Aprendendo a te amar
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Notas iniciais
– Não devia ter a trazido. – Pensava ele. – Ela insistiu tanto para ficar em casa. — Concluiu ele, carregando-a.
Ele andava desnorteado, quando, finalmente, sua amada deu ‘sinal de vida’. Sentando-a nos pés de uma árvore, José Miguel acariciava-lhe o rosto para conferir se estava tudo bem.
– Está tudo bem, meu amor?
– O que aconteceu, por que estamos aqui?
– Você desmaiou, pouco depois de deixarmos o lugar onde discutira com Gabriela e eu estava te levando ao centro de saúde.
– Vamos embora, estou bem, só um pouco tonta. – Com medo de que ela voltasse a desmaiar, ele foi apoiando-a durante todo o caminho até a caminhonete.
– José Miguel, eles vão achar que estou borrachada.
– Pouco me importa o que eles vão achar, imagina se você cai e se machuca? O que eles acham não vai te ajudar a levantar ou curar seus ferimentos, vai?
– Tudo bem, você venceu. Vamos para a casa, ainda preciso voltar a dormir.
– Mesmo depois de um desmaio ainda continua com preguiça? Só você mesmo. Não quer mesmo ser revisada pelo Felipe?
– Não, eu só quero minha casa. – O cuidado excessivo de José Miguel já começava a irritá-la, acostumada a uma vida sem limites, o cuidado excessivo realmente era desconfortável.
Chegando finalmente até a caminhonete, José Miguel abriu a porta para ela, como o verdadeiro gentleman que era.
– Eu ainda sei abrir a porta, ok?
Passados alguns minutos, eles chegaram a casa. Leonor estava na sala, de costas para a porta, o pouco afeto que a ela era dado, realmente estava a afetando, mas eles não davam muita importância.
– Meu amor, vá se deitar um pouco, eu vou conversar com o Juan sobre alguns problemas da fazenda e já volto para cuidar de vocês.
– Tudo bem. – Se dirigindo até seu quarto, Ivana andava de um lado ao outro, não tinha o que fazer e as maldades de antigamente a faziam muita falta, perturbar a vida de Valentina parecia realmente tentador, mas como ela já conseguira o que queria, não teria porque importuná-la. – É realmente maravilhoso perturbar a Valentina, mas vou deitar um pouco, como me recomendou meu amado esposo José Miguel.
Deitando-se na cama, ela se lembrava de muitas coisas que havia vivido ao lado de sua adorada prima por José Miguel. Saber que toda sua luta não foi em vão era tão reconfortante. – Fez isso para mostrar-me que é melhor que eu. – Lembrava ela, rindo de seu próprio triunfo. Ivana não queria ser má, mas a maldade era realmente tentadora. O sono que ela sentia havia sumido, ela agora estava concentrada em planejar seu futuro. – Vamos morar no México com nosso filho e tudo será perfeito, sem Leonor, sem Valentina, Alonso, e sem ninguém. – Porém algo a prendia ao lugar, sua mãe, que embora ausente durante toda sua vida, era sua mãe, e ela não poderia negar que a amava. – Será que mamãe virá comigo?
A conversa consigo mesma demorou até acabar, depois que ela entrava em um senso consigo mesma, ela discordava e dava inicio a uma nova discussão. Ivana tinha uma personalidade forte e uma das suas características mais marcantes era sua controvérsia.
Voltando finalmente para ela, José Miguel vinha eufórico, depois que aprendeu a amá-la, não queria deixá-la sozinha nenhum instante. José Miguel compreendera que ela precisava de alguém que amasse pelo que era, não pelo que poderia proporcionar, Ivana era uma mulher atraente, o sonho de qualquer homem, mas também tinha um coração, um coração que fora esquecido por todos, até mesmo por ele, que enfim conseguira reconhecê-lo, ele era seu e deveria amá-lo, assim como tudo que vinha de sua esposa.
– José Miguel, por que me ignora? – Surpreendeu Leonor, vindo até ele.
– Mamãe, o que quer que eu faça? Você arruinou toda minha vida, mentiu sobre tudo e ainda não quer ser ignorada?
– Mas graças a minha insistência hoje você é casado com uma mulher que ama, ou melhor, que aprendeu a amar, e terá um filho com ela, me perdoe, filho.
– Não foi a sua insistência e sim a dela. Ora qual, mamãe, você a usou como usa todos. Apenas se juntou a Ivana para destruir sua mãe. Isabel é uma mulher boa, a mulher que a senhora nunca conseguiu ser. Papai realmente deveria ter se casado com ela, mas se isso tivesse acontecido hoje não estaria casado com Ivana, que hoje é tudo que tenho.
Leonor não se conteve e bofeteou o próprio filho, que não se abateu e simplesmente foi ao encontro da amada. Chegando ao quarto, Ivana estava deitada de costas para a porta, envolta em um edredom, ela parecia protegida e aquecida.
– Meu amor, está acordada?
– Sim, estou, venha aqui. – Sentando-se na cama, ela viu a expressão de tristeza que o amado trazia. – O que aconteceu, José Miguel?
– Briguei com minha mãe. – Sentando-se na cama, ele desabou. Chorava como um bebê, abraçado a Ivana, ele chorava como nunca havia chorado. – Sabe, as vezes acho que fracassei em minha vida, não soube fazer a fazenda prosperar, não soube salvar meu pai, não soube ser homem o suficiente para desistir de tudo para ficar com você, desde que soube da existência dessa criança.
– José Miguel, na vida de todo mundo há fracassos. Só se consegue as coisas com os erros e com o fracasso, imagine só, eu dando conselhos a alguém, que ironia. Não se deixe abater, meu amor, estamos aqui, eu não guardo mágoas de você por tudo que ouvi, pela aceitação tardia, enfim, não guardo. Com a fazenda não posso te ajudar porque estou grávida e nunca trabalhei, não faço ideia de nem como se começa, mas saiba que todo final de tarde, ao regressar para a casa, estarei te esperando e terei orgulho de você, tenho orgulho de você e daqui alguns meses nosso filho estará junto comigo. Fracassando ou não, você será sempre nosso herói e temos muito orgulho de você. – Sem dizer nenhuma palavra, José Miguel a abraçou, um abraço forte e carinhoso, um abraço que demonstrava toda a gratidão que um homem pode sentir.
– Você não sabe o quanto eu te amo, meu amor, eu te amo mais do que pensei amar alguém.
O filho que Ivana trazia no ventre havia ensinado muitas coisas a ela, entre elas, a maturidade. Tais palavras não seriam ditas pela mesma há alguns meses atrás, ela era imatura, inconsequente, egoísta e até mesmo fria. Seu bem estar era o primordial, o que as outras pessoas sentiam não a importava. Amando José Miguel, ela aprendeu todas as lições que o sofrimento pode dar, mas sendo amada por ele e amando seu filho ela aprendera todas as lições que o amor pode ensinar, lições que ela ainda não conhecia, já que seu maior professor foi o sofrimento.
– Eu também te amo, meu amor, por você e por nosso filho eu daria a vida.
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