Aprisionada
12 Capítulo 9
Enquanto corria pelo pátio do Campus, minha cabeça virava um grande confusão. Como todos eles sabiam que eu estava lá? O que havia acabado de acontecer? Sem ao menos me dar conta, esbarrei em uma pessoa.
–Sai, vadia! –Ele parou e me encarou por um instante e depois simplesmente seguiu seu caminho, seus olhos não me eram estranhos.
Chegando em casa, resolvi apenas ajeitar meus pensamentos, sabia que eles estavam confusos devido a toda tensão acumulada em meu corpo. Desabei, não liguei se alguém iria me ver daquele jeito. Mentira, havia trancado a porta do meu quarto assim que entrei no mesmo. Peguei numa folha de papel e escrevi apenas o que sentia. Todas as mágoas, incertezas e sentimentos que nunca havia tomado coragem para dizer, mostrar... Falei de tudo, de tudo o que éramos e de tudo que eu espera ser com ele, de todos os planos que não seriam concretizados, de todas as formas mais apaixonantes de dizer “eu te amo” que eu tinha.
Eu escrevi, pela primeira vez, deixei fluir. Meus pensamentos foram libertos da folha que estava escrevendo quando meu celular começou a tocar. Spents na tela. Hesitante, deslizei, atendendo a chamada.
–Alô.
–Meu Deus, me desculpe, não queria ter te feito tudo isso, esperava que não fosse tomar um rumo sério. Não era para você ter se apaixonado! Você, você... –Ele parecia desesperado, frustrado e zangado. Comigo e consigo mesmo. –Você, me perdoa por favor Jess...
–Do que você está falando Spencer? –Perguntei, havia chorado que não haviam mais lágrimas a serem derramadas, apenas perguntas a serem respondidas.
–Você não sabe, não é mesmo? Eu sinto tanto, Jessica... Preciso ir, adeus.
E foi apenas assim, ele se despediu e continuou seu caminho. Sem mim.
Foi provavelmente, a situação mais exasperante de toda minha vida. Não saber o que estava acontecendo, estar totalmente a parte de toda a história. Aquilo me deixava nervosa, porém, de um jeito desesperador.
Precisava de respostas, e eu iria encontra-las, nem que para isso fosse preciso encontrar pessoas que eu não queria.
Bati na porta duas vezes antes de uma figura perfeita aparecer a minha frente, lá estava Emmy. Nunca pensei em estar no corredor 3, o corredor dos populares (geralmente muito bonitos) e das mais rodadas da faculdade.
–O que você quer? –Ela disse, friamente, sem ao menos se dar o trabalho de falar um mísero “oi”.
–Hm, eu gostaria de saber o que aconteceu... Por que todos sabiam? –Perguntei, receosa.
Sou um ser humano limitado. Todos somos, temos nossas próprias limitações, da mesma maneira que temos desejos e sonhos... Me chamem de lamechas, piegas... Não ligo. Eu sei que ao menos, sou verdadeira em tudo o que sinto e faço. Eu não sei exatamente o que eu iria ouvir, mas sei que ia ser meu limite. Não me parecia algo bom, e sinceramente, eu tinha um 6° sentido para isso.
–Haha... Você é muito burra mesmo né? Ou é só cega... Deixe-me te contar uma história Jessie –meu apelido soava tão venenoso em seus lábios- as pessoas possuem uma coisa chamada luxúria. Ele queria seu corpo. Mas você deve estar se perguntando “ó, por que eu?!” –Ela fez um gesto exagerado com suas mãos, aquela típica posição de donzela desesperada.- Por dois motivos: 1.Você era fácil, uma pobre coitada que precisava de algum tipo de apoio, porque havia levado um pontapé na bunda. –Aquilo tinha doido. Muito, pegou no fundo e me veio a lembrança de todos os momentos com o Clarck- E 2. O mais ridículo e óbvio. –Eu engoli em seco- Você era virgem, querida.
