Notas iniciais
Passaram a noite unidos, unidos por um elo mais forte que tudo, o amor, o amor que surgia de pouco em pouco, mas ainda sim amor.
A noite passou como um raio, clara e muito rápida ou será a ansiedade que não os deixou dormir? Naquela manhã, Ivana despertou muito mais cedo que de costume, ela queria estar realmente maravilhosa. Com um banho rápido, ela deixou a casa e foi para o seu ‘Dia de rainha’, quanto mais cedo, melhor.
O dia passou voando, entre cabelo, maquiagem, unhas e tudo que uma verdadeira rainha têm direito. Isabel, como mãe prestativa que era, ficou todo o tempo ao lado de sua filhinha; O carinho trocado por elas nunca foi tão intenso como aquele. O cabelo receberia um grande coque, no alto da cabeça, e uma trança foi feita para deixá-la ainda mais charmosa, a franja foi escondida e isso deixava seu olhar mais iluminado. A maquiagem perolada deixava-a ainda mais clara e brilhante, era a noiva dos sonhos. Enquanto a noiva era consentida, José Miguel era arrumado por sua mãe e seus amigos, Horácio, Juan e Sabino. Embora não houvesse nada de extraordinário em seu terno, ele estava realmente deslumbrante.
– Estou bonito para a mulher mais linda do mundo? – Perguntou ele, voltando-se para os rapazes.
– Não se iluda, homem, você não é bonito. — Respondeu Horácio, em meio as gargalhadas. – Ei, já não era para estarmos na igreja?
– Sim, vamos, me levem.
Apressados eles deixavam a casa, Leonor estava orgulhosa, finalmente poderia entrar na igreja com seu maior bem. Enquanto isso, Ivana se admirava no espelho do salão e já com o vestido, o cabelo recebia o toque final, que a deixaria ainda mais linda, o véu. Na teoria, ele significa pureza, mas para ela o que importava não era a pureza do corpo e sim a da alma. Esse véu foi pauta de muitas conversas entre ela e José Miguel, até mesmo Isabel veio palpitar. Ela estava realmente distraída, quando ouviu gritarem seu nome:
– Ivana! – Era Valentina, a moça estava vestida com um longo vestido de festa, a cor lilás realmente a deixava muito bonita.
– O que faz aqui? – Perguntou Ivana, voltando-se para ela.
– Vim te pedir perdão, prima, por favor. – Disse ela, afagando as mãos da noiva, que a fitava com dúvida.
– Perdão por quê? E qual é o porquê disto agora?
– Ivana, fomos criadas juntas, como irmãs, estive em todas as suas festas de aniversário, sua formatura, em momentos importantes para você. Você me contava seus segredos, suas dúvidas, seus desgostos e até arrependimentos. Estive presente em todos os momentos de sua vida, e no mais importante eu não poderia faltar, é seu casamento, irmã! Ivana, só quero que entenda, a vida tentou nos separar, mas o laço que temos nunca será cortado, não importa com quem se case, a sua felicidade, para mim, vem antes mesmo da minha, você se lembra de uma vez em que eu disse que te amaria de qualquer jeito? Então, é por isso que estou aqui, eu te amo, minha irmã.
Sem dizer nenhuma palavra, Ivana apenas a abraçou. As duas choravam como crianças, a ternura daquele abraço era mágica, talvez fossem aquelas palavras que Ivana precisava para que pudesse ser feliz nessa nova fase.
– Também sempre estive na sua vida, irmãzinha, lembro de quando eu te via no berço e sempre perguntava: — Mamãe, posso brincar com ela? Sempre me respondiam não, mas eu esperava ansiosamente para que pudesse brincar comigo. Sempre te amei, Valentina, afinal você é minha única prima-irmã. Todas as vezes que te fiz chorar não foram por mal, mas eu não podia evitar, eu tentava me vingar de você por algo que não fez intencionalmente, eu precisava aceitar, você é melhor que eu e ponto.
– Não, Ivana, não sou melhor que você. Tive um conversa com o José Miguel há quase um mês atrás e ele me disse coisas que na hora me feriram, mas depois compreendi e concordei. Por meus caprichos, você foi ficando cada vez mais distanciada de sua mãe, você nunca foi uma criança de chorar em público, de dizer o que sentia, sempre sofreu só. Te admiro, Ivana, de verdade, eu não aguentaria, mas sempre escondeu sua tristeza atrás desse lindo sorriso. – Disse Valentina, beijando-a nas bochechas.
