Notas iniciais
Desculpem a demora, espero que gostem! Pessoal, só queria avisar vocês que comecei a postar uma nova história recentemente, se chama "Lauren", gostaria que dessem uma olhada nela se puderem, tá? Haha' Ps: Continuarei a atualizar esta história, tentarei manter as duas simultaneamente. Boa leitura!

Depois de chegar em casa, ainda que fosse tarde, resolvi usar logo aquela tinta que havia comprado. Tomei um banho bem quentinho, demorei um pouco mais do que de costume, por conta da situação não havia percebido certas coisas, mas agora que estava em casa pude pensar melhor nas ações de Renan hoje. Tão gentil. Suas mãos eram quentes e delicadas em meu rosto, seus olhos tão próximos aos meus demonstravam preocupação, seu abraço foi quente e reconfortante, percebi neste momento o quão diferente é minha altura da dele. E, percebi também, que meus sentimentos todos haviam voltado, com mais intensidade.

Depois de terminar meu cabelo olhei no espelho e ele estava lindo! De um azul bem intenso para um mais singelo nas pontas, isso fez meu humor melhorar um pouco mais naquela noite. Recoloquei um curativo no rosto e foi à cozinha jantar com a minha mãe.

— Você poderia começar a me avisar quando for chegar tarde, já é a segunda vez desde que as aulas começaram. – Disse minha mãe me repreendendo, mas não estava realmente brava, quase nunca estava.

— Desculpa mãe, não achei que eu fosse demorar.

— Certo. Pegue os pratos e coloque na mesa pra mim, sim? – Levantei e comecei a colocar a mesa para jantarmos.

Dois pratos e dois copos, apenas. Marco havia se mudado há um tempo já, mas nunca me acostumei com a mesa vazia na hora das refeições. Quando era menor, era tudo mais cheio e mais alegre. Meu pai não viajava muito ainda para ajudar minha mãe a cuidar de mim e do meu irmão, Marco e eu estávamos sempre juntos, sempre enchia o saco dele querendo fazer tudo o que ele fazia, ele como bom irmão que sempre foi, me deixava ficar junto dele, até mesmo quando estava recebendo amigos em casa.

— Escuta filha. – Minha mãe disse de repente, estava viajando.

— O que foi?

— Eu sei que esse machucado em seu rosto não foi um “tombo” que levou no caminho. Não estou brava, mas se quiser contar para mim o que houve vou te dar toda minha atenção. – Ela me disse gentilmente, não consegui esconder mais e contei a ela tudo o que havia acontecido, sempre acabava contando tudo a ela.

— Mas não se preocupe mãe, já está tudo bem, foi só um desentendimento entre duas alunas, já acabou. – Tentei tranquiliza-la um pouco.

— Não acho que tenha acabado. Mas já percebi que não quer que eu interfira nisso, então não vou, de qualquer forma, vai ter que resolver todos esses probleminhas com ela alguma hora.

— Ah mãe, não tem muito o que resolver, ela me estranha e expõe isso, o que posso fazer? Marco e Renan já sabem de tudo então não quero ficar envolvendo mais pessoas nisso.

— Renan? – Perguntou minha mãe. – Aquele Renan que você era apaixonada quando era menor? – Continuou ela já deixando um sorriso provocador aparecer.

— Sim mãe, ele mesmo, está dando aula na minha escola. – Disse revirando os olhos.

— Você ainda gosta dele? – Ela me perguntou já rindo sozinha, senti meu rosto começar a queimar de vergonha, terminei de comer então levantei, coloquei meu prato na pia e fui para o meu quarto.

— Traga ele aqui em casa um dia! Quero ver como ele está. – Ela continuou dizendo, nem dei bola, apenas entrei em meu quarto ouvindo a risada dela.

