Aquele Anjo.
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Cristine passeava a mão pela enorme barriga de nove meses, sorridente imaginava o futuro de seu filho longe de toda a maldade, desejava que ele ficasse sempre protegido em seu ventre. A mulher, era um dos poucos seres humanos que possuíam uma mentalidade tão pura e ingênua, deixou-se enganar pelo amor, e acabou sozinha e grávida, vivendo em uma quitinete perto do centro, onde trabalhava como balconista em uma loja de roupas.
Há um mês, Cristine tinha recebido sua licença, e ficava em casa fazendo seus bordados, prendada pela mãe, que era uma ótima costureira. Não se sabia o sexo da criança, gostaria de saber na hora, então todas as roupinhas da criança eram brancas e amarelas, as cores favoritas dela. Lembrava-lhe as nuvens em um dia ensolarado, quando corria pelo parque segurando um sorvete de morango derretido. Teve uma infância feliz, com toda a certeza.
Segurou um vaso de barro pequeno nas mãos, plantara lírios, pois simbolizava pureza e inocência. Sempre teve o gosto por flores e apreciar as pequenas dádivas de Deus. Era uma mulher religiosa, apesar de não ter uma religião fixa, comunicava-se com o Senhor do seu jeito, conversava com Ele como um amigo. O que realmente é, porém as pessoas só veem a real importância de Deus na vida, no momento de desespero.
Cristine pegou o simples jarro e colocou no parapeito da janela de seu quarto. Quando sentiu a primeira contração. Seus joelhos dobraram e ela deu um grito agudo. Colocou a mão esquerda na base das costas e a direita se segurou na cama. O telefone ficava na cozinha e ela mal conseguia se mexer!
- Meu Deus, ajude-me, por favor! Meu filho é tudo que tenho! Não o leve embora, eu imploro!
As lágrimas caiam como uma cachoeira por seu rosto. Sussurrava palavras de conforto para o bebê e ela mesma. As contrações ficaram mais intensas, Cristine lutava contra as pálpebras pesadas, mas o cansaço foi maior.
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