Notas iniciais
Pessoal, queria só agradecer as pessoas que favoritaram a história, estão acompanhando e comentaram! Vcs são uns chuchus ❤ Boa Leitura!

O resto do dia não foi muito agradável, depois da conversa com Davi meu humor ficou bem ruim. Por mais que ele negasse, eu me sentia culpada. Demorei para entender e aceitar o que sentia e por conta disso dei falsas esperanças para alguém que me tratou como prioridade por todo esse tempo. Mas agora não tinha mais como voltar atrás. Depois do acidente que Renan sofreu senti que não havia como fugir dos meus sentimentos, ainda mais depois de quase ter beijado ele. Mesmo que eu me esforçasse muito não iria conseguir nesse momento me envolver com outra pessoa. Aceitar isso me deixou aliviada, mas ao mesmo tempo com medo.

Se eu achei que os alunos estavam em peso para assistir ao jogo de vôlei, me enganei. Hoje era o primeiro dia do campeonato de futebol, um simples primeiro jogo mas tive a impressão de que a escola inteira estava lá assistindo, a escola inteira e mais um pouco. Por conta da chuva do dia anterior hoje não estava tão quente, estava bem fresco na verdade e isso provavelmente deu mais ânimo para o pessoal ir assistir ao jogo.

Eu estava sozinha, não achei Marie em lugar algum e certamente ela não iria estar ali para ver o jogo, não depois de tudo o que aconteceu. Ethan estava jogando então me sentei sozinha.

Nunca entendi muito sobre futebol. O que eu sabia era que ganhava o time que acertasse mais bolas na rede. Esse papo de pênalti, escanteio, lateral, impedimento... era tudo um blá blá blá na minha cabeça. Por isso gostava de assistir com Marie, ela entendia de futebol e sempre me explicava tudo, hoje eu teria que me virar sozinha.

Ver Ethan uniformizado e com a braçadeira de capitão era lindo. Ethan era lindo. Por isso apesar de não concordar entendia essa coisa dele não fixar em apenas uma menina, afinal elas davam bola para ele e ele aproveitava. Apesar de agora ser diferente.

Ethan conversava com outro jogador que eu imaginei ser o capitão do time adversário. Entraram em uma espécie de acordo para ver que time começava com a bola e em que lado do campo cada um começaria, algo padrão imaginei. Os times foram se organizando e entraram em campo. Comecei a ficar inquieta, mesmo sem entender muito ficava nervosa assistindo, e o pessoal euforico a minha volta não colaborava muito.

O juíz apitou e o jogo começou, o time adversário começou com a bola então logo nossa equipe estava se organizando para a marcação. Ethan como sempre o vi fazer começava pressionando e partindo rápido para o ataque, e foi isso o que ele fez. Algumas vezes o gol saía nessa jogada, outras vezes não, dessa vez saiu e todo mundo pulou comemorando, inclusive eu. Ethan saiu comemorando e tive vontade de gritar que era meu amigo.

Como não sei muito de futebol não sei dizer se o outro time era fraco ou o nosso muito forte, nossa equipe eu sabia que era forte pelo campeonatos que conquistamos nos anos anteriores, e como estávamos no início do campeonato esse ano presumi que esse time era mais fraco mesmo. O jogo acabou 4x1 para nós, não havia sido muito complicado, mas todos comemoravam como se fosse um título, acho que a pressão da torcida teve seu efeito também.

O pessoal começou a se levantar e ir embora e outros foram conversar com alguns jogadores, pensei em ir dar um abraço em Ethan antes de ir então desci até o campo. Assim que cheguei na beirada do campo vi alguém correndo na parte de cima da arquibancada em direção a escola. Marie! Alguma coisa havia acontecido.

— Ethan! — Gritei e ele olhou para mim sorrindo ainda comemorando a vitoria, dei um aceno com a cabeça indicando Marie, ele olhou e seu sorriso se desfez preocupado.

