Aprendendo a te amar
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Notas iniciais
– Obrigada, Chuy, muito obrigada.
Um grito de Tereza interrompeu o momento e assim o menino deixou Ivana no quarto, mas antes de partir beijou-a no rosto.
– Até depois, senhora.
Sozinha, ela voltou a ler as revistas.
– Não vejo a hora de te ver, meu amorzinho. – Disse ela, olhando para o ventre. – Que fome! Vou pedir algo para comer. – Levantando da cama, Ivana caminhou até a sala, onde fez o desjejum com um chá e algumas torradas, enquanto esperada seu amado José Miguel retornar. Algum tempo depois, ele apareceu, tentando fazer o mínimo de barulho, já que esperava encontrá-la adormecida.
– O que faz ainda acordada? – Perguntou ele, fitando-a com espanto.
– Oras, estava te esperando. O que aconteceu com a caminhonete?
– Nada, só ficou sem gasolina, Juan foi buscar e por isso demorei, fiquei com ela na beira da estrada até ele retornar.
– Ah sim, agora vamos dormir, senti sua falta. – Ela o agarrava para um beijo doce e sincero.
– Como você é manhosa. – Ele a carregou e levou até a cama. Deitados, eles conversavam sobre o dia, o aprendizado e até mesmo sobre a caminhonete.
– Hoje fiz as pazes com o Chuy. – Disse ela, sentando-se na cama. – Me sinto com dez quilos a menos agora.
– E você era brigada com ele?
– Não, mas ele parecia não gostar de mim e agora entendi o porquê, mas vamos esquecer, vamos dormir. – Agarradinhos, eles passaram a noite, na mesma freqüência cardíaca repousaram, para um novo dia cheio de amor.
Já amanhecia, e José Miguel já estava desperto, ele a observava dormir, e com as mãos em seu ventre pensava sobre o sexo da criança. – Quero saber se terei uma filha ou filho. – Pensava, ainda acariciando-a. Com o insistente toque em seu ventre, Ivana foi despertando e com ela também o mau humor.
– Que horas são? A pessoa chega tarde, me faz esperar e ainda me acorda antes mesmo de amanhecer? Isso é brincadeira. – Com toda sua delicadeza cotidiana, ela voltou-se para o outro lado, pressionando o travesseiro contra a cabeça.
– Bom dia para a senhora também, rabugenta. Ivana, já se perguntou se nosso filho é menino ou menina? Não tem curiosidade de saber?
– É menino, agora volte dormir. – A voz abafada pelas cobertas se fazia ainda mais engraçada.
– Como tem tanta certeza?
– Eu não sei, só estou chutando.
– Eu acho que é menina.
Tirando finalmente o travesseiro do rosto, ela o fitou com um sorriso. – Tudo bem, você venceu, eu estou acordada.
– Finalmente, preguiçosa! – José Miguel saltou da cama, ele parecia estar realmente animado para começar o dia, já Ivana, essa levantava vagarosamente, sentando-se finalmente ela procurava as pantufas, quando seu amado entrou no banheiro ela se jogou para trás. – Levante-se! – Gritou ele, ouvindo o som do corpo sobre a cama.
– Tudo bem, já vou, já vou! A cada manhã é uma desilusão.
A manhã passou voando, José Miguel foi resolver alguns problemas e levou-a junto para desfilar com sua mulher e seu filho. Ele andava orgulhoso agarrado a ela, não faltou assunto para aquela manhã tão agradável, e entre tantos assuntos, o ultrassom era o central.
– Ivana, precisamos saber o sexo de nosso filho.
– Eu sei, meu amor, marcarei um ultrassom hoje, pode ser? Mas agora vamos embora, estou cansada, afinal não dormi direito.
– Vai ficar o dia todo reclamando disso, não é?
– Vou, eu quero dormir.
– Deixe-me exibir-te mais um pouco e depois iremos. – Disse ele, acariciando-a no rosto.
– Tudo bem, mas me exiba logo.
Enquanto andavam pela cidade, esbarraram em Horácio e Gabriela que vinham apaixonados.
– José Miguel?! – Exclamou Horácio, esticando o braço para cumprimentá-lo. – Não te esperava ver aqui, como está?
– Estou bem, obrigado. E por que não me esperava ver aqui? – Quando Ivana o viu observando-a, agarrou firme em seu amado. Gabriela cumprimentou José Miguel mas simplesmente ignorou Ivana, diferente de Horácio, que usou toda sua falsidade para constrangê-la.
– Por nada, é que parece estar ocupado agora que recém-casado. – Não aguentando mais aquela situação, Ivana o pediu para ir embora, vendo o gesto da prima que havia roubado o amado de sua amiga, Gabriela perdeu a cabeça.
– Parece estar feliz, não é, Ivana? Roubou o amor de sua prima, depois de viver uma vida roubando-a, eu teria vergonha, mas você não tem vergonha de nada, não é? Nem mesmo de roubar o amor de sua prima por duas vezes.
– Não dirija sua palavra a mim, professorinha medíocre, quando estiver morando em sua casa, pode falar que roubei alguém por anos. José Miguel escolheu a mim e não posso fazer nada, e você, o que diz sobre vergonha, hoje dorme com um homem que me desejava, que te usou para me esquecer.
– Mas eu trabalho para estar lá, você viveu uma vida ociosa, sempre nas costas da mulher que você já disse odiar.
– O que faço ou fiz não te diz respeito, quem me sustentava não era você, ou era? – Vendo que Ivana estava empalidecendo, José Miguel a puxou delicadamente pelas mãos.
– Vamos, meu amor, não se estresse por pouca coisa.
– Pouca coisa?! Valentina foi pouca coisa para você, José Miguel? — Gabriela parecia ainda mais irada.
– Não te importa. – Respondeu ele, ríspido. – Vamos, meu amor, não quero que nada passe ao nosso filho.
– Vamos sim, querido. – José Miguel colocou-a na caminhonete e seguiram para a casa. Ivana estava nervosa, tremia muito e empalidecera de uma maneira que ele achava que não demoraria muito a desmaiar.
– Está tudo bem, Ivana? – Junto com a pergunta veio o desmaio. O corpo de Ivana caíra sobre o banco, ela parecia gelada. Segurando-a com uma mão, ele tentava estacionar a caminhonete. – Meu amor, fale comigo, por favor. – Sem saber o que fazer, José Miguel desceu da caminhonete, e como não estava muito longe do posto de saúde, a colocou no colo e a levou até lá. – Volte para mim, meu amor. – Dizia ele, levando-a nos braços por toda a cidade.
A cena era linda aos olhos, mas trágica para os que a vivenciavam. Com lágrimas nos olhos, José Miguel levava sua amada nos braços, o seu peso não era nada perto do peso que trazia no coração. – Não devia ter a trazido. – Pensava ele. – Ela insistiu tanto para ficar em casa. — Concluiu ele, carregando-a.
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