Aprisionada
5 Capítulo 3
–Oh meu Deus, Spencer! –a garota gemia e eu aterrorizada, observei pela fresta da porta. Com nojo, reparei que a garota estava sem camisa, e Spencer parecia bastante confortável dando atenção aos seus seios. Puto. Saí de lá após de ter confirmado minhas suspeitas, ele levava um “não” de uma garota e partia para a próxima. Acontece, eu acho, no mundo das pessoas bonitas e que amam sexo.
Eu pensava apenas em como eu podia estar brava com ele, como se ele quisesse alguma coisa comigo! O mesmo erro novamente, eu, Jéssica, sempre me apeguei as pessoas, gostava de ter uma amizade boa com todos. Na verdade eu não me apegava loucamente, eu esperava muito delas. Isso sempre, em toda a minha vida, me frustrou. E foi por isso que eu terminei com Clark. Mas isso não vem ao caso.
Desci as escadas e voltei, infelizmente, para o barulho infernal. Pelo menos é música boa. Agora eu apenas ouvia a música Black in Black do AC/DC. Sinceramente, eu amo rock. Ele expressa tudo o que você sente, e sem mais delongas, fui para a pista. Comecei dançar e senti que tudo estava indo embora. Dancei como se não houvesse amanhã. Os estilos de música variavam, mas nunca era uma música vulgar ou fútil, eram músicas animadas e que quando não possuíam um conteúdo ótimo, tinham um ritmo gostoso. Todos lá estavam esquecendo seus problemas, como eu. Estávamos todos dançando ao som de nossas vidas, controlando nossos corpos na melodia harmoniosa, deixando tudo o que nos prendia a algo que não podia ser controlado, ir embora. Fugimos todos para nossos pensamentos e eu percebi, finalmente, que todos ali tínhamos algo em comum: havíamos sofrido. Não era apenas eu. A música foi de um extremo para outro. Agora estava passando Like I can, do Sam Smith. Eu era apaixonada por essa música também, gosto muito da voz do cantor. E não vamos falar da letra, pois eu amo! Eu estava dançando sozinha, rindo, por que meu corpo não se comporta como deveria, eu era descompassada, mas conseguia me virar. Parei de dançar um pouco para pegar bebida, se a sua pergunta é “Nossa, mas você bebe mesmo, hein? Não estava bêbada?” Não. Eu só fico bêbada com bebidas fortes, e até agora eu tinha bebido apenas 2 cervejas, não era muito. Peguei mais uma e me sentei, observando todos dançando, sorri. Eles estavam sentindo tudo o que estavam dançando, euforia, êxtase, dor... Acho isso lindo. Mais uma vez, alguém me abraçou por trás, mas era apenas Megan.
–E aí, gostosa? Vamos para casa? –Ela me perguntou, levemente alterada. Jason iria conosco, poderíamos procura-lo e depois nós iríamos. Expliquei isso à ela e saímos à caçada.
No meio de tantos corpos suados e altos, eu estava perdida. Procurei Jason por todos os lugares, até mesmo no banheiro. E tive uma vista bastante peculiar quando abri a porta do mesmo. Sem detalhes, mas acho que alguém bebeu demais e que terão que lavar o banheiro.
Os quartos agora ao invés de cheios de pessoas enchendo a cara e transando, estavam vazios. Todos tinham ido reabastecer suas bebidas e dançar. Eu era a única no corredor, procurando por J. “J” era o apelido que eu e Megan tínhamos dado para que não falássemos o seu nome completo toda vez que quiséssemos falar com ele. O nome completo é apenas para as broncas.
Abri todas as portas, nada.
Desci as escadas novamente, vendo maior quantidade de pessoas na pista, como lá das escadas havia uma vista panorâmica de todo o perímetro da sala, eu observei minuciosamente, procurando-o.
Ele estava encostado na parede, beijando um garoto. Não tinha problemas com isso (e com isso, digo a homossexualidade), na verdade, tenho muitos argumentos. Irritada de tanto procurá-lo e ele estar lá se divertindo, eu desci o final dos degraus. Chegando perto, puxei-o pela camisa e pedi desculpas ao garoto que estava com ele, que apenas sorriu e falou que me entendia. Claro, após de ter dado um amasso em J.
–Ai menina, como você tá irritada! Alguém não transou hoje... –J disse, ele estava realmente bêbado. Era engraçado e irritante, mas era meu amigo. Então, tive que suportá-lo.
Puxei-o até meu carro, pedi para que ele esperasse lá e fui agora procurar Megan, pois sim, eu sabia que ela não ia se focar em algo e fazê-lo. Não foi muito difícil encontra-la já que a mesma estava dançando, passando a mão pelo seu corpo curvilíneo sem ao menos ser vulgar. Caralho Megan, como tu consegue? Eu encarei-a com um olhar estranho e senti mãos agarrando minha cintura e uma voz perto do meu ouvido, sussurrando:
–Você é lésbica?