Não esperei para ver o que Ethan iria fazer, apenas me virei e corri para onde ela estava. Eu conhecia Marie, muito bem, e as ações dela também. Ela sabia que eu estaria ali na escola vendo o jogo, certamente ela havia voltado para lá, isso é, se ela realmente tivesse ido embora. Mas eu tinha uma ideia de onde ela estava e o que estaria fazendo, e minha barriga gelou quando pensei nisso, já sentindo meu sangue ferver de raiva.

Encontrei ela atrás da escola encostada no muro e o celular na mão.

— Marie? — Chamei com cuidado, ela se assustou e virou para mim.

— Como sabia que eu estava aqui? Ia te mandar mensagem agora. — Disse ela.

— Vi você correndo para cá, o que aconteceu? — Assim que perguntei ela franziu o rosto de raiva, não chorava mas o rosto estava vermelho de raiva, contrastando com os cabelos negros.

— Fui enganada, Elô! Fui uma idiota. — Disse ela. — O Charlie... — Ela ia continuar e parou quando ouvimos passos correndo e ficando mais perto. Ethan apareceu cansado e puxando ar.

— Finalmente achei vocês. — Ele disse, olhou para Marie mas ela virou o rosto, ele foi até ela e segurou gentilmente o braço dela. — O que aconteceu? — Perguntou, Marie soltou o braço rudimente.

— Não aconteceu nada. — Ela disse simplesmente. Ethan me olhou questionando mas negativei com a cabeça dizendo que também não sabia o que aconteceu.

— Marie... — Tentei dizer mas ela me interrompeu.

— O que ele faz aqui? — Perguntou ela, não brava, era mais como se estivesse magoada, só não sei se com Ethan.

— Preciso te contar algo. — Disse Ethan tomando distância dela.

— Agora não, Ethan. — Disse Marie.

— Você vai escutar. — Disse ele, Marie não disse nada. Me virei para ir embora e deixar os dois conversarem mas Marie segurou meu braço.

— Não, fica comigo! — Disse ela, olhei para Ethan e ele assentiu com a cabeça. Fiquei ali, quieta. Ethan começou a mexer na sua mochila e tirou seu celular de dentro.

— Eu sei o que aconteceu, ou imagino. — Ele abriu o celular e mostrou aquela foto de Charlie com a ex dele para Marie. Ela pareceu surpresa.

— Por que tem essa foto? Essa garota estava com Charlie hoje. — Disse ela.

— Eu sei. — Respondeu Ethan. — Provavelmente você não vai lembrar mas essa menina foi a que eu conheci no começo do ano, Amy, aquela que eu comecei a namorar e descobri que me traiu. Na época não reparei muito no garoto mas depois descobri que era Charlie.

— Como? — Perguntou Marie, ainda meio recuada.

— No dia que brigamos e bati nele. Estávamos conversando e ele pediu meu número, assim que vocês viraram para ir embora essa imagem chegou para mim, dele. Por isso começamos a discutir, fiquei parecendo um louco porque ele foi discreto e fingiu não saber de nada. — Disse Ethan, eu estava sentindo a tensão, torcendo para Marie não ser cabeça dura e ouvir tudo calmamente.

— Então, por que me beijou também? — Perguntou ela de cabeça erguida e encarando Ethan, ele sorrriu.

— Por vários motivos, mas um deles foi um motivo egoísta, queria de alguma forma me vingar dele naquele momento. Foi um erro, sei disso, e eu peço desculpa. Sei que talvez não adiante muito me desculpar agora, mas eu sinto muito. — Disse ele.

— E tem outro motivo? — Perguntou ela.

— Tem, tem sim. — Disse ele meio sem graça. — Mas te digo outra hora.

Marie não disse nada, Ethan já havia dito tudo o que precisava. Como o silêncio durou por uns bons minutos ele me olhou tentando saber se havia feito tudo certo, sorri para ele indicando que sim.

