Aquele Garoto Idiota e Aquela Garota Idiota
1 Capítulo 1 - Suco de laranja com morango
Notas iniciais
Hey minna-san! Me chamo Vanessa e não é a primeira vez que escrevo para vocês. Minha conta anterior era Molly, e eu postava uma fic um pouco conhecida chamada A Criadora das Borboletas Escarlate (que postarei de volta aqui em breve!)
Sim, esse é a primeira comédia romântica que levo a sério, mesmo porque é um presente para uma pessoa especial. Espero que possam me dar criticas e sugestões para que os próximos capítulos saiam ainda melhores! Desde já, agradeço aos leitores! :3
Eram sete horas da manhã e eu estava... Atrasada. Bosta, a primeira aula já era, e a segunda só se eu não demorasse no banho de novo. Coloquei minhas pantufas e saí correndo em direção ao meu banheiro. Tomei uma ducha rápida de uns cinco minutos; em frente ao espelho, prendi meus curtos cabelos pretos num elástico, sem esperar secar. Percebi que meus olhos castanhos estavam vermelhos demais, e a minha pele que era mais morena estava bem pálida. Ignorando tudo isso, coloquei um vestido desanimador e desci as escadas em direção à cozinha, onde a minha colega de faculdade ainda estava. Não foi surpresa ela estar atrasada como eu, afinal, viramos a noite vendo uma seção de fotos de umas revistas femininas... Todos aqueles tanquinhos, aqueles musc... Ok, acho que já entenderam.
- Jú, prepara as torradas que eu faço o café. – eu disse empurrando a ruiva para o lado.
- Estamos fodidas! Sabia que não devíamos ter bebido ontem!
- Mas eu pensei que vimos àquelas seções de fotos de novo!
- Sim, mas isso foi antes de você tomar o resto da Tequila e ligar pro Renan e pedir pra trazer a Vodca e o limão! Vocês beberam tanto que se peg...
- Olha, não entre em detalhes! – eu sabia o que eu tinha feito, infelizmente. Renan era meu colega, meio amigo colorido e meio “bi” da aula de roteiro, mas era tão afeminado que tínhamos nossas dúvidas.
Depois de comermos e tomarmos o café, pegamos nossas bolsas e entramos o carro. Eu não tinha percebido a puta dor de cabeça que eu tinha até relaxar no banco do passageiro; passei minha mão na testa durante todo o caminho até a faculdade. Era ainda a primeira semana de aula, uma quarta-feira. Jú ainda estacionava o carro quando segurei as minhas coisas e desci; quase morri atropelada, mas eu fiz isso mesmo. Saí correndo pelo corredor dos fundos, só faltava um pouco para a minha classe, mas algo aconteceu. Um idiota que vinha do outro corredor que cruzava com o meu trombou em mim. Pelo visto também estava correndo. Os meus cadernos saíram voando por todos os lados, assim como os deles.
- Wow cara, cuidado aí! – eu disse passando a mão no meu ombro doído com o atrito. Quando eu parei para encará-lo, vi o que eu precisava pra me deixar feliz a semana toda: o cara tinha o cabelo preto meio arrepiado e uma barba mal feita. Seus lábios eram bem salientes e...
- Porra, pensei que você tinha me visto passando! – ok, no quesito educação, inicialmente é zero. O garoto se levantou, pegou os cadernos e saiu correndo de novo. Eu fiquei ali parada feito idiota, no meio do corredor, até que Jú chegou segundos depois e me ajudou a pegar as coisas. Levamos bronca e blá blá, mas nada que nos interferisse muito. O sinal bateu para a terceira aula, um pouco depois que chegamos, e logo cada uma foi para a sua sala: eu fui para artes manuais e ela, redação.
Sentei em uma das mesas do fundo, para não chamar a atenção da professora louca, o que ajudou um pouco. Mas quando fui procurar pelo meu caderno de anotações, ele não estava mais na minha bolsa. No lugar dele, estava um caderno azul com uns rabiscos estranhos na capa. Abri com uma cara de curiosidade, e dentro havia vários desenhos diferentes e frases bonitas, até. Olhei para os lados, procurando alguma solução que eu pensava que não viria, até que milagrosamente veio: um garoto andava com o corpo meio curvado para não chamar a atenção da professora e sentou do meu lado, falando baixinho:
- Esse caderno é meu e esse é o seu. – estendeu a mão que segurava o meu caderno marrom com uma folha desenhada. Olhei para aquele cara, me perguntando por que raios ele estaria com o meu caderno até que o reconheci: o cara que trombou comigo mais cedo!
- Você...! – disse antes de ele colocar um dedo na minha boca como um sinal pra falar mais baixo. – obrigada por me ajudar a levantar mais cedo, hoje! – disse com a minha amada cara de brava.
- Tá, de nada, agora pode devolver o meu caderno? – disse estendendo a mão vazia. Entreguei o seu caderno, mas antes de soltá-lo, a professora bateu na nossa mesa.
- Certo, os dois vão fazer esse trabalho em dupla. Obrigado por prestarem muita atenção na aula, crianças! – jogou um papel que continha a palavra “música” bem grande. Nos encaramos e pensamos ao mesmo tempo o quanto nos odiávamos naquele instante. Senti o seu suspiro seguido de uma risadinha até que fofa.