Deitei em minha cama e comecei a pensar em muitas coisas. Primeiro pensei em Davi, depois do que aconteceu fiquei ainda mais curiosa para saber que tipo de pessoa ele era, que tipo de envolvimento tinha com Alissa. Depois, pensei em Renan.

Sabe, essa idade é realmente uma idade interessante, é incrível como os sentimentos brotam com certa facilidade. Eu já gostava de Renan antes, mas por causa da pouca idade que tinha, era um sentimento mais parecido com admiração, entende? Agora, sem nem perceber e com o pouco contato que tivemos até agora, já comecei a sentir algo totalmente diferente. Sentimento de vê-lo frequentemente, de conversar com ele, queria saber como foi sua faculdade, porque resolveu dar aula em uma escola de ensino médio; queria saber se estava interessado em alguém. E, principalmente, queria saber como era a visão que ele tinha de mim, uma criança ainda? Uma irmã mais nova? Apenas uma aluna? Talvez tudo isso de uma vez.

Sem nem perceber, acabei pegando no sono e adormeci. Acordei com o barulho insuportável dos despertador, estava cansada, levantar era a última coisa que queria no momento. Ainda assim, sem muita escolha, levantei e fui tomar meu banho. Me troquei, fiz alguns pequenos cachos em meu cabelo que rapidamente se transformaram em sutis ondas, peguei minha mochila, uma fruta na mesa e saí.

Estava um pouco mais frio hoje pela manhã, mas nada insuportável. Cheguei na escola e já estava preparada para as perguntas de Marie e Ethan sobre meu curativo no rosto. Entrei em minha sala e vi uma cena realmente interessante, mas fiquei feliz por vê-la. Marie estava sentada na mesa de Ethan e os dois conversavam alegremente, como se nunca tivessem chegado a brigar. Fui até eles e resolvi não tocar neste assunto, com medo de criar um clima estranho.

— Bom dia, gente! – Disse me sentando em minha mesa.

— Bom dia Elô! – Me respondeu Marie animada.

— Bom dia. – Respondeu Ethan simplesmente.

— Seu cabelo está lindo!! Retocou ontem? – Começou a puxar conversa Marie.

— Retoquei! – Eu disse feliz. – Pela primeira vez to super apaixonada por ele! Estou até com dó de lavar. – Marie deu uma risadinha.

— Ei. – Disse Ethan. – O que é isso no seu rosto? – Ethan e Marie sabiam dessa pequena intriga que eu tinha com Alissa, mas ainda assim não queria dizer a eles que era culpa dela.

— Oh, é mesmo! Não tinha reparado. – Comentou Marie.

— Bom, é um pequeno resultado de um encontro inesperado ontem à noite, uma pequena discussão. – Disse-lhes.

— Alissa? – Perguntou Ethan, logo após ele dizer isso os olhos de Marie se arregalaram quando compreendeu.

— Aquela nojenta? – Disse Marie com uma careta, apenas assenti com a cabeça. Depois contei tudo para eles, detalhe por detalhe.

— Estou muita vontade de matar essa garota. – Disse Ethan, mais sério que de costume.

— Pode acreditar que eu também estou. – Respondi.

— A gente precisa dar um troco nela um dia desses! Não suporto mais essa menina, ridícula. – Disse Marie.

— Pode apostar que um dia vai ter volta, não que eu vá fazer alguma coisa com ela, mas acredito muito naquilo que chamam de carma, então de uma forma ou de outra ela vai ter o que merece. – Disse a eles.

— Ah, mas também não dá pra ficar esperando que a vida dê a ela o que ela merece. Nós podemos adiantar as coisas, não acha? – Disse Marie, me surpreendi com o comentário dela.

— Eu concordo. – Disse Ethan, logo após dizer isso seu celular fez um pequeno som, estava recebendo alguma mensagem, ele olhou e deu um pequeno sorriso. No mesmo instante Marie virou a cara tentando disfarçar a careta que fazia, depois o sinal bateu e a aula começou.

