Aquarela

3 Capitulo 3


Notas iniciais
Demorou, mas está aqui! Espero que gostem.

Anne não conseguiu se concentrar no dia seguinte. Não conseguia tirar a conversa que teve com Marcus na noite anterior. Ela não foi para o colégio essa tarde. Anne não conseguia se levantar, não teve forças para se vestir e encarar todos. Não pensava que seria tão profundo. Não sabia que Marcus tinha o número de seu celular, muito menos que ele se lembrava do que Anne havia feito para ele há muito tempo.

Ele devia ter deixado para trás, mas não o fez, isso é bobagem... – pensou ela, passando a mão no celular.

Não acreditava. Anne estava simplesmente chocada. Ela havia colocado a coberta até o queixo. Estava quente, mas seu interior estava gelado como se suas entranhas foram colocadas em um refrigerador.

Anne tomou coragem o suficiente para levantar-se e colocar uma roupa mais sociável. Ouviu uma batida leve na porta da frente, calçou os sapatos e foi em direção à porta. Anne estava usando uma calça e um moletom largo. Ainda sentia frio. Descendo as escadas viu o reflexo que a luz fazia, era uma silhueta masculina. O coração de Anne subiu para a garganta. Ainda conseguia ouvir o som leve da risada de Marcus. Levou a mão para a chave e deu três voltas e abriu-a devagar. Do lado de fora, um rapaz alto com cabelos louros usava um sobretudo cinza, com uma calça jeans preta e um tênis de uma marca qualquer. Seu cabelo estava bagunçado. Ele olhou para Anne com aqueles olhos castanhos impassíveis e deu um sorriso.

– Olá, Anne Richards. – disse ele.

– Oi, Davi Miles. – cumprimentou ela o rapaz.

– Esta sozinha? Posso entrar? – perguntou ele se inclinando para ouvir a resposta.

–... Claro, entre. – disse Anne depois de uma longa pausa.

Assim que Davi entrou. Ele tirou o sobretudo e o colocou no sofá. Sentou no sofá e sorriu.

– Então, Anne... Por que não foi para a aula hoje? Perdeu tanta coisa boa... – disse ele com um sorriso irônico.

– Duvido que algo naquela escola seja boa... Mas espera o que... Como você sabe onde moro? – perguntou Anne com suspeita na voz.

– Sua amiga... Bella?... Não, não... Decca?... Ah... Rebecca... – ele soltou uma gargalhada – Eu perguntei onde você mora, e ela disse.

– Ah... Desde quando é amigo dela? – perguntou Anne, olhando desconfiada.

– Desde sempre. – ele olhou para baixo, parecia encabulado.

– Puxa, que legal! Foi boa a sua visita e tudo mais, mas eu tenho muita coisa para fazer. – gesticulou Anne apontando para a porta.

– Esta com frio? – Davi falou com doçura.

Anne não respondeu de imediato, estava concentrada em morder a bochecha para não morder os lábios. Por fim, ela deu uma resposta clara:

– Se quiser ficar, fique, mas eu vou para o meu quarto, e quando a minha mãe chegar vai chamar a policia por ter um invasor aqui.

– O que vai dizer a ela sabendo que a porta foi aberta por dentro? – ele riu baixo.

– Falo que não estava trancada.

Davi caminhou para a porta e a trancou.

– Pronto, não entrara mais ninguém aqui.

Anne foi para a cozinha, havia deixado o bule de chá no fogo, e estava esperando chiar. Enquanto esperava, ela abriu a geladeira, lá dentro tinha metade de um bolo, e umas coisas que a mãe trazia das viagens. Quando fechou a geladeira, Davi estava do outro lado, desligando o bule. Anne nem notara que já estava chiando.

– Esta muito desligada, boneca. – disse ele com um risinho baixo.

– Não me chame assim. – ordenou Anne, mas sua voz estava distante, como se estivesse falado aquilo da boca pra fora.

Davi se aproximou ainda mais, estavam a quase um palmo de distancia. Ele se abaixou e colocou o nariz nos cabelos de Anne. A garota ficou vermelha e o empurrou. Virando o rosto para ele não ver o seu rubor, ela caminhou até a chaleira, mas ele foi mais rápido.

Davi pegou seu braço tão delicadamente, que seu músculo do braço pareceu derreter. Anne não queria resistir, mas o fez. Não queria que ele achasse que ela estava e entregando tão fácil. Ignorou-o e foi terminar de fazer o chá. Seu rosto deveria parecer indiferente, pois ele a soltou e foi para detrás do balcão.

– Quer chá? – perguntou ela pegando outra xícara.

– Não, obrigado. – ele sorriu torto.

