Aquela Que Foi, Sem Nunca Ter Sido
2 O Início [Parte I]
Notas iniciais
Boa leitura :)
Pax Valley – 1884 (atualmente)
Estava amanhecendo na tranqüila aldeia de Pax Valley e mais um dia de trabalho começava para os camponeses. Os raios de sol se estendiam por toda a vila, já se começava a notar a grande onda de calor que ameaçava por surgir e de todas as aldeias próximas, Pax Valley era a que sempre tivera não só pessoas que conviviam em completa harmonia, como também tinha um clima bastante agradável com pouca chuva, mas isso sim, quando chovia parecia que o céu queria vir abaixo.
A mansão dos Campbell eram uma das mais ricas, valiosas e poderosas de toda a região, sendo que William Thomas tinha possessão de muitas terras, terrenos extensos que eram muito produtivos e abundantes. Com os pedidos do Rei pelas terras para executar serviços e muito mais William não só lucrava dinheiro, como também ascendeu como amigo do Rei.
A azáfama reinava na residência, todos os empregados estavam atarefados com os últimos retoques para receber as “princesas” da casa. Ao lado da residência, havia um aposento onde o ferreiro do conde William se instalava e trabalhava.
Realmente estava difícil sair da cama com semelhante companhia. A moça não o deixava sair, e num movimento, colocou-se em cima dele tomando o controle total da situação. O moço apenas sorriu.
– Tenho de ir ajudar Alice – as palavras do moço saíram com pouca vontade
– Oh Nate, somente quero permanecer perto de você mais um momento... – voltou-o a beijar com mais predileção
O ruído da carroça ia-se ouvindo cada vez mais claro, e aquilo só aumentava o nervosismo e pressão a cada um dos criados.
– Onde está Alice? – uma empregada de cozinha se manifestou – Sua função é dar os últimos retoques à mobília!
Três cavalheiros encaminharam até a carruagem quando estacionou frente a frente da mansão e um deles agarrou no cavalo do conde William. As damas de companhia foram as primeiras a sair, seguidas de Grace e suas filhas: Park Bomde vinte e três anos e Nídia Ruby de vinte e dois.
– Sejam bem-vindas senhoras Campbell – ouvia-se dizer enquanto subiam as escadas
Deram entrada ao interior do palácio, contemplando cada mobília e detalhe, enquanto todos os criados sorriam para elas.
– Onde se encontra Nate Archibald? – William indagou – Ele deveria de estar presente.
– Eu vou procurá-lo meu senhor – Kevin, o jardineiro, respondeu fazendo uma vênia
Saiu dali o mais depressa possível, tocou à porta no aposento do melhor amigo.
– Kevin! – era de se esperar o tom surpreso de Nate
Ambos saíram da cama, começando a vestir suas roupas, Alice foi a primeira a sair sem ao menos pronunciar qualquer palavra enquanto Nate ainda estava sonolento.
– Que tal a noite? – Kevin perguntou com um sorriso no canto da boca
Nate não fez caso de comentar e se dirigiu até a entrada da mansão. Enquanto caminhava, avistou uma mulher jovem de cabelos lisos e longos de cor castanha, usava um vestido longo negro, seu rosto parecia de um anjo e radiava uma pureza única. O que mais lhe chamou a atenção foi a sua maneira pois ele nunca tinha visto uma mulher tão bela, tão esplêndida.
A moça não fez questão de olhar, pois contemplava a maravilhosa paisagem. Finalmente regressara a seu lar... Dez anos passou desde que se viu obrigada sair da vila com sua mãe e irmã, enquanto seu pai continuou a viver em Pax Valley, e só quando podia, é que vinha visitá-las.
Nate Archibald ainda fitava a jovem, sem perceber que entrara na casa vagarosamente, estava perdido com semelhante donzela.
– Archibald!
O grito fez Nate literalmente pular de susto e girar para o sítio de onde a voz viera, ficando firme. Em sua frente encontrava-se o senhor Campbell e sua esposa.
– Senhor Campbell – fez uma vênia
– Lhe apresento a dona da casa, minha mulher Grace Marie.
– Muito gosto em conhecê-la – falou – Nate Archibald, para o que necessitar.
– Meu marido me informou que você não é só o ferreiro da casa como também é seu fiel criado, é isso verdade? – perguntou com um sorriso
Pois era, Nate, para além de ferreiro, auxiliava William com assuntos discretos e ficava responsável do palácio quando seu senhor se ausentava. Ele confiava totalmente em Nate, e digamos de passagem, que era seu criado favorito, “o homem da casa”.
– É sim minha senhora, e se precisar alguma vez de minha ajuda não hesite, pois eu... – falou fazendo novamente vênia e levantando a cabeça para encarar a mulher -... Estarei sempre ao seu dispor.
O casal se fitou com um sorriso, e William estava grato com o serviço tão bem efetuado que Nate fizera durante seus dez anos de trabalho.
O olhar do jovem se fixou na irmã mais velha, Park Bom, que descia as escadas sem intuir a presença do moço.
– Pai, onde estão... – pausou durantes breves segundos fitando o moço – Quem é ele?
– Minha filha este é o ferreiro da casa – William respondeu com um sorriso – Mas, conte-me, o que ia a interrogar?
Park Bom ficou a admirar a indiscutível beleza do rapaz, seu rosto era praticamente perfeito com destaque para seus incríveis olhos azuis, os olhos dilatados pela perfeição deslizaram para dar foco ao corpo escultural do moço, onde se ressaltava debaixo daquela camisola branca os abdominais definidos que possuía. Pensou por breves segundos, que ele talvez fosse o príncipe que ela aguardara toda a sua vida.
– Não – contestou Bom com pouca ênfase, seu olhar, todavia permanecia no rapaz – Nada. Mãe pode-me acompanhar?
– Claro filha.
Antes de voltar a subir as escadas, Bom sorriu levemente para o criado.
– Nate – William olhou para o rapaz e ambos se fitaram – Chegou a enviar as cartas no outro dia?
– Sim senhor Campbell, Damon Salvatore e Chris Halliwell estarão presentes amanhã pela parte da tarde, como você pediu.
– Muito bem, como sempre, você nunca me decepciona Nate.
Nate solicitou licença ao duque e foi direto até ao lugar onde a outra donzela estava, mas foi em vão, enquanto andava reparou que ela tinha sumido. Ao parar no sítio exato onde ela estava, começou a olhar em seu redor na tentativa de procurá-la.
No fundo, passeando pelo largo jardim perto do lago, encontrava-se a moça com sua dama de companhia.
– Ele está olhando para você miss Nídia – a dama de companhia comentou com um sorriso, olhando discretamente para o rapaz
– Quem Bonnie? – a donzela ia a olhar se não fosse Bonnie a detê-la
– Não senhorita Nídia! Não olhe! – Bonnie advertiu – Parece que é o criado que foi falar com seu pai, Nate Archibald.
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