Notas iniciais
– Que coisa linda, não, Ivana? – Surpreendeu Valentina, aplaudindo-os cinicamente.
– O que faz aqui? – Perguntou ela, soltando-se de seu amado.
– O mesmo que você, priminha querida, e você?
– Não vivo mais do seu dinheiro e tenho o prazer de te responder: NÃO INTERESSA!
– Nossa, agora ela tem asas, se acha no direito de dizer o que quer só porque não vive mais em minha casa e ainda pegou o homem que eu amava? Parabéns, Ivana! Você o ganhou como todos os outros, é?
Quando Ivana ouviu essa frase, onde Valentina relacionava seu presente com seu passado não se conteve, sem pensar, deu-lhe uma bofetada. Ainda trêmula, José Miguel a abraçou, ele acariciava a mão que havia golpeado Valentina, que por sinal, estava massageando o rosto com lágrimas raivosas nos olhos.
– Me pagará por esse bofete, prima, eu te juro que pagará. – Disse ela, recompondo-se.
– Não tenho medo de você, Valentina, você me tomou tudo na vida, mas o que você mais quis eu consegui tomar por direito. Passei uma vida acreditando que você era melhor que eu, mas me enganei, tenho tudo para ser melhor, mas não tinha confiança, AGORA TENHO, tenho meu filho que ninguém no mundo pode arrancá-lo de mim.
Ela voltou-se para abraçá-lo e juntos foram para o carro, levando apenas as sacolas e aquela péssima situação em mente.
– Não gostei de como se referiu a mim, me senti só um objeto. – Contestou José Miguel, ajeitando-se no carro.
– Me perdoe. – Desculpou-se ela. – É que estava nervosa e realmente não pensei no que disse.
Com a cabeça ele acenou positivamente e sorriu, o rapaz quase não guardava magoas, diferentemente de Ivana que vivia em constante atrito consigo mesma. No carro o silencio pairou, até que José Miguel o quebrou com perguntas:
–Ivana, aceita dormir comigo hoje? Eu juro que não tento nada, mas aceita? – Ivana sorriu, ela realmente queria isso, que ele se rendesse aos seus pés. Não era vingança, era apenas a famosa lei do retorno, aquela que ninguém escapa, porém ela queria aplicá-la com suas próprias mãos.
– Sim, porém lembre-se do que eu disse, namoro de adolescentes.
– Obrigado, meu amor. – Novamente ele havia a chamado de ‘meu amor’. Isso a deixava muito feliz, há um tempo atrás ele evitava fitá-la, mas agora eram íntimos e ele finalmente aceitara o bebê. – Marquei a data do nosso casamento. – Surpreendeu ele, deixando-a pasma.
– Como assim?
– Nosso casamento, Srª Dorantes de Montesinos, vamos nos casar! Achou mesmo que eu ia deixar meu filho nascer sem os pais terem a benção de Deus?
– Não tinha nem pensado nisso, lembro que ontem me chamou assim também, mas eu estava tão feliz que não fiz questão de perguntar. E quando nos casamos?
– Daqui há três semanas, segundo meus cálculos será exatamente no dia em que completa quatro meses de gestação.
– É sim, como sabe? – Perguntou ela, rindo.
– Arquitetos e sua exatidão. – Os dois seguiram rindo, apenas sentindo a sinceridade do mágico momento.
Chegando finalmente à Fazenda, ele desceu e foi abrir a porta para que sua futura esposa também descesse, quando ela voltou-se para subir a leve rampa na fachada da casa, José Miguel chamou sua atenção:
– Aceita se casar comigo, Ivana? – Disse ele, ajoelhando-se com um anel em mãos.
A surpresa e a felicidade faziam um misto em seu peito, que não cabendo no pequeno coração precisou escorrer pelos olhos.
– Sim, claro que sim! – As mãos trêmulas pousaram nas do amado, que com um enorme sorriso colocava a argola com uma grande pedra em seu dedo. Quase involuntariamente, Ivana se atirou nos braços do amado, o beijo foi terno e ardente, descrevia corretamente aquele momento. A ternura ficava no pedido, no momento e a ardência ficava na vontade, a vontade que denunciava tudo. A vontade de amá-la era maior que tudo, mas havia feito uma promessa, embora soubesse que ela também o desejava.
– Vamos para dentro? Quero tomar banho. – Interrompeu ela, colocando os dedos sobre os lábios do amado.
– Vai entrando, meu amor, vou levar as sacolas.
Enquanto José Miguel levava as sacolas, Ivana entrou no banho, levou todas suas coisas para se banhar no quarto do ‘noivo’, o fato de ele não poder ultrajá-la seria realmente torturante, para ele. No longo banho, Ivana se perfumava majestosamente, qualquer pequeno gesto transbordava sexualidade, enquanto ele a esperava sentado na cama, afinal, seu banho havia sido bem mais curto. Quando ela finalmente saiu, ele não conseguiu conter a admiração, mesmo úmida e sem nenhuma maquiagem ela estava maravilhosa. O shortinho marrom estava acima de suas coxas volumosas, a blusinha branca regata também tinha detalhes em marrom, já que em conjunto. Justa, ela deixava seus seios visíveis, deixando-o desejoso.
