Aquela Droga Chamada Amor
8 Dose Dupla
Notas iniciais
TRIMMMM!
Celular barulhento do cacete. Tateei a cômoda e esbarrei nele. Abri os olhos com dificuldade. Oito e dezessete. Oito e dezessete... CARALHO, TÔ ATRASADA!
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Por sorte e muita rapidez, eu consegui chegar no segundo tempo. Eu tava destruída. Tipo, muito mesmo. Jane, Frank e eu ficamos vendo filmes até tarde. Ninguém deu a mínima pro dia seguinte ser uma segunda-feira. Estávamos fodidos. E pra piorar, o segundo tempo era da Srta Hathaway, a professora frustrada de Química.
Srta Hathaway: Silêncio! Silêncio turma! Eu não estou conseguindo falar! — berrou ela.
Ela implorava por atenção, coitadinha. Mas a turma não estava nem aí.
Srta Hathaway: Frank! Dá pra levantar a cabeça?! — berrou ela mais uma vez, indignada.
Frank levantou a cabeça lentamente, olhou para os lados e me viu, me deu um beijo no rosto carinhosamente e em seguida um abraço em Jane.
Srta Hathaway: Turma! Preciso que façam um trabalho em grupo. Mínimo de três pessoas.
Frank, Jane e eu nos olhamos. Grupo formado. Já sabia que não ia dar certo. Terceiro tempo passou voando. Intervalo.
Frank: Galera do mal, depois da aula vai todo mundo pra minha casa. A gente vai começar a fazer o trabalho e se divertir um pouco. — disse ele, com um sorriso malicioso no rosto.
Jane: Espero que tenha cerveja.
Frank: Vai ter isso e mais algumas outras coisas. — disse ele, com um sorriso malicioso no rosto.
Eu: Gente, eu queria fazer uma pergunta pra vocês. — eu disse, meio aflita.
Jane e Frank: Manda bala.
Eu: O que foi aquilo que cheiramos no sábado?
Jane e Frank: Coca.
Então pensei comigo mesma: fodeu. Fodeu muito. Fodeu lindamente.
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Chegando na casa de Frank, percebi que seus pais não estavam. Fodeu. De novo.
Jane: Traz uma cerveja pra gente, Frank! E gelada! — berrou ela, como de costume.
E então veio Frank, com duas garrafas de cerveja e um saco pardo debaixo do braço esquerdo. Eu já podia imaginar o que tinha ali dentro. Eu já podia prever toda a merda que iria acontecer. Mas preferi tomar um gole de cerveja a me desesperar.
Frank se sentou, deu um gole no copo de cerveja, tirou o saco pardo de baixo do braço e o virou de cabeça pra baixo. Um saquinho transparente com pó branco dentro caiu sobre a mesa de centro. Jane bateu e esfregou as mãos uma na outra. Frank abriu o saquinho e espalhou o pó na mesa. Eu só observei a cena.
Frank: Quem vai primeiro? — perguntou ele, eufórico.
Eu: Pensei que iríamos fazer a porra do trabalho. — eu disse, irritada.
Frank: E nós vamos. Depois que acabarmos com isso daqui. O trabalho não é sobre química? Então. Quer química mais linda que essa? — ele respondeu, sorrindo.
Jane: Hahaha, eu vou primeiro! — disse gargalhando e levantando o braço.
Eu: Tô indo. Beijo. — eu disse, me levantando.
Os dois seguraram meus braços e me puxaram pra baixo. Legal. Não vai dar pra fugir, eu pensei.
Frank: Qual foi, Zo. Só mais essa vez. — disse ele, virando meu rosto lentamente e me dando um selinho.
Acho que eu já tava caidinha pelo Frank e não tinha percebido. Fiquei, e fiz o que eu não deveria ter feito. E sabendo que iria me arrepender.
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Quando me dei conta, estavam os três deitados no chão. Suados pra caralho. Delirando. Eu já tinha viajado duas vezes. Não conseguia me lembrar do porquê eu ter resolvido entrar nessa. Comecei a tatear meu corpo freneticamente. Encontrei meu celular. Já tinham se passado duas horas.
