Aquarela

2 Capitulo 2


Notas iniciais
;3

Anne não era popular, nem fã de festas, tinha poucos amigos... O.K., ela só tinha Rebecca Rivers. A garota fora gentil com ela desde o primeiro ano do ensino médio. Rebecca não era das mais populares, nem das mais bonitas, mas Anne a achava incrível. Rebecca havia te contado sobre um incêndio na sala dos professores no passado, que havia matado quase todos os indivíduos. Ela disse que no dia 27 de abril, o alarme de incêndio soava e se ouviam vozes abafadas dentro daquela salinha. O prédio fora reconstruído, mas a salinha ficou trancada como um memorial dos mortos. A ideia sempre fez Anne se arrepiar.

Naquele dia, Rebecca não apareceu para o segundo horário do dia, como sempre. Fazia questão de só ir para o colégio cedo. Às quatro da tarde, Anne foi para casa. A pé, pois seu irmão havia ido a uma excursão. Para a infelicidade de Anne, o colégio era a quatro quilômetros de casa.

Anne não gostava de caminhadas longínquas, mas sempre era necessário. Anne estava na esquina do colégio, tomando coragem para seguir o caminho até sua residência quando o celular toca.

– Hm... Alo? – disse Anne com a voz rouca e fraca.

– Anne? Tudo bem? – disse Rebecca, quase que Anne não reconhece a sua voz.

– Hum, hum e você?

– Eu tô bem também... Mas Anne, gostaria de ir mais cedo pra sua casa... Posso? – perguntou Rebecca, com a voz pidonha.

– Claro, mas posso saber o que aconteceu?

– Eu te conto lá, posso ir agora?

– Ah... – lembrou-se Anne que estava a pé e disse – Pode me dar uma carona, Becca? Por favor?

–... Claro... – Rebecca desligou o celular.

Pelo que eu percebi, ela não vai me dar carona tão cedo. – pensou fazendo uma careta.

Anne só andara 30 minutos, e não estava nem perto de casa. Rebecca, assim como supôs, não ia dar carona a ela. Ela havia parado perto de uma construção. As pernas latejavam como se Anne fosse uma velha que não conseguia ficar de pé. Alongou-se e se preparou para continuar o trajeto quando um carro preto reluzente apareceu em sua frente. Anne mal conteve a felicidade, abriu a porta do carona e entrou com um brilho desnecessário no olhar. Ela sabia que Rebecca estava a vendo pelo retrovisor, Anne apenas fez um gesto para que continuasse a dirigir.

Durante toda a sua vida, nunca ficou tão feliz em ver a sua casa como hoje. A rua escura deixava um ar intimidador, mas quem morasse ali, saberia o quão tranquilo aquela rua poderia ser. Havia pessoas do lado de fora das casas, conversando com outras pessoas. Anne avistou Roger do lado de fora com Camélia, sua irmã. Eles eram os irmãos mais bonitos que Anne conhecia. Roger tinha os cabelos louros e os olhos de um azul gélido, Camélia era do mesmo jeito. A família Kasovski era linda. E ricos. Eles eram da Rússia, por parte de mãe e de pai. Anne daria tudo para morar onde o inverno é todo dia...

Chegando a casa, as meninas desceram do carro. Anne pegou a chave e a pôs na fechadura, deu três voltas e abriu. Dentro tinha um cheiro recente de biscoitos de chocolate (esse era o perfume de um dos produtos de limpeza da casa de Anne, se ela fosse um pouco menor, teria a coragem de beber o produto).

– Eu vou pegar minhas coisas, já volto. – exclamou Rebecca saindo da sala.

Cinco minutos depois Rebecca volta com uma mala média e sobe para o quarto de Anne. A garota dá três voltas horárias na fechadura e apaga as luzes da sala. Anne sobe as escadas e vai direto para o quarto. Lá, ela vê Rebecca tirando as volumosas casacas e colocando na cadeira de Anne.

– Anne, eu posso tomar um banho? Estou fedendo! – dissera Rebecca indo na direção do banheiro.

– Claro, vou fazer um chá – gritou Anne para a amiga na metade da escada.

Lá em cima ouviu um barulho de algo se enchendo, provável que é a banheira. Anne foi para a cozinha, abriu um armário e pegou dois saquinhos de chá preto. O bule começou a chiar, primeiro houve um chiado baixo, depois ficou mais intenso, o chiar lembrava Anne um grito agudíssimo. Aquilo fez a garota rir como uma idiota. Desligou o fogo e despejou o liquido quente dentro das duas xícaras. Colocou os saquinhos e saiu.