E esse foi o momento em que meu mundo veio a baixo. Tudo parecia ter desmoronado. Eu lembrei. Lembrei de tudo, todos os beijos, todos os momentos que nos amamos, todos os sentimentos... Eu lembrei de tudo. Porém, havia um detalhe: tudo havia virado um grande embolado de mentiras. Um novelo de lã que antes estava novo, havia virado um embolado sujo de fios. Era isso que havia sido. Nós estávamos tão bem... E como se houvesse uma barreira, minha linha de raciocínio estagnou. Não havia tido um nós. E agora, nem mesmo sei se há um “eu”.
–E sabe o que é ainda melhor, amorzinho? Que nós apostamos dinheiro em cima disso. Tínhamos certeza que você ia ceder aos encantos do meu namorado –As lágrimas já haviam escorrido, levando uma parte de toda a mágoa que eu tinha em mim- E acredite, você foi mais uma. E ele falava tão pouco sobre você... Nem mesmo deve ter sido uma boa foda. –Ela disse, carregando na hora de pronunciar a última palavra, ela olhou bem em meus olhos.
Acho que qualquer coisa teria sido melhor. Não teria doído tanto. As perguntas não paravam de serem feitas. Por que eu? Por que ele? Por que agora? Por que assim? Por que eu me apaixonei? Por que dói tanto? As palavras proferidas haviam entrado dentro de minha alma, a rasgando, dilacerando.
E o que mais dói e pensar que era ele. Ele fez isso. Mas pensando bem, quem é ele? Ele não é quem tinha me dito ser, ele não existiu. O Spencer que eu conhecia, não existia. Eu havia me apaixonado por uma fraude.
Ele me seduziu apenas para me levar para a cama.
Pelo menos, ele havia sido esperto.
–Ok.
–Ok? Só isso que você tem a dizer?
–Sim, -disse, levantando minha cabeça para encará-la no fundo de seus olhos. Tomando uma coragem que nunca havia percebido em mim- eu disse exatamente o que você me ouviu dizer. Um mísero ok.
Posso dizer que ela ficou chocada, não tanto como eu. Porém, chocada ou não, Bessie ficou parada no corredor 3 ao me ver caminhar para fora de sua habitação, boquiaberta com o que havia acabado de ver.
Podemos dizer que essa nova Jéssica, todos gostariam de conhecer. Porém, ela será muito mais forte do que pensam.
Enquanto corria pelo pátio do Campus, minha cabeça virava um grande confusão. Como todos eles sabiam que eu estava lá? O que havia acabado de acontecer? Sem ao menos me dar conta, esbarrei em uma pessoa.
–Sai, vadia! –Ele parou e me encarou por um instante e depois simplesmente seguiu seu caminho, seus olhos não me eram estranhos.
Chegando em casa, resolvi apenas ajeitar meus pensamentos, sabia que eles estavam confusos devido a toda tensão acumulada em meu corpo. Desabei, não liguei se alguém iria me ver daquele jeito. Mentira, havia trancado a porta do meu quarto assim que entrei no mesmo. Peguei numa folha de papel e escrevi apenas o que sentia. Todas as mágoas, incertezas e sentimentos que nunca havia tomado coragem para dizer, mostrar... Falei de tudo, de tudo o que éramos e de tudo que eu espera ser com ele, de todos os planos que não seriam concretizados, de todas as formas mais apaixonantes de dizer “eu te amo” que eu tinha.
Eu escrevi, pela primeira vez, deixei fluir. Meus pensamentos foram libertos da folha que estava escrevendo quando meu celular começou a tocar. Spents na tela. Hesitante, deslizei, atendendo a chamada.
–Alô.
–Meu Deus, me desculpe, não queria ter te feito tudo isso, esperava que não fosse tomar um rumo sério. Não era para você ter se apaixonado! Você, você... –Ele parecia desesperado, frustrado e zangado. Comigo e consigo mesmo. –Você, me perdoa por favor Jess...
–Do que você está falando Spencer? –Perguntei, havia chorado que não haviam mais lágrimas a serem derramadas, apenas perguntas a serem respondidas.
–Você não sabe, não é mesmo? Eu sinto tanto, Jessica... Preciso ir, adeus.
E foi apenas assim, ele se despediu e continuou seu caminho. Sem mim.
Foi provavelmente, a situação mais exasperante de toda minha vida. Não saber o que estava acontecendo, estar totalmente a parte de toda a história. Aquilo me deixava nervosa, porém, de um jeito desesperador.