As primeiras aulas eram de matemática, sou inacreditavelmente horrível nessa matéria, acho que até mesmo o professor havia desistido de me fazer entender. Mas, decidi por mim mesma que neste ano iria me esforçar mais, afinal estava no meu último ano escolar, obrigatoriamente teria que me esforçar mais.

O sinal bateu indicando que a aula de matemática havia terminado, Marie virou para trás e começou a falar comigo.

— Tenho uma pergunta para te fazer. – Ela disse.

— Então pergunte. – Respondi.

— Qual a sua relação com o professor de história? Renan, não é? – Ela me perguntou, senti um pequeno frio na barriga.

— Por que está perguntando isso?

— É que, quando você estava contando sobre o que aconteceu com Alissa, comentou dele, que ele estava na hospedaria do seu irmão e tal. – Observou ela, senti uma vontade enorme de me socar, não queria ter mencionado ele mas acabou saindo sem querer.

— Ah, não é nada de mais. – Comecei respondendo. – Ele é um amigo da época de colegial do meu irmão, ele vai ficar um tempo na hospedaria parece.

— Então, você o conhece há uns bons anos, não é? – Ela disse.

— Basicamente, mas não conte a ninguém sobre isso, ok? – Disse olhando nos olhos dela.

— Tudo bem, mas por que?

— As pessoas podem acabar interpretando mal, pode acabar dando problema, então prefiro manter isso quieto. – Ela concordou com a cabeça e virou para a frente novamente.

No intervalo entre as aulas, enquanto esperávamos o próximo professor entrar recebemos um comunicado do nosso professor orientador.

— Certo pessoal, prestem atenção aqui rapidinho! – Pediu Renan, os alunos começaram a cessar suas conversar para prestar atenção. – Tenho alguns recados importantes para dar. – Ele se virou para a lousa e começou a anotar algumas coisas. Me surpreendi muito com como me senti quando vi Renan entrar pela sala, começava a ficar com medo deste sentimento que parecia crescer mais e mais, isso inevitavelmente iria acabar criando algum tipo de problema, principalmente por ele ser um professor, então seria, no mínimo, inapropriado.

— Sei que as aulas começaram há apenas alguns dias, mas já temos as datas para os nossos campeonatos e alguns festivais. Então preciso que prestem muita atenção. – Ele se voltou para a lousa e começou a explicar evento por evento, teríamos aquele tal de festival de música daqui a dois meses mais ou menos, perto das férias de inverno teríamos um pequeno campeonato esportivo na escola. Também foi anunciado o começo dos campeonatos interescolares esportivos, Ethan prestou muita atenção nesta parte. Basicamente teríamos muito com o que nos preocupar durante alguns meses.

— Então. – Começou a concluir Renan. – Peço que todos aqueles que tiverem interesse em fazer parte da organização de algum desses eventos venham conversar comigo. Não se esqueçam que, só participará dos eventos aqueles que manterem notas azuis nas provas, isso é uma condição vinda da diretoria. Então é isso, boas aulas. – Ele concluiu e se retirou da sala.

O resto do dia passou normalmente, muita lição, matérias difíceis e por aí vai. Mas logo o sinal bateu. Estava tão cansada neste dia especialmente que a última coisa que queria era ir trabalhar, decidi então que arranjaria uma desculpa qualquer eu faltaria no trabalho, adiantaria o ensaio que teria com Renan hoje e depois aproveitaria o resto da tarde em casa descansando. Me daria muito mal por isso? Sim. Mas de verdade, não estava nem um pouco preocupada com isso no momento.

— Eloisa? – Ouvi alguém me chamar e me virei.

— Ah, oi Davi. – Respondi vendo o garoto se aproximar.

— Está ocupada agora? Será que podemos conversar rapidinho?

— Sim, claro, não tenho nada realmente importante para fazer agora. – Ele me guiou até uma sala que já estava vazia, os alunos em sua maioria já tinham ido embora então provavelmente teríamos um pouco de privacidade.

