Aprisionada
7 Capítulo 5
Assim como eu, muitas pessoas me perguntaram como eu pude confiar tão facilmente em alguém que havia conhecido há tão pouco tempo, a verdade é que eu realmente não sei. Sabe quando alguma coisa forma na sua cabeça e você sente que aquilo apesar de ser precipitado, é correto? Pois, foi exatamente assim que me senti quando acordei pela manhã do dia 14. Sinceramente? Não havia me arrependido de nada, e provavelmente não o iria fazer, aquele garoto era maravilhoso, além de expressar uma serenidade lascada. Sabe aquela pessoa que de tão bem consigo mesma simplesmente chama atenção? Spencer era desse jeito. Não era apenas por sua beleza acima do normal, também era por toda a suavidade que ele carregava; ele poderia ser um machista dos infernos, um tarado putamente gostoso, mas ele era bom. E você podia sentir aquilo, era incrível! Eu nunca acreditei naquele papo de “aura”, mas ele definitivamente tinha uma aura reconfortantemente boa.
Ao abrir meus olhos, me deparei com uma visão majestosa: um garoto musculoso, de pele branca, olhos azuis como o mar e nú. Ressalto o “nú” porque foi provavelmente a visão mais magnifica que tive em toda minha vida. Às vezes eu me pego pensando como seria se eu fosse um homem. Seria putamente depravada, mas continuemos...
O Sol entrava pelas frestas de sua cortina, dando ao quarto um ar aconchegante. Passei meus dedos levemente por suas costas, já que Spencer se encontrava virado de costas para mim. Reparei também em seus pormenores, todas as suas pintinhas, dando uma segunda coloração para suas costas claras... Peguei-me sorrindo com meu ato, pois ele se arrepiou inteirinho. Espalhei beijos por toda sua clavícula e fui descendo, beijei seus ombros despidos enquanto deixava minhas mãos agirem livremente sobre seu peitoral descoberto. Aquilo era tão bom, estava em paz com tudo e com todos a minha volta.
–Hm... Jess, bom dia. –Disse com a voz rouca por ter acabado de acordar, e por Deus se aquilo não era extremamente sexy...
–Bom dia Spents. –Beijei sua bochecha e num impulso me levantei. Estávamos ambos nús, portanto recolhi minhas roupas que estavam espalhadas por todo o cômodo e adentrei o banheiro, apesar de não ter nenhuma escova de dente lá, nem minhas maquiagens, nem uma roupa menos extravagante; tive que me virar com o básico.
–SPENCER? –Gritei, abrindo uma fresta da porta do banheiro e vendo-o ainda estirado no colchão. Soltei uma risada franca e natural, e o vi se virar para mim, abrindo um só olho e fazendo um bico imensuravelmente atraente e ingênuo. “Vamos lá, quem é a mulher dessa merda?” Rebateu meu subconsciente. –Sua coisa, eu preciso de toalhas, e se possível de uma escova de dentes. As roupas eu acho que me viro, pode fazer o favor de se levantar e ir pegar tais coisas para mim? –Disse, rindo, já que sua cara estava roda amassada. Nunca pensei que poderia me deparar com uma visão tão acolhedora como aquela pela manhã.
–Sim senhora, mas antes, acho que sexo com água é uma boa. –Ele disse, se levantando, me dando total visão de seu corpo definido. Ele saiu correndo em minha direção, estávamos rindo como bobos, senti minha barriga dar voltas e quando percebi o que acabara de acontecer, entrei para dentro do box. Ele queria transar comigo debaixo do chuveiro?! Nananinanão... Spencer iria apreciar a vista como um bom garoto.
Entrei dentro do box e quando o vi se aproximar com um sorriso travesso estampado no rosto, o barrei.
–Não entre ou eu juro por tudo que não te faço gozar! –Ele parou na hora e me olhou estupefato. –Sente-se na mesa.
