Aprendendo a te amar
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Notas iniciais
– Minha, somente minha. – Gritou ela, despertando desesperada.
– O que acontece, meu amor? – Disse José Miguel, acordando assustado com os gritos de Ivana.
– Ela é só minha e não posso perdê-la. – Chorando muito, ela tentava explicar, mas José Miguel não conseguia entender. – Não a separe de mim, por favor, se separe de mim, mas não me separe dela.
– Do que está falando, Ivana? Não me assuste, por favor, eu não vou me separar de você.
– Nada, não importa. – Em uma súbita mudança, ela limpou o rosto e sentou-se na cama. Seu olhar era intimidador, não expressava sentimento algum. Com as pernas nuas jogadas na beirada da cama, ela continuava a limpar o rosto. – Quero ver minha mãe, José Miguel. Vou tomar uma ducha e em alguns minutos saímos.
– Me diga o que acontece, Ivana. – Andando em linha reta, ela simplesmente o ignorou e entrou no banheiro, batendo a porta com força.
Durante a ducha, ela tentava entender o seu sonho. Será que era um aviso ou apenas uma criação de sua mente perturbada?
Banhando-se finalmente ela saiu enrolada em sua toalha. José Miguel a observava, e sem entender seu comportamento, ele se calou, se arrumou e em silencio a levou até a sala. Leonor se assustou com a presença de ambos, já que não sabia que haviam chegado. Em passos rápidos, eles não deram chance para que ela dissesse nada.
Em poucos minutos estavam na fazenda vizinha, a fazenda de Valentina, ela era linda, mas como há muito tempo Ivana não via a beleza das coisas, sempre passou despercebido tudo aquilo. Na entrada da fazenda, já próximo a porta, Ivana olhou para a sacada do quarto em que dormia, aquilo a fez lembrar de todo o sofrimento que havia passado.
Com o carro já parado, ela desceu e esperava ele para irem junto até o interior da casa. Isabel estava na cozinha, quando ouviu a voz grossa da filha e assim, correu em sua direção.
– Filha! – Exclamou ela, abraçando-a.
– Mamãe. – Ivana deixou uma lágrima escorrer, uma lágrima que parecia sentir algo de anormal. Alonso estava passeando com Santiago, não muito distante da casa, e vendo o carro de Ivana, sentiu algo estranho, fazia algum tempo que não a via, em seu casamento recusou-se a ir, nas poucas vezes que vinha visitar sua mãe, ele a cumprimentava e se trancava no quarto. Mas ele sentia que precisava vê-la, não para um sexo casual, como faziam antes, mas para ajudá-la. Será que precisava de ajuda?
Neste tempo em que estava refletindo, Santiaguinho já tinha entrado na casa e a festa que fez com a presença de Ivana foi tão grande que podia ser ouvida de fora. Em passos lentos ele seguia para a casa, quando ouviu a voz do menino bem mais próxima.
– Venha conhecer meu pai, tia. – A inocência do menino a fazia rir. Se ele soubesse que já se conheciam desde que ele era um simples bebê, que planejaram fugir, que ela ignorava sua mãe e todas as outras coisas, talvez ele não tivesse todo esse carinho. Mas como crianças são puras, não se sabe a reação do menino.
O menino segurou na mão de ambos que estavam novamente um de frente para o outro.
– Olá, Ivana, como está? – Perguntou Alonso, esticando a mão para cumprimentá-la.
– Bem, e você? – Com essa resposta ele simplesmente descartou a hipótese de ajudá-la, ela estava até melhor que ele, mas alguma coisa em seu olhar requeria sua atenção. O pequeno Santi os observava, agarrado a mão de ambos, em frente à casa.
– Estou bem, e o seu bebê? – Em um movimento rápido, ele colocou a mão sobre o pequeno ventre de Ivana, que só era perceptível com roupas justas. Ela se surpreendeu, mas logo aceitou as caricias e o menino colocou sua mãozinha sobre a do pai.
Conversando, eles seguiram para dentro da casa. José Miguel estava no escritório esperando por Valentina, que tinha ido a empacadora resolver alguns negócios, não demoraria a voltar. Já era quase hora do almoço, assim, eles iriam almoçar e depois voltariam para a casa.
– Boa tarde a todos. – Disse Valentina, adentrando a sala.
– Boa tarde. – Responderam todos.
– Valentina, preciso falar com você. – Disse José Miguel, afagando-a pelo ombro.
– Tudo bem, vamos almoçar e depois falamos.
–Tudo bem.
Todos seguiram para a mesa, as posições eram certas. Valentina encabeçava-a, sentava-se sempre no lugar que seu pai costumava a sentar. Os dois lugares que seguiam eram ocupados por Isabel e Alonso, Santiago sentava ao lado de seu pai e Ivana ao lado de sua mãe, e ao lado de Ivana estava José Miguel.
Já sentados, eles aguardaram alguns minutos até que a comida estivesse servida. Valentina parecia estar contente, estava diante do homem que ela ainda considerava o de sua vida, mas tentava demonstrar o mínimo possível.
– Como está, Ivana? E o bebê?
– Bem, obrigada. – Ríspida, ela não queria muita conversa com Valentina, e nem com José Miguel. O sonho que havia tido ainda estava recente, e ela sentia algo estranho de estar ali.
– Ivana, não vai contar a eles que estamos esperando uma menina? – Ele não entendia a mudança de humor dela, mas queria fazer ela se animar.
– Não ia me dizer que terei uma neta, filha? – Isabel a abraçou com força. – Parabéns, filha.
Valentina levantou-se para cumprimentar a prima que estava vermelha.
– Não ia nos contar nada, é? Parabéns, prima, que ela tenha saúde e que seja tão linda quanto você.
– Muito obrigada, Valentina. – O olhar que Ivana disparou sobre José Miguel era de ira, seu semblante era de ódio. – Maldito José Miguel, quer chamar a atenção da minha adorada prima. – Pensava ela, colérica.
Servida a comida, eles comeram devagar, Ivana ficou em silêncio durante todo o almoço, enquanto os outros riam e brincavam entre si. A única que falava com ela era Isabel, que volta e meia cochichava em seu ouvido.
– Está passando mal, filha? Quer sair para tomar ar? – Ivana sempre acenava negativamente com a cabeça.
Terminando finalmente o incomodo almoço, todos deixaram a mesa, Isabel contava para Ivana como ela se comportava quando bebê, supostamente por presumir que a neta seria igual, mas ela não estava dando à mínima. A cabeça de Ivana fazia um tour e sempre voltava no mesmo lugar, em José Miguel, que por sua vez estava no escritório conversando com Valentina.
– O que devem estar fazendo lá dentro? – Pensava ela. – Será que estão conversando mesmo? E se estiverem falando mal de mim? Não importa, o único que importa para mim é minha nena. – Concluiu ela, sorrindo para a mãe, que falava sobre tiaras e enfeites de cabelo.
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