— Vou ser breve já que tenho treino de vôlei daqui a pouco. Mas queria me desculpar por ontem, sinto muito. – Disse ele meio sem graça.

— Não estou entendendo, por que está se desculpando? Não é como se você tivesse me feito algo.

— Eu sei, eu sei. Mas sabe, as coisas meio que sempre acabam assim quando estou com Alissa, então meio que me sinto na obrigação de consertar as coisas.

— Não se preocupe, sério. Meu problema com ela não tem nada a ver com você. – Tentei deixa-lo um pouco mais a vontade. – Mas sabe, não pude deixar de ficar curiosa, qual a sua relação com ela? – Ele deu um suspiro meio cansado, como se já tivesse cansado de explicar isso para as pessoas.

— Nós dois crescemos juntos, literalmente. Nossas famílias são bem próximas então estou com ela desde que nascemos, amigos de infância e tal. Chegamos a tentar namorar alguns anos atrás mas não deu certo. Mas não sei de você entende, não é tão fácil assim me desligar dela, conheço ela muito bem e sei que ela não é tão ruim assim e tento mostrar isso para as pessoas, mas ela nunca colabora. – Ele terminou de dizer com um sorriso meio triste.

— Não entendo isso, todos que são próximos a ela tentam sempre encobri-la, todos levam a culpa por ela, isso não faz o menor sentido!

— Sei que é difícil de entender, e é meio difícil de explicar as coisas assim também, não vou pedir que você entenda nem nada, apenas quis tentar resolver as coisas.

— Está tudo bem, não estou brava nem nada, já passou Davi.

— Mas isso me incomoda também. – Ele disse.

— Incomoda como? – Perguntei

— Incomoda pelo simples fato de que não consigo me aproximar de você por causa dela. Faz tanto tempo que tento te conhecer, conversar com você! E a única vez que consegui resultou nisso. — Ele disse firmemente olhando nos meus olhos, me surpreendi com o que ele disse.

— Davi você está pensando demais nisso. – Respondi sorrindo. – Apenas viva sua vida, não se limite por causa dela, vai se arrepender um dia por causa disso. Se quer me conhecer, conheça! Vamos nos conhecer melhor, Alissa não tem nada a ver com isso.

— Sim, você tem razão. – Ele disse meio sem graça. – Então eu...

— Davi!! – Escutamos alguém chamar no corredor

— Acho que estou atrasado pro treino, nos vemos depois então. – Ele disse, deu um sorriso e saiu.

É engraçado como algumas pessoas podem ter uma influência tão grande sobre nós, fazendo até mesmo com que nos limitemos para algumas coisas. Isso passou a me irritar muito em Alissa. Ao mesmo tempo, fiquei mais curiosa ainda para conhecer Davi, parece ser uma pessoa interessante.

Saí da sala também e fui procurar Renan, precisava falar com ele sobre o ensaio de hoje, já que decidi não ir trabalhar poderia ensaiar mais cedo, ou tentar ensaiar, ou até mesmo fazer ele desistir de me fazer cantar, essa na verdade era minha primeira opção.

Saí andando pelos corredores a procura de Renan, tinha ido até a sala dos professores mas ele não estava por lá, pensei que talvez já pudesse ter saído para almoçar, se fosse este o caso teria sido inútil faltar no trabalho hoje.

Estava perto da saída do prédio da escola quando o encontrei, mas vi uma cena meio incomum, ainda mais por estarmos na escola. Renan estava na porta de entrada parado conversando com alguém, uma mulher. Instintivamente me escondi, mas por curiosidade quis saber quem era. Estiquei apenas um pouco minha cabeça e vi claramente o rosto de quem era, uma mulher bonita e simpática, era a Sasha. Ao ver que era ela senti mais vontade ainda de me esconder, não porque, mas foi isso que fiz. Fiquei encostada na parede todo o tempo, conseguindo ouvir algumas poucas palavras.

