Aprendendo a te amar
26 26
Notas iniciais
– Acho que não, somente a tia pode se ajudar, meu amor. – Respondeu ela abraçando-o. – Somente eu posso me ajudar.
Os dias começaram a passar cada vez mais e mais rápidos. José Miguel sofreu muito por um tempo, mas viu que a vida precisava seguir, assim teve força para erguer sua fazenda, embora não mais tivesse herdeira, ele queria deixar algo bom, ainda não sabia para quem, mas deixaria. Todas suas noites eram repletas de lágrimas, lágrimas que nunca cessariam, ele pensava em Ivana, mas não se achava digno de ir procurá-la, ela perdeu seu bebê por culpa dele, e ele achava muito ousadia ir visitá-la. Sua situação com Leonor seguia igual, tão igual que nem da perca do bebê ela sabia, sabia apenas que eles tinham brigado feio, mas nem se teria divórcio sabia. Ivana, por sua vez, sofreu muito no começo, mas Alonso e Isabel a distraiam de tal forma, que ela não ficava remoendo, mas suas noites também eram repletas de lágrimas. Seus corpos estavam distantes, mas almas sempre estariam unidas, pelo amor e pelo bebê, que estava cada vez maior dentro dela. A cada chute da pequena era uma lágrima de Ivana, porque além de ser a melhor sensação do mundo, ela sentia uma culpa imensa, afinal José Miguel não deveria estar compartilhando deste momento, mas pelo menos deveria saber da existência dele. O fato de Alonso sustentá-la era muito reconfortante, pois Ivana não saberia por onde começar, já que nunca trabalhou na vida. A bebê, nena, como a chamavam, era amada por todos, Santiago passava horas conversando com ela, enquanto Ivana pensava em José Miguel, ela sabia que todo aquele sofrimento era injusto para ele. Alonso estava cada vez mais envolvido com Ivana, ele voltou a sentir aquela ternura de antes, aquele friozinho na barriga. Ivana havia mudado, mas o que ele gostava nela continuava intacto, sua sensualidade. A barriguinha de quase seis meses não alterara em nada suas formas perfeitas, e ele via que ainda havia uma paixão entre eles. Aquilo nunca seria amor, mas ele sendo homem, precisava de uma mulher, e Ivana era esta mulher. Valentina passou todo esse tempo se martirizando, a fazenda estava nas mãos de Sabino, e ela nem ao menos saia para tomar sol. Seus pensamentos a fuzilavam a cada minuto. Uma enxurrada de perguntas inundava sua cabeça e de culpa também, e o mais triste disto tudo era a solidão. Naquela grande casa restou apenas ela, seu dinheiro e seu remorso.
Em uma de suas tardes deprimentes, ela estava debatendo consigo mesma.
– Eu preciso fazer algo! – Exclamou ela, sentando-se na cama. – Algo que os ajude e alivie minha culpa, mas o quê? – Ela pensou por mais um tempo. – Não sei nem se estão juntos ou vivos, vou perguntar para alguém.
Depois de muito debater, Valentina desceu as escadas e foi falar com Iluminada, que era a única que restara na casa.
– Iluminada, onde está? – Gritava ela, descendo as escadas.
– Estou aqui, senhorita. – Respondeu a moça, correndo até ela.
– Iluminada, você sabe alguma coisa de José Miguel e Ivana?
– De sua prima não sei nada, mas o senhor José Miguel comprou muitas cabeças de gado e soube que já estão produzindo alguns vegetais e frutas. Disseram que ele está reerguendo a fazenda, o capital ele tem, agora o resto é com o tempo.
– Ah sim, obrigada. Sabe alguma coisa de Alonso?
– Sei que ele está trabalhando, mas em que eu não sei.
– E minha tia Isabel?
– Timo disse que às vezes ela vai lá comprar algumas coisas, sempre a vejo na missa, mas estou indo pouco, então só a vejo às vezes.
– Isso é tudo, obrigada. – Valentina refletiu por mais um tempo. Sentada no meio da escada, ela pensava muito. Gabriela havia a abandonado também, isso mostrara o quão ruim foi tudo que ela fez, afinal, Horácio era muito amigo de José Miguel. – Preciso me resolver com Ivana, depois vejo o que faço.
Valentina subiu decidida, trocou-se rapidamente e desceu decidida a reparar todo o dano feito. Com seu carro, ela foi a toda a velocidade até o hotel, já que ela presumia que a tia estava lá, e se a tia estava lá, Ivana também estaria.
– Preciso tentar arrumar tudo isso, creio que nesse mês ela já está mais calma. – Chegando em frente ao hotel, ela respirou fundo e entrou. – Senhor, Isabel Rangel de Dorantes e Ivana Dorantes Rangel estão hospedadas aqui?
– Deixe-me ver. – Vendo os livros de hospedes, ele achou o nome de ambas. – Estão sim, senhora, estão no quarto 10.
– Obrigada, senhor. – Eufórica, ela subiu as escadas. Chegando ao quarto 10, ela bateu simetricamente três vezes na porta.
– Eu atendo, mamãe. Cubra o Santiago, ele adormeceu na minha cama. – Dizia Ivana, aproximando-se da porta. – O que faz aqui? – Perguntou ela, abrindo a porta.
– Vim saber de você, prima.
– Não me chame de prima e não vê o que me fez? – Disse Ivana, apontando para si mesma.
–Você ainda está grávida? – Questionou Valentina, apontando para o ventre de Ivana. – Foi isso mesmo? Eu passei todo esse tempo sofrendo de graça?
– Você não sofreu de graça, você sofreu porque me fez sofrer. A vida costuma cobrar das pessoas. – Disse Ivana, fechando a porta do quarto, enquanto andava até a rival, que se afastar cada vez mais.
– Mas isso foi errado. – Disse Valentina, andando de costas. Ivana estava cega pela cólera, andava na direção da prima, que recuava cada vez mais.
Em um ato impensado, Ivana partiu para cima de Valentina. Com suas mãos envoltas em seu pescoço, ela tentava sufocar a prima, que tentava falar, mas não conseguia.
– Errado. – Vendo que matá-la não a levaria a lugar algum, Ivana começou a golpeá-la no rosto. A pedra do anel da mão que ela usava para agredi-la deixava marcas em seu rosto. Ela batia em seu rosto com toda sua fúria, Valentina gritava e tentava se defender com as mãos, mas com um golpe forte Ivana a derrubou, e com o salto pisava em seu pescoço. – Maldita! Sempre quis fazer isso, matar-te.
Isabel saiu do quarto desesperada, a cena era pavorosa. Sua filha com o pé sobre o pescoço da sobrinha, que estava com o rosto um pouco machucado.
– Ivana, pare com isso, pelo amor de Deus! – Ivana estava cega, não ouvia e não via ninguém além de Valentina. Tirando finalmente o pé do pescoço dela, ela deu um tempo para ela se restabelecer.
Quando a moça conseguiu colocar-se em pé novamente, em um movimento rápido, Ivana a puxou até a escada, e a empurrou. Valentina parecia leve rolando pelos degraus, enquanto Ivana olhava assustada a tragédia que acabara de fazer.
– O que eu fiz? – Pensava ela, com as mãos repousas sobre a cabeça.
Fale com o autor