- Eu vou fazer você me odiar. – disse ele olhando para a lousa com uma cara diabólica.
- Você o que? – perguntei pondo a mão na cara para segurar uma risada idiota.
- Pra você não se aproximar de mim. Entende? Tipo, não querer virar a minha amiga.
- Ah claro, isso é bem fácil, com esse seu jeitão de criança que deve atrair muuitas pessoas, né? – falei em meio de risadas idiotas. Eu odeio a minha risada.
- Tá duvidando de mim? – ele riu. Claro que ele não faria aquilo. Eu não consigo odiar ninguém. Eu sou estressada só.
- Aposto um suco de morango com laranja. –dessa vez eu estava encarando a lousa sorrindo.
- O que? Onde eu arranjo essa merda?
- Não sei, se vira! – o sinal tocou e todos saíram da sala. Estendi a minha mão para ele. – então, o que você quer se ganhar?
- Um CD do álbum novo do Daft Punk. – o que? Como assim ele pediu um CD caro como o deles?! Tá, eu não queria parecer “arregona”, então não recuei a minha mão. Ele a apertou com a sua mão quente e então saiu da sala.
O dia continuou normal, não encontrei ele mais e... Droga, eu não sabia o seu nome! Era o meu parceiro de trabalho e não sabia o nome dele... Merda. Saí em direção ao refeitório, e vi a Julia sentada com as suas amigas em uma das enormes mesas de madeira. Corri e dei um tapa na sua cabeça. Ela virou com cara de dó como sempre, mas eu não tinha tempo pra rir.
- Um cara com o cabelo preto, barba mal feita, olho castanho, da minha altura, com a boca sexy e fofinho. – perguntei até perder o folego.
- O nome dele é Thomas. Amanda, se você for atrás dele eu vou te bater.
- Ele não pode ser tão mal. – dei de ombros.
- Pode ser sim. Ele não gosta das pessoas ao redor dele e sempre faz uma ou outra gracinha. Não faz o seu tipo. – ela disse voltando para comer seu sanduiche natural. O sinal bateu para a quarta aula, dei outro tapa nela e saí em direção a minha sala de teatro. Sentei na primeira cadeira da ultima fileira, e fiquei esperando a aula começar. Logo escuto uma voz familiar.
- Não, para, você só deve estar me perseguindo! – Thomas colocou a mão na cara quando me virei para saber quem dava um escândalo na porta.
- Você que tá! Eu sempre gostei de teatro! Me deixa! – eu disse quase mostrando o dedo do meio pra ele. O silencio invadiu a sala, e todos estavam olhando para nós dois. O professor que acabara de entrar fez um gesto para Thomas sentar, e infelizmente ele sentou ao meu lado. Desgraçado!
- Pra quem não queria que eu ficasse por perto, você tá mais que a vontade, não é mesmo? – eu disse bufando.
- Cala a boca, não quero perder nota logo no inicio do ano. – ele jogou o corpo para trás da cadeira, enquanto eu o encarava. Ele era bonito, tinha um charme que os outros não tinham: ele era gordinho. Digo, seus braços era bem musculosos, e eu tenho queda por gordinhos ao mesmo tempo fortes. Ele me encarou por uns segundos e deu uma risada. – o que foi? – disfarcei.
- Nada não, ahm... só acho que nunca perguntei o seu nome. É, qual o seu nome? – olhei para frente com o coração disparado de tão nervoso.
- Qual é o SEU nome?
- Ei, eu perguntei primeiro! – dei um soquinho no seu ombro dando uma risadinha.
- É Thomas. E você é fraca.
- Amanda. – disse ajeitando o meu cabelo atrás da orelha. Ele sorriu meio de lado, e eu juro, que eu não conseguia tirar os olhos da sua boca. Ele me olhou sério e então me virei de novo nervosa. Como eu sou uma idiota!
A aula passou bem rápido. Após o sinal tocar, saí para encontrar com a Julia no estacionamento. Quando estava próxima da porta, alguém puxou meu braço. Quando me virei, Thomas estava segurando um copo com um suco avermelhado, com uma cara meio triste.
- O que foi? Eu tenho que ir embora, não posso sair com você! – dei uma risada. É claro que eu disse brincando, mas a cara dele não estava nada boa.
- Só quero entregar isso pra você. Incrível como a cantina da escola tem tantos sucos estranhos. – estendeu o copo, e pude sentir o cheiro gostoso: era suco de morango com laranja! Mas... Ele não tinha perdido aind... Ah, merda.
- Você desiste? – eu disse pegando o copo preocupada.
- Eu aceito a derrota. Eu não posso fazer você me odiar porque eu não quero. – ele disse desviando o olhar, meio sem graça. Eu sorri e dei um gole.
- Nem eu quero te odiar. Você é legalzinho, sabe?
- Disso eu sei. Mas você não, você é fracote. – deu um soquinho no meu braço rindo, e saiu andando. Fiquei encarando ele até o mesmo sair pela porta. Levei uma bronca da Julia quando cheguei tarde ao carro, e só fiquei pensando no Thomas e no porquê de ele desistir. Ele até foi fofo. Ou quase. Ou eu sou uma idiota que tá sendo zoada por um daqueles caras que só brincam. Ah que raiva!
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