Notas iniciais
Mais um fresquinho pra vocês, espero que aproveitem! Boa leitura!

Chegamos mais rápido do que eu gostaria, afinal não estávamos tão longe da hospedaria de qualquer forma. Desci da moto e percebi que já estava quase completamente seca. Renan e eu abrimos a porta do estabelecimento e ouvimos o barulhinho de um sino tocar quando a porta se moveu, entramos e vi que o lugar estava completamente decorado, mesas e cadeiras em seus devidos lugares, as prateleiras atrás do balcão estavam preenchidas de diversos tipos de bebidas, havia ainda um ou outro quadro pendurado nas paredes decorando o ambiente. Estava tão lindo que meus olhos começaram a arder e encher de lágrimas, iria chorar novamente.

— Isso... Está pronto! Finalmente está pronto! – Dizia eu mais comigo mesma, logo depois vi Marco sair da cozinha e aparecer.

— Surpresa! – Disse Marco com um sorriso enorme no rosto, corri até ele e o abracei enquanto continuava a chorar, e ele o mesmo.

— Quando você vai abri-la? – Perguntei.

— Amanhã mesmo! Só estava esperando que a visse como estava antes de eu finalmente inaugura-la. – Eu sorria igual idiota olhando para Marco e para o lugar, ouvi um pouco distante uma barulho de câmera, olhei para trás de Marco e vi Sasha, segurando uma câmera fotográfica na nossa direção.

— Desculpa. – Disse ela. – Estava uma cena tão linda que não resisti. – Continuou ela sorrindo timidamente.

— Sem problemas. – Respondeu Marco que depois se virou para mim e continuou. – Chamei a Sasha para tirar algumas fotos daqui e da inauguração para divulgarmos. -Renan já havia me confirmado que não voltou a namorar com Sasha, mas quando a vi entrei em estado de alerta e senti um pequeno frio na barriga.

— Ah! – Me virei para Marco. – Finalmente estou livre daquela loja de peixes, pedi demissão hoje mesmo!

— Graças ao bom Deus! Meu nariz agradece. – Disse Marco. – Seu lugar aqui já está reservado, não se preocupe. – Disse ele.

Depois de Marco me mostrar tudo o que havia chegado para completar o ambiente ficamos todos sentados em uma mesa conversando. Estava me sentindo um pouco deslocada mas não me importei muito. Meu celular vibrou na mesa e peguei para ver o que era, mensagem de um número desconhecido, achei estranho mais abri, dizia assim:

Oi! Desculpe incomodar esse horário, aqui é o Davi, peguei seu número com Marie se é isso que está se perguntando. Estarei meio ocupado amanhã por isso resolvi te mandar mensagem. Depois de amanhã terá um jogo amistoso na escola para nos prepararmos para o campeonato de inverno. Gostaria muito que ficasse para nos assistir. Me mande uma resposta assim que possível. Boa noite, Elô.

Elô? Achei um pouco estranho essa intimidade repentina, mas achei bonitinho, inconscientemente deixei escapar um sorrisinho.

— Hummm! Que sorrisinho é esse? – Ouvi Sasha dizer ao meu lado e me cutucando de leve com o braço, foi como se ela tivesse me despertado.

— O que? Não é nada. – Respondi um pouco atrapalhada.

— Seu namorado? Garoto que gosta? – Insistiu ela.

— Está namorando, Eloisa? – Ouvi Marco dizer de olhos arregalados do outro lado da mesa. – Por que não me disse?

— Ah! Que bagunça! Não, Marco, não estou namorando, não é ninguém importante, apenas uma mensagem. – Respondi.

— Sério? Então deixe-me ver. – Pediu Marco.

— O que? Não, pra que? Não tem nada de mais.

— Deixem ela em paz. – Disse Renan. – Se ela diz que não é nada então basta, não é? – Ele disse naturalmente enquanto lia um papel qualquer que tinha achado na mesa.

— Mas tem alguém de quem você gosta? Ou está interessada? – Perguntou Sasha, apesar de ter sido em voz baixa apenas para eu ouvir o silencio do cômodo fez com que Marco e Renan também ouvissem, os dois pararam de fazer o que quer que estivessem fazendo e olharam para mim. Novamente meu rosto começou a queimar, sem querer acabei olhando para Renan, pausando por poucos segundos meus olhos nele.

