Aprendendo a te amar
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Notas iniciais
– O que eu fiz? – Pensava ela, com as mãos repousas sobre a cabeça.
Isabel correu até a filha, que ainda estava com um dos braços na mesma posição. As mãos de Ivana ainda sentiam o peito de Valentina sobre elas, o mesmo que foi empurrado, e ela descia rapidamente.
A escada era dividida em duas sequências que degraus, e Valentina havia decido apenas a primeira, não havia chegado ao chão, mas chegou ao suficiente para que quem estivesse no térreo a visse.
– Meu Deus! – Exclamou o dono do hotel, correndo até ela. Valentina não havia perdido a consciência, as mãos estavam esfoladas, assim como a boca, mas não pela queda, e sim por Ivana com seu anel. O anel que José Miguel a deu quando lhe pediu em casamento, ela nunca o tirou do dedo, pois daria para a filha. – Está tudo bem? – Perguntou ele, tentando levantá-la. – O que aconteceu?
Valentina sabia que sua dívida com Ivana era grande demais para entregá-la, então pensou por um tempo e respondeu:
– Eu me desequilibrei, senhor, mas já estou bem. – Respondeu ela, rezando para que ele não tivesse ouvido seus gritos anteriores. Isabel, muito preocupada, desceu acudi-la, enquanto Ivana foi se refugiar em seu quarto, onde chorava e batia nos travesseiros.
– Me vinguei! Fiz o que precisava fazer. – Dizia ela, olhando irada para a janela.
O dono do hotel, juntamente com Isabel, levou Valentina até as poltronas da recepção, onde a deram os primeiros socorros. Enquanto ele pegava o kit, Isabel aproveitou para conversar com a sobrinha.
– Perdoe-a, filha, foi um ato impensado. Eu estou muito envergonhada por ela.
– Não precisa se desculpar, tia, eu no lugar dela faria a mesma coisa. – Valentina sorria, a primeira vez depois de muito tempo.
– Mas por que você não se defendeu? Olha o que ela fez em seu rosto.
– Não podia bater nela. Vim até ela, e até segunda ordem, aqui é sua casa, e ninguém pode ser agredido em sua casa, e por fim, ela está grávida, tia, nunca bateria nela neste estado.
– Você é tão nobre, minha filha. – Disse Isabel, afagando-a nas mãos.
– Não sou, tia, fiz muita coisa errada e preciso reparar tudo.
– Filha, eu te entendo. Quando se ama não se mede esforços, e sei que não fez por mal, afinal já me apaixonei, e fiz coisas muito erradas, mas acho que todo mundo tem direito a um perdão, você também.
Sem dizer nenhuma palavra, Valentina a abraçou. As lágrimas escorriam livremente de seus olhos, afinal, é muito bom se reconciliar com sua mãe, e Isabel era sua mãe desde seus seis anos.
– Eu te amo, tia, eu te amo muito. – Soltando-a finalmente, Valentina criou coragem para perguntar o tanto lhe chamava a atenção. – Tia, José Miguel me disse que Ivana havia perdido o bebê, mas ela está grávida.
– Pois é, filha, mas ela mentiu para ele, embora ela tenha se arrependido e pensou em dizer a verdade, ele já tinha partido.
– Tia, eu preciso ir! – Exclamou ela, levantando.
– Mas não cuidamos de seus ferimentos, filha, e se quebrou algo?
– Não quebrei não, tia, vou consertar o que fiz! – Rapidamente ela levantou-se e correu até o carro. Quando o dono do hotel voltou, já com a caixa, ficou olhando para Isabel com dúvida.
– Cadê ela, senhora? – Perguntou ele, colocando a caixa sobre o balcão.
– Foi resolver a vida. – Respondeu ela, levantando-se.
– Mas e os ferimentos?
– Ferimentos maiores são os da alma. Ela ficará bem, te garanto, ela é uma moça forte.
Isabel subiu para o quarto e encontrou Ivana sentada ao lado da cama, acariciando os cabelos de Santiago.
– Mamãe, eu a matei?! – Perguntou ela, assustada.
– Não, filha, não a matou.
– Eu não sou má, eu sou boa, mamãe. – Disse ela, sentando-se sobre a cama.
– Eu sei, minha filha, eu sei. – Abraçando-a, Isabel tentava consolá-la.
Enquanto isso, Valentina corria contra o tempo para chegar até a fazenda de José Miguel, ela sabia que não seria bem recebida, mas tentaria falar com ele, além do perdão que pediria, ela falaria sobre a gravidez de Ivana, e assim eles se perdoariam.
Chegando lá, Valentina desceu com dificuldade, as pernas ainda doíam e seus joelhos estavam machucados. Subindo a pequena rampa, ela chegou até a porta da casa. Bateu três vezes, na quarta vez Teresa abriu a porta, e com um largo sorriso exclamou:
– Srtª Valentina!
– Olá, Teresa, José Miguel está ai? – Perguntou a moça, cheia de receio e medo.
– Está no campo, senhorita.
– Obrigada. – Valentina pegou seu carro e foi até as plantações de José Miguel. Ela ficou extasiada, a fazenda parecia finalmente prosperar, e isso a deixou muito feliz.
José Miguel estava sentado, próximo a antiga casa de Sabino, que agora era ocupada por outro capataz.
Ainda assustada, ela estacionou seu carro um pouco longe, e desceu, com a cara e a coragem. Quando ele a viu, levantou colérico.
– O que faz aqui? – Gritou ele, aproximando-se dela.
– Vim falar com você, José Miguel. – Desesperada, ela abaixou a cabeça. Saber que o homem que tanto a amou, agora a odiava.
– Não quero ouvir nada que tenha que me dizer. – Com toda sua força, ele a empurrava para frente. Nem sempre as pernas dela acompanhavam a força dele, e isso fez com que ela tropeçasse e batesse o joelho que já estava machucado.
– Espere, está me machucando! – Gritava ela, tentando levantar.
– Não me importa, apenas suma daqui. – Valentina finalmente entrou no carro, e desesperada ela saiu correndo. Toda machucada e dolorida, ela chorava. A dor externa não era maior que a interna.
Valentina precisava de um jeito para ajudar ambos, mas como se eles não queriam sua ajuda? Ela teria que pensar, era sua obrigação ajudá-los, já por culpa dela a vida deles estava virada de cabeça para baixo.
Enquanto Isso, Ivana estava no apartamento de Alonso, ele a chamou para uma conversa. Embora Ivana tivesse total confiança, foi receosa, afinal todo mundo sente certo receio quando é convocado para uma conversa.
Ele mandou-a entrar, mas estava trancado no banheiro, e ela ficou fitando a janela. Ele saiu em passos lentos e foi até ela, assim agarrando-a por trás.
– O que é isso, Alonso? – Perguntou ela, voltando-se e vendo sua silhueta de cueca.
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