Após o Apocalipse
9 O Retorno do Exército de Dean Winchester
Notas iniciais
Diálogos: - Creio que sim, Lucian; você não?
Pensamento: "Itálico"
Lembrança: Negrito
Narração: O fato é que muito ainda estava para acontecer - outra vez...
Mudança de Tempo e Espaço: ●๋..●๋
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“É o mesmo bosque.” Pensou, enquanto caminhavam para sabe-se lá onde em meio aos enormes arvoredos e arbustos da mata tenebrosa. Já estivera ali antes. Conhecia muito bem aquele lugar... Finalmente, chegaram à cabana. Sam e Alice contemplaram um lugar com a mesma expressão decepcionada que ele mesmo fizera da primeira vez em que estivera ali. O loiro suspirou: eram tantas recordações!
— Aonde estamos indo? — Perguntou, cortando o silêncio que instalara-se. Não gostava daquele lugar, tinha um mau pressentimento.
— Estamos indo encontrar outros que, assim como nós, estão contra Lucífer. — Gabriel respondeu-o de forma vaga.
— Anjos? — Bobby parecia decepcionado.
— Também. — Um sorriso maroto brincou em seus lábios. Imaginava a reação destes quando soubessem de tudo — Pronto. Chegamos!
— Isso?! — O rapaz olhava a velha cabana no meio dos arbustos com uma cara de espanto. Então era ali aonde planejariam o ataque a Lucífer?!
— Entrem.
Tal como acontecera com ele naquela época, o semblante do irmão e da morena converteu-se em espanto ao deparar-se com o cenário tão diferente, porém bem familiar para o Winchester mais velho, que sorriu. Foi nesse instante que o seu olhar encontrou-se com o do anjo e tiveram a mesma lembrança: a tarde em que fora nomeado o substituto de Miguel, o General de um exército composto por inúmeros seres que lutariam contra o Diabo.
Ver Dean era bom. Às vezes, sentia falta da época em que vivia na Terra, na estrada, tal qual os dois irmãos; nunca dissera, mas apesar de tudo, a melhor coisa que lhe acontecera até então não fora ser um arcanjo poderoso, mas sim ser um renegado desertor, que havia se rebelado para deixar de ser um mero soldado e tornar-se alguém livre... Ah, como tinha sido bom conhecer aquele loiro que sempre insistia em ir contra tudo e todos! “Você é um bom amigo.” Pensava consigo mesmo enquanto encarava o rapaz ao seu lado.
Ao deparar-se com a guarnição traga por Castiel, Alice sentiu algo que não soube definir bem; era como se já os conhecesse antes mesmo de encontrá-los. O grupo era composto por velhos rostos conhecidos de todos: Gabriel e seus irmãos Raphael, Zachariah e Balthazar, que usavam os mesmos receptáculos, e os antigos deuses pagãos Kali e Baldur, além da ceifadora Tessa; estavam presentes também um homem de meia idade, cabelos ruivos, crespos, tal qual a barba; e uma mulher bonita, de longos cabelos loiros, sorridente, que pareceu-lhe estranhamente familiar. Ela sabia quem eram, embora estes tivessem-na visto uma única vez. No entanto, para Sam, que permanecera meio que inconsciente durante os “velhos tempos”, servindo de corpo para o Satã, aquele era um encontro um tanto quanto inusitado e diferente.
— Dean Winchester... Quem diria: você ainda não morreu! — Balthazar mirava-o de cima a baixo, com o mesmo riso debochado com o qual todos estavam habituados. Só então notou Alice, que observava a todos muito curiosa — Ora, se não é a minha cunhada; como vai? — Indagou, surpreendendo a morena.
— Estou bem, obrigada. — Respondeu-o sorrindo nervosa. Estava acostumada a vê-los sem nunca ser vista; ser percebida ainda era uma coisa muito nova. Quando desejava visitar os pais ou ver o que sucedia-se do outro lado da Guerra, bastava usar o colar que Lucífer lhe dera.
— Se quiser vê-los, use isso. — Ele disse, lhe entregando um colar.
— Verdade?
— É. Quando usá-lo, — Explicava enquanto colocava o objeto no pescoço da morena — pense na sua família. Vai poder observá-los, mas eles não irão poder te ver: você será como um fantasma pra eles. Vai poder vê-los como se... estivesse assistindo televisão. - Fez uma careta por ter comparado um simples aparelho humano a uma das armas celestiais mais poderosas.
— Pois é, eu ainda estou vivo e você continua sendo um safado... — Retrucou de modo seco, fazendo Alice esquecer-se momentâneamente de suas memórias para rir baixo.
— Além disso, suas piadas são sem graça; as minhas são melhores. — Gabriel gabou-se, fazendo Zachariah soltar um muxoxo e revirar os olhos.
— Não são não! — O outro anjo contrariou-o frustrado.
— São sim! — Tornou o mesmo com ar triunfante.
— Não são! — E agora os dois discutiam.
— Faça-os se calarem! — Raphael disse a Kali, bufando logo em seguida.
— VOCÊS DOIS, QUEREM PARAR?! — Gritou, fazendo com que ambos se calassem de supetão — Francamente, parecem crianças...
— É o que eu o diga. — Tessa concordou com um meneio de cabeça.
— Acho que temos assuntos mais pertinentes para serem tratados agora, não?! — Baldur, que até o momento mantivera-se calado, pronunciou-se, voltando toda a atenção para si — Podemos começar?
— Espera aí, Dean, quem são eles? — Samuel apontou para as duas figuras desconhecidas que permaneciam mudas. O loiro encarou-os por um instante para depois fitar Castiel aturdido, como se perguntasse “Quem são eles?!”
