Aprendendo a te amar
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Notas iniciais
– Você não sabe o quanto te amo. Vamos, meu amor, vamos tomar uma ducha e reparar nossos erros.
– Vamos sim! – Decididos, eles foram até o banheiro. Quando iam ligar o chuveiro, Isabel bateu na porta. Rapidamente, Ivana correu até ela e explicou a situação, Isabel compreendeu e agradeceu a Deus por tudo aquilo estar acontecendo.
Depois de toda a situação arreglada, eles entraram no chuveiro. O banho que era para ser curto, demorou mais que o previsto. José Miguel não deixava de fitá-la enquanto se banhava, ela era tudo que ele havia pedido aos céus, mas precisavam ser mais rápidos, assim se soltaram e banharam-se devidamente.
Já limpos, eles andavam pelo quarto. Ivana procurava algo para vestir, enquanto ele pegava suas roupas jogadas pelo quarto.
– Onde está minha calça? – Gritou ele, rindo.
– Está ali, ô. – Disse ela, apontando. – Próximo a janela.
Sorridentes, eles terminaram de se vestir e desceram para a caminhonete.
– Como o senhor entrou aqui? – Perguntou o dono do hotel, impedindo-lhes de passar.
– Bom, senhor, eu entrei pela porta dos fundos. – Lembrou ele, tentando o enrolar.
– Mas ela está fechada.
–Moço, eu aprendi a voar, mas agora não posso explicar. – Desvencilhando-se do homem, José Miguel, agarrado as mãos de Ivana, corria em direção à caminhonete, que estava estacionada sobre a calçada.
Rindo, eles seguiram todo o caminho. Quando chegaram aos territórios de Valentina, o silêncio pairou, já que eles deveriam escolher as melhores palavras.
E o freio de mão fez o último som dentro do carro. Eles estavam em frente à casa de Valentina, havia apenas uma luz acessa, a de seu quarto, e eles se abraçaram com força, enquanto caminhavam até a porta de entrada. Tocando a porta exatamente três vezes, eles esperaram apreensivos até que a porta fosse aberta.
Iluminada os recebeu como sempre, com seu doce jeito de menina do interior. Receosa, Ivana pediu para que ela chamasse sua prima, que já tinha se recolhido.
Valentina já estava deitada, pois estava toda dolorida, sua dor maior era nas pernas e na mão esquerda. Doía tanto, que ela não conseguia movimentá-la. Quando estava prestes a dormir, com muito custo, ouviu a voz de sua prima.
– Ivana?! – Disse ela, voltando a abrir os olhos. – Com certeza Horácio disse algo errado e ela deve ter vindo tirar satisfação. – Ela ficou refletindo por um tempo, quando ouviu o ecoar da porta. – Entre.
– Senhorita Valentina, sua prima e o senhor José Miguel estão aqui e eles querem falar com você. Irá recebê-los?
– Sim! – Disse sorrindo. – Diga que já descerei, só vou pegar um casaco.
Iluminada desceu avisá-los, e antes que a moça pudesse terminar a frase, Valentina começou a descer as escadas. Seus gemidos de dor os deixavam assustados, e assim eles correram para ajudá-la, amparando-a até sua chegada ao chão.
– Obrigada. – Agradeceu ela, afagando o ombro da prima irmã.
Ivana se sentia culpada, afinal ela os ajudou e olha a maneira com que retribuiu?
– O que dói? – Perguntou José Miguel, acomodando-a no sofá.
– O arrependimento. – Respondeu ela. – Eu queria pedir perdão a vocês, fui caprichosa e coloquei a vida de um inocente em jogo. A vida me ensinou a ser forte, mas ainda sou muito egoísta. Pensei em mim, somente em mim, e não vi que alguém, alguém que não tem nada a ver com isso tudo, pagaria por minha causa. – Ela os observava cabisbaixa.
–Não se culpe. – Retrucou Ivana, levantando seu rosto. – Você não é a única culpada disto tudo. Erro desde o começo, afinal não deveria ter te tirado Alonso, e já que tinha feito, deveria deixar José Miguel para você, mas fui mais caprichosa e egoísta. Meus poucos princípios não me permitiram tal façanha. Tenho uma vida recoberta de mágoas e arrependimentos, e tudo isso por quê? Porque sou estúpida demais para resolver minhas coisas com maturidade.
Ivana repentinamente se ajoelhou aos pés de Valentina, repousando-se sobre seu colo, mas a moça tentava levantá-la.
– Todos são culpados, mas o mais culpado disto tudo sou eu. – Disse ele, repentinamente. – Fiz duas mulheres sofrerem sem ter a mínima consciência do que estava fazendo. Em minha cabeça parecia maravilhoso ser cobiçado por duas mulheres lindas, mas eu nunca pensei que chegaríamos a conseqüências tão sérias. Quando Ivana engravidou, eu devia ter dado um basta em minha relação com você, Valentina, mas fugi de minhas responsabilidades e queria viver uma linda história de amor. Não pensei nos meus princípios, e com isso, também não pensei no meu coração. – José Miguel levantou-se e foi até ao meio da sala. – Eu quero pedir perdão às duas. – Disse ele, ajoelhando-se aos prantos. – Não fui homem o suficiente para reagir a tudo isso, brinquei com o coração de vocês e não pensei se minha integridade iria embora com essa minha atitude.
Ivana foi até ele e o levantou do chão. – Eu te perdoou, meu amor. – Cochichou ela. – Eu te perdoou. – Eles ficaram um longo tempo abraçados, sem dizer palavra alguma, enquanto Valentina os observava com um enorme sorriso no rosto.
Neste tempo sem Alonso, ela viu que sentia sua falta, precisava dele, mas não sabia se era amor.
– Obrigada, Ivana. – Respondeu Valentina, interrompendo-os. – Obrigada por me ensinar o valor das coisas. Hoje sei o quanto vale um amor verdadeiro, quanto vale uma vida, quanto vale um filho e quanto vale a família.
Sem dizer palavra alguma, Ivana foi até ela e beijou-a nas bochechas.
– E graças a você, aprendi o que é ser amada e o que é amar. Eu te amo, prima. – José Miguel apenas a observava, já que sabia que uma reconciliação das duas era necessária, afinal se odiaram por muito tempo, mesmo ambas pertencendo à mesma família.
Ivana a beijou diversas vezes, e Valentina ria. A cena era familiar para ambas, já que quando menores, elas faziam isso constantemente. Quando Cecília e Rogélio ainda eram vivos, Isabel os visitava frequentemente, e a pequena Valetina era papachada pela prima maior. Passavam a tarde brincando e quando era hora de ir embora, ambas choravam não querendo se separar. Valentina no auge de seus três anos, corria até a tia e pedia encarecidamente que não levasse sua tão amada prima para a casa. Como uma relação tão bonita chegara a tal desfecho? Mas agora tudo mudaria, elas finalmente se aceitaram.
– Eu te amo, Ivana, te amo, te amo, te amo, prima. – Repetia ela, inúmeras vezes, enquanto chorava.
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