— Ele me traiu também. — Disse Marie por fim. — Quero dizer, não sei se trair é a palavra certa já que não chegamos a namorar oficialmente, mas ele me enganou. Depois que vocês brigaram ele não quis conversar comigo mais. Porém hoje era o primeiro jogo do campeonato de vôlei dele, há uns dias atrás ele havia me pedido para ir assistir, ainda que estivéssemos brigados eu fui ao jogo hoje, provavelmente ele achou que eu não iria. Por isso vi, claramente ele com essa garota, como se eu nunca nem tivesse aparecido na vida dele. Não estava realmente apaixonada por ele nem nada, mas gostava, mais do que dos outros e doeu ver que eu deixei ele me enganar. Por isso vim para cá. — Disse Marie por fim, estava realmente magoada.

— Eu vou acabar com a raça dele. — Disse Ethan, estava nervoso e achei bonitinho, fiquei com vontade de rir mas me segurei.

— Desculpa Ethan. — Disse Marie começando a chorar. — No dia que você disse que Amy tinha traído você eu chorei e disse que estava do seu lado, mas não estava! Fiz o completo oposto, saí com o cara que te magoou e o defendi, não acreditei em você. — Continuou ela chorando, Ethan foi até ela e a abraçou, ele era incrivelmente alto perto dela.

— Está tudo bem, não tinha como você saber. — Disse ele e Marie retribuiu o abraço, nesse momento saí de fininho e deixei eles sozinhos.

O dia havia sido bom e ruim ao mesmo tempo. Conversar com Davi não tinha sido fácil, mas ver Marie e Ethan se resolvendo foi maravilhoso, por conta disso fui para a hospedaria com o corpo mais leve.

Queria ver Renan e saber como ele estava, mas antes tinha que trabalhar, se eu saísse a tempo passaria no hospital.

Cheguei e vi Marco correndo de um lado pro outro, com pressa e a chave do carro na mão.

— Que correria é essa? — Perguntei tentando acompanhar ele.

— Elô! Que ótimo que chegou! Estou com um monte de coisas pra resolver e preciso da sua ajuda.

— Ok, diga o que é.

— Vem comigo que eu explico. — Ele disse e entramos no carro. Ele começou a dirigir todo afobado.

— Então? — Perguntei.

— Preciso que leve algumas coisas pro Renan. Eu ia levar agora mas tenho que resolver alguns documentos da hospedaria também.

— Ele não é uma criança, pode esperar mais algumas horas para tocar o violão. Fora que ele está com o braço enfaixado.

— Eu sei, mas não é só o violão que ele quer, tem alguns documentos ou sei lá o que da escola que ele precisa corrigir. — Suspirei, realmente queria ver ele, mas não estava preparada ainda.

— Me deve uma. — Eu disse a ele, Marco riu.

— Devo nada, você que estava me devendo uma e agora vai quitar sua dívida. — Infelizmente era verdade, devia muito pro Marco.

Chegamos no hospital rapidinho e ele me deixou lá e se foi. Fiquei alguns bons minutos lá fora tomando coragem. Depois fiquei com raiva de mim por estar nervosa e pensei "que se dane", entrei de qualquer jeito e fui até a recepção, dei o nome de Renan e me liberaram para ir até o quarto dele.

Bati duas vezes na porta e esperei ele me "autorizar" a entrar.

— Entre! Achei que você ia chegar só amanhã! — Disse ele.

— Ora, me desculpe pelo atraso. — Eu disse entrando com cuidado. Ele pareceu surpreso ao ouvir minha voz e ver que era eu.

— Que susto, pensei que fosse Marco. — Disse ele me olhando.

— Desculpa te decepcionar. — Eu disse brincando.

— Na verdade esse é o melhor momento do dia até agora. — Disse ele, não entendi em que sentido ele disse isso então ignorei, apesar de ter ficado idiotamente feliz com o comentário

— Marco estava ocupado então pediu para eu trazer umas coisas. — Respondi mostrando as coisas da minha mão, tinha um bocado de coisa até, incluindo o violão.

— Deixa que eu te ajudo. — Ele disse e começou a levantar, assim que ia se colocar de pé ele estacou e fez uma cara de dor, entrei em desepero.

— O que foi? — Perguntei.

— Não é nada, estou meio roxo em alguns lugares ainda e as vezes esqueço.

— Para de me assustar! — Ele riu.

