Aquela Droga Chamada Amor
2 Começando com o pé esquerdo
Dez e dezessete da manhã. Eu estava deitada na minha cama, olhando pro teto e pensando o quanto eu estava odiando mudar de cidade. Então minha mãe abriu um pouquinho a porta, colocando o rosto entre ela e a parede.
Mãe: Zoey, por que você não vai até a padaria comprar pão pro café e dá uma volta pelo bairro?
Eu: Não sei porque mas não tô gostando daqui.
Mãe: Você é precipitada demais, Zoey. Vai lá.
Saí um tanto desanimada porque, quando estava chegando no meu bairro, já havia percebido como eram as pessoas dali.
É, eu fui à padaria, coisa comum pra qualquer pessoa. Mas a padaria era tão grande, tão organizada e tão elegante que eu me senti um lixo ali. Eu tava de shorts, sapatilhas de balé e regata. Todos ali estavam super arrumados, alguns sentados em mesinhas com amigos, jogando conversa fora e rindo como se não houvesse amanhã. Apenas peguei meu saco de pães e corri até esbarrar num moleque (muito estiloso por sinal), que magicamente se materializou no meu caminho.
Moleque muito estiloso: Opa, vai com calma, apressadinha – ele disse, dando uma risadinha.
Eu: Nossa, foi mal aí.
Antes que eu pudesse sair correndo de novo, morta de vergonha, ele segurou meu braço e disse:
Moleque muito estiloso: Muito estilosa você – disse ele me olhando da cabeça aos pés, soltando mais uma risadinha.
Eu: Ha-ha-ha. Dá licença.
Fiquei puta. Ele nem me conhecia. Por que motivo estava segurando meu braço e fazendo piadinha com as minhas roupas?
Cheguei em casa irritada, nem tomei café da manhã, indo direto pro quarto e batendo a porta.
Quando eu era criança, disseram que eu tinha personalidade forte e que era marrenta demais. Mas sou mesmo, não posso negar. Sempre fui durona, deve ser por isso que não tenho muitos amigos.
Fiquei com aquela minha cena na cabeça, esbarrando no menino metido a engraçadinho, quase derrubando meu saco com pães em cima dele, e do nosso curto diálogo. Por que eu tava pensando naquilo? Eu nem o conhecia. Droga, preciso de um cigarro.
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