Notas iniciais
Que comecem os jogos. :v Sinto minha morte now.

– Eu também te amo, meu amor, por você e por nosso filho eu daria a vida.

Enquanto José Miguel se acalmava, Ivana lembrou de uma coisa que realmente o animaria, o ultrassom.

– José Miguel, não se aflija por pouca coisa, você ainda está vivo e deve me ajudar a lutar por nuestro hijo. Falando nele, vamos ligar para marcar um ultrassom? – A tristeza que José Miguel trazia foi imediatamente substituída por um sorriso, ele estava muito ansioso para saber se seria pai de uma menina ou um menino.

– Vamos até ao escritório para fazer a ligação. – Beijando-a no rosto, eles seguiram até o telefone.

Lembrando do hospital que ela ia quando morava na cidade do México, Ivana começou a discar os números. Depois de uma conversa com uma atendente que ela não se lembrava do nome, ela marcou o exame para dali uma semana.

– Muito obrigada, tchau. – Disse ela, finalmente desligando o telefone. – Pronto, curioso, agora finalmente vai saber o sexo de nosso bebê.

– Não vejo a hora de passar essa semana.

– Imagino, José Miguel, aproveitando nossa ida ao México, veja algum lugar para morarmos antes do bebê nascer.

– Não vamos morar lá, ficaremos aqui. – José Miguel não entendia a insistência da amada de morar no México.

– Vamos sim, meu filho não será criado junto com esses bichos do mato.

– Então você é casada com um bicho do mato, pois também sou daqui.

– Você foi levado para lá depois, também foi criado com os seres civilizados, não quero que meu filho seja acostumado a ver cavalos e fofoqueiras, mas sim a carros e a pessoa que estão sempre ocupadas.

– É isso que pensa de mim, Ivana? – Retrucou José Miguel, já colérico.

– Não distorça o que digo, José Miguel, só não que el pequeño tenha a mesma educação e civilidade que esses semi-alfabetizados.

– Tudo bem, sou um xucro do mato que foi levado ainda filhote para a civilização, é isso?

– Pelo seu comportamento de agora, é sim.

– Não vamos e pronto.

– São suas últimas palavras?

– Sim.

– Então tudo bem. – Ivana deixou-o no escritório e seguiu para fora da casa, pegou seu carro e saiu sem rumo, até que no meio do caminho se lembrou um lugar. A cabana.

Chegando finalmente até o lugar afastado, ela desceu e entrou. Olhando novamente para o berço que tinha gravado as seguintes palavras: ‘Ao bebê Montesinos Dorantes’, ela desabou a chorar. Ivana se sentia totalmente insegura sobre aquela criança, ela o amava, talvez, mas não se achava o suficientemente grande para educar uma criança. Embora balzaquiana, ela não tinha maturidade para enfrentar um problema.

– De seu pai você terá orgulho, mas será que terá de mim? – Pensava ela, acariciando o ventre. Ela estava distraída, quando ouviu o galope de um cavalo. Era José Miguel, que vinha, provavelmente, pedir desculpas. Entrando na cabana, ele se deparou com a amada deitada sobre almofadas no chão, próximo ao berço.

– Meu amor, vamos conversar. – Disse ele, indo até ela.

– Não temos muito o que conversar. – Ela voltou-se para o outro lado, deixando-o no vácuo.

– Depois o animal sem civilidade sou eu, olhe seu comportamento. – Colérica, ela se virou novamente e agora sentada, ela o fitava com ira.

– Se sou sem civilidade e imatura, por que se casou comigo?

– Te faço a mesma pergunta, mas para a sua tenho resposta, porque carregas um filho meu.

– Te obriguei a casar? Claro que te amava, assim como te amo, mas você preferia mesmo ficar nos braços de sua adorada Valentina.

– Por que insistes em colocar o nome de Valentina nas coisas?

– Porque como eu te disse uma vez, sempre fiquei a sua sombra e não existe como falar de mim, sem a maldita Valentina, a adorada Valentina. Ela me roubou tudo na vida, o amor, a atenção e até a paz.