— Da próxima vez que começar a me ignorar vou lembrar de sofrer um acidente pra ver se volta a se preocupar comigo. — Ele disse brincando. Fiz cara de brava e ele riu. Levei as coisas até a cama dele e apoiei o violão no chão ao lado da cama dele.

— Pronto, meu trabalho está feito, vou indo já. — Me virei para ir, apesar de não querer, mas estava meio sem jeito de continuar ali.

— Espera. — Disse Renan e me segurou pelo braço. — Não vai ainda, fica só mais um pouco.

— Está parecendo uma criança. — Eu disse, meu coração acelerou.

— Então se eu fizer birra você fica? — Ele perguntou rindo, me virei para olhar pra ele.

— Não, odeio birra, vou ficar antes que você faça. — Ele riu. Vi que ele havia me segurado com o braço machucado, inconscientemente peguei o braço dele para olhar, ele não disse nada.

— Está doendo? — Perguntei.

— Não. — Ele disse e pegou a minha mão e levou até sua boca e deu um beijo. — Não dói mas se der um beijo sara mais rápido. — Ele disse e me olhou. Por vários segundos fiquei sem reação, meu coração castigando meu peito de tão rápido que batia.

— Está bem abusado hoje. — Eu disse rindo como se não ligasse, tirei minha mão da dele e me afastei.

— Pelo menos não me repreendeu dizendo para eu me comportar como um professor. — Ele disse.

— Não preciso, aparentemente você já vai tomar seu lugar como um. — Eu disse apontando para um pacote com algumas provas para ele corrigir. Ele sorriu meio amarelo e começou a corrigir as provas.

Sentei em uma cadeira e fiquei mexendo no celular para passar o tempo, ainda estava meio desconfortável mas era um desconforto bom, não sei se você entende. Recebi uma mensagem de Marco e abri, dizia:

"Boa sorte! Tenha juízo."

Sabia! Estava ocupado nada, ele arrumou um jeito de me fazer ficar com Renan. Vai ter volta.

"Vai ter volta." Respondi.

— Como foi a escola hoje? — Renan perguntou.

— Foi normal. — Respondi lembrando da minha conversa com Davi. — O time de futebol ganhou hoje, Ethan fez o primeiro gol.

— Queria ter assistido. — Disse ele.

— Falando nisso, quando vai poder ir para casa?

— Amanhã, amanhã de manhã. Vou sair daqui e ir direto para a escola, não tenho folga e tenho que entregar essas provas.

— Boa sorte.

— Ah! E como foi o jogo do time de vôlei ontem? Você assistiu, não é? — Fiquei estática, não queria falar de Davi, apesar de que ele não perguntou diretamente dele.

— Ganhamos também. — Respondi.

— Davi jogou bem? — Ele perguntou.

— O pouco que eu vi sim, não assisti todo o jogo. Mas sabe, não vamos falar de Davi, e não pergunte de mim para ele também, pelo menos por enquanto. — Eu disse torcendo para ele apenas concordar, mas ele questionou.

— Por que? Aconteceu alguma coisa? — Ele perguntou.

— Sim, mas não importa por enquanto. — Respondi.

— Para mim importa. — Ele disse, sorri um pouco triste.

— Não é nada com que tenha que se preocupar. — Fui até ele e dei um beijo em sua bochecha. — Estou indo, se cuida e te vejo amanhã.

Ele pareceu surpreso com o beijo, sabia que assim ele não perguntaria mais sobre Davi. Voltei para a hospedaria, apesar de um pouco tarde ainda podia trabalhar um pouco.

Apesar de não dever, fiquei pensando nas ações de Renan hoje, estava um pouco... diferente. Talvez fosse carência por estar sozinho no hospital, mas ainda assim não pude deixar de ficar feliz, pelo menos um pouco.

Cheguei um pouco tarde em casa e me ajeitei para dormir. Se eu soubesse o que me aguardava no dia seguinte teria ficado na cama e não saído até o fim do dia. As vezes ferir o coração de alguém magoa pessoas próximas a ela. Eu havia magoado Davi, sem intenção, mas havia.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Até o próximo capítulo!