– Estou quase pronta, só falta secar meu cabelo, você me espera? – Disse ela, sentando-se próximo a um espelho que havia no quarto.
– Claro que sim, te espero. Você está divina!
Enquanto secava o cabelo ela fazia questão de demonstrar toda sua sexualidade, que não exigia muito esforço para aparecer, bastava um olhar e ele estaria completamente rendido. Não demorou muito e ela finalmente desligou aquele incomodo secador.
– Pronto, agora podemos dormir. – Deitando do lado direito, José Miguel deixou um espaço gigante para que ela pudesse deitar. Tímida, ela ocupou o mínimo de espaço, mas quando percebeu que ele a fitava desejoso não desperdiçou a oportunidade de fazê-lo sofrer, assim voltando-se para a parede e roçando-se nele. Inquieta, ela se aproximava cada vez mais dele e sentindo que seu membro se enrijecia ria em silêncio. Para constrangê-lo ainda mais, Ivana voltou-se para ele, que já estava ofegante.
– Está tudo bem, José Miguel? – Perguntou ela, ajeitando-se na cama. – Parece ofegante, está passando mal?
Envergonhado, ele acenou negativamente com a cabeça. Não contente, Ivana voltou a provocá-lo. Com um largo decote, ela levantou para dar um beijo em sua testa, assim deixando os seios sobre o campo de visão do amado, que já não mais podia suportar aquilo.
– Boa noite, querido. – Disse ela, irônica. – Durma bem.
Ela voltou-se para o canto e começou o mesmo jogo. Não aguentando a brincadeira, José Miguel levantou e foi para o banheiro ‘se aliviar’. Quando ela o viu entrar no banheiro começou a rir, mas para que ele não a ouvisse, abafava o som com o travesseiro.
– Consegui! – Pensava ela. Não se contendo, foi até a porta do banheiro para ver o que acontecia. – Poderia me entregar a ele se eu não tivesse sofrido tanto, deixarei com que ele sofra um pouquinho mais. Assim aprendendo a dar valor a uma mulher como eu.
Decidida, ela voltou para cama e assim dormiu, sem esperar seu amado sair de seu banho gelado. Quando ele voltou para a cama, ela apenas sentiu seu toque suave em sua nuca e assim adormeceu novamente. A noite foi rápida, porém proveitosa, eles dormiram agarradinhos e apaixonados.
– Bom dia, meu amor! – Disse ele, beijando-a nos braços. – Como passou a noite? – Ainda sonolenta, ela se espreguiçava e com o largo sorriso que trazia a resposta era óbvia. – Vamos tomar café?
– Vamos sim, só preciso te mostrar uma coisa! – Entusiasmada, ela o puxava pela mão e o levava até seu quarto. Na larga cama estavam as inúmeras sacolas da compra passada, todas jogadas sobre a cama, porém ainda possuíam a mesma organização que vindas da loja. Chegando até uma pequena sacola azul-bebê, Ivana tirou um sapato da mesma cor e o entregou a ele. No pequeno sapatinho havia gravado as iniciais ‘JM’ de José Miguel. – Este será o nome do nosso filho.
Com lágrimas nos olhos, José Miguel agarrado aos pequenos sapatos brincava com o ventre de Ivana, que o fitava com a mesma ternura. – Ouviu, bebê? Seu nome será igual o do papai. – Refletindo por alguns instantes, ele questionou, quase involuntariamente. – Mas é um menino?
– Ainda não sei, mas sinto que é. Se não for, pensamos em um nome para ela. – Respondeu ela, levantando-se da cama.
– Ivana, por que está fria comigo? Te fiz algo? Me trata como se fossemos desconhecidos, ora qual, vamos nos casar, meu amor.
Com as perguntas ela vou a sentar e aos prantos começou a dizer:
– Não creio que isto seja real ou possível, José Miguel, te esperei tanto e você não veio e agora inesperadamente você aparece? Não confio o suficiente para me entregar.
– Mas você não confia em mim?
– Não confio em mim! Acho injusto isso e não queria ser má, queria poder me entregar ao amor como minha prima, mas não posso, é mais forte do que eu. Antes eu realmente não me preocupava com você, com ela e muito menos com esse bebê que carrego, mas quero mudar, quero mudar para te amar como mereces.
Comovido, José Miguel afagou o pequeno rosto molhado, seus polegares deslizavam sobre as bochechas fartas e rosadas, a troca de caricias foi sincera e doce.
– Não se preocupe, estou aqui para te amar, minha Ivana, exatamente como é. Nestes poucos dias que convivemos juntos, como um casal, te conheci muito mais que todos esses meses que passou aqui. Eu te via como uma estranha, uma intrusa, mas hoje te vejo como a dama que só eu posso proteger. Nós vamos aprender a nos amar, juntos, e ainda juntos amaremos ao elo que nos unirá por toda a eternidade.
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