Após o termino do chá Anne estava com calor, mas ignorou a ideia de ir se trocar temendo Davi a espionar trocando de roupa.

– O que faz aqui? – sussurrou Anne, foi quase inaudível, mas ele a escutou.

– Te proteger. – ele disse com o mesmo tom de voz.

– Contra o que?

– Contra você mesma.

A resposta não ficou clara, porém Anne decidiu não insistir temendo não entender nada. Após um longo tempo de silencio que teve naquela cozinha, Anne se levantou e colocou mais um pouco de chá.

– Eu estava com frio. – murmurou quando sentou na cadeira.

– O que? – ele parecia confuso.

– Eu disse: eu estava com frio. – repetiu Anne apenas com um sussurro.

– Ah... – foi a ultima coisa que Davi disse.

Depois de Anne terminar a sua terceira caneta de chá, Davi se levantou e foi em direção a porta. Anne o seguiu com o olhar. Antes de abrir a porta ele murmurou algo incompreensível, mas Anne concordou com a cabeça.

Quando Davi saiu, Anne ficou sentada, presa em pensamentos. Quando seu celular tocou, deu um pulo de susto.

– A-alo? – gaguejou a garota.

– Anne? Esta tudo bem? – disse outra garota na outra linha.

– Sim, não se preocupe.

Anne conhecia Rebecca a ponto de saber que ela nunca daria seu endereço a um desconhecido. Só se ela conhecesse Davi. O que ela negou quando Anne perguntou se ela o conhecia.

– Preciso de um favor. – disse Rebecca com a voz rouca.

– Diga. – respondeu Anne.

– Eu acho... Que você está em perigo.

– Eu? Em perigo? – Anne riu alto – Precisava disso, Becca, agora sério, que favor é esse.

– Certo, não acredita? Deixa eu te falar. Tem um assassino chamado “Marcus” e ele foi condenado à prisão perpetua por matar e esquartejar cinco adolescentes. Eu pesquisei sobre o caso e todas eram ligadas a sua família. Tenho certeza que até eu estou correndo perigo, mas você em especial. Não quero que você... Do que você está rindo? – disse ela num tom hostil. Anne havia começado a rir daquele discurso.

– Relaxa, Becca, eu estou a salvo. Caso você não saiba, meu grande guarda costas é o Davi.

– O... O DAVI? Você é louca? Desde quando confia nesse cara? Era só o que me faltava! Minha melhor amiga que tem como guarda costas um lunático!

– Desde quando você confia nele, Becca? O cara apareceu aqui e disse que você falou para ele onde moro.

– Eu? Eu nunca falaria seu endereço a um estranho! – ela estava desesperada.

– Becca, eu sei que você quer me proteger, por favor, me conte a verdade. Eu quero saber o que você tem com o... Davi... – Anne parou, pois ouviu um som vindo de cima – Depois eu te ligo. Tchau.

– Espera Anne... Anne? An...

Anne desligou o celular e o colocou no bolso do moletom. Pegou o castiçal de cima do armário – a casa era tão antiga que tinha isso – e subiu a escada. Com passos silenciosos ela se aproximou de seu quarto. Um cheiro nauseante a envolveu. Tapando o nariz entrou no quarto. O castiçal e ela caíram. Dentro do quarto de Anne tinha um cadáver de uma criança. Esta estava em cima da cama com um giz de cera na mão. Sua pele branca estava esverdeada. Seus cabelos eram lisos e pretos e estavam por cima do rosto. O que deveria ter sido a barriga estava um enorme buraco com sangue escuro que mostrava as suas entranhas. A garotinha virou-se em direção a Anne. Não havia olhos. Apenas duas grandes orbitas vazias. Seu rosto estava cortado em direções diferentes e sua boca, estava num sorriso macabro. A garotinha sorriu, aumentando seu sorriso aterrador.

Anne tapou a boca, pois vinha um vomito. Não conseguia se mover para sair dali. Foi quando algo passou por ela e ela viu, com clareza, mesmo com os olhos cheios de lagrimas, a figura que ela queria ver. Davi estava entre Anne e a garotinha. Assim que a mesma o viu, todas as suas imperfeições sumiram, dando espaço para uma simples menina de cabelos lisos e um sorriso encantador. Teve um brilho, que a obrigou a fechar os olhos. Assim eu os abriu estava na cama, deitada, com o pijama e tudo. Ela pensou que podia, talvez, ser tudo um sonho. Mas era muito real. Mesmo sendo um sonho, a garotinha havia lhe dado medo. Anne não conseguiu dormir por mais que 5 minutos. Depois disso seu corpo lhe avisou que precisava dormir mais. E assim o fez.

Notas finais
Não sei fazer cenas de terror... não ficou aquilo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.