— Não, Sasha, não há ninguém. – Respondi olhando para o celular.

— Ah, que pena. – Disse ela um pouco decepcionada. – Essa é a melhor idade para se namorar, tem bastante tempo para sair juntos. Lembro de quando Renan e eu namorávamos, fazíamos muitas coisas juntos depois da escola, se quiser qualquer dia posso te contar algumas histórias. – Por algum motivo, que sei exatamente qual é, esse comentário de Sasha fez meu estomago revirar, mas não tinha nada a ver com eu estar passando mal, senti uma pequena onde raiva subir pelo meu corpo. Eu já sabia que eles namoraram! Foi um comentário proposital? Será que ela havia percebido quando olhei para Renan diante da pergunta dela? O que ela estava fazendo ali mesmo? Tirando fotos? Ora, se é assim que colocassem uma câmera na minha mão que eu mesma faria a porcaria das fotos.

— Desculpa, fica para outro dia. – Respondi um pouco mais seca do que gostaria. – Marco, estou indo embora, a mãe vai ficar doida se eu chegar tarde de novo.

— Está tudo bem? – Perguntou Marco. – Dissemos algo de errado?

— Não realmente, só preciso ir mesmo. – Peguei minha mochila e me levantei.

— Eu te levo, estou de carro. – Disse Marco preocupado.

— Não precisa, não está tão tarde ainda, te vejo amanhã depois da escola na inauguração! – Forcei um sorriso, dei um leve aceno para todos e saí em direção a porta. Abri-a e ela fez aquele som do sininho novamente. Parei em frente a porta e respondi a mensagem de Davi.

Fiquei surpresa com a mensagem, mas se foi Marie quem deu meu número então tudo bem. Vou adorar ver o jogo sim, pode contar com a minha presença. Nos vemos depois de amanhã! Boa noite, Davi.

Enviei.

Assim que enviei a mensagem ouvi a porta da hospedaria abrindo atrás de mim novamente. Olhei para trás e vi a única pessoa que não queria ver naquele momento. Não era Sasha, era Renan. Sasha não havia feito nada demais e eu sabia disso, a culpa era da droga desses sentimentos que surgiam. Ele fechou a porta e andou em minha direção, encostando o corpo na parede.

— Então... – Começou ele, mas parou de falar como se esperasse que eu continuasse.

— Então o que? – Perguntei de volta.

— Sinceramente, o que há com você hoje? Achei que havia melhorado agora a pouco, mas já está estranha novamente.

— Eu estou bem, não há nada. – Respondi, ele apenas continuou me encarando, virei meu rosto para o lado.

— Sabe, não sou o Marco, mas convivi com você o bastante para aprender algumas coisas sobre você. Primeira coisa: Você é uma pessoa totalmente transparente, não esconde o que sente e nem o que acha das coisas, vive fazendo careta sem perceber. Segundo: Toda vez que está triste com alguma coisa fica vidrada no celular e seu olhar fica distante. Terceiro: Quando algo realmente te incomoda a ponto de deixar nervosa você age normalmente porém coisas simples mudam seu humor em instantes, como aconteceu agora a pouco. – Ele é injusto! Como pode ser tão trapaceiro? Como sabe todas essas coisas sobre mim quando nem eu mesma sei? Por que não consigo lidar com o que sinto? Isso que me faz ficar estressada nas situações. Mas decidi, hoje mesmo não foi? Sim, na praia, que iria encarar de frente as coisas. Surgiu a primeira oportunidade, normalmente apenas abaixaria a cabeça e diria “não é nada”, então não vou fazer igual. Olhei para Renan, seus olhos eram tranquilos e gentis.

— Não sei como me conhecesse tanto assim. – Eu disse a ele sorrindo. – Sabe, Renan, realmente aconteceu algo, estou magoada com algo. Mas não precisa se preocupar, vou lidar com isso, não sou mais uma criança que chora pedindo ajuda pra qualquer coisa. Obrigada por se preocupar, mas realmente não precisa esquentar a cabeça com isso. – Eu disse sorrindo, um sorriso sincero. Fiquei surpresa ao ver que ele sorria de volta, e era sincero também.