Seu banheiro era grande, havia uma pia do lado direito da porta, juntamente com o box. Do lado esquerdo, se encontravam uma mesa, onde ele guardava provavelmente coisas de sua higiene pessoal e as repartições do vaso sanitário e lavatório.
–Você, dessa vez Spencer, vai se divertir sozinho. Não poupe sua voz. –Liguei o chuveiro sob o olhar faminto do homem que me olhava com suas grandes esferas azuladas. Peguei o sabonete líquido e espalhei por minhas mãos, comecei passando as mãos pelos meu braços e pescoço, tentando ao máximo parecer desejável. Olhei de relance para a pessoa que se encontrava a minha frente e o vi massagear seu membro ereto, deixando pequenos suspiros saírem por dentre seus lábios. Sua glande estava inchada, portanto quer dizer que eu estava fazendo um bom trabalho!
Continuei passando o sabonete por todo meu corpo, dando atenção especial para meus seios, e arfando várias vezes por estar altamente excitada. Nossos gemidos de adoração eram o único som além da água. Virei de costas para ele e passei sabonete por meu bumbum, massageando e apertando-o. Imaginando Spencer fazer aquilo em mim, me fazia gemer seu nome consecutivamente.
–Oh, Jess... –Ouvi e aquilo foi a deixa para eu começar a me sentir extremamente necessitada. –Estou quase...
Sai do box e num impulso, sentei por cima de seu membro, fazendo nossas peles chocarem e aumentar nosso desejo.
–Rebola. –Ele disse num tom severo e autoritário, carregado de desejo. Assim fiz e por Deus, como aquilo era bom. Seu membro alcançava pontos especiais em mim, me fazendo gemer loucamente, enquanto seus lábios atacavam os meus com selvageria. Suas mãos acariciavam meus seios e pressionavam meus bicos intumescidos, me fazendo ir as alturas...
Os movimentos eram rápidos, o prazer já não era mais controlável. Meu nome proferido repetidamente por seus lábios soava como uma prece, como se aquela palavra fosse sua salvação para tudo o que estava acontecendo, como se seu único vício fosse meu corpo e sim, morreríamos de overdose um pelo outro.
Atingimos o ápice juntos e repousei meu corpo sobre o dele. Nossas respirações descontroladas e corações batendo freneticamente eram música para meus ouvidos.
–Você me deixa louco, Jéssica... Você é tão apertadinha, tão gostosa, tão linda... É possível não me sentir duro toda vez que chego perto de você? Por que se for, me diga, porque está sendo difícil para eu aguentar... –Ele disse entre risos e lançada em seus braços, me senti estranhamente livre.
Não havia mais barreiras, me sentia tão mal por ter sido alvo de algo inútil, alvo de uma pessoa que apenas pensava em transar e brincar com os sentimentos do outro... E toda aquele sentimento ruim que acordava e dormia comigo todas as noites desde aquele dia, há dois anos atrás, havia evaporado. Era tão bom me sentir livre, apesar da prisão que me cercava toda vez que pensava naquilo. Afastei meus pensamentos sombrios e percebi que havia mais coisas boas do que coisas ruins. Fitei o homem que me observava, enquanto acariciava minhas costas nuas e molhadas de suor e água.
–Obrigada. –Disse, sinceramente e vi um sorriso maravilhoso estampado em seu rosto. –Por tudo.
–Se algum dia você quiser me contar o que aconteceu para você ter demorado tanto para ter perdido a virgindade, sabe que pode contar comigo. Somos amigos, ok? E além disso, -Ele disse, batendo em meu bumbum e me obrigando a sair de seu abraço, coisa que não fiz sem antes soltar um gemido de desaprovação. Levantamos e ele saiu do banheiro. –precisa me apresentar para seus amigos! Desliga esse chuveiro, não podemos acabar com a água do mundo cada vez que formos transar no banho. Mas sabe, -Ele disse, colocando suas mãos em seu queixo, como se estivesse concentrado, pensando em algo –Eu conseguiria viver sem água.
