Aprisionada
4 Capítulo 2
Após mais ou menos 30 minutos de espera, ouvi a campainha tocar e sai correndo do sofá. Meg estava tomando banho e eu obviamente, estava sentada no sofá, estralando os dedos, pescoço... Digamos que eu estava loucamente nervosa.
–Jason! –Disse, dando um pulo e encaixando minhas pernas em volta de sua cintura, enchendo seu rosto de beijinhos –Você veio, seu cagão!
–Claro que eu vim né amore? Acha que ia recusar comida, abrigo e amigos de graça? –Ele disse, entrando em casa e já se sentindo a vontade, jogando seu casaco, mala, tudo no sofá. –Então, e cadê a garota que você quer me mostrar?
–Ai. Meu. Deus! Você é o Jason? –Megan chegou com uma toalha no corpo, seus cabelos caindo pelos seus ombros.
–Sim! Você é a Meg né? Garota, você é linda! –Ele falava, definitivamente admirado pela beleza de minha melhor amiga. Meg, como sempre, não se incomodava em receber elogios e estava sorrindo como uma boba, como se Jason fosse um unicórnio.
–Ok,ok! Já chega, Meg, pare de ser linda e Jas, pare de ser gay amistoso! –Todos estavam rindo, por que sabíamos que nos daríamos muito bem.
A noite passou rapidamente, falamos sobre tudo e até mesmo eu estava curtindo, até que o assunto chegou numa parte que eu não gostava.
–E aí, Jess... Algum garoto na parada? –Até então Jason já sabia que eu era virgem, mas que queria acabar logo com esse “rótulo”, que queria aprender a viver do jeito que merecia.
–Hm, nenhum por enquanto... –De repente a imagem de Spencer me veio à cabeça e me repreendi por achar que aquele garoto poderia ser “o escolhido”. Mas se bem que ele é lindo, não é muito popular... Pare! Não, ele não, ele parece ser um garoto muito sério para topar isso comigo. –Na verdade tem um garoto, ele é lindo, tem olhos lindamente azuis, pele clara, músculos, cabelos negros e um sorriso maravilhoso, mas ele parece-me ser um cafajeste. Eu o encontrei um dia desses aí, e bom... Senti uma coisa que não tinha sentido antes e me parecia diferente e até mesmo boa...-Queria, obviamente, acabar de falar o que tinha sentido, mas aquelas duas pragas resolveram me interromper, os dois com os olhos vidrados em mim, como se eu fosse uma raridade.
–Tesão! –Gritaram os dois em uníssono, me fitando com sorrisos estampados em seus rostos.
–O que? Não, não deve ter sido não... –Eu tentava desviar o que estava acontecendo, minha vergonha; por que realmente achava que não tinha sido tesão. –Olha, está bem, ok? Talvez eu tenha ficado levemente excitada pela sua voz e seu olhar... Talvez. –Disse, sorrindo como uma boba.
Após nossa conversa, eu já não estava mais na Terra, estava pensando naqueles lábios, naqueles olhos, naquele toque, naquela voz, naqueles músculos... Eu não parava de pensar nele, e eu escolhi. Ele seria meu primeiro.
Quando era pouco antes das 2:30, fomos todos dormir, haveria festa no dia seguinte e deveríamos comprar roupas apresentáveis. Quem sabe?
Acordamos mais cedo e fomos ao shopping, no primeiro andar encontravam-se roupas para formaturas, coisas caras e chique, para ser mais específica. Sempre dando uma olhadela cá e outra lá, nós nos deparamos com um vestido que ficaria simplesmente perfeito na Megan, ela, sendo inteiramente clara e ruiva, ficaria maravilhosa nesse vestido azul marinho de paetê. Ele era curto, mais ou menos uma mão acima do joelho (quem compraria algo assim para ir num casamento ou numa formatura? Ninguém? Ok, ok.), possuía um belo decote na parte de trás e um decote pequeno em “v” na parte da frente, não haviam mangas e ele assentava perfeitamente em seu corpo. Menos um vestido para ser comprado. Sinceramente? Eu estava com preguiça e nem mesmo sei por que gostaria de ir nessa festa, mas lá fui eu, olhando para os vestidos de uma maneira um tanto quanto desesperada.
Na última loja (sim, na última!) encontrei um vestido perfeito para mim, era preto, pouco colado e com um decote até a cintura na parte de trás, a parte da frente era uma espécie de gola que chegava até o pescoço. Gastei um pouco do meu dinheiro, mas resolvi que ia nessa festa para arrasar. Foda-se se eu não ia curtir.
Nos arrumamos, os cabelos e maquiagem impecáveis. Meia hora antes da festa, Jason já nos estava esperando. O motivo de estar narrando minha tarde dessa maneira é porque eu não estava pensando em nada, estava encanada com aquele garoto que tinha me deixado abalada na escola, perguntando-me inconscientemente se ele estaria na festa. Dane-se.