— Em um dia você conseguiu me impressionar duas vezes. – Ele disse ainda com aquele sorriso no rosto, se desencostou da parede e foi até mim. – Acho que você mudou mais do que imaginei, é uma garota realmente incrível. Mas ainda assim, não é bom guardar tudo para si, quando precisar pode confiar em mim. – Ele estendeu os braços e meu deu um abraço rápido, novamente fiquei sem reação.

“Gostaria de saber o que você faria se soubesse que o motivo disso tudo é você.”

Me despedi dele e fui para casa. Chorando. Por vários motivos, primeiro: estava orgulhosa de mim! Consegui fazer as coisas diferente. Segundo: Renan estava sendo gentil demais, fazendo eu criar esperanças, esperanças tolas. Seu abraço era aconchegante e quente, se eu pudesse, teria aproveitado o abraço um pouquinho mais! Sinceramente, não estava me reconhecendo.

Não sei se é coisa da idade, ou coisa da minha cabeça. Mas nunca senti o que sinto por mais ninguém. E é uma coisa estranha isso, é como se a pessoa brilhasse para você, como se o ambiente ficasse mais alegre só pelo fato da pessoa estar ali, ela se destaca no meio de todas as outras pessoas. E você, nem ao menos percebe quando isso aconteceu, quando você vê, aquele sentimento já cresceu com uma intensidade que você nunca imaginou. Dá medo, você fica insegura, se sente incapaz, porque inconscientemente você faz daquela pessoa mais superior a você, quando na realidade, a diferença entre você e ela não é lá muito diferente. Mas ao mesmo tempo, é bom, quando a pessoa da atenção exclusivamente a você, o coração batendo mais rápido e um friozinho na barriga. Fico pensando como uma pessoa pode causar tudo isso em outra? Muitas vezes sem fazer nada em especial. O ser humano é estranho. O amor é estranho.

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Voltei para casa mais realista, como se minha cabeça sozinha conseguisse colocar os fatos em ordem para mim. Estava me sentindo muito bem.

Falei com minha mãe, jantei, tomei um banho e fui para meu quarto. Registrei tudo o que aconteceu hoje em uma diário, não costumava escrever muito, apenas algumas coisas importantes que eu achava que valiam a pena ser escritas. Era uma sensação boa também escrever, como se de alguma forma eu compartilhasse com alguém o que aconteceu, alguém que no caso nunca iria me decepcionar.

Terminei de escrever e me deitei, coloquei minha playlist de música do Ed Sheeran para tocar enquanto adormecia, uma das últimas músicas a tocar antes que eu pegasse completamente no sono foi I See Fire. Nem preciso dizer que tive alguns sonhos muito bons por conta dessa música.

Acordei completamente disposta no dia seguinte, não só disposta, estava realmente de bom humor. Abri a janela do meu quarto e dei de cara com um dia lindo, céu aberto, o sol iluminando toda a cidade e uma brisa fresca vinda do mar refrescando meu rosto. Abri um sorriso e comecei a me preparar para mais um dia. Tomei um rápido banho e coloquei meu uniforme, como estava calor resolvi amarrar meu cabelo em um rabo de cavalo alto, deixando algumas mechas da franja dançarem pelo me rosto. Estava me sentindo bonita. Como haveria a inauguração da hospedaria de Marco hoje resolvi me maquiar um pouco, afinal iria para lá direto da escola, fiz um simples delineado de gatinho nos olhos e passei de leve um batom vermelho que tinha, só pra deixar a boca mais rosada. Estava pronta.

Fui até a cozinha e vi minha mãe preparando a mesa para o café da manhã, ajudei-a a terminar e nos sentamos para comer.

— Está enérgica hoje, o que houve? – Perguntou minha mãe.

— Nada. – Respondi sorrindo. – Realmente nada.

— Hum, espero que guarde essa energia para mais tarde, tem uma surpresa para você hoje na inauguração da hospedaria do seu irmão.

— Ah não, não começa a me deixar ansiosa! – Minha mãe deu uma pequena risada.

— Apenas não se preocupe muito com isso. – Disse ela.