— Desculpa incomodar você assim no trabalho. – Disse Sahsa.

— Relaxa, sem problemas, venha sempre que precisar de algo. – Respondeu Renan.

— Bem, já vou indo, nos vemos mais tarde então, tchau. – Disse Sasha.

— Até mais. – Respondeu Renan. Continuei onde estava, quis muito saber do que eles estavam falando e o que ela queria.

— O que está fazendo aqui? – Dei um pulo ao ouvir Ethan falando comigo, não o vi chegar por trás, tropecei em meu pé e caí. Ter ficado escondida acabou não adiantando nada no fim.

— Ethan! Para de fazer isso, coisa mais chata. – Ele ria sem se segurar, ainda estava no chão.

— E a culpa é minha? Você é toda estranha, fica em lugares aleatórios olhando pro nada, por acaso você vê espíritos por aí? – Ele disse, ainda ria.

— Você é um saco sabia? – Ele me ajudou a levantar e começou a andar.

— Você também é um saco, e nem por isso fico dizendo isso. Tenho que ir treinar agora, vê se presta atenção nas coisas. – Deu um tapa na minha cabeça e saiu. Comecei a ajeitar e limpar minha roupa e lembrei de que Renan estava logo alí, olhei para a entrada e ele estava parado, olhando para mim.

— Não que eu estivesse espionando nem nada, mas era a Sasha quem estava aqui agora a pouco? – Perguntei um pouco apreensiva.

— Ah, então você a viu. – Ele respondeu meio desconfiado. – Era sim.

— Ah sim. – Ficou um silencio um pouco chato por alguns instantes, lembrei então do que precisava conversar com ele e quebrei o silencio. – Então, estava te procurando agora a pouco, queria te avisar que estou livre do trabalho hoje, se quiser fazer o ensaio mais cedo estarei disponível agora.

— Seria bom! – Ele disse mais entusiasmado do que imaginei. – Mas tenho uma reunião agora, então poderia esperar um pouco?

— Claro, sem problemas. – Ele deu um sorriso e saiu andando pelo corredor.

Não sabia por quanto tempo teria que esperar então comecei a andar pelos corredores da escola, passei em frente ao ginásio e escutei o pessoal do treino vôlei. Davi estava lá então pensei em bisbilhotar um pouco. Entrei e procurei primeiro por Alissa, queria me certificar de que ela não estava alí, e não estava. Entrei em silencio e sentei no chão ao lado da porta para observar.

Eram todos estudantes muito altos, nunca havia visto um jogo de vôlei ao vivo com pessoas que realmente sabiam jogar, era divertido e empolgante! Davi estava na quadra e aparentemente ainda não havia me notado, ele jogava bem, seus movimentos eram precisos e bonitos. Ele foi para o saque, pulou e a bola foi direto no chão do adversário, um ace! Pela empolgação comecei a bater palmas junto com algumas outras pessoas que assistiam, Davi olhou para os lados sorrindo, sem dúvida ele era muito bonito. Seus olhos passaram por todos até que pousaram em mim, ficamos nos encarando por alguns segundos, acenei e sorri para ele, ele apenas retribuiu o sorriso e voltou para o saque novamente.

Davi sacou mas desta vez o adversário recebeu bem a bola fazendo a sua jogada, cortaram a bola porém o time de Davi bloqueou, ainda sim a bola passou para dentro da quadra mas amortecida. O time de Davi começou sua jogada para contra atacar, quando a bola chegou na mão do levantador Davi gritou pedindo-a, e foi para lá que o levantador a mandou, Davi pulou e cortou a bola na paralela, fez o ponto. Todos no time comemoraram o ponto como sempre fazem, bati palmas novamente junto com quem assistia, foi realmente algo incrível, apesar de ser apenas um simples ponto. Davi terminou de abraçar seus colegas de time e se virou para mim, apontando na minha direção, todos olharam para mim sem entender, depois olharam para meus cabelos e seus rostos fizeram uma cara de quem entendeu o que acontecia, começaram a provocar Davi, mas ele pareceu não ligar. O jogo continuou e voltei a ficar quieta no meu lugar, mas entendi o gesto que ele fez para mim, apesar de ter demorado um pouco, Davi havia feito aquele ponto para mim.

