Aprendendo a te amar
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Notas iniciais
(...) Será que algum dia irei recuperar o amor de Ivana? Eu preciso dela para sobreviver.
Neste desespero, ele adormeceu. Seu corpo estava cansado, a mente também, mas ela não parava de trabalhar um segundo sequer.
E assim amanheceu o dia, nublado e cheio de nuvens negras, as mesmas que invadiam os corações de Ivana, José Miguel, Alonso e Valentina. Um pouco depois do amanhecer, Alonso foi até a casa de Crisanta, buscar o pequeno e assustado Santiago. Chegando lá, o menino correu assustado para os braços do pai.
– Papai, por que não veio ontem? – Perguntou o pequeno, abraçando-o com força.
– É que a tia Ivana passou muito mal e precisei levá-la para o hospital.
– Ela está bem, papai? Onde está a tia Valentina? Vamos voltar para a casa dela?
– Não sei, filho. – Com o menino nos braços, Alonso agradeceu a Crisanta e levou o pequeno para o carro. No caminho de volta, ele passou no centro de saúde. Ivana não havia acordado, assim, ele disse que passaria pegá-las mais tarde.
Foi até o ‘Los Cascabeles’ e pediu para Iluminada trazer malas com roupas dele, do menino e de Isabel. Ele não quis entrar, e também não deixou Santiaguinho entrar. O menino viu Valentina na sacada de seu quarto, ela mandava tchau para ele, mas ele tinha medo de sair. Enquanto esperava, Alonso aproveitou para tirar um cochilo, já que sua noite foi muito mal dormida.
Lentamente o pequeno Santi abriu a porta do carro, e foi correndo até Valentina. Subindo as escadas, ele queria vê-la, e já sabia onde a acharia. Com o rosto cansado e inchado, Valentina o recebeu de braços abertos, ele era o único amor que ela podia contar no momento.
– Tia! – Gritou ele, vendo-a o esperando.
– Santi, que saudade eu estava de você. – As lágrimas dela eram doloridas, aquele menino era o único que havia lhe sobrado. O pequeno Santiago não entendia tudo aquilo, mas quando começasse a entender, também a abandonaria. Seu fim era sozinha, a mãe que havia lhe sobrado a abandonou, assim como a irmã, que embora rabugenta e cheia de adjetivos ruins, era sangue do seu sangue e ela a amava muito, mas por um capricho ela perdeu tudo isso. – Você me ama? – Perguntou ela, agarrando-o com força.
– Sim, tia, muito e muito. – O pequeno era carinhoso, e seu carinho era único.
– Muito quanto? – Perguntou sorrindo.
Puxando-a pela mão, ele a levou até a sacada.
– Eu te amo do tamanho do céu, tia. – Disse ele, com o pequeno indicador levantado. Ela o colocou no colo e começou a chorar. Sem entender, ele apenas acariciava seus cabelos. – Não chore, tia, eu não gosto de te ver chorar. Eu não gostava de ver minha mamãe chorar, e não gosto de ver a senhora também. Eu te amo tanto, amo como amava ela. A senhora é minha mamãe também. – Abraçados, eles ficaram na sacada, até que Santiaguinho desceu de seu colo correndo, afinal tinha escapado do pai, e Alonso ficaria furioso se soubesse que esteve com ela, assim, ele se despediu e partiu.
Seu pai ainda estava adormecido, sendo assim, tudo continuava bem. Não demorou muito e Iluminada surgiu com três malas, ela batia na porta, até que Santiago começou a batê-lo também.
– Papai, acorde! – Gritava o menino, balançando-o. – As malas, papai! – Com muito custo Alonso acordou, e assim ajudou a moça a colocá-las no porta malas. Dali ele partiu para a fazenda de José Miguel, pegar algumas coisas de Ivana, mas também não queria conversa com ele, assim pediu para Chuy falar para sua mãe arrumar as malas de sua patroa.
