Notas iniciais
Legenda Diálogos: - Creio que sim, Lucian; você não? Pensamento: "Itálico" Lembrança: Negrito Narração: O fato é que muito ainda estava para acontecer - outra vez... Mudança de Tempo e Espaço: ●๋..●๋

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O homem robusto, que outrora tinha cabelos ruivos, agora estava grisalho; ainda vestia flanela e usava o mesmo boné de sempre, mas os anos já começavam a transformar sua aparência. Bobby Singer estava se tornando aquele idoso que o feiticeiro Patrick gerara ao sugar exatos vinte e cinco anos de sua vida, num jogo no qual o caçador almejava ganhar (e não perder) alguns anos, regressando assim a juventude. Na época enfrentavam o Apocalipse e ele encontrava-se preso a uma cadeira de rodas; pobre homem, sem esperança, metera não só a si, como também Dean numa tremenda confusão, sendo salvos pelo caçula, que recuperara o tempo que haviam perdido vencendo o bruxo em seu próprio jogo. É, era em meio a essas recordações que o loiro via-se submerso agora, envolvendo o amigo de longa data, que fora como um segundo pai para si, num abraço fraternal.

— Olhem só, quem é vivo sempre aparece! — Dizia divertido. Ao contrário do que Sam esperava, ele não estava surpreso em vê-los; tão pouco confuso com a presença de Castiel, quem já não viam há anos, desde aquela noite, quando tudo acabara (ou, ao menos, assim acreditaram que tudo estivesse terminado) ou com Alice, que ainda secava as lágrimas que insistiam em cair por seu rosto, agora pálido. Como aquilo era possível?!

— Oi, tio Bob! — Ben correu ao encontro do mesmo, sendo recebido com um cafuné e um forte aperto de mãos. O menino era o único que não demonstrava estar perturbado com os sucessivos acontecimentos da noite.

— Como vai, garoto? — Bobby continuava a sorrir; demonstrava estar contente com a visita um tanto quanto “inesperada” — Vejo que trouxe seus pais, o seu tio e uma velha amiga nossa: Lisa, Alice; bom revê-las, senhoras. — Cumprimentou. Estas limitaram-se a corresponder com um meneio de cabeça. Ambas estavam perplexas com tudo o que estava acontecendo.

— Bobby, Cass! — Dean os chamou. Todos voltaram-se para encarar a figura aturdida do loiro, que buscava por respostas — O que está acontecendo?

— Lucífer está de volta, filho. E é nosso trabalho detê-lo; de novo. — Singer parecia muito conformado com a situação, ao contrário do rapaz mais alto, que ainda preocupava-se em compreender como tudo aquilo fora acontecer: ainda naquela manhã, seu maior problema era jantar com a “ex-mulher”, na companhia do atual namorado dela; agora ali estavam, depois de descobrir que o Diabo jamais se fora, Azazel não estava no Inferno como acreditavam e Castiel voltara. Em uma única noite, os acontecimentos passados de anos vieram à tona outra vez, colocando os irmãos Winchester frente ao fim do mundo pela terceira vez.

— Isso é loucura! — Falou por fim, após uma breve troca de olhares com Dean — Por que ele permaneceu na Terra por tanto tempo? E por que não fez nada? Quer dizer, não tentou recrutar seus antigos soldados ou recomeçar tudo desde o início como fez antes... Ficamos sem ter notícias dele nos últimos cinco anos, e de repente Cass volta e vocês dizem que precisamos tomar a frente da Batalha; quando é que tudo vai terminar?! — Bagunçava os cabelos castanhos freneticamente, contendo todo o desespero que apossava-se de si, mediante a possibilidade de ter que servir como receptáculo do Satã uma vez mais. Considerava-se fraco: enquanto seu irmão e amigos lutavam para impedir a Guerra, ele ajudara Lucífer. Sentia-se mal pelo mesmo sempre conquistar o que deseja; e o que mais o Diabo poderia querer se não o seu verdadeiro corpo?

— Calma, Sammy. — Dean tentava tranquilizar o irmão caçula, que demonstrava estar apavorado. A morena continuava calada, sem nada dizer, apenas observando o que ocorria — Olha, agradecemos muito por ter nos tirado dessa vivos, Cass. — O anjo acenou em resposta — Mas, de verdade, não posso mais fazer isso: eu tenho uma família agora. — Apontou para a esposa, que segurava o garoto junto de si pelos ombros; também estavam assustados com o rumo daquela conversa — Sei porque estamos aqui: quer que eu o mate, não é? — Neste momento, Alice fitou a face indiferente do mesmo com certa angústia; apesar de tudo, ainda amava-o.

