Aprendendo a te amar
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Notas iniciais
– Você é a mulher da minha vida, Ivana.
Logo ao amanhecer, José Miguel já estava desperto e antes mesmo de comer algo partiu para a cidade. Seus pensamentos estavam voltados na situação em que eles estavam: Dois adultos quase recém papais, que tinham somente cinco meses para aprender a lidar com uma criança. Em uma loja infantil, José Miguel comprou várias revistas sobre bebês, bonecas, fraldas e tudo que precisavam aprender. Com a caminhonete lotada de sacolas coloridas, ele voltou para a casa. Ivana ainda não havia despertado, e ele preferiu deixá-la dormir. Pouco tempo depois, Ivana despertou e vendo as sacolas levantou eufórica, mas não foi até elas, e sim atrás de José Miguel, mas primeiro tomou um bom banho, vestiu uma roupa leve e assim foi até o marido.
– Bom dia, meu amor, dormiu bem? – Perguntou ele, cumprimentando-a com um beijo.
– Dormi sim, José Miguel, foi você que trouxe aquelas sacolas? O que comprou?
– Vamos estudar.
– Hein? – Ivana ficou surpresa, achou que era brincadeira e simplesmente sorriu.
– Sim, estudar, vamos aprender a como ser papais, bons papais. – Mais aliviada, ela caiu na gargalhada, deixando-o confuso. Nos pensamentos de Ivana passavam os tantos anos que passou na escola, nas aulas que matava, nas provas que zerava e até quando chantageava os colegas por resposta, ela foi realmente terrível no colégio.
– Por que ri, meu amor? – Questionou confuso.
– Por nada, só me lembrei dos meus tempos de ‘boa aluna’. – As aspas feitas com os dedos o fizeram entender o motivo da risada, e assim riu também.
De mãos dadas eles foram tomar café, Leonor tinha acabado de deixar a mesa, ela estava quieta ultimamente, mas como era tão sentimental, eles não deram muita importância. Conversando sobre o casamento, eles tomaram um agradável café, e assim seguiram para o quarto.
Chegando lá, José Miguel pegou todas as revistas e as agrupou no canto da cama, mas as bonecas continuavam dentro das sacolas.
– Quero que fiquemos a vontade como na lua de mel. – José Miguel começou a se despir, ficando somente de cueca. – Pronto, é a sua vez. – Sem titubear, Ivana fez o mesmo e assim se aninharam na cama. Ela estava sentada entre as pernas do amado, enquanto a cabeça estava repousa sobre um dos ombros do mesmo.
A primeira revista trazia um lindo bebê na capa, assim deixando-os ainda mais empolgados. Abrindo a revista, a primeira página trazia o seguinte título: Evolução embrionária. As páginas seguintes traziam fotos de embriões em desenvolvimentos, e na legenda estavam os meses de gestação. Chegando ao quarto mês, eles ficaram extasiados.
– Nosso bebê está assim, José Miguel! – Ivana parecia realmente empolgada com o bebê que carregava, as mãos fortes de José Miguel se tornavam delicadas e frágeis quando tocavam seu ventre, ele o acariciava o tempo todo, se um feto pode sentir o quanto é amado, esse provavelmente sentia, e muito.
– Está sim, meu amor. Não te parece estranho que algo tão pequeno e frágil esteja dentro de você? Você não sente sufocá-lo?
– Sabe que nunca pensei nisso? Acho que não está sufocado aqui dentro, deve ser até confortável, imagine só, quentinho, aconchegante e ele pode ficar deitado, eu queria estar assim.
– Mas você está, ou não sou aconchegante? – Carinhoso, ele a enchia de beijos na bochecha.
– Hum, não muito, eu sou mais, afinal nosso filho não reclama. – Rindo, ela envolveu as mãos do amado sobre o corpo com ainda mais força, quando era abraçada por ele, sentia-se segura.
– Ingrata. Só não te solto porque eu te amo. – Voltando para a revista eles continuaram a vê-la, nos meses seguintes o bebê ia ficando cada vez mais perfeito, e isso os deixava mais entusiasmados.