Quando Chuy passou correndo para avisá-la, chamou a atenção de José Miguel, mas ele estava muito mal para perguntar o que era. Só foi cair em si, quando Teresa bateu na porta para arrumar as coisas de Ivana.
– Patrão, está ai? – Dizia a moça, tocando a porta.
– Estou sim, entre. – Disse ele, sem levantar-se da cama. Com cautela ela entrou, sabia que o patrão estava muito mal. – A senhora Ivana mandou um amigo buscar suas roupas, isso é certo?
– É sim, pode colocá-las na mala, só me deixe um casaco dela, por favor.
– Sim, senhor. – Desesperado, ele via as roupas de sua esposa saindo do guarda-roupa, uma a uma, até que sobrou apenas um casaco, não tinha nada de extraordinário, era inteiro preto e fino, mas tinha o mais importante, seu cheiro, e ela nunca daria falta, afinal, ela dizia que não gostava muito dele.
As roupas deram três malas, sem os casacos trazidos do México e sem seus amados pares de sapato. Com a ajuda de Chuy, Teresa levou as roupas até Alonso, e assim ele partiu novamente para o posto de saúde, onde as levaria para o hotel.
– Fique aqui, filho, que daqui a pouco a tia Ivana virá.
– Tudo bem, papai. – O garoto, muito obediente, foi para o banco traseiro, e ali esperou sua amada tia Ivana.
Alonso acreditava que Ivana já estava desperta, assim sendo, perguntou a Felipe qual era seu estado e o que aconteceria agora. Depois disso só pediu a permissão de Felipe para levá-la.
– Posso levá-la, Felipe? – Perguntou receoso.
– Pode sim, ela está lá dentro do consultório, na pequena sala ao fundo. – Chegando lá, ela estava colocando seus sapatos.
– Pronta para ir embora? – Perguntou ele, fingindo um entusiasmo que também não tinha.
– Embora para onde? – Perguntou ela, afirmando-se no chão.
– Para o hotel. – Respondeu ele, apoiando-a.
– Não tenho dinheiro para pagá-lo, Alonso.
– Eu pagarei, afinal tenho uma imensa dívida com você. Te usei e te abandonei, nunca soube como te compensar, e essa é a oportunidade.
– Obrigada, mas quando eu puder, te pagarei, quero mudar por ela. – Disse ela, acariciando o pequeno ventre. – Vou arrumar um emprego e te devolverei cada centavo.
– Nunca! Não vou deixar você trabalhar. Sua gravidez é de risco, como me disse Felipe, e não vou te deixar fazer nada. Logo alugarei uma casa para morarmos, se não se importar, claro, e depois que a menina nascer vemos o que fazer.
– Você continuará morando aqui? Eu não vejo muito sentido.
– Sim, por você.
– Por que por mim?
– Tenho medo de te levar de avião, pode fazer mal para o bebê.
– Você tem razão. – Andando bem devagar, eles deixaram o centro de saúde. Ivana agradeceu Felipe e agora teria que enfrentar um novo mundo, um mundo que José Miguel não estava incluído.
Santiaguinho fez uma festa para Ivana, a abraçava e a beijava a todo instante. Qualquer mulher, na cabeça dele, poderia ser sua mãe. Minutos depois chegaram ao hotel, Alonso havia alugado dois quartos, uma para ele e Santiago e outro para Ivana e Isabel, mas o menino passava mais tempo no quarto delas que no seu.
Já instaladas, Ivana aproveitou para relaxar um pouco. Deitada com o rosto voltado para a janela, ela pensava em sua vida, até que o garoto sentou-se ao seu lado, próximo a cama.
– Por que está triste, tia? – Perguntou ele, acariciando-lhe os cabelos.
– Porque os adultos têm muitos problemas. – Respondeu ela, tentando sorrir.
– Eu posso ajudar, tia?
– Acho que não, somente a tia pode se ajudar, meu amor. – Respondeu ela abraçando-o. – Somente eu posso me ajudar.
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