— Eu entendo a sua situação atual, Dean. — Explicou-se de modo sereno — E é por isso mesmo que não pretendemos envolvê-lo mais do que o necessário dessa vez; porém, nós ainda vamos precisar do seu auxílio, por ser o único, além do filho mais velho de meu Pai, que já o derrotou antes.

— Como assim “nós”? — Indagou, franzindo o cenho. Temia o que estava por vir. Castiel fitou-o de modo sério:

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— Meu irmão, Miguel, me enviou a Terra esta noite, Dean. Ele lamenta por não comparecer pessoalmente, no entanto, manda saudações a você e sua família, e pede que nos ajude novamente. Como o General, não pôde se ausentar tão subitamente, mais assim que percebeu a presença de Lucífer, encarregou-me de vir ao seu encontro, acompanhado de uma guarnição. — Comunicava tudo de forma lenta e cautelosa, escolhendo bem as palavras que usava. Por outro lado, seus ouvintes (com exceção de Bobby, que já sabia de tudo) denotavam surpresa.

— Espera, está dizendo que o Miguel quer nos recrutar?!

— Exatamente. É claro que vocês são os alvos principais de nosso irmão; e encontrá-los juntos foi, de fato, muito surpreendente. Supomos que ele planeje algo para se vingar.

— Então por que esperar tanto tempo? — Sam parecia saber do que falava; sim, estava certo de que Lucífer já não dava a mínima para ser o Diabo ou para retornar ao Éden. “Eu sei o que ele quer: Alice. Se tem um motivo pra ter se escondido por tanto tempo, é porque se apaixonou de verdade; assim como eu.” Concluiu.

— Não importa. — Lisa deu um passo à frente, na direção do loiro, sorrindo — Vá! — Disse-lhe.

— Mas eu... — Antes que pudesse contrapor, foi interrompido.

— Preciso que vá; lute mais uma vez, e depois, volte pra mim. Como sempre faz. Vamos esperar. — Seu olhar se encontrou com o do filho, que mirava ambos com uma expressão de certa satisfação; todos sabiam que aquilo era o que Dean era: um soldado. E, enquanto estivesse lutando, e o mais importante, enquanto houvesse um motivo pelo qual lutar, não havia nenhum inimigo (nem mesmo Lucífer) capaz de detê-lo. Miguel estava ciente disso também; por isso o escolhera outra vez.

— Eu vou voltar. — Concordou, depois de refletir por uns instantes. Trocaram um beijo longo e terno, onde expressaram todo o amor que nutriam um pelo o outro; a despedida. Um abraço apertado e carinhoso, que nenhum dos dois fez menção de desfazer. Alice assistia a cena com um olhar melancólico; lembrar do quanto ele a fazia sofrer sempre a fazia recordar-se de que o amava, como nunca amara ninguém antes... Foi quando notou que Samuel a observava de um jeito diferente; da mesma maneira que Lucífer quando o usava como receptáculo. O loiro se separou da esposa, ainda que a contragosto, e andou até Ben, que ainda fixava seu olhar sobre si — Cuida bem da sua mãe, garoto. — Este assentiu.

— Vou com vocês. — A garota anunciou repentinamente, causando um momento de silêncio no cômodo.

— Alice... – Sam tentou argumentar em vão.

— Não. — Cortou-o — Conheço ele melhor do que vocês; se estiver planejando alguma coisa, quero ajudar a pará-lo, antes que seja tarde de mais. — A verdade era que tudo o que desejava era despertar desse pesadelo e ver que nada daquilo era real; por que cruzar com os Winchesters mudara toda a sua vida?! Nada fazia sentido. Ainda pretendia conversar com Lucífer, no entanto, não iria permitir que este usasse-a de novo, e a única maneira de fazer isso seria ajudando os rapazes.

— Ela tem razão. — O anjo intervém em seu favor — Precisaremos de todo auxilio que pudermos: seja bem vinda.

— Ótimo. — Dean aproximou-se dos três, carregando a arma — Vamos logo com isso, estou com pressa. — Castiel balançou a cabeça e preparou-se para levá-los até onde os aliados aguardavam sua chegada — Bobby? — O ruivo mirou-o fraternal — Preciso que tome conta desses dois; será que pode fazer isso por mim? — Ele sorriu. O loiro não precisava de nenhuma confirmação através de palavras; e foi desta forma que deixaram a residência do velho amigo situada em Dakota do Sul.

