sim? – ela passou uma das mãos em meu ombro e se levantou. – A propósito, o Pedro quer falar com você. Ele tá lá em baixo e não consegui mandar ele embora. Quer que eu diga que você dormiu? – pisquei os olhos varias vezes até processar o tanto de informações. Assenti com a cabeça; não estava a fim de ver aquele garoto hoje. Na verdade, com aqui eu não estava a fim de ver mais ninguém!

Thomas era namorado da minha melhor amiga. Meu Deus, e eu disse que poderia ficar com ele se eu quisesse! Imagina se agora ela quer arrancar o meu útero fora! Caramba... O que eu tô fazendo..? Mas logo meus pensamentos foram interrompidos pelo apitinho do meu celular. Thomas estava me ligando, e eu não queria atender, mas também não queria ser a garota cuzona que fica mal melo ex-namorado das outras. Suspirei fundo e atendi; fui atingida pela risada de Thomas no primeiro instante o que me fez sorrir automaticamente.

– Amanda? Eu tô aqui numa lanchonete com um amigo, você quer vir?

– Hum... Thomas... É que eu não estou muito a fim de sair hoje... Meio que soube de umas coisas que me deixaram tensa. – eu disse remexendo na cama.

– A Julia te falou algo? – merda.

– Ah... Sim. Não, eu não sabia de nada, desculpa! Ela nunca me contou porque não achou necessário e...

– Eu entendo, ela não gostava mesmo de mim, e eu também tinha medo das coisas. Acho que é por isso que eu só beijei ela uma vez... Hahaha! – sua risada parecia normal, mas pude sentir um pouco de tristeza nela. Decidi mudar de assunto.

– Eu... Estou com a sua pulseira! Obrigada pelo o que escreveu... Me animou bastante... – nem percebi que eu já estava mexendo na pequena pulseira novamente.

– Ah bobona... Fico feliz! Claro que eu ficaria mais ainda se você estivesse aqui rindo conosco, mas eu te entendo. – pude sentir seu sorriso por trás do celular.

– Até amanha meu bobão. – houve um silencio. Não tinha me tocado do “meu” que coloquei a mais na frase.

– Até amanhã minha Amanda. – senti o barulho do celular desligando e corei. Minha Amanda? Foi isso que ele falou? Ah meu Deus... O que estava acontecendo?! Eu estava tão confusa que nem me toquei que meu celular apitou. Deixei-o lá com uma mensagem não lida e desci para tomar um copo de água e me acalmar, mas eu desejei imensamente não ter feito aquela cagada um pouco depois de ver a figura de Pedro sentado no sofá da sala. Automaticamente passei a mão sobre a pulseira.

– Oi.- ele disse me encarando.

– Oi. – disse quase bufando de tédio. Sério, que cara mais sem graça!

– A Julia disse que você tava dormindo mas eu sabia que era mentira por isso eu decidi esperar aqui. Você leu a minha mensagem? O Thomas disse que ia marcar com a... – ele encarou o meu pulso que continha a pulseira. – é, ele ia marcar com essa pulseira dele. Vai devolver depois né?

– Calma Pedro... Sim, eu recebi a sua mensagem, mas não, não vou devolver pra ele porque ele quis me dar essa pulseira. E sobre a sua mensagem... Eu não estou a fim de sair agora... EU estou cheia de lições pra fazer, triste não é? – menti e muito mal. Dava para uma criança perceber que era tudo uma desculpa.

– Hum... Tá. Mas eu quero sair com você logo, quero conversar. – ele disse levantando do sofá e indo em minha direção. – eu ainda gosto de você, Amanda. – me afastei.

– Seria legal ter dito isso tipo, um mês atrás, na época que eu era idiota e cegamente apaixonada por você. Mas legal, fico feliz por alguém gost... – não deu tempo de terminar: Pedro me puxou pela cintura e me beijou de um modo agressivo. Eu não estava a fim daquele beijo, mas ele era forte, não conseguia sair dos seus braços, até que mordi seu lábio inferior com força, o que o fez tampá-lo com a mão e sair de perto. Me afastei mais ainda e abaixei a cabeça. – eu definitivamente preciso de um tempo sozinha. E se você ousar me mandar uma mensagem pedindo pra sair comigo de novo, eu juro Pedro, eu juro de coração que nunca mais vou querer falar com você enquanto eu viver! – bati o pé e comecei a chorar, bem típico da idiota da Amanda aqui. – e se quiser me ver sorrindo de novo, saia agora da minha casa, se não eu chamo o Thomas pra te tirar a força!

– Thomas, Thomas, Thomas! Amanda, você tá mesmo gostando daquele babaca? Olha só pra ele, não se decide, brinca com sentimentos e finge que nada é com ele! Não te apresentei a ele porque eu sabia que algo ia ficar estranho entre nós dois, até que uma merda de trombo estragou tudo! – Pedro colocou uma das mãos na cabeça e se virou. – eu tenho medo das coisas, eu nunca namorei e eu não sei como devo tratar uma garota como você, que gostava tanto assim de mim... Mas já que você quer tanto que eu vá embora, ok, eu vou agora. E se ele te magoar algum dia, eu juro que vou bater nele até ver sangue escorrer! – terminou saindo em direção à porta.

Ajoelhei no chão de madeira e chorei ali mesmo. Como eu pude um dia gosta daquele menino? Julia chegou na hora e me abraçou, dizendo que tudo ia ficar bem, e que só era uma fase. Eu gritava o quanto meu coração era idiota e indeciso, e realmente estava acreditando que era mesmo. Ficamos ali por um bom tempo, até eu perceber que a todo o momento eu estava apertando a pulseira verde com força contra o meu pulso.

Subi as escadas com as minhas pernas trêmulas em direção ao meu banheiro, onde tomei um banho demorado. Chegando ao meu quarto, arrumei o material para o dia seguinte e deitei na cama, apesar de ainda serem oito horas. Vi a luz do celular piscar avisando ter uma nova mensagem de novo, e decidi ver, mesmo que não tivesse mais forças para falar com ninguém relacionado a todo rolo amoroso – ou quase – que eu estava passando. Infelizmente a mensagem era de Thomas, mas aquela mensagem simples me fez acalmar um pouco.

“Você me fez sorrir, bobona. Desculpa ter te chamado de minha Amanda, saiu sem querer, só queria retribuir o que me disse antes. Amanhã temos aula de teatro juntos, posso ser seu parceiro? O Hideki não entende o que eu falo e... Bom, quero te animar um pouco, senti que você está bem triste.”

Algo quente escorreu pelo meu rosto, uma lágrima, mas apenas uma. Eu realmente estava gostando de Thomas, apesar de querer esconder isso para mim por um tempo. Eu gostaria de pensar um pouco mais em mim do que em meninos, cuidar um pouco mais de mim e ser mais vaidosa. É... Isso realmente seria uma boa no momento. Animei-me e então prometi para mim mesma que ia começar a pensar mais em mim mesma, começando pelo meu cabelo. Tipo, eu sempre quis pintar o meu cabelo de azul, passar um lápis de olho e marcar bem a minha boca com um batom vermelho. Sim, eu queria aquilo, e pensando naquele momento, saí correndo atrás de material pela casa para começar o meu plano.

Esqueci de tudo, Thomas, Pedro, Julia; era somente eu e minhas loucuras, minhas musicas e meu mundo. Eu queria mudar, viajar, esquecer, começando do mais básico ao mais radical. Uma nova Amanda ia nascer, e era já!

Notas finais
Gostou? Comente! Não vou jogar uma bexiga de água gelada em você, juro.