Subindo as escadas devagar, para não derramar o chá e se queimar, se aproximou da porta de seu quarto, que estava fechada. Ela estava prestes a fazer algo que daria errado quando Rebecca apareceu por detrás dela e abriu a porta.

– Obrigada, Becca. – agradeceu Anne.

– De nada, Anne. – respondeu Rebecca com um risinho.

As duas entraram no quarto. Rebecca havia pegado a sua xícara e se sentado no tapete do quarto de Anne.

Rebecca não era bonita para muitos, por achar que ela é muito rechonchuda. Os cabelos avermelhados e seus olhos intensamente verdes eram destacados pela pele clara e pelas sardas espalhadas pelo corpo. Se Anne fosse uma desconhecida, acreditaria que Rebecca era irmã de Paul (de certo modo, eles se pareciam)... Paul, Anne quase havia se esquecido de ligar para o irmão.

Anne foi em direção ao telefone na sala. Sempre dizia (envergonhada) que nunca gostara da ideia do irmão mais velho morar com eles, mas no fundo (bem no fundo, garantira Anne) adorava a companhia dele.

Quando chegou ao segundo lance da escada, as luzes se apagaram.

Ótimo, um apagão! – pensou Anne voltando para cima.

Quando Anne pegou a lanterna e acendeu algumas velas pela casa, a luz volta com toda força. Frustrada, a garota jogou a lanterna no chão.

– ME FEZ ACENDER TODAS AQUELAS MALDITAS VELAS PARA VOCÊ VOLTAR? ENERGIA IMBECIL! – amaldiçoou Anne gritando.

Assim, Anne apagou todas as velas e as guardou.

Agora volta a ficar escuro, só por gozação. – pensou ela indo para a sala.

Rebecca foi ver a situação com um sorriso torto, estava fazendo piadas em sua cabeça que quase as deixou escapar.

– Que maldade! – exclamou ela quando Anne lhe atirou uma almofada, e riu ainda mais.

Anne já havia discado todo o numero do irmão.

– Anne? Aconteceu alguma coisa? – disse o irmão com a voz esganiçada.

– N-não, eu só liguei para perguntar se tá tudo bem ai. – disse Anne com calma.

– Hum hum, esta tudo bem, e aí?

– Também, a Becca vai dormir aqui hoje, tá?

– A Rebecca... A Rebecca está aí? – disse ele com uma voz rouca.

– Aham.

– Anne... Eu vou ter... Amanhã... Até! – ela não entendeu, pois estava falhando, mas achou que ele queria dizer que ia ligar para ela no dia seguinte.

Anne voltou para o quarto, Rebecca estava pintando as unhas de um rosa choque.

– Anne! Tenho novidades! – exclamou a garota em um súbito pulo.

Vendo que a amiga estava quieta disse:

– Tem um garoto novo na sua classe. O nome dele é Davi Miles, Margaret mora no prédio em que ele mora.

– Hmm... Eu o vi hoje... – começou Anne, já se arrependendo do que disse.

– Ele é um gato! Marge disse que ele não é muito simpático. – riu – O que você achou dele?

– Hmm... Legal.

– Só? – Rebecca soltou uma gargalhada histérica – Ele está no topo da espécie de garotos que eu ia querer ter fantasias eróticas.

Anne ficou enojada com aquele comentário que fez uma careta. Rebecca riu mais ainda.

– E o seu namorado? Qual era o nome dele mesmo? – disse Anne com um tom zombeteiro.

O sorriso de Rebecca desapareceu a menção de seu namorado. Seu rosto escureceu, e com uma voz forte disse:

– Edward...

– Como ele vai? – continuou Anne com o mesmo tom de voz.

Agora o rosto de Rebecca estava impassível.

– Edward Burghtown e eu terminamos. – disse com a voz ainda forte – Se me der licença, eu irei dormir.

Rebecca se endireitou no colchão que Anne havia posto no chão, ao lado da cama, e fingiu dormir.

Anne estava escassa daquela noite. Foi para o banheiro e começou a se despir. Entrou dentro de um roupão e esperou a banheira encher. Assim que estava com a quantidade necessária, Anne tirou o roupão e entrou na banheira. A água estava quente, o choque que o corpo de Anne recebeu foi muito bom. Sem querer adormeceu. Somente acordou quando o celular estava tocando.

Não apareceu nome na chamada. O que era estranho. O coração de Anne estava a mil. Atendeu e quando a voz falou, foi como se sua cabeça estivesse explodido.

– Olá, Anne. – disse a voz.

– Olá, Marcus. – disse Anne, passando a mão na cabeça.

Notas finais
:3 2/??