Notas iniciais
Back!

A partir daquele dia nada volverá a ser a mesma coisa na mansão dos Campbell. Aquele simples beijo marcou uma calamidade que nada nem ninguém poderão evitar. Park Bom sentia-se mais feliz que nunca e seu bom humor contagiava-se por toda a casa, apesar de ninguém saber o motivo de tanta felicidade, ninguém exceto Emily, que guardava segredo. E como era previsível, tanto Bom como Nate, encontravam-se em segredo para passearem juntos e namorarem.

Nate sempre fora bastante mulherengo, um homem que nunca tivera dona e jamais dissera que não às mulheres. No entanto era um homem nobre, trabalhador, leal, cavalheiroso, romântico e sempre com boa disposição para ajudar no que fosse necessário. Park Bom era mais uma aventura para ele, mas ele não podia ser um mentiroso e para não deixar avançar mais aquilo que nunca daria em nada, ele planeava dizer algo para ela, somente queria encontrar o momento exato.

No Sábado à tarde, Nídia tinha terminado de dar o passeio habitual com sua amiga e dama de companhia, Bonnie. Antes de colocar um pé na mansão, viu o ferreiro aproximar-se carregado com uma peça de madeira no ombro, e não duvidou em resolver a situação incomoda que havia entre eles dois. Ela prometera vingar-se, mas estava sentindo algo dentro dela, que não começava a gostar.

A jovem morena encostou-se na parede olhando fixo para um ponto do chão, e Nate entrou na mansão, abaixando-se para descarregar a madeira. Ele notou na presença de Nídia pelo seu perfume, mas não a olhou.

– Não vai ficar chateada toda a vida comigo, pois não?

Nídia fez questão de olhar para o lado e respirar fundo antes de responder.

– Deveria.

– Olhe... – levantou-se e aproximou-se a ela com determinação – O que falei não foi assim tão ruim. E bem... – desceu o olhar para o seu corpo e deslizou o seu dedo indicador no seu braço – Você realmente é muito linda.

A moça arregalou os olhos e tirou rapidamente a mão dele do seu corpo.

– Que grosseiro!

– Me vai dizer que não lhe atraio?

– Não posso acreditar nisto... – ela soltou uma risada leve

Virou as costas, mas antes que ela saísse dali, Nate puxou-a para a biblioteca, fechou a porta e agarrou-a pela cintura. Com a mão situada na sua barriga apertou-a contra ele. De olhos fixos no pescoço dela, aproximou a boca perto de seu ouvido.

– Me diga que não tem uma vontade louca de me beijar...

– N-Não... – falou rápido com tom fraco. “Fala, grita, dê uma estalada na face dele!” pensava, mas o que sentira naquele momento era indescritível, resumindo toda a explosão de emoções numa palavra: sedução – Me solte, por favor...

– Não parece que queira que a solte... – continuou a sussurrar – Você me atrai Campbell, muito mais do que outra mulher do campo.

Pois era, ela não queria que o soltasse, mas tinha a pele arrepiada só de tê-lo tão próximo a ela, seu cheiro a homem, sua masculinidade, suas mãos fortes, seu tom de voz tão varonil a deixavam rendida aos seus pés.

Contornou-a e a apertou mais contra ele, ficando frente a frente. Ambos olhavam com vontade de ceder para os lábios um do outro, Nídia entreabriu sua boca e sem esperar, Nate beijou-a intensamente.

As mãos percorriam o corpo do garoto, parando no pescoço dele. Finalmente cederam, deixaram para trás o orgulho e abriram portas à paixão...

– Me largue! – Nídia soltou-se e deu uma bofetada na face inteira do moço

Nate recuperou oxigênio e voltou a encarar a moça, enquanto ela colocara seus dedos indicadores nos lábios.

– Do que teme? – ele perguntou sério, ela negou com a cabeça – Cada vez que a tenho próximo de mim se arrepia inteira. Diga-me, é assim tão mau ser uma fêmea?!