–O quê? Não, Spencer não sou! –Me virei, querendo socá-lo, mas ele me atacou com seus lábios, seus lábios tinham gosto de tabaco e tequila, uma combinação interessante combinada ao fato que ele beijava muito bem. Obviamente, eu correspondi ao beijo e ficamos ali, nos beijando no meio da pista de dança, por uns dois minutos.
–Você não tem noção de como estava me deixando louco. –Ele disse, espalhando beijos pelo meu pescoço, arrancando suspiros de mim. –Nem mesmo consegui com que ela me fizesse um broche... E sim, eu vi você e sua cara de nojo lá, nos espreitando.
Me afastei quando me dei conta do que ele tinha falado. O encarei perplexa, vadio do caralho.
–Pois é, ainda bem que não conseguiu se divertir, já que não pega uma e vai correndo procurar por outra! Idiota... –Sussurrei a última parte, me virando para encontrar minha amiga, que estava no mesmo lugar de antes. Puxei sua mão e fomos para o carro. J estava se atacando com o mesmo garoto e eu deduzi que era seu namorado, mas não era a melhor altura para nos apresentarmos.
–Bom, eu mantive-o ocupado enquanto você procurava sua amiga. –O garoto loiro de olhos escuros disse, depois de ter parado de beijar J.
–Muito obrigada, de verdade. –Disse, dando um leve sorriso. Coloquei as duas crianças e deixei Jason em sua casa. Ao chegarmos em casa, Megan foi direto se deitar. Eu preparei tudo para o dia seguinte, aspirinas, filmes, pipoca, cobertas... O dia após a ressaca de Megan, era depressão. Ela assistia vários filmes de romance e chorava na maior parte deles, ficava com uma dor de cabeça infernal e se escondia de baixo das cobertas. Ri, ao lembrar da última vez que isso tinha acontecido.
Ela tinha acabado de terminar com o namorado e tinha saído para beber comigo e com Clarisse, uma amiga de muito tempo atrás. Falando nisso, não falo com ela há mais ou menos 5 anos! Esqueci da Clare, ops.
E ela estava destroçada, ela bebia e chorava, falando que queria esmagar as bolas do garoto, que ele era nojento e ridículo. Ela bebeu tanto que tivemos que tirá-la de lá. Ela pelo menos, não causava confusão.
No dia seguinte à sua bebedeira, ela ficou na cama, assistindo uma quantidade incrível de filmes e chorando. Nos intervalos, até quando havia uma piada... Era até mesmo engraçado, mas eu não podia rir, era minha melhor amiga nua depressão-ressaca.
Já que não estava cansada, arrumei a cozinha e fiquei pensando sobre o ocorrido de hoje mais cedo na festa. O que pensar sobre Spencer? O gosto dele era bom, ele sabia como controlar uma mulher. Naquele momento eu senti alguma coisa, apesar de não saber o que era. Eu queria aquilo. Com aquele menino. Deveria me sentir bem ou com raiva de mim mesma, por ter concedido para ele o que queria? Aquilo estava me deixando altamente frustrada, portanto apenas tirei minha roupa, tomei um banho e fui deitar. Quando estava prestes a dormir, meu celular toca.
–Alô? –Eu disse, numa voz rouca.
–E aí, gata frustrada? –Disse a mesma voz que havia roubado meus pensamentos por quase uma hora.
–Primeiro: vai tomar bem no meio do seu cú, e segundo: o que caralhos você quer? –Disse, já irritada, soltando um suspiro de reprovação, ele riu com o som do mesmo e eu sorri, sua risada era gostosa, melodiosa.
–Bom, seu amigo, o Jason, bem, ele é meu vizinho. Ele meio que quebrou a minha janela. –Ele disse, segurando a risada.
–O QUÊ?- Eu gritei, tirando um alto gemido desaprovação e dor de minha melhor amiga que estava no quarto ao lado. Provavelmente Spencer ouviu, já que ele começou a gargalhar. Eu comecei a rir junto com ele, não sei nem mesmo o motivo, mas era melhor rir do que chorar, então, vamos rir!
–Sua risada é muito gostosa, você deveria rir mais vezes. –Disse, parando de rir.
–E você deveria parar de ser um canalha mais vezes. –Eu disse, sem piedade, mas com um certo divertimento.
–Bom, eu vou tentar só por que você parece ser legal. Agora, seu amigo está estatelado no chão, seria incômodo você vir retirá-lo de minha grama? –Ele disse, soltando um riso fraco e contido no final da frase.
–Merda, tô indo. –Disse, e encerrei a chamada, com um sorriso bobo estampado no meu rosto e fui socorrer meu amigo bêbado.
Fale com o autor