O lugar era imenso, um casarão branco de quatro andares, a música nos fazia gritar para nos comunicarmos, portanto, permanecia calada. Passava-se a música Come a Little Closer da banda Cage the Elephant , e eu cantarolava junto com algumas pessoas. Os indivíduos que me trouxeram aqui, já estavam dançando no meio da pista, com um copo vermelho na mão de cada um. Pensei no que eu poderia fazer, eu era uma pessoa solta, daqui a pouco tempo eu iria para a pista, mas primeiro... Uma bebida, definitivamente. Me dirigi à cozinha, haviam poucas pessoas lá, portanto estava calmo e até mesmo, mais silencioso. Considerei a hipótese de ficar lá durante a festa, estava pegando uma garrafa de cerveja, quando alguém pega minha cintura e me vira à seu encontro, pressionando-me contra o balcão.
–Não pensei que te veria aqui, mas agora pelo menos, tem um motivo para ficar nessa festa. Então, Jéssica? Como você está? –Ele estava com seus lábios perto de minha orelha e mordiscava-os, fazendo-me soltar pequenos suspiros e sem ao menos perceber, meus braços estavam prendendo sua cintura à minha. –Está ansiosa, é? –Disse, agora, espalhando beijos pelo meu pescoço. Reunindo toda minha coragem e meu bom-senso, virei seu rosto para o meu, e aproximei-nos ainda mais, mesmo ainda sem tê-lo tocado. Seu olhar queimava, seu desejo parecendo que nos faria entrar em estado de ebulição, ambos estávamos ofegantes e parecia que não nos conseguíamos distanciar.
–Acho que o único apressado aqui, é você Spencer. Agora, eu vou beber, se me der licença. –Ainda estava ofegante, meus olhos ainda presos no dele, que me olhavam com uma intensidade antes não conhecida. Mordiscava meu lábio inferior, não para provocá-lo, mas para não deixar transparecer minha tensão. Ele lambia seus lábios e os meus instintivamente, quiseram juntar-nos, mas eu fui mais forte.
Separei-me de seu aperto, peguei uma cerveja tremendo, e sai da cozinha. Antes de sair, olhei para trás e o vi lá, olhando para mim com um sorriso no rosto, sorri também e senti meu trabalho cumprido. Peguei minha cerveja e fui me sentar em um dos sofás, um pouco mais afastado de toda a multidão que se encontrava na sala de estar. Depois de uns bons 5 minutos sem fazer nada, senti alguém se sentar ao meu lado, olhei de relance e bom, não puxei papo.
–Oi, prazer, meu nome é Dominicc, tudo bem? –O garoto perguntou para mim, e fui obrigada a me virar para ele. Examinei-o, ele era um garoto muito bonito, mas nada comparado a Spencer. Por que eu estou comparando-o com Spencer? Respondi da maneira mais simpática que consegui, depois de me punir mentalmente por ter feito o que fiz. Comparei-o ao Spencer, idiota.
–Tudo sim, eu sou a Jéssica, prazer. –Disse, esticando minha mão para ele. Ele a alcançou e beijou-a. Fiquei ligeiramente impressionada por ele ter sido fofo comigo, mas isso acontece quando caras querem uma transa. Aproximou-se de mim, e disse palavras que me fizeram corar na hora:
–Prazer é o que eu vou te dar toda a noite, se você me permitir. –Disse num sussurro, e eu rapidamente neguei. Não seria com ele que eu iria perder minha virgindade. Por que não? Eu simplesmente senti que não rolou desejo por minha parte.
–Hm, não precisa, eu... –Pensei numa desculpa incontestável, e lembrei-me de Jason- Estou acompanhada, sinto muito.
–Com quem, posso saber?
–Comigo. –Nesse momento, Spencer apareceu atrás de mim e me abraçou, apoiando seu queixo na minha cabeça, já que eu estava sentada. –E hoje, quem vai dar-lhe prazer, sou só eu. –Ele disse, também sussurrando em meu ouvido, mas era audível, pois o garoto assentiu e saiu do sofá. –Te salvei.
–Quem disse que eu não queria transar com ele? -Perguntei, desafiando-o.
–É. Afinal, você está acompanhada, não é mesmo? –Ele me enfrentou, rindo, pois sabia que eu era solteira.
–Eu estava fazendo-me de difícil, seu palerma. –Disse, num revirar de olhos.
–Percebi...
–Vai a merda, Spencer. –Disse e deixei o local, resolvi andar pela casa e conhece-la.
Era realmente enorme, demorei uns 15 minutos para achar o banheiro, já que a cerveja me deixou com vontade de urinar. Quando o achei, fiz minhas necessidades e saí. Ao andar pelos corredores, ouvi uma voz gemendo e abri a porta, apenas para confirmar minhas suspeitas.
Puta que pariu, viu?!
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