Terminei de comer e me levantei para ir, levando uma maçã comigo, peguei minha mochila e saí, a tempo de ouvir minha mãe dizer:

— Está muito bonita, filha. – Sorri para ela e saí.

De alguma forma a energia do ambiente muda quando se acorda de bom humor, as pessoas ao redor parecem mais boas e gentis também. Quem me dera se eu pudesse acordar assim todos os dias.

Cheguei na escola e sentei em meu lugar, troquei uma ou outra palavra com algumas pessoas que vieram conversar comigo. As primeiras aulas passaram depressa, Filosofia e Geografia, sinceramente detestava filosofia, acho tão desnecessário, talvez seja porque não entendo nada da matéria, de qualquer forma, a aula passou rápido. Sem perceber o sinal do intervalo bateu.

— Uau, que honra minha amigas deixarem eu ficar no intervalo com elas. – Disse Ethan se aproximando e sentando no banco entre Marie e eu. – Estou lisonjeado.

— Para de drama. – Começou Marie. – Saia com a sua namorada, não com a gente.

— Não estou mais namorando. – Disse Ethan olhando para baixo, não estava realmente triste mas também seria mentira se dissesse que estava bem.

— Ah, sim, não sabia. – Disse Marie um pouco arrependida.

— Por que terminaram? – Perguntei.

— Ela me traiu. – Ele disse rindo um pouco envergonhado. – Mas está tudo bem, não estava realmente apaixonado por ela.

— Ethan... – Marie começou a dizer porém Ethan a interrompeu.

— Não se preocupem, eu estou bem. Acho que, isso só me fez acordar para quem eu realmente sou. Sabe, nunca trai nenhuma das meninas que namorei, mas tenho completa consciência de que nunca fui um bom namorado. Nunca estive realmente disposto a estar compromissado com alguém. Com ela foi o mesmo, a diferença é que ela agiu antes de terminar as coisas comigo, e sabe-se lá quanto tempo ainda namoraríamos se eu não tivesse descoberto.

— Como descobriu? – Perguntei.

— Um amigo, do time de futebol disse que eu precisava ver algo depois da escola. Ele já a conhecia porque eu havia apresentado. Então ele me levou até uma lanchonete, há uns dez minutos da escola, e lá estava ela, sorrindo como se nunca houvesse me conhecido, mãos entrelaçadas com outro e depois, o beijando, o rosto sereno como se fosse algo completamente natural. Me senti com tanto vergonha e tão idiota.

— Não tem porque se sentir assim, a culpa não foi sua, Ethan. – Eu disse na tentativa de deixa-lo melhor.

— A culpa é sua sim!! – Disse Marie. – É um idiota e deveria se sentir envergonhado sim! Porque você é um idiota mesmo. Quem mandou namorar com uma menina que conheceu aleatoriamente em dois dias? Quem mandou você ser tão mulherengo? Teve o que merecia!

— Marie... – Eu comecei a dizer, mas logo parei quando olhei para o rosto dela e o vi cheio de lágrimas escorrendo. Sim, eu devia saber que esse era o jeito dela de dizer que sentia muito pelo que aconteceu, de dizer que sentia a dor por ele, que estava lá ao lado dele. Essa era a forma de Marie ser gentil com Ethan, e ele também sabia disso.

— Ei, por que está chorando? –Disse Ethan sorrindo gentilmente para ela. – Já disse que estou bem.

— Não está não! Odeio quando dá esse sorriso triste. – Disse ela com dificuldade por causa das lágrimas. Ethan se virou e abraçou Marie, enquanto ela continuava a chorar. Eu apenas fiquei ali parada, não havia nada que eu pudesse fazer, esse momento era apenas dos dois, e eu estava feliz por isso.

Marie era assim, não “adulava” ninguém por causa de seus erros. Sempre dizia na cara da pessoa que a culpa era dela por aquilo ter acontecido, pura consequência de duas decisões. Mas ela mais do que ninguém sentia a dor de todos, e estava sempre lá para ajudar a achar uma solução. Ela sempre dizia: “Diminuir o erro dos outros só os fará pensar que não são culpados, são sim! Mas isso não significa que não há uma solução”. Sinceramente, acho que ela está certa, apesar de eu não conseguir agir assim.

