Aquela Droga Chamada Amor
3 Frank
Esqueci de dizer que cheguei um mês antes das aulas começarem, na cidade nova. Não deu tempo de conhecer muita coisa, mas foi tempo suficiente pra conhecer quem eram e como eram as pessoas do bairro onde eu moro agora. Amanhã é meu primeiro dia de aula, e eu não quero ir… "Calma Zoe, de repente existe alguém legal nesse lugar" pensei.
Não sou a pessoa mais tímida do mundo, mas trocar de colégio sempre me embrulha o estômago. Fumei uns cinco cigarros pra tentar me acalmar... Não adiantou. Fui deitar em minha cama me sentindo desolada e sozinha. Não conseguia dormir então peguei meu violão e comecei a compor alguma coisa... Gosto muito de tocar violão e de cantar, é algo que me acalma, sabe? Mas acabei pegando no sono.
No dia seguinte, cheguei naquele lugar empestado de patricinhas e "bad boys". Eu nem sabia pra onde ir, onde me esconder até o sinal bater… Acho que eu estava aparentemente assustada, porque aquele moleque muito estiloso (sim, aquele que eu quase caí em cima no outro dia) veio até mim.
Moleque muito estiloso: E aí apressadinha – e soltou uma risadinha.
E eu, que não estava acreditando, respondi.
Eu: E aí.
Moleque muito estiloso: Não sabia que a mocinha estudava aqui. Tu é de qual sala?
Eu: É, agora eu estudo. Não sei, tô meio perdida ainda. Mas tô no segundo ano.
Moleque muito estiloso: Ah é, nem me apresentei ainda. Prazer, Frank – e estendeu o braço, para que sua mão pudesse pegar a minha.
Eu não sabia se estendia minha mão até a dele ou na cara dele, pois não tinha esquecido o que tinha acontecido no outro dia. Mas resolvi ser educadinha e apertei sua mão.
Eu: Prazer, Zoe.
Frank: Então, se você é do segundo ano você vem comigo – e soltou uma gargalhada — Não vai se livrar de mim tão cedo agora – e me puxou pelo braço, enquanto o sinal das sete batia.
Fomos conversando pelo caminho, de braços cruzados, e pude perceber que ele era metidinho a bad boy sim, mas que era um cara bem legal. Depois ele me apresentou a Jane, uma loirinha muito doida, de cabelos ondulados, olhos verdes e cheia de piercings na orelha. Logo já estávamos muito próximas.
Jane: Nem preciso dizer que pelo menos uma coisa boa o Frank conseguiu fazer nessa vida: me arranjou uma amiga – Gargalhamos juntas.
Descobri que Jane morava perto de minha casa, e a perguntei por que nunca a vi antes.
Jane: Você precisa entender uma coisa, Zoe: quase nunca estou em casa e quase sempre estou em festas enchendo a cara.
Zoe: Então você vai ter que me levar a essas festas a partir de hoje – Gargalhamos mais uma vez, juntas.
Eu estava bem impressionada. O colégio novo era mil vezes maior do que aquele que eu estudara antes. Acho que eu teria me perdido nele se não fosse o Frank... Ah é, o que eu posso dizer do Frank? Pálido, alto e magrelo, com algumas tatuagens. Cabelos castanhos e olhos verde-escuros. Gosta de usar chapéu, calças apertadas e cordões no pescoço. É, até que ele era um cara atraente. E malandro pra caralho. As meninas já me olhavam diferente só por eu estar andando com ele.
Meus novos amigos (?) me levaram até em casa e já trocamos números de celular. Até que meu primeiro dia no colégio novo não foi ruim.
Mãe: Como foi no colégio, querida?
Eu: Foi ótimo, mãe. Conheci duas pessoas muito legais, depois te apresento pra eles. Como foi no restaurante?
Minha mãe era chefe de cozinha, esqueci de dizer. Puta merda, como eu amo a comida da minha mãe.
Mãe: Maravilhoso. Ficaram encantados com a minha experiência — ela disse, abrindo um sorriso.
Sorri, beijei seu rosto e depois fomos almoçar. As coisas não poderiam ser melhores.
▪▪▪
Eu estava na minha cama, sozinha, tentando terminar de compor o que eu tinha começado na noite anterior e meu celular tocou. Era o Frank.
Eu: Fala aí.
Frank: Oi gata. Aguenta um minuto aí.
Eu: Hã?
Jane: Fala cambada!
Os três gargalharam juntos.
Frank: Deixa de ser esquisita, garota.
E ficamos conversando até de noite. Isso acabou se tornando um costume nosso, e que eu gostei bastante, pra falar a verdade. Eles se mostraram muito acolhedores. Esbarrar em Frank tinha sido a melhor coisa que eu fiz desde que cheguei aqui.
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