Aquele Anjo.
2 Capítulo 2
Notas iniciais
O dia amanheceu chuvoso, o que não era nada comum na cidade de Valência, o Sol sorria todas as manhãs, para os habitantes das redondezas. Mas, naquela sexta-feira, o ar estava pesado, as pessoas estavam com feições tristes, os ombros caídos e um olhar cansado. Pareciam máquinas. Sem sentimentos, sem o prazer que a vida oferece, ora, só porque você está respirando não queria dizer que estava vivo. A vida prevalece dentro de cada pessoa, quem faz da vida, boa ou ruim é si próprio.
Poucos reparavam o quão belo é o canto de um pássaro, a delicadeza de uma simples rosa crescendo no asfalto. Pode parecer besteira, mas simples detalhes mudam tudo.
A garoa dançava pelas calçadas, leve e doce. Várias pessoas colocavam bolsas ou livros na cabeça, tentando proteger-se da chuva fina. Por que fugir de algo tão puro? Era o que pensava Miguel, sentado no banco de uma praça, abrindo a boca, sentindo as gotículas d’água na sua língua.
Abriu os braços, como se abraçasse um amigo. E ria feliz, sua túnica branca, colava-lhe o corpo. O mundo precisa de pessoas assim! Pena que o jovem não faz parte daquilo.
Sorrindo, Miguel olhou para o céu, falando baixinho:
- Muito obrigado.
Era sua hora, naquela sexta-feira, sua missão iniciaria. O dia das mudanças. O dia em que o Escolhido, iria nascer sobre a Terra.
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