Aquela Droga Chamada Amor
7 Beijo com gosto de cigarro e café
Quando entrei, fui ainda melhor recebida por um cara alto, de cabelos compridos e lisos e por Jane, que levantou da cadeira e saiu correndo para me abraçar. Fazia pouco tempo que nos conhecíamos, mas a gente já se gostava muito. Parecia que éramos amigas faz anos.
Cabeludo hippie: Oi mocinha! Tudo bem com você? — disse o cara que provavelmente era o pai de Frank, levantando-se e estendendo o braço para apertar minha mão.
Eu: Tudo ótimo — eu disse, apertando sua mão e sorrindo.
Nossa, ele era a cara do Frank. Melhor, o Frank era a cara dele. Seu pai era uma versão mais velha e mais cabeluda dele. Enfim, o café da manhã estava ótimo. Tinha uma infinidade de coisas pra comer e beber, os pais dele eram engraçados e tranquilos, além de muito acolhedores. Amei os dois. Meu celular apitou. Mensagem da minha mãe, que dizia assim: "Zoe, quando voltar nós precisamos conversar. Beijos, mamãe." Fodeu.
Eu: A conversa está ótima, vocês são uns lindos mas se eu não voltar pra casa agora, a minha mãe vai comer minha cabeça com purê de batata.
Todos gargalharam. Me despedi de Lana e Hugo, os pais de Frank. Dei um abraço na Jane. Frank me levou até a porta.
Frank: Obrigado por vir, mademoiselle.
Então ele me puxou pra perto de si e me deu um beijo. Caralho. Meu corpo inteiro estremeceu. Fiquei anestesiada por alguns segundos. Eu precisava me recompor rápido.
Eu: De nada, até depois — eu disse, olhando pro chão e saindo rapidamente.
Acendi um cigarro enquanto voltava pra casa. Não conseguia parar de pensar no que tinha acabado de acontecer. Meu corpo ainda estava sob os efeitos daquele beijo. Mas por que? Até então eu não tinha sentido nenhum interesse por Frank... Cheguei em casa. Abri a porta. Minha mãe estava me olhando com uma cara tão feia que a minha quase derreteu.
Mãe: Tudo bem com a senhorita independente? — ela me perguntou, ironicamente.
Eu: Desculpa mãe. Aconteceu muita coisa de uma vez só e eu não consegui te avisar.
Mãe: Tudo bem. Mas não precisava ter desligado o celular. Se fizer isso de novo, te tranco dentro dessa casa pra sempre.
Eu: Mãe, você não pode me manter em cativeiro — e gargalhamos muito alto.
Corri pra um abraço. Nossa, como eu amo minha mãe. Pedi mil desculpas. E depois almoçamos.
▪▪▪
15:17 da tarde.
Meu celular apitou. Mensagem da Jane.
"Beijou o Frank e não me contou por que? Posso saber? ME LIGA AGORA!!!!!!!"
Sim, a Jane era exagerada pra caralho com pontuações. Liguei desesperadamente, achei que ela ia me matar pela quantidade de exclamações. Ela atendeu.
Eu: Oi.
Jane: CARALHO ME CONTA TUDO! – ela disse, ou melhor, gritou.
Eu: Ele te contou? — eu disse, meio chocada.
Jane: Claro que contou, cabeçuda. Nós somos melhores amigos faz seis anos.
Conversamos a tarde inteira. Eu queria falar com Frank, mas eu não sabia o quê. Peguei meu violão e comecei a tocar alguma coisa. Minha mãe entrou no quarto, sem bater na porta nem nada. Ela nunca tinha me visto tocar ou cantar. Parei na hora.
Mãe: Filha! Que voz maravilhosa! Por que você nunca cantou pra mim? — disse ela, com lágrimas nos olhos.
Eu: Quê? Claro que não! — eu disse, escondendo meu rosto com as minhas mãos.
Mãe: Vou te colocar numa aula de canto. Me aguarde — falou ela, saindo e fechando a porta em seguida.
Ah não. Eu sou tímida demais. Não sei se conseguiria cantar pra alguém. Odeio quando as pessoas tomam decisões sobre a minha vida sem o meu consentimento. Minha vida não é casa da mãe Joana não.
▪▪▪
18:17 da tarde.
Meu celular apitou. Mensagem do Frank.
"Boa noite, mademoiselle. Gostaria muito da sua ilustre presença aqui na minha casa. Jane está aqui também. Beijo com gosto de cigarro e café."
Estremeci. O gosto do beijo que ele me deu realmente era de cigarro e café. Aliás, o Frank já naturalmente exalava esse cheiro. Com que cara eu olharia pra ele? Não, eu não vou treinar nada no espelho. Por que eu pensei nisso?
Camisa pólo, shorts jeans, sapatilhas de balé surradas e cor de rosa. Argolas. Será que eu estava no mínimo bonitinha? Argh, já começou a frescura. Maço de cigarros. Bandana no cabelo. Beijo na mamãe.
Cheguei. Bati na porta. Jane me atendeu com um sorriso do tamanho da cara.
Jane: Pensou que fosse o Frank né? — e gargalhou.
Eu: Ha ha ha, muito engraçada você — eu disse fazendo uma cara de tédio e empurrando-a pra dentro logo em seguida.
Caminhei procurando Frank e parei na entrada da cozinha. Lá estava ele, sem camisa, fazendo pipoca de panela. Corei. Ele se virou pra mim e deu um sorriso fraco.
Frank: Oi — ele me disse, enquanto puxava meu corpo para um abraço.
Eu: Oi — eu respondi, e beijei timidamente seu rosto.
Jane: JÁ SEI, VAMOS VER ATIVIDADE PARANORMAL!– gritou Jane, lá da sala.
Filha da puta. Cortou o clima que nem tinha começado.
Frank: ISSO SE A ZOEY NÃO SE CAGAR DE MEDO! – gritou ele e depois gargalhou muito alto.
Eu: VOCÊS SÃO ENGRAÇADOS PRA CARALHO, HEIN! – e os três caíram na gargalhada.
Quando eu parei de rir o Frank estava me observando, com um sorriso leve no rosto. Corei. Ele me puxou pra perto e me beijou de novo. Ai meu Deus, assim eu não aguento. Um silêncio ficou no ar assim que ele acabou de me beijar.
Frank: Vou ter que te beijar quantas vezes pra você dizer alguma coisa depois? — sussurrou ele, no meu ouvido.
Estremeci. Caralho. Eu estava perdendo o controle do meu corpo. Precisava parar de fazer isso.
Eu: Acho que mais umas duas vezes — consegui responder, sussurrando também em seu ouvido.
Ele me beijou de novo. E dessa vez eu me entreguei.
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