Notas iniciais
Nós vamos aprender a nos amar, juntos, e ainda juntos amaremos ao elo que nos unirá por toda a eternidade.
– Tem certeza, meu amor? – Perguntou ela, limpando os olhos.
– Toda a certeza do mundo. – Com um sorriso no rosto, José Miguel carregou-a, os dois riam e se beijavam apaixonadamente.
Os dias continuavam a passar, cada vez mais e mais rápidos. Os preparativos para o casamento eram feitos com todo amor por ambos, assim como Isabel e Leonor que também estavam envolvidas. O longo vestido champagne que Ivana usaria, ficava maior a cada ajuste, a barriguinha charmosa estava cada vez mais saliente, deixando-a ainda mais bela. Os bordados brancos continham pérolas, que davam um brilho majestoso, o corpo era justo e a saia ficava mais de meio metro ao chão, celestial e simples, era assim que Ivana ganharia a benção. José Miguel estava empenhado em fazer tudo ao gosto de sua Ivana. Embora a cidade tivesse um péssimo conceito sobre ela, ele a conhecia, e a castidade ainda era respeitada a risca, com a ajuda dela, claro, que parou de provocá-lo. Só faltava uma noite para o grande dia e Ivana estava inquieta, as mãos não paravam um único instante.
– O que acontece, meu amor? – Perguntou ele, surpreendendo-a.
– Nada, só estou muito ansiosa para o meu ‘grande dia’. – Respondeu ela, sorrindo.
– Eu também, querida. Ei, eu preciso te mostrar algo.
– Agora?
– Sim, agora, venha comigo.
Puxando-a pela mão, José Miguel a levou até a caminhonete e assim entrando mato adentro.
– Onde está me levando, meu amor? – Confusa, ela procurava entender o caminho.
– Acalme-se, Ivana, você já verá, apenas confie.
Andados mais alguns metros, eles chegaram até a antiga cabana de Valentina e José Miguel. Colérica, ela parecia fuzilá-la com os olhos.
– Por que me trouxe aqui, José Miguel? – Questionou irada, batendo a porta do automóvel.
– Aqui não te lembra nada? – Perguntou ele, pegando-a pela mão.
– Que você foi noivo de minha prima?! E que por ventura nos casaremos amanhã?
– Calma, meu amor, foi aqui que me deu a notícia que eu seria pai, não se lembra?
Mais calma, ela o fitou com vergonha, o sorriso tímido que trazia demonstrava a vontade de sair correndo por não saber o que dizer.
– Não me lembrava, José Miguel. – Disse tímida, abraçando-o.
– Pois é, mas eu me lembro como se fosse hoje. Nesta cabana passei bons e maus momentos, decisivos e inúteis, mas ainda sim momentos, porém esse é o único inolvidable.
– Mas, meu amor, sempre lembrarei dela neste lugar.
– Já esquecerá, confie em mim, só confie em mim.
Como de costume, José Miguel a carregou, em meio às gargalhadas e de olhos fechados, ela se deixava levar pelos braços fortes, que a levavam para a cabana. Quando chegaram na porta, ele colocou-a no chão.
– Pronto, agora abra a porta. – Os segundos seguintes foram vagarosos, a entreolhada antes da abertura da porta foi decisiva para aquela situação. Com a porta já aberta, Ivana não acreditou no que via. Um jantar a luz de velas e no canto um berço, decorado de branco e dourado, assim como as taças e os castiçais que enfeitavam o ambiente.
– Que lindo, José Miguel! – Exclamou ela, beijando-o.
– Você gostou, meu amor?
– Adorei, e veio a calhar, estou morta de fome.
Durante a refeição, eles conversavam, mas o que tirava a atenção de Ivana era o berço. Aquele delicado e pomposo ‘ninho’ era muito lindo para ser ignorado.
– José Miguel, eu adorei o bercinho! – Exclamou ela, interrompendo o amado que falava sobre lua de mel e vinhos.
– Ah sim, venha vê-lo. – Como um verdadeiro gentleman, ele a levou até a delicada armação branca e dourada. Na parte superior do berço, estava gravada a seguinte frase ‘Ao bebê Montesinos Dorantes’. Vendo aquelas palavras, Ivana o abraçou com força, como se não quisesse o soltar por toda a eternidade.
– Eu te amo, José Miguel, muito. – Este foi o primeiro ‘eu te amo’ que ela o disse desde se uniram, o receio que ela sentia em dizê-lo tal coisa, fazia com que ela simplesmente ocultasse seus sentimentos, que eram puros e sensatos.
Já recompostos, eles voltaram para a mesa, durante uma longa conversa sobre tudo, ela começou a questioná-lo sobre as coisas.
– Meu amor, antes você me odiava, não é mesmo? – Perguntou ela, depositando o talher sobre o prato.
– Nunca te odiei, só não te compreendia. Quando fiquei sabendo que seria pai de um filho seu, eu comecei a me odiar, não pelo filho, mas pela irresponsabilidade de ter te iludido, mas isso mudou, hoje vocês são o que mais amo nesta vida.
– Sabe, também não foi digno o que fiz com você, eu usei de sua vulnerabilidade para conseguir engravidar. Naquela época estava cega e o único que eu queria era você, só você.
– E agora, Ivana, o que quer? – Perguntou ele, pegando em sua mão.
– Quero ser feliz ao seu lado e com nosso bebê.
Eles trocaram um sorriso tímido e logo voltaram a comer. A conversa prosseguiu até o final do jantar e então eles deitaram em umas almofadas no centro da cabana. Deitada no colo do amado, Ivana beijava as mãos do mesmo, que a retribuía com beijos no rosto.
– Amanhã a estas horas estaremos casados, já imaginou como será nossa ‘primeira’ noite de amor?
– Sim, eu imagino, é o que mais tenho esperado durante todas estas semanas. Imagine como deve ser bom poder te ter em meus braços, você toda para mim, só para mim.
Com as mãos rápidas, José Miguel acariciava maliciosamente as costas de Ivana, fazendo-a contrair o corpo.
– Não, José Miguel, espere até amanhã. — Permaneceram abraçados por mais um tempo, até que Ivana o puxou pela mão. – Vamos para a casa, meu amor, amanhã precisaremos levantar muito cedo. O curto caminho até a fazenda foi cheio de risadas e amor, muito amor e em pouco tempo estavam em casa, para finalmente poderem descansar e estarem prontos para o grande dia.
– Bom noite, minha vida. – Disse ele, beijando-a. – Sonhe comigo.
– Boa noite, meu amor.
Passaram a noite unidos, unidos por um elo mais forte que tudo, o amor, o amor que surgia de pouco em pouco, mas ainda sim amor.
Fale com o autor