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Andava pelo corredor escuro apressado, seguindo os passos ligeiros de seu mestre; Azazel estava feliz por ver Lucífer tomando a frente da Guerra novamente. Por tanto tempo procurara um modo de libertar os outros, abrindo o Portão do Inferno, porém, sem demônios, aliados, ou sob as ordens do Diabo, as coisas ficaram difíceis. Não tinha ninguém para ajudá-lo na importante tarefa a qual fora encarregado: triunfar sobre os anjos, seus irmãos; pisar novamente no solo sagrado do Paraíso; ser recompensado com riquezas infinitas por ter ficado ao lado de Satã como servo leal. Essas eram as promessas de Lucífer. Mal sabia ele que eram juras tão vazias quanto as que o demônio fazia para as pessoas que usava para conseguir o que queria... A única intenção de seu “mestre”, desde o início, fora vingar-se do irmão mais velho, quem considerava culpado por seu sofrimento e angústia, e tomar o lugar do Pai. Entretanto, seus sonhos foram frustrados por ninguém mais que Dean Winchester; depois de tantas desventuras e infortúnios, decidira desistir. Foi quando viu-se perdidamente apaixonado por uma humana, criaturas que desprezara por ser tudo o que sempre quisera: a imagem de Deus. Porém, submetera-se a viver como um simples mortal, para que assim pudesse conquistá-la; eram tantas lembranças desagradáveis que tinha... Ser “limitado” fora um suplício.

— Hã... Senhor? — O demônio lhe chamou. Bufou irritado. Fez um gesto permitindo que o mesmo prosseguisse, não detendo-se por nem um segundo sequer, caminhando a passos cada vez mais ligeiros — Agora que está de volta, pensei que talvez... — Foi bruscamente cortado. Lucífer parou subitamente a sua frente e virou-se para encará-lo friamente.

— Ah, quer dizer que você pensa?! — Indagou-lhe em tom de escárnio. Azazel fez uma careta aturdida — A princípio, se fosse um ser racional não teria anunciado o meu “retorno” aos berros na presença dos Winchesters, alertando assim os meus queridos irmãos, arruinando por completo os planos de vingança que tinha; agora me diga, Azazel: acaso acha que deveria considerá-lo um ser pensante? — Proferiu a última frase fitando-o com um enorme desdém, expressando assim o quão estava frustrado com o servo, que limitou-se a engolir em seco.

— Perdoe-me, mestre. — Desculpou-se cabisbaixo, escolhendo muito bem as palavras que usaria — É que, com os outros presos no Inferno, não sabia como deveria proceder; tentei procurá-lo, no entanto, não tendo-o encontrado, estava de mãos atadas. Ao deparar-me com a sua figura magnânima outra vez, após todos esses anos, não pude conter o meu espanto e satisfação ao estar perante a ti: entenda que todos desconheciam o seu paradeiro e vê-lo pessoalmente foi um verdadeiro choque. — O demônio conhecia o mestre que possuía: sabia que Lucífer era vaidoso e por isso usava o gigante ego deste a seu favor. E foi justamente por ser tão orgulhoso que o Satã sorriu com os elogios do subordinado, ignorando o quão inconveniente o mesmo fora mais cedo. Só então Azazel notou a incrível coincidência que passara despercebida por si até então, que foi seguida da pergunta carregada de hesitação — Hã, mais uma vez, sinto pelo inconveniente, mas, a propósito, o que fazia com os Winchesters? — O Diabo franziu o cenho diante da questão inoportuna. Seria humilhante ter de confessar tudo pelo que passara...

— Não quero falar sobre isso. — Disse seco, dado o assunto por encerrado, dando as costas uma vez mais para o demônio de olhos amarelos, que pôs-se a segui-lo novamente.

— Certo. — Concordou. Pensou que o mestre buscara, durante todo esse tempo, um modo de destruir a ameaça que os rapazes representavam, antes de voltar a ser o anjo negro da Guerra. Sentia-se culpado por ter estragado os planos de Satanás. “Por isso está tão irritado comigo!” Acreditava; enganava-se: a cólera de Lucífer se dava pelo fato de Alice haver descoberto a verdade daquela forma. Agora, tinha certeza, seria impossível aproximar-se dela outra vez e se explicar, já que a essa altura os irmãos deviam estar preparando um novo exército para combatê-lo, e provavelmente, Dean e Sam Winchester estariam compondo o mesmo, e fariam o possível para impedi-lo de ver a garota. Só havia uma solução: “Se é uma Guerra que desejam, darei uma Guerra para lutarem.” concluiu.

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Notas finais
Desculpem esse atraso - minha mãe me deixou sem internet durante o final de semana... kkkkk Isso foi bom, porque pela primeira vez senti-me inclinada e comecei a escrever poesias (sempre gostei muito de textos do gênero, mas eu mesma não conseguia fazer esse tipo de construção literária) =D