Chegando finalmente nos cuidados com a bebê, leram um pouco sobre refluxo,e Ivana entrou em desespero, afinal não sabia nem o básico sobre um bebê.
– José Miguel, não sei nem trocar o bebê, como vou saber controlar o refluxo?
– Isso não é problema, espere ai. – Saltando da cama, ele foi até as últimas sacolas, e delas tirou duas bonecas, um pacote de fraldas, mamadeiras, chupetas e roupinhas.
– Não acredito nisso! Você é louco! – Sentando-se novamente na cama, ele tirou as bonecas da caixa, entregou uma a ela e ficou com a outra. Pegou a última revista, e em sua contracapa estava as instruções de ‘Como trocar um bebê’.
– Achei! – Exclamou ele. – Vamos, preguiçosa, levante-se, vamos trocar os bebês, estão chorando.
Com as instruções separando as duas bonecas, eles começaram a segui-las, uma a uma, e assim as fraldas foram tomando forma e utilidade no corpo do ‘bebê’.
– Consegui! – Gritou ela, segurando a boneca, já trocada, nos braços.
– Não jogue na cara, ainda estou tentando tirar esse maldito adesivo.
Com toda paciência do mundo, Ivana o ajudou a trocar o bebê, agora que aprendeu, ela se sentia realmente expert no assunto.
Com as bonecas jogadas ao pé da cama, eles passaram a tarde lendo, e de vez em quando levantavam para ‘praticar’ o que aprenderam.
A tarde passou voando, afinal quando se diverte o tempo passa sem perceber. Já anoitecia, e foram interrompidos por um toque na porta.
– Quem é? – Perguntou José Miguel, vestindo-se rapidamente.
– Sou eu, Patrão, Chuy. – Pegando o vestido que estava jogado próximo à cama, Ivana levantou e correu vesti-lo. José Miguel esperou até que ela o vestisse, assim abriu a porta.
– Olá, amigão, algum problema?
– É que a caminhonete parou na metade do caminho, e meu pai está lá esperando ajuda. – Ele correu até o guarda-roupas, pegou o casaco e saiu, deixando somente Chuy e Ivana no quarto.
– Chuy, posso te fazer uma pergunta? – Questionou ela, surpreendendo-o.
– Pode sim, patroa. – O menino tentava encará-la, mas não conseguia, olhando somente para o chão.
– Por que não gosta de mim? – O menino não sabia o que dizer, pensou por alguns instantes e finalmente disse algo.
– Não é que não gosto da senhora, mas tenho medo.
– Medo? De mim?! – Ivana ficou surpresa e triste ao mesmo tempo, nunca pensou que fosse temida, ela realmente não queria ser ou parecer má, mas isso se fazia inevitável.
– Sim, lembra de quando subiu no cavalo e me empurrou? A senhora nunca pareceu gostar de mim, e não gosta, por isso fui pegando medo do que poderia fazer. Seus gritos me assustam, e senhora pareceu realmente má com sua prima.
Ivana ficou pensativa, o garoto tinha razão, ela não parecia muito boa, aliás, parecia muito má, mas as pessoas não entendiam o quanto havia sofrido na vida e julgavam o que viam, não se perguntavam o porquê de tanta maldade.
– Deixa-me te provar o contrário? Eu não sou má! – Com lágrimas escorrendo dos olhos, ela começou a desabafar. – Sabe, Chuy, você ainda é muito pequeno, mas já entende certas coisas, talvez muitas, Valentina sempre foi a mais papachada, a que tinha a atenção de todos... Bem, não vou te contar essa longa história, o que quero dizer é que não sou má, fiquei má e não foi porque quis, foram as circunstancias, só quero tentar ser sua amiga, afinal, moramos na mesma casa e devemos viver da melhor maneira possível. – Com um sorriso no rosto, Ivana esticou o braço para cumprimentá-lo. – Me perdoa?
– Claro que sim, senhora Ivana, e sim, podemos ser amigos. Eu gosto da senhora, só te achava má, mas agora não tenho mais medo e a senhora é boa também. Estou muito feliz pelo seu bebê! – Ela o abraçou, o garoto parecia finalmente desculpá-la.
– Obrigada, Chuy, muito obrigada.
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