— Você molhou minha camiseta. – Disse Ethan se afastando de Marie.

— A culpa é sua. – Retrucou ela. Assim, o ambiente voltou a ficar leve e voltamos a conversar sobre qualquer coisa.

— O que farão hoje depois da escola? – Perguntei a eles.

— Nada, pra variar. – Disse Marie.

— Eu tenho treino de futebol, mas depois disso também não tenho nada, por que?

— A hospedaria do meu irmão será inaugurada hoje, queria que fossem comigo.

— Hoje? Já? Claro que eu vou! – Disse Marie animada.

— Posso tentar sair do treino mais cedo pra ir, mas não prometo nada. – Disse Ethan com um pedaço de pão na boca.

— Me avise, que te espero por lá. – Respondi.

— Beleza.

Voltamos para a sala e as aulas seguintes começaram. A aula de Física estava uma chatice então pedi para ir ao banheiro. O professor deixou. Nunca me dei bem com exatas, mas física era completamente impossível de entender, não tem como alguém aprender isso na escola.

O corredor estava vazio e silencioso. Entrei no banheiro e fiz o que tinha de fazer, dei uma arrumada no cabelo e saí. Assim que virei a porta de fora do banheiro trombei com alguém. Alissa.

— Aí, de novo! Sua nojenta, nunca olha pra onde anda? – Disse ela com aquela voz chata e alta.

— Com licença. – Eu disse ignorando-a e passando.

— Minha irmã disse que finalmente saiu daquela loja de peixes, como foi a experiência? – Disse ela debochando.

— Sério que quer começar uma discussão aqui? Como você tem ânimo pra isso? – Perguntei.

— Discussão? Jamais. – Disse ela. Cínica. – Apenas digo as coisas, as pessoas é que se incomodam, que culpa tenho? – Bem, não era realmente mentira o que ela dizia.

— Sério? Então deve gostar muito de mim a ponto de não conseguir ficar de boca fechada toda vez que me vê. – Respondi.

— Ah, está afiada hoje não é? – Disse ela. – Mas sabe de uma coi...

— Chega, vai para a sala, Alissa. – Disse alguém chegando por trás dela. Davi.

— Davi! – Disse ela, com a voz mansa como de um cordeirinho. – O que faz aqui?

— Levando alguns materiais para a secretaria e você? – Respondeu ele.

— Só refrescando a cabeça, já estava voltando para a sala. Nos vemos mais tarde! – Ela disse e foi até Davi e deu um beijo em sua bochecha, depois saiu saltitando. Aquilo fez meu estomago revirar. Soltei um suspiro.

— Está tudo bem? – Disse Davi, tinha um sorriso no rosto, pra variar.

— Sim, perfeitamente bem. – Respondi

— Já está voltando para a sala?

— Estava, mas acho que vou te acompanhar até a secretaria, estou na aula de física então quero matar só mais um pouquinho da aula. – Ele riu.

— Então vamos lá. – Me virei e acertei meus passos ao lado dele.

— O que vai fazer hoje a tarde? – Ele me perguntou.

— Hoje? Irei na inauguração da hospedaria do meu irmão, por que?

— Sério? Que legal! Iria te chamar para assistir ao treino de hoje, mas deixa pra lá, eu aguento esperar até amanhã. Você irá mesmo, né?

— No jogo? Claro, com certeza!

— Que bom. – Ele disse e sorriu um pouco tímido, não sei se foi impressão minha mas suas bochechas estavam um pouco rosadas.

Chegamos na secretaria e ele entrou para entregar o que ele estava levando, esperei no lado de fora.

— O que está fazendo fora da sala? – Disse Renan saindo da sala dos professores que ficava ali do lado.

— Esperando alguém. – Respondi.

— Pronto. – Disse Davi chegando. – Ah, oi professor. – Renan olhou meio desconfiado para nós dois.

— Nem são da mesma sala, o que estão fazendo juntos por ai? – Perguntou ele.

— Nos encontramos por acaso no corredor, como estávamos indo na mesma direção viemos juntos. – Respondi, uma pequena mentira.