Gargalhamos e eu logo me vi falando de meus amigos, enquanto colocava minha roupa íntima e pegava uma roupa de Spencer no closet de Spencer. Tagarelava sobre tudo o que fiz desde o dia em que conheci Meg, e ele me olhava curioso. Quando tinha acabado de me trocar, seus olhos percorreram meu corpo e ele sorriu.
–E foi assim, que Megan resolveu que eu era um rinoceronte sem “chifres”. –Disse por fim, explicando uma de nossas brigas sem motivo racional. Ele ria como uma criança, e aquela paisagem era realmente bonita. –Preciso ir para casa, Meg vai me matar. De verdade. Eu vou pegar um táxi antes que... –Fui interrompida por sua voz alta e mandona.
–Mas nem sobre meu cadáver que você vai pegar um táxi! Eu te levo, para de graça, sua besta!Mas é idiota mesmo... –Ele disse, de uma maneira brincalhona, batendo com sua mão em sua testa e fazendo um estalo.
Eu não sabia se havia mesmo algum sentimento entre nós, me sentia bem e não queria que aquilo passasse. Tinha total consciência que era apenas sexo. Não era amor, e particularmente, apesar de ser apaixonada pelo amor, nem tinha mais certeza se ele existia. A semana passou-se basicamente entre risos, piadas de duplo sentido e xingamentos. Ainda éramos os mesmos, eu o xingava e o batia, ele me xingava e caçoava de minhas coisas de garota. Parecíamos amigos de infância e fiquei ainda mais feliz quando ele se juntou para nosso “grupo”.
–E então... Oi. –Ele disse tímido quando chegamos a mesa em que nossos amigos se encontravam. Os 2 pares de olhos intimidantes de Jason e Megan pousaram em Spencer, fazendo-o arregalar os olhos. E eu comecei a gargalhar da cena. Os dois riram ao ver o medo de Spents e apontaram para duas cadeiras laterais na mesa em que estavam, sentei, e comecei a ser bombardeada de perguntas pelos meus amigos, enquanto o homem que estava a minha frente me olhava divertido. Depois de alguns milk-shakes deixamos o Starbucks e fomos para uma praça, onde ficamos conversando até começar a cair o maior toró.
Não sei bem quando comecei a me sentir diferente em relação ao Spencer, não sei se foi desde a primeira vez que o vi sentado naquele banco, rodeado por árvores que ressaltavam sua beleza, ou se foi na festa... Não foi intencional. Tenho plena consciência de que quanto mais tentava entender que Spencer era meu amigo, meu subconsciente me atirava coisas na cara, como o fato de ele ser carinhoso. Como o fato de ele ser um ciumento do caralho. Como o fato de ele ter me acordado com beijinhos e café da manhã na cama... Sei que esse sentimento ficou escondido e eu nem mesmo notei sua presença nos primeiros meses de nossa “amizade com benefícios”, mas ter não só seu corpo, mas sua presença, fez tudo ficar mais bonito, como se eu não tivesse vivido por anos, e só naquele dia, quando meus amigos me abandonaram numa festa cheia de gente esquisita eu me senti viva. Percebi que todos os esquisitos que estavam naquela festa, estavam perdidos como eu, tentando localizar seus espaços no mundo, na vida... Por que se apenas o destino der suas cartadas e nós não fizermos uma jogada digna de vencedor, então nem deveríamos ter entrado no jogo... Eu realmente não sei se isso fez sentido, mas fico feliz cada vez que vejo que muitas coisas ruins me fizeram quem eu sou. Quando estamos aprisionados, é difícil voar sem ajuda. Quando há uma nó que te prende, uma cela que te impede de deixar o lugar de onde você se encontra, é impossível sair. Eu agi assim durante minha vida inteira, até que aprendi a desatar nós e procurar chaves. Prisão não era mais algo que eu deveria me preocupar.
Às vezes eu olho para trás e vejo como tudo poderia ser diferente.
Como eu poderia ser diferente.
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