– Eu não tenho nada que lhe dar explicações a ninguém de minhas ações – respondeu com determinação, mas fugindo do olhar penetrante do moço

– Você sempre diz e faz coisas, mas seus olhos... Sempre me dizem outra coisa.

Ela sorriu novamente e respirou fundo.

– Ai sim? Então, diga-me senhor leitor de olhos. – ela perguntou olhando-o direto – O que dizem meus olhos agora?

– Eu acho que o que necessita é disto.

E sem mais dizer, voltou-a a cercar contra ele, dando novamente passo a um beijo todavia mais ardente que o anterior.

– Está de bom humor hoje, Miss Bom.

Emily sorriu enquanto arrumava a roupa da moça, Bom sorriu junto, terminando de fazer sua trança de cabelo.

– Hoje vou-me encontrar novamente com Nate.

A criada arregalou os olhos e deixou o que estava fazer para centrar-se na afirmação que a sua patroa lhe disse.

– Como? – indagou – Novamente menina Bom?

– Sim – Bom parecia viver no seu mundo mas rapidamente olhou para a criada com autoridade – Porque? Tem algum mal que eu me encontre às escondidas, com meu namorado?

– É seu namorado menina Bom?

A pergunta fez com que Park Bom imediatamente se levantasse da cama.

– Tem algum problema com isso Emily? – colocou suas mãos na cintura – Se o beijei, e se vemo-nos às escondidas, é claro que é meu namorado, o que seria então?

– Me desculpe senhorita Bom, não a queria ofender – abaixou a cabeça.

Bom mirou-se ao espelho, ajeitando seu vestido e compondo melhor seu cabelo. Em seu rosto tinha um sorriso enorme, um sorriso de alegria e amor.

– Ele é o meu príncipe azul Emily, e esta noite vai ser muito especial para nós dois. — comentou meio nervosa – Nate está destinado para mim. E não vou deixar que ninguém nos separe, ele vai ser meu, isso te o garanto.

Nate e Nídia permaneciam com a sua paixão, mas aquilo não podia continuar.

– Não – ela colocou suas mãos no peito dele e o separou dela – Não devo, não posso.

– Por que senhorita? Porque tem que ser assim?

– Você não está destinado a ser meu.

Nate aproximou-se todavia mais dela, olhando-a com decisão e firmeza.

– Creio que já é tarde demais Nídia.

Ela engoliu em seco e nesse momento ouviram-se vozes vindas para a biblioteca. Quando as portas se abriram, já os dois estavam separados numa ponta.

– Que se passa – William Thomas questionou fazendo espaço entre as palavras — Aqui?

– Nada pai – Nídia sorriu para William e seu convidado – Boa tarde, senhor Halliwell. Como está?

– Bastante bem menina Campbell – James beijou a mão da menina — Espero que pronto venha a conhecer meu filho, Chris.

– Quando desejar, senhor Halliwell – a moça fez uma vênia e olhou por última vez para Nate – Licença.

Nídia saiu dali bastante rápido e os dois cavalheiros ficaram a olhar para Nate.

– Com vossa licença, tenho trabalho por terminar meus senhores.

De seguida, saiu dali na esperança de conseguir apanhar a menina.

– Quem é aquele homem? — James indagou – Não me diga que é o prometido de sua filha?

William riu alto e serviu dois copos de bebida.

– Nunca James! – William exclamou com um sorriso – Ele pode ser um grande homem, com todas as suas qualidades, mas é meu homem de confiança e meu trabalhador. Ele nunca será de Nídia nem de Bom.

James afirmou a cabeça compreendendo a situação.

– Mas vamos brindar por ele, porque Nate Archibald é o meu melhor homem e o quero como um filho!

Nate saiu da mansão e procurou a donzela com o seu olhar pelo campo, mas infelizmente, não a encontrou. Respirou fundo e sorriu levemente.

– Você me marcou Nídia Campbell.

Notas finais
Tanto Nate como Nídia deixaram-se levar, mas durará isso muito?
Park Bom disse que iria ser uma noite especial, saberá do que aconteceu entre a sua irmã e seu amado?