Eu: Eu vou embora dessa porra agora. — eu disse, me levantando muito rápido e recolhendo minhas coisas.
Jane e Frank me seguraram. Chutei os dois. Jane se levantou bruscamente. Ela tava completamente fora de si. Começamos uma discussão, que no final resultou em briga corporal.
Eu: Bando de merda! Não querem nada da vida e ainda por cima estão me arrastando pro fundo do poço junto com vocês! Tô fora dessa. Eu esperava mais dos dois. eu gritei, muito irritada e alterada.
Frank: Você entrou nessa porque quis, Zoey. — ele disse, calmamente.
Eu tava muito irritada, então fui embora sem pensar duas vezes. Enquanto caminhava e acendia um cigarro, percebi que eu parecia tudo menos uma garota decente. Eu tava descabelada, pingando, ensanguentada e arranhada por todas as partes do meu corpo. Eu precisava chegar rápido em casa, me limpar e arranjar uma boa desculpa pra contar pra minha mãe. Então comecei a correr. As pessoas na rua que, nunca tinham me olhado com tanto gosto, agora me olhavam com menos ainda. Mas por sorte, consegui chegar rápido. Agora só faltava me preparar pra bomba.
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Mãe: Zoey?
Eu: Oi, mãe. Como foi o trabalho? — perguntei, me aproximando para um abraço.
Mãe: Foi tudo normal mas... O que aconteceu com você, filha? Você tá toda arranhada! — ela disse enquanto me abraçava, aflita.
Eu: Ah mãe, eu tava voltando da casa do Frank, aí um cachorro me atacou na rua. Nem consegui pedir ajuda, a rua tava vazia.
Mãe: Ai meu Deus! Deixa eu te ajudar! — ela disse apavorada, enquanto me levava pro quarto.
Odeio mentir pra minha mãe, mas foi extremamente necessário. E mais fácil do que eu imaginei.
Depois de ela fazer questão de passar remédio em todos os meus arranhões, eu fui tocar um pouco de violão no meu quarto. Aí meu celular nada barulhento começou a tocar. Era a Jane. Eu não sabia se atendia, porém foi mais forte que eu.
Jane: Me desculpa. Me desculpa por favor.
Eu: Oi, Jane...
Jane: Eu não queria ter brigado contigo, mana. Você sabe por que eu fiz aquilo. E eu também sei que eu sou uma vagaba, mas me perdoa. Por favor. Você foi a única amiga que fiz depois que eu cheguei na cidade... Depois que eu perdi minha mãe.
Eu: Tudo bem... Perdão também por eu ter dito tudo que disse. eu disse, engolindo o choro.
Jane: Tem como você passar aqui? Acho que eu preciso te contar umas coisas.
Eu: Beleza. Em cinco minutos estou aí.
Cheguei em menos de cinco minutos. A casa de Jane era duas depois da minha. Toquei a campainha. Quando ela abriu a porta, pude perceber que estava num estado deplorável.
Eu: Amiga! eu gritei com lágrimas nos olhos, correndo pra um abraço.
Jane: Me desculpa de novo, por favor ela respondeu, chorando e me puxando pra dentro.
Fomos direto pro seu quarto. Seu pai não estava em casa, e minha consciência agradeceu por isso.
Jane: Então disse, enquanto sentava na cama minha mãe morreu faz cinco anos. Ela era tipo, tudo pra mim. E quando isso aconteceu, eu perdi o rumo da minha vida. Dia quatro de agosto de 2009, eu, minha mãe e meu pai estávamos a caminho de uma praia. Mas aí o pai perdeu o controle do carro. Caímos de um viaduto. Minha mãe não sobreviveu. O pai nunca soube lidar com isso e hoje em dia é esse alcoólatra fodido que ainda tenta manter a família em pé. Eu também nunca soube lidar direito com isso, então sei lá, faço de tudo pra esquecer. Eu não ligo mais pra minha vida, entende? Só quero viver e fazer o que eu quero antes de morrer. Por isso a gente não tem se dado bem desde então.
Eu fiquei chocada. Mal podia acreditar. Parecia coisa de novela. Mas aconteceu com Jane.
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