Aprendendo a te amar
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Notas iniciais
– Até algum dia, Ivana. Imagina, quando precisar estarei aqui. – Ivana também não entendia sua atitude de não querer saber seu nome, mas o que ela precisava entender, entendeu, ele a ajudou a pensar sobre ela e José Miguel.
Ela pagou a conta e voltou para a estrada, agora não faltava muito para chegar à mansão Vilalba, onde ficaria até a próxima semana. Durante todo o caminho ela estava com a pequena Valentina na cabeça. – Será que ela era Valentina? Será que estou ficando louca? Ivana, isso é coisa da sua cabeça, é apenas uma coincidência, afinal, há muitas Valentinas no mundo. – Concluiu ela.
Já era madrugada, quando ela finalmente chegou até a casa. Como ainda possuía as chaves, entrou sem aviso prévio.
Assustadas, as empregadas, Noemi e Rafaela desceram desesperadas.
– Quem está ai? – Gritou uma das moças.
– Sou eu, Ivana, vou passar uma temporada aqui. – Mais tranquilas, elas desceram para cumprimentá-la. Surpresas com a gravidez, elas se calaram, já que sabiam que a patroa não era muito sociável. – Meu quarto está arrumado?
– Está sim, senhorita.
– Agora sou senhora, me casei há pouco tempo. – Surpresas, as moças se entreolharam e continuaram em silêncio.
– Perdão, senhora, mas onde estão as malas?
– Não as trouxe, usarei minhas roupas que ficaram e se necessário as de Valentina.
– Ah sim.
Ivana subiu as escadas, exuberante e linda, como sempre fazia. Chegando ao seu antigo quarto, ela se jogou sobre a cama.
– Saudade de vocês, lençóis de seda, cama confortável e ar de civilização. – Por alguns instantes José Miguel foi totalmente retirado da cabeça de Ivana, ela sequer lembrava-se dele. Ela o amava, mas o que precisava no momento era descansar para resolver seus problemas pela manhã. Assim adormeceu, cheia de esperanças e planos.
Enquanto isso, na fazenda Montesinos, José Miguel chorava, mas se conformava, pois suas roupas ainda estavam no armário. Abraçado a um de seus casacos, ele tentava dormir.
– Amanhã vou revirar o mundo até te achar, meu amor, me perdoe. – Deitado de costas para a porta, o único que ele pensava em fazer, era chorar.
Os dias continuavam a passar, Ivana tentava não pensar em seu amado José Miguel, mas ele vinha em sua mente, sempre em FlashBacks felizes, afinal, nesse pouco tempo que estava ao seu lado foi muito feliz, ela não tinha certeza, mas o sofrimento que havia passado compensara. Todas as noites eram cheias de lágrimas, de ambas as partes.
José Miguel a procurou de todos os lados, Valentina havia ligado para sua casa no México, já que presumia que a prima estivesse lá, Ivana pediu para que não o dissesse onde estava, já que foi para lá para se organizar mentalmente. A procura de sua amada, ele saia ao amanhecer e voltava ao anoitecer, comia algo, tomava um banho e ia para a cama.
A euforia finalmente tomou conta de Ivana, agora ela queria saber que sexo tinha seu bebê, ela estava se apegando aos poucos a ele, já o imagina em seus braços e sentia seu cheiro. Isabel, por sua vez, sofria sem ver sua filha, mas respeitava sua decisão de ir para longe, ela acreditava que com isso Ivana pudesse amadurecer mais um pouco, já que ao lado do amado havia amadurecido bastante.
Faltava somente um dia para o tão esperado exame, José Miguel se preparava para partir para o México, pois sabia que ela não faltaria ao exame e assim ele poderia vê-la. Passando por Leonor, ele simplesmente saiu sem dar qualquer informação a ela, Chuy, muito curioso, perguntou aonde ele iria.
– Aonde irá, patrão?
– Vou saber o sexo do meu filho, lá no México, Chuy, mas é um segredo nosso.
– E se sua mãe perguntar?
– Creio que não perguntará, mas caso ocorra, diga que não sabe.
– Tudo bem, boa viagem e mande muitos beijos para o bebê e para a senhora.
– Mando sim. – Entrando no táxi, José Miguel foi até uma cidade próxima para ir de avião até o México. José Miguel estava aflito, esperava encontrar sua esposa bem, tentaria lhe pedir perdão, mas sabia que seria difícil, já que a moça era muito sentimental.
Passados alguns longos minutos, José Miguel finalmente chegara à cidade. Seu avião não demoraria a decolar, assim, ele se apurou para que não perdesse a hora. A noite estava clara e Ivana observava a lua, com as mãos sobre o ventre e sentindo uma alegria temporária, que logo foi substituída pela tristeza.
– O papai voltou a não se importar conosco, nem para saber de você ele virá. – Lágrimas teimosas insistiam em escorrer sobre seu rosto. Puxando as cortinas, Ivana sentou-se na cama e aos poucos foi adormecendo.
José Miguel já estava no aeroporto, ele chegaria de madrugada à cidade do México. Com o hotel já reservado, sua única preocupação era com Ivana, que não saia nenhum instante de sua mente, deixando-o temeroso. Já no avião, ele estava inquieto, as mãos giravam incessantemente, assim como o coração, que não demoraria a saltar pela boca.
– Vamos, vamos, avião, chegue logo. – Pensava ele, olhando para todos os lados. Meia hora foi o tempo suficiente para que chegasse a terra firme, mas de firme, naquele momento, era só a terra, já que José Miguel estava dilacerado. – Agora é só te encontrar, meu amor.
No hotel, José Miguel chegou pouco antes das 04h30m, assim precisava fazer da noite o mais proveitosa, já que estaria que estar lá logo ao amanhecer. Ivana estava tão eufórica que durante a noite acordara pelo menos quatro vezes. Ela descia para tomar algo e voltava para o quarto para tentar dormir, mas sem sucesso. Embora sua cabeça estivesse repudiando José Miguel, seu coração dizia que ele viria, que ele a amava e que nunca abandonaria.
– Eu te amo com todas as minhas forças, José Miguel, te amo que nunca amei homem algum. – O sono a consumiu e o único que a fez acordar foi o despertador, que avisava que ela tinha um motivo para lutar, seu bebê.
Diferente de tudo que as empregadas já viram, Ivana levantando de bom humor pela manhã, já era raridade ela acordar de bom humor, mas pela manhã era realmente extraordinário.
– Bom dia, meninas! – Disse ela, entrando no banho e com um imenso sorriso no rosto. As moças se entreolharam e caíram na gargalhada.
A gravidez finalmente parecia surtir efeito em seu comportamento, mas talvez não fosse só ela, mas também o amor de José Miguel, que a fez saber o que é ser amada e amar, amar intensamente, como ela nunca havia amado. No banho ela cantava, cantava com a alegria de uma mãe que vai receber seu filho em algum meses, mas o coração ainda estava apertado.
De banho tomado, ela vestiu-se, parecia estar de luto, já que o casaco era preto, a cacharrel era preta, a calça era preta, o sapato era preto e a bolsa que tinha um tom escuro de cinza, que conhecemos popularmente como preto.
Ivana desceu correndo, precisava estar pontualmente no local, assim pegou seu carro e saiu desesperada. Chegando ao hospital, ela desceu, pegou sua bolsa e seguia confiante até a recepção, quando ouviu um passo acelerado que vinha logo atrás.
– Espere, Ivana!
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