Sem graça depois do que aconteceu não fiz mais nenhum movimento, apenas continuei assistindo ao treino em silencio. Uma pessoa ou outra que passava olhava para mim, mas ninguém com má intenção, não aparentemente.

O treino terminou e todos os membros do clube começaram a arrumar a quadra. Levantei silenciosamente e saí, Renan ainda não havia me chamado então supus que ele ainda estava em reunião, continuei a vagar pela escola sem nada para fazer.

Distraída senti uma mão tocar minha nuca, me arrepiei toda encolhendo o pescoço, ouvi uma risada atrás de mim, uma risada bonita.

— Então, gostou do treino? – Disse Davi ficando ao meu lado.

— Sim, foi divertido. – Respondi com um sorriso.

— Foi lá para me ver? – Ele disse com um sorriso presunçoso.

— Talvez sim. – Respondi, vi ele me olhar surpreso então ri de sua reação, ele ficou meio sem graça e continuou a olhar para a frente.

— O que faz na escola essa hora? – Me perguntou.

— Tenho uns assuntos a resolver ainda com um professor, mas estou esperando ele terminar uma reunião aqui da escola.

— Ah, também tenho algo a fazer ainda. Se não tem nada pra fazer não quer vir comigo? – Me perguntou, dei de ombros.

— Claro, por que não? – Ele sorriu e saiu andando, fui logo atrás dele.

Andamos pelos corredores da escola e algumas pessoas olhavam em nossa direção, de certa forma podia imaginar o que elas pensavam. Davi parecia não ligar então também não me importei.

Davi parou em frente um porta para abri-la, era a sala de música. Ele abriu e entrou.

— O que tem para fazer aqui? – Perguntei olhando os instrumentos arrumados na sala.

— Farei parte do festival de música, professor Renan de história me convidou, então tenho ensaios aqui depois do treino de vôlei. – Ele respondeu. Fala sério, isso começou a parecer aquelas histórias de livros de romance, ou aqueles filmes clichês, ou até mesmo animes shoujos.

— Você está falando sério? – Perguntei enquanto ele pegava um violão.

— Sim. – Ele me respondeu meio confuso. – Por que a pergunta?

— Ah, é que também estarei participando deste festival, Renan me chamou também. – Ele me olhou surpreso.

— Você toca algo? – Perguntou.

— Não. – Respondi meio sem graça. – Mas ele diz que minha voz é boa então me chamou, não acho que seja verdade mas não custa ensaiar uma ou duas vezes.

— Quer dizer que está pensando em me dar um perdido? – Ouvi alguém dizer na porta, Davi e eu tomamos um susto, mas só Renan. – Confie em mim e você vai se sair muito bem. – Ele continuou entrando na sala e fechando a porta. Pegou uma capa de violão e retirou o seu conhecido violão dela, com todas aquelas marcas conhecidas por mim.

— Não estou dizendo que não farei, estou dizendo que você pode ter se enganado me chamando. – Respondi.

— Veremos. – Ele disse se sentando e abrindo um sorriso para mim. Não sei como exatamente explicar isso pra vocês, mas o sorriso do Renan é diferente, parece que traz uma luz junto, é reconfortante.

Nos sentamos e eles começaram a afinar os violões. Apenas me sentei e esperei. Aquela sala estava aconchegante, se pudesse não saia de lá nunca mais.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Me digam o que acharam, ok? Até o próximo capítulo.