– Se você tivesse tentado trilhar seu próprio caminho, não teria problema com ela.

– E você acha que foi por ela que comecei a te amar? – O silencio pairou por alguns segundos. José Miguel sempre pensou que Ivana só se interessara por ele porque sua prima o amava.

– E não foi? Ivana, você aproveitou que eu estava bêbado para passar uma noite comigo.

– Bom, eu não estou disposta a passar uma vida ouvindo isso, se quiser acreditar em meu amor, bem, se não quiser, também. Até nunca, José Miguel. – Ela deixou a cabana e entrou no carro, e sem se despedir dos demais, seguiu para o México, sem nenhuma mala ou qualquer coisa do tipo, apenas a bolsa, o carro e o filho.

– Por que só faço burrada? – Perguntou José Miguel, sentando-se na porta da cabana.

Ela seguia sem destino, o som de suas lágrimas ecoava dentro do automóvel. Com um turbilhão de coisas na cabeça, o único que ela pensava em fazer era chorar. A viagem demoraria, mas como ela conhecia atalhos, ficaria mais curta. Depois de alguns longos minutos, ela finalmente parou de chorar e com o rosto ainda inchado, parou para comprar algo para comer. Entrando no restaurante, Ivana sentou-se em uma mesa com dois lugares e ali pediu o jantar. Enquanto jantava, um rapaz sentou-se na outra cadeira e ficou observando-a comer.

– Olá, posso te ajudar? – Pergunto ela, vendo que o rapaz não iria embora tão cedo.

– Pode sim, está tudo bem com a senhora? – O rapaz parecia ter uns 38 anos, grisalho, de boa aparência. Usava um casaco preto, botas e sapatos da mesma cor, seu cheiro podia ser sentido a quilômetros de distancia, aparecia um príncipe, ou um rei, já que não era mais tão jovenzinho.

– Não muito, tive uma séria discussão com meu marido e por favor, não me chame de senhora, assim me acrescenta uns 10 anos. – Ele conseguiu fazer Ivana sorrir e isso a deixou muito feliz.

– Bom, eu não te conheço, mas acredito qualquer um que te faça chorar não te mereça. Não conheço sua vida, mas és muito bonita e pode fazer sua vida com qualquer um, basta querer. – Ivana não sabia se agradecia ou se o chutava, aquilo parecia um conselho em forma de cantada, ou era só uma cantada, enfim, ele a fez sorrir novamente.

– Você é casado? – Perguntou ela, finalmente terminando de comer.

– Sou, ela está no carro. – Quando ele levantou-se para despedir-se dela, uma pequena garotinha saiu gritando por ele.

– Papai, papai! – Gritava a menina, eufórica. Parecia ter uns 4 ou 5 anos, lembrava muito a Valentina naquela idade.

– Não grite deste jeito, Valentina. – Ivana levantou-se surpresa, a garota além de parecer com Valentina tinha o mesmo nome, isso era muita coincidência ou algo de sua cabeça, e ela preferia ficar com a primeira opção.

– Valentina?

– Sim, minha filha. – Vendo o ventre protuberante de Ivana, ele apenas sorriu. – Bom, estou indo, prazer em conhecê-la e espero que se entenda com seu marido para que o bebê nasça em um lar creio de amor, assim como nasceu minha Valentina. – Disse ele, cumprimentando-a com uma mão, enquanto a outra carregava a tão amada filha. – Até algum dia, é, como é seu nome?

– Ivana Dorantes de Montesinos.

– O meu é... – O rapaz foi interrompido por ela, que pegava sua bolsa.

– Não fale, acho que não há necessidade de eu saber. Bom, até algum dia, senhor e muito obrigada.

– Até algum dia, Ivana. Imagina, quando precisar estarei aqui. – Ivana também não entendia sua atitude de não querer saber seu nome, mas o que ela precisava entender, entendeu, ele a ajudou a pensar sobre ela e José Miguel.