- Devem se lembrar de Megan e Crowley. — O anjo explicou a situação.
— O QUE?! — Os três jovens bradaram ao mesmo tempo, espantados.
— Sim, sou eu mesma, Alice. — Megan estava diferente: adquirira uma aparência ainda mais jovem, usava trajes que remetiam muito a época da Idade Média. Era Eloise Champoudry novamente. Trazia um ar mais alegre e esperançoso — Obrigada por me fazer enxergar a verdade e só assim, me tornar “eu” outra vez.
— Puxa, isso é tão... — A garota estava sem palavras. Ainda que relutante, abraçou-a; era bom reencontrá-la. Sempre se perguntara que fim a amiga tivera. Assim como Alastair, seu paradeiro lhe fora desconhecido (até agora). Se ela ao menos soubesse!
— Comovente! - Falou franzindo a testa, entendiado com a cena que assistia.
— Crowley? — Dean repetia num murmúrio, medindo-o de cima a baixo.
— O que é que você está olhando, hein? — Questionou-lhe irado, com um forte sotaque; nunca haviam entendido-se.
— Não é nada não... — Balançou a cabeça — Bom, pelo menos você não está usando saia. — Riu. Ainda pode ouví-lo cochichando "Moleque atrevido, não sabe o que é um quilt?!" Era impossível não sorrir — Espera, mas agora que não são mais demônios... — Começou, entretanto, foi bruscamente interrompido.
— Queremos ajudar, pedimos para sermos mandados; se vão derrotar Lucífer, irão precisar de alguém que conheça suas estratégias, metas e de um desertor que já o enfrentou antes. — A moça completou, referindo-se a ela e ao outro “ex-demônio”.
— Então ‘tá. — Concordou — ‘Tô louco pra ver no que isso vai dar... Onde estão os outros?
— Esperando-o para começarmos a discussão. — Castiel informou solenemente.
— Ótimo. Vamos lá: Megan, vou precisar que liste os possíveis objetivos de Satã agora que ele está de volta, como sendo uma das antigas “comensais” dele; quero planos, provável próximo passo, saber onde encontrar outros demônios revoltados com a tal ditadura e tudo mais que considerar útil, entendeu? — Esta acenou afirmativamente — Balthazar, Zachariah: já sabem o que fazer. — Um ruflar de asas cortou o ambiente antes do Winchester fazer um sinal para a “deusa” que também desapareceu — Tessa, vai com o Baldur e ajuda a Kali. E Cass, você ainda me deve uma explicação... É bom ficar por perto. — Disse-lhe enquanto andavam a frente do grupo pelo imenso corredor.
Sam e Alice se entreolhavam surpresos. A menina estava ciente de que Dean era um líder muito competente e capaz, mas nunca o vira tomar uma posição tão determinada; para Sammy, tudo acontecia rápido demais e estava muito caótico para que pudesse assimilar. Mas de uma coisa tinha certeza: seu irmão era respeitado e temido por todos ali; confiavam nele e depositavam, uma vez mais, sua esperança no mesmo. E foi como quanto tinha onze anos e o irmão, adolescente de quinze anos, acompanhava-o, soltando fogos de artifício no meio da estrada deserta, no 4 de Julho. Seu pai não estava lá, porém, como sempre, Dean cuidava dele. Naquela noite, ele enxergou-o com grande admiração e, abraçando-o, disse-lhe comovido “Você é o melhor irmão mais velho do mundo!” Era o mesmo pensamento que tinha naquele momento. Sorriu.
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Apertando o colar entre os dedos com força, Lucífer assistia a tudo furioso. Como ousavam tramar contra ele?! Malditos irmãos, malditos bastardos, maldita Alice... Por que fora se apaixonar?! Sabia que tudo findaria assim desde o início. Então por que insistiu? Por ser tolo. Como os odiava!
— Miguel, filhinho do papai: onde você está? — Balbuciava como se este pudesse realmente ouví-lo — Desta vez, iremos nos enfrentar: chega de Dean Winchester ou de Apocalipse; só você e eu. Não é isso que sempre quis, desgraçado? Nós vamos lutar e irei vencer, e quanto isto acontecer, saiba que reservei um lugar na minha velha jaula pra você, irmão. — Pronunciou a última palavra rangendo os dentes — Não vou descansar até que me paguem: não mais. E então, Alice vai ser minha, e nem mesmo o tal "Deus" que vocês julgam protegê-los poderá me impedir de dominar o Universo. — E foi após realizar este pequeno discursso para o nada que desapareceu. Ainda precisava fazer uma coisa antes que o Sol raiasse.
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Quando encontrou-se com Castiel pouco antes, e este explicou-lhe a situação, ficara pouco desnorteado. “Óh, Céus! Estou muito velho pra isso...” Resmungou. Estava ciente de que o único capaz de cumprir tal tarefa era o mais velho dos irmãos Winchester; mas este só o faria se soubesse que a família estaria em segurança. Essa seria sua missão: convencer o garoto a partir. E só conseguiria o fazer se cuidasse de Ben e Lisa uma vez mais. E Bobby estava disposto (desde que o loiro pudesse salvar a todos), pois valia à pena. E foi justamente por essa razão que, aflito, naquela noite, antes de deitar-se, fez algo que nunca fizera desde que tornara-se um caçador: ele rezou.
— Senhor, se pode me ouvir, por favor: ajude os meus meninos outra vez! Eles precisam muito do vosso auxílio. Pai nosso que estais nos Céus...
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