— Voltem para a sala. – Ele disse. Davi e eu andamos e quando passamos ao lado de Renan tive uma leve impressão de que seu olhar pousava em nós dois, e a sensação continuou até que viramos o corredor.

Voltamos para a sala e confirmei mais uma vez para Davi que iria ao jogo amistoso no dia seguinte. Ele deu um aceno e foi para sua própria sala.

As aulas acabaram e o sinal bateu. Todos levantaram para ir embora, Marie se juntou a mim já que iria comigo, nos despedimos de Ethan e fomos embora. No meio do caminho, quando tínhamos acabado de atravessar o portão da escola, uma moto parou ao nosso lado.

— Está indo para a hospedaria? – Perguntou Renan, apenas afirmei com a cabeça. – Quer carona?

— Ah, não se preocupe, Marie está indo comigo, pode deixar. – Respondi, ele confirmou com a cabeça e se foi. Marie me deu um cutucão com o braço.

— Ta doida? – Disse ela.

— O que foi? – Perguntei.

— Por que não aceitou a carona? Deixasse eu ir sozinha! Doida.

— Ah, não, melhor não. Além do mais, estamos perto demais da escola ainda, se alguém entendesse mal poderia dar confusão pra gente. – Marie pareceu se conformar e voltamos a andar.

Chegamos na rua e vi que tinha mais pessoas do que imaginei, Marco havia colocados algumas boas mesas do lado de fora para acomodar mais pessoas. Estava tudo decorado com bastante simplicidade, mas estava lindo, Marco e eu gostávamos da simplicidade.

Começamos a andar por entre as pessoas até achar Marco, estava meio difícil de acha-lo. Avistei primeiro Sasha, segurando sua câmera na mão, ao lado dela vi Renan rindo de alguma coisa que ela acabara de falar. Revirei os olhos. Fui até eles.

— Vocês viram Marco por aí? – Perguntei.

— Ele foi até os fundos da loja mostrar o lugar para alguém, deve voltar daqui a pouco. – Respondeu Renan.

-Ah, oi Elô. – Disse Sasha, estava um pouco desconfiada. Resolvi pedir desculpas a ela por ontem.

— Sasha, posso falar com você um minutinho? – Perguntei, ela pareceu surpresa.

— Claro. – Pedi para Marie me esperar e nos afastamos um pouco deles.

— Não é nada, só queria me desculpa com você por ontem. Acho que fui um pouco rude.

— Ah, não se preocupe com isso, eu que fui muito indelicada. – Disse ela surpresa. – Acabei me empolgando e falando mais do que devia.

— Não esquenta, só queria deixar claro que não tenho nada contra você, foi só um dia ruim ontem. – Eu disse um pouco sem graça.

— Está tudo bem, acontece com todo mundo. – Ela disse e me deu um abraço rápido. Voltamos para onde Renan e Marie estavam, os dois nos olhavam com curiosidade, mas fingi que não percebi.

Sasha voltou a tirar as fotos como estava fazendo, Renan encontrou alguns outros amigos da época de escola e foi se juntar a eles, perguntou se Marie e eu queríamos ir junto mas nós negamos. Fomos para o lado de fora e sentamos em uma mesa qualquer que estava vazia. Senti meu celular vibrar e peguei, mensagem do Marco: “Onde você está?” ele perguntava. “Do lado de fora”, respondi. Depois disso ele não respondeu mais nada. Alguns minutos se passaram e vi ele saindo junto com minha mãe, ela me viu e sorriu acenando para mim, logo em seguida chamou alguém que estava dentro da hospedaria. Meu pai. Ele sorriu e saí correndo da mesa na direção dele, pulei e dei uma abraço nele.

— Achei que não iria vir! Por que não avisou? – Perguntei meio atropelada.

— Surpresa. – Respondeu ele sorrindo. – Acha que eu perderia esse evento? – Era frequente as viagens que meu pai fazia a trabalho, mas nunca me acostumei direito, sempre sentia saudades, fora que a casa ficava mais silenciosa, meu pai era animado demais.

Conversamos um pouco e eles foram se sentar na mesa comigo e com Marie. Marco disse que iria começar oficialmente a inauguração em alguns minutos. Não via a hora!

Notas finais
Bom, me digam o que acharam, ok? Nos vemos no próximo capítulo!