Elas conversavam tranquilamente, quando a dona do salão as interrompeu.
– A noiva está atrasada, vamos, você ainda vai se casar! – Em meio as gargalhadas elas entraram no carro, conversaram mais alguns minutos, que era o tempo de chegar até na igreja, e durante esse tempo, Ivana pediu para que Valentina fosse madrinha, sem hesitar a moça aceitou, assim sendo madrinha com Horácio que estava sem par.
Com quinze minutos de atraso a noiva chegou, não perdeu o glamour em sua entrada. Sem pai ou homens mais velhos, Ivana entrou sozinha. Quando a valsa nupcial começou a tocar, os olhares voltaram-se para a porta. Por incrível que pudesse parecer, a cerimônia estava cheia, nem tanto pela noiva, já que muitos a odiavam, mas sim por sua mãe e o noivo.
O curto trajeto percorrido por ela parecia não ter fim, a ansiedade parecia a corroer. Com um largo sorriso, José Miguel a esperava no altar, cheio de amor e carinho. O buquet de rosas brancas repousava nas mãos delicadas de Isabel, que entregava à José Miguel seu bem mais precioso.
– Como demorou! Aconteceu algo? Achei que não viria. – Sussurrou ele, em seu ouvido.
A resposta foi apenas um sorriso, assim deixando-o mais aliviado. Como o padre Ventura gostava muito de José Miguel e de Isabel, realmente caprichou no discurso, deixando-os ainda mais ansiosos para dizer ‘sim’ e para os votos.
– Podem dizer os votos.
– Ivana, ah, minha Ivana, como te amo! Há coisas na vida que não explicamos, não entendemos e muitas vezes nem nos questionamos o porquê. Amor, imagine, uma palavra tão curta para algo tão complexo e lindo. Às vezes achamos que é impossível de senti-lo, mas não, ele nasce e assim se eterniza. Eu te amo, Ivana e te amarei até os últimos dias de minha vida.
– Quando eu pensava em me casar, achava que seria com um príncipe e eu seria a princesa. Teria um rei para me levar ao altar e eu seria a mulher mais feliz do mundo. E não é que deu certo? Hoje me caso com um príncipe, cheguei até aqui com um rei, que embora não tenha pego em minha mão está comigo sempre, esse rei é nosso rei, o elo que nos unirá por toda a eternidade, nosso filho, talvez seja uma rainha, mas enfim, hoje posso dizer que sou a mulher mais feliz do mundo. Eu te amo, José Miguel e todos os dias repetirei, para que nunca esqueça, te amarei por toda a eternidade.
Emocionados, eles entrelaçaram as mãos, enquanto o padre terminava a frase.
– Ivana Dorantes Rangel, aceita José Miguel Montesinos como seu legítimo esposo?
– Com toda certeza do mundo, padre.
– José Miguel Montesinos, aceita Ivana Dorantes Rangel como sua legítima esposa?
– Como não aceitar, padre?
– Então eu vos declaro marido e mulher.
Eles foram ovacionados enquanto se beijavam, a paixão e amor eram sentidos a quilômetros de distancia. Valentina que estava no altar junto a Horácio chorava como um bebê, embora tivesse feito as pazes com Ivana, é difícil perder quem se ama.
– Está tudo bem, La vi... Valentina?
– Tudo sim, Horácio, só estou com dor de cabeça, mas daqui a pouco passa.
Embora Ivana tivesse dito que não queria chuva de arroz, eles foram jogados, deixando-a brava, mas ainda sim estava muito feliz para fazer qualquer coisa.
Rapidamente ela trocou de vestido e voltou para a festa, que seria curta, pois a viagem para Acapulco já estava marcada. Passadas algumas horas, o povo foi embora, só sobrando pratos e taças por todos os lados. Ivana, involuntariamente, ganhou o respeito de muitos naquele dia. As palavras ditas na igreja os tocaram a alma e ela não era o monstro que parecia.
Com as malas,um táxi e o amor partiram para o aeroporto, onde logo chegariam à Acapulco, assim finalmente podendo se amar, com a intensidade que os corroía.
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