Aprisionada
15 Capítulo 12
–Oi gente, como vocês estão? –Perguntei, já ocupando o lado direito de Jason, próxima à Emmy. Todos me olhavam ligeiramente boquiabertos.
–E-Estamos bem, Jessie. –Disse a vaca intitulada por Emmy. Se eu sentia raiva? Sinceramente, não sentia mais. Apenas sentia dó. Dela. Do Spencer nem mesmo dó eu sentia, adoraria ouvir sua explicação para tudo o que ele fez, mas raiva... Não era algo que eu gostasse de sentir, portanto eu mudava esse meu sentimento para algo um pouco mais... Impactante. Seja apenas um sentimento ou uma palavra, precisava ter um impacto em mim. Pois raiva é o que a gente sente quando furam a fila na nossa frente, quando nos provocam... A raiva é algo muito usual. Para mi, há uma infinidade de outros sentimentos muito mais humilhantes e poderosos que a simples raiva.
–E... Como você está indo? Faz tempo que não nos vemos... Alguma novidade? –Perguntou Megan, olhando para mim com o mesmo sorriso no rosto, ainda feliz. Eu me sentia tão bem pelos meus amigos estarem lá comigo... Poderiam fazer o que quisessem, ainda são meus amigos, mas meus amigos também têm seus amigos; me sentia extremamente bem estando lá, em parte confrontando Emmy.
–Estou ótima, desapareci por uns tempos mesmo... Estou com um novo programa de estágio no Augusteous, trabalhando nas horas vagas para o mesmo hospital... Estou levando a vida.
–Nossa, isso é muito legal... Mas só para saber, seu estágio é de que dia no Hospital? –Perguntou Spencer, olhando empolgadamente para mim. Estava com saudade de sua voz.
–De Segunda, terça e sexta...
–Então você é o gênio da Sra. Harbel! Acho que vamos estagiar juntos, arrumando os documentos e cuidando dos pacientes... –Ele disse, com os olhos levemente cerrados. –Podemos dizer que será... Divertido.
Essa última parte ele tinha dito com um sorriso divertido, levemente malicioso, o qual eu respondi com um olhar da mesma maneira e uma mordidinha de leve nos lábios. Seus olhos encontrara minha boca e ele fechou os lábios, lentamente engolindo a seco.
Seria pouco dizer que me lembrei de todos os orgasmos que atingi, era horroroso começar a transar, depois que você começava e se viciava na pessoa era extremamente difícil ficar sem ela. Não me viciei em sexo, me viciei em Spencer; e posso dizer que estou com uma leve crise de abstinência. Sinto saudade de seus beijos, de seu toque... Sinto saudade dele. E sim, tive que me controlar para não pular em seu pescoço.
–Sim, de fato será difícil, aliás, temos muito o que conversar. –Disse, endireitando minha postura e acidentalmente, ficando tensa. Não sei o que me fez ficar daquela maneira, creio eu que foi a lembrança de tudo o que ele me fez passar; mas ainda assim: acho que gostaria de ter um pensamento diferente, gostaria de não ser capaz de perdoar a pessoa que eu amo apesar de ela ter errado. Gostaria de poder cobrar isso dele, e me incomoda saber que não consigo. –Então, estou indo para a aula... Nos vemos, então.
–Espere! Estamos indo para a mesma aula, vou contigo... –Spents disse, recolhendo sua mochila do chão e dando um leve sorriso para Meg e Jason. Já para Emmy, ele deixou um beijo nos lábios. Senti meu coração apertar e meu rosto avermelhar devido a ira e a indignação.
Esperei que ele se despedisse de sua namorada e seguimos para a sala de aula.
–Temos muito o que conversar. –Disse ele, na metade do corredor.
–Aham... –Respondi no automático, minha cabeça ainda presa na cena a pouco.
–Você está bem? –Perguntou Spencer, quando eu respondi. –Você parecia mais feliz uns 2 minutos atrás...
–Estou ótima, Spencer. Boa aula. –Disse, chegando na porta e adentrando a sala.
O dia havia sido corrido, fui no estágio, trabalhei um pouco mais com os pacientes, conversei com a Sra. Phelps, que aliás estava me dando muitos conselhos e prossegui com meu dia.
Anastacia Phelps era uma senhora de 70 anos de idade, que adorava uma conversa fiada. Deixava sempre seu quarto por último, pois passava horas falando com ela. Toda vez que lá chegava, era recebida com um sorriso enorme no rosto, que até mesmo me assustava. Uma coisa que havia aprendido com a Sra. Phelps era que independentemente da nossa situação, devemos continuar sorrindo, e em parte, ela me ajudou demais na minha “transformação”. Ela estava com câncer, ele estava evoluído e as chances de ela sair do hospital antes de morrer eram nulas.
Já havíamos chorado vezes sem conta, com medo do que tudo nos reservava. Ela, apesar de ser uma pessoa extremamente positiva, também tinha seus momentos de fraqueza, ela não era diferente de ninguém, também tinha medo da morte, também odiava encarar tudo o que a vida reservava para ela. Anastacia uma vez me disse quando eu falava sobre Spencer “Sabe, você pode amar esse garoto, mas ele também é humano. Tente perceber que todos erram. Depende apenas se ele se arrependeu por seu erro”. Aquela frase me chocou de maneira tão grande que quando cheguei em casa, fiquei horas chorando.
Na quarta-feira a tarde, fui estudar um pouco na biblioteca da faculdade, porém, no caminho fui agarrada por alguém. Fui prensada na parede e uns lábios encontraram os meus. Não eram simples lábios, eram aqueles lábios, eram aqueles braços me prendendo na parede e me obrigando a sentir todo aquele misto de emoção. Era a mesma pessoa, era a única pessoa na verdade, que eu queria sentir.
–Não estava mais aguentando ficar sem você... –Ele disse, continuando a me beijar, seus olhos estavam abertos, observando meus olhos claros. –Precisava tanto te sentir... Mas espere –Ele parou o beijo e encostou sua testa na minha –primeiro, eu preciso te explicar tudo o que aconteceu.
Não queria ter ciúmes dele, não queria estar tão dependente desse idiota que quebrou meu coração, não queria me importar com suas ações e com o que ele pensava de mim. Não queria ter amado o gosto dele nos meus lábios, não queria ter amado suas mãos novamente no meu corpo, não queria ter amado sentir nosso calor se misturando, não queria de forma alguma ter sentido todas as emoções das quais, infelizmente, já estava viciada, não queria ter caído em tentação, não queria ter correspondido aos beijos e aos toques, não queria ter explorado mais uma vez todo seu peitoral, não queria ter ficado com aquele gostinho de mais e principalmente, não queria estar fodidamente apaixonada por uma pessoa que me fez sofrer.
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