Precisava de respostas, e eu iria encontra-las, nem que para isso fosse preciso encontrar pessoas que eu não queria.
Bati na porta duas vezes antes de uma figura perfeita aparecer a minha frente, lá estava Bessie. Nunca pensei em estar no corredor 3, o corredor dos populares (geralmente muito bonitos) e das mais rodadas da faculdade.
–O que você quer? –Ela disse, friamente, sem ao menos se dar o trabalho de falar um mísero “oi”.
–Hm, eu gostaria de saber o que aconteceu... Por que todos sabiam? –Perguntei, receosa.
Sou um ser humano limitado. Todos somos, temos nossas próprias limitações, da mesma maneira que temos desejos e sonhos... Me chamem de lamechas, piegas... Não ligo. Eu sei que ao menos, sou verdadeira em tudo o que sinto e faço. Eu não sei exatamente o que eu iria ouvir, mas sei que ia ser meu limite. Não me parecia algo bom, e sinceramente, eu tinha um 6° sentido para isso.
–Haha... Você é muito burra mesmo né? Ou é só cega... Deixe-me te contar uma história Jessie –meu apelido soava tão venenoso em seus lábios- as pessoas possuem uma coisa chamada luxúria. Ele queria seu corpo. Mas você deve estar se perguntando “ó, por que eu?!” –Ela fez um gesto exagerado com suas mãos, aquela típica posição de donzela desesperada.- Por dois motivos: 1.Você era fácil, uma pobre coitada que precisava de algum tipo de apoio, porque havia levado um pontapé na bunda. –Aquilo tinha doido. Muito, pegou no fundo e me veio a lembrança de todos os momentos com o Clarck- E 2. O mais ridículo e óbvio. –Eu engoli em seco- Você era virgem, querida.
E esse foi o momento em que meu mundo veio a baixo. Tudo parecia ter desmoronado. Eu lembrei. Lembrei de tudo, todos os beijos, todos os momentos que nos amamos, todos os sentimentos... Eu lembrei de tudo. Porém, havia um detalhe: tudo havia virado um grande embolado de mentiras. Um novelo de lã que antes estava novo, havia virado um embolado sujo de fios. Era isso que havia sido. Nós estávamos tão bem... E como se houvesse uma barreira, minha linha de raciocínio estagnou. Não havia tido um nós. E agora, nem mesmo sei se há um “eu”.
–E sabe o que é ainda melhor, amorzinho? Que nós apostamos dinheiro em cima disso. Tínhamos certeza que você ia ceder aos encantos do meu namorado –As lágrimas já haviam escorrido, levando uma parte de toda a mágoa que eu tinha em mim- E acredite, você foi mais uma. E ele falava tão pouco sobre você... Nem mesmo deve ter sido uma boa foda. –Ela disse, carregando na hora de pronunciar a última palavra, ela olhou bem em meus olhos.
Acho que qualquer coisa teria sido melhor. Não teria doído tanto. As perguntas não paravam de serem feitas. Por que eu? Por que ele? Por que agora? Por que assim? Por que eu me apaixonei? Por que dói tanto? As palavras proferidas haviam entrado dentro de minha alma, a rasgando, dilacerando.
E o que mais dói e pensar que era ele. Ele fez isso. Mas pensando bem, quem é ele? Ele não é quem tinha me dito ser, ele não existiu. O Spencer que eu conhecia, não existia. Eu havia me apaixonado por uma fraude.
Ele me seduziu apenas para me levar para a cama.
Pelo menos, ele havia sido esperto.
–Ok.
–Ok? Só isso que você tem a dizer?
–Sim, -disse, levantando minha cabeça para encará-la no fundo de seus olhos. Tomando uma coragem que nunca havia percebido em mim- eu disse exatamente o que você me ouviu dizer. Um mísero ok.
Posso dizer que ela ficou chocada, não tanto como eu. Porém, chocada ou não, Bessie ficou parada no corredor 3 ao me ver caminhar para fora de sua habitação, boquiaberta com o que havia acabado de ver.
Podemos dizer que essa nova Jéssica, todos gostariam de conhecer. Porém, ela será muito mais forte do que pensam.
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