Aprendendo a te amar
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Notas iniciais
– Olá, José Miguel. – Respondeu ele, levantando-se bruscamente. – Pode ir tirando o sorriso do rosto, pois a conversa é séria.
– O que aconteceu? É algo com Ivana? Não me diga que fez alguma besteira com a vida... – Desesperado, ele estava inquieto, andava de um lado para o outro, até que Horácio deu um basta nos movimentos, empurrando-o até o sofá.
– Não é nada disso, Ivana está viva, pode ficar sossegado. – Aliviado, José Miguel deu um grande suspiro.
– Então o que é?
– É melhor se sentar. – Sentados, Horácio criava coragem para começar a falar.
– Fale logo, homem.
– Valentina foi me ver hoje e disse algo que mudará tudo.
– Ah sim? Disse que ainda me ama e que tudo o que fez foi por amor? Ah, por favor, essa mulher não sabe o que significa essa palavra.
– Me ouça, homem. – Gritou Horácio. – É importante.
– Nada que ela me disser é importante. Me desculpe, Horácio, mas tenho que ajudar a alimentar os gados.
Vendo que José Miguel ia deixá-lo sozinho, Horácio não pensou duas vezes.
– SEU FILHO AINDA ESTÁ VIVO, HOMEM!
– O q-que? Como assim? – Disse ele, sentando-se novamente.
– Pois é, Valentina disse que foi tentar conversar com ela, mas ela sentou-lhe a mão. – Disse rindo.
– Pare de rir e fale. – José Miguel estava cego, seu sofrimento havia sido em vão. Em sua cabeça passavam um turbilhão de coisas. Agora ele poderia voltar a sonhar com uma garotinha o chamando de ‘papai’, pois ela ainda estava a caminho.
– E ela viu que Ivana ainda está embarazada, e a senhora Isabel confirmou. Pois é, homem, você ainda será pai.
– (...)Ainda será pai, será pai, será pai... – Estas palavras ecoavam na cabeça de José Miguel, um misto de sentimentos inundou seu peito, e ele era muito grande para comportá-lo somente ali, assim escorria pelos olhos. O pedido que havia feito por tanto tempo ainda se realizaria, ele seria pai, o pai de uma menina.
– EU SEREI PAI! – Gritou ele, repetindo o feito de quando soube que seria pai de uma garota. – Minha filha está bem, amigo, ela cresce no ventre da mulher da minha vida.
– Sim, você será! – Em um ato de desespero, junto com alegria, ele começou a pular no meio da sala, e puxou Horácio para que compartilhasse do momento com ele. – O que é isso, homem?
– É a felicidade de saber que você ainda tem um motivo para lutar, para viver, um motivo que será só seu, somente seu.
– Não será somente seu, você se esqueceu da Ivana?
– Claro que não, homem, mas não quero pensar nisso agora, pois foi muito errado o que ela fez.
– Foi sim, homem, mas acho que é aceitável, afinal você errou muito com ela.
– Mas não tive culpa, o que aconteceu foi culpa da prima dela.
– E mulher com ciúmes pensa? Por favor, homem, você achou que ela fosse discernir quem era o certo e quem era errado?
– Mas o que custava pensar um pouco? – Disse ele, levantando. – Eu troquei tudo por ela, e ela nem para confiar em mim?
– Não me leve a mal, José Miguel, mas Ivana já foi muito usada e já usou muito também. Creio que essa é a maneira dela de se defender, e com você ela realmente entregou tudo, inclusive o coração. Ora qual, homem, você conseguiu colocar um anel no dedo daquele monumento...
– Mais respeito, Horácio, você está falando da minha mulher. – Interrompeu José Miguel, apontando para a cara do amigo.
– Perdão, mas é a verdade. Agora ela precisa de um homem que a ame, que a entenda e ela escolheu você, e você faz uma dessas? Ela sempre usou as pessoas porque não confiava em ninguém para entregar o coração, e a única vez que ela entregou-o, você desperdiça? Rapaz, se fosse para mim que ela desse o coração... Uff, bom, vou respeitar, afinal ela é sua mulher.
– Você tem razão, mas se você fosse eu a perdoaria?
– Claro que sim, ou você pensa em não perdoá-la?
– Não sei, sofri muito por um capricho dela.
– Enfim, pense com calma e não diga que eu disse que foi Valentina que mandou dizer, afinal ela pediu para que eu não citasse seu nome.
– Pedir discrição para você é o mesmo que pedir paciência para a Ivana. – Disse ele rindo. – Onde ela está hospedada?
– No único hotel da cidade. Enfim, estou indo, amigo, se precisar de mim pode me procurar. – Despedindo-se, ele foi caminhando até a porta, e José Miguel o acompanhava.
– Obrigado por tudo, amigo, muito obrigado. – O carro partiu e José Miguel ficou somente com seus pensamentos e com Ivana, que inundava sua cabeça. – Não sei o que fazer, meu Deus.
Ele foi para seu quarto, em sua cabeça passavam tantas coisas. A alegria era tanta que ele pensava que não poderia suportar, mas teria que suportá-la para ver sua filha, a que tanto amava e a que não suportaria perder novamente. Neste desespero, ele adormeceu, e sonhou com sua pequena.
No sonho ele via sua pequena correndo, já tinha seus dois anos, a menina era carinhosa e muito obediente, a franja era como a da mãe, assim como os olhos e boca. A menina se aproximou dele e o beijou no rosto e com a voz ainda enrolada disse bem próximo ao seu ouvido: — Eu e a mamãe amamos você, papai.
Sorrindo, ele voltou-se e viu Ivana rindo, ela ria de uma maneira que José Miguel nunca havia visto, era um riso sincero e isso o deu uma paz, uma paz tão grande que todas suas preocupações sumiram, ele apenas pensava nelas, as mulheres de sua vida.
E pensando nelas ele acordou, acordou sorrindo, mas ainda estava confuso, muito confuso.
– Preciso ir falar com ela, mas por onde devo começar? – Ele levantou decidido, colocou seu casaco, pegou sua caminhonete e saiu. Ele planejava um texto mentalmente, mas viu que não estava preparado para enfrentá-la. – Coragem, homem. – Dizia ele para si mesmo.
Andando mais alguns metros, ele já se viu em frente ao hotel. Temeroso ele desceu e foi até a recepção, e lá ele informou-se do número do quarto da amada, e assim ele subiu correndo.
Em frente ao quarto dez ele suspirou, suas mãos suavam frio e ele finalmente tocou a porta. Passados alguns segundos, ele ouviu um rangir da porta e novamente seu coração disparou.
– José Miguel?! – Perguntou Ivana, colocando os